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Tarifas dos EUA vão encarecer tratores no Brasil e no mundo

Os agricultores ao redor do mundo devem começar a sentir os impactos das tarifas do ex-presidente Donald Trump na forma de preços mais altos pelas máquinas usadas para plantar, tratar e colher.

Esse é o alerta feito pelas fabricantes AGCO e CNH Industrial. Com o aumento das tarifas, essas empresas devem repassar os custos extras para os agricultores — tanto nos Estados Unidos quanto em outros países.

Por exemplo, alguns dos modelos mais sofisticados de tratores e colheitadeiras da AGCO, como os da marca Fendt, são fabricados na Europa, onde as exportações para os EUA passaram a sofrer tarifas de 15%. Em vez de aplicar esse aumento diretamente em um único modelo, a empresa decidiu diluir os custos em sua linha de produtos.

“Temos uma pilha de custos que precisamos absorver de alguma forma, e estamos tentando distribuir isso como dá, ao redor do mundo, em todos os produtos”, disse o CEO da AGCO, Eric Hansotia.

As tarifas ainda são um alvo móvel, já que a nova rodada anunciada por Trump estabelece tarifas mínimas de 10%. Isso tem levado as empresas a desenvolver cenários cada vez mais complexos para minimizar os custos e manter a lucratividade. A AGCO projeta por enquanto uma alta de 1% nos preços para 2025 — número que ainda pode mudar.

A CNH, dona de marcas como Case IH e New Holland, afirmou na sexta-feira (1º) que já aumentou os preços dos modelos de 2026, embora não tenha detalhado os percentuais. A empresa já vinha enfrentando aumento de custos por causa de tarifas sobre aço e alumínio, o que também encareceu os insumos nos EUA.

“Vale lembrar que a maioria das máquinas vendidas neste trimestre ainda não foi muito impactada pelas novas tarifas”, disse o CFO da CNH, James Nickolas. “Esses impactos devem vir mais fortemente no segundo semestre, conforme esse estoque com tarifas mais altas entra na nossa linha de produção.”

Os preços mais altos das máquinas chegam num momento difícil para o setor agrícola: os preços das commodities estão em queda, o que reduz a capacidade de investimento dos produtores. Segundo a CNH, há também um aumento da inadimplência entre os agricultores brasileiros, embora a empresa acredite que o pico já tenha passado.

“É um momento cíclico difícil para os produtores do Brasil”, afirmou Nickolas.

 
Fonte: Valor
Seção: Agro, Máquinas & Equipamentos
Publicação: 04/08/2025

O que está em jogo na relação comercial entre Brasil e Estados Unidos?

A decisão recente do governo dos Estados Unidos de aplicar uma tarifa de 50% sobre as importações de produtos brasileiros, a partir de 1º de agosto, representa, na prática, um embargo comercial. No caso do setor de máquinas e equipamentos, que é intensivo em tecnologia e inovação e opera em um ambiente de elevada competição internacional, simplesmente não há margem para absorver esse impacto. Com essa tarifa, o comércio torna-se inviável.

Vale lembrar que os Estados Unidos são o principal destino das exportações brasileiras de máquinas e equipamentos. Em 2024, o setor exportou US$ 3,54 bilhões para aquele mercado, o equivalente a 26,9% do total exportado pelo segmento. Trata-se de uma relação comercial sólida, construída ao longo de décadas e que envolve complementariedade entre cadeias produtivas. Muitas das máquinas e componentes exportados pelo Brasil são utilizados por indústrias norte-americanas para montagem final ou produção de bens de maior valor agregado. É uma relação “ganha-ganha” – e que não pode ser rompida de forma unilateral.

É importante destacar que, neste comércio bilateral, o Brasil tem déficit. No ano passado, importamos dos Estados Unidos US$ 4,7 bilhões em máquinas e equipamentos, frente aos US$ 3,54 bilhões exportados, o que resultou em um saldo negativo de US$ 1,16 bilhão para o nosso país, enquanto que na balança comercial total entre EUA e Brasil, os norte-americanos também tem superavit. Isso enfraquece o argumento de que haveria um desequilíbrio comercial a ser corrigido por meio de barreiras tarifárias.

Diante desse cenário, a ABIMAQ reconhece e apoia os esforços do governo brasileiro em buscar uma saída pela via diplomática. Temos plena confiança na capacidade do vice-presidente e ministro da Indústria e Comércio, Geraldo Alckmin, bem como do ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, em conduzir negociações sérias, firmes e responsáveis. O melhor caminho, neste momento, é a busca de um acordo que garanta a continuidade da relação comercial e evite prejuízos tanto para empresas brasileiras quanto para as próprias indústrias norte-americanas que dependem de nossos insumos.

Também é fundamental lembrar que há cerca de 3,9 mil empresas americanas com investimentos produtivos no Brasil com o objetivo de exportar seus bens e serviços. Essas companhias, muitas das quais operam em cadeias binacionais integradas, também serão afetadas por uma tarifa dessa magnitude. É do interesse mútuo preservar esse ambiente de cooperação econômica.

O setor industrial brasileiro, sobretudo aquele que atua na fronteira da tecnologia como é o caso da indústria de máquinas e equipamentos, já convive com a dura concorrência dos produtos asiáticos, em especial os chineses. Em 2024, a participação das importações de máquinas e equipamentos da China no Brasil cresceu 20,4%. E agora, diante da possibilidade de sermos taxados com o dobro da tarifa aplicada à China pelos Estados Unidos, corremos o risco de perder ainda mais espaço.

Por isso, acreditamos que este movimento norte-americano tem componente polítco e deve ser lido como uma tentativa de pressão para iniciar uma negociação sob vantagem. Se for esse o caso, o Brasil não deve recuar, deve negociar pela diplomacia, entendemos que nãó é hora de retaliar. Deve propor, com inteligência e firmeza, um acordo comercial que aumente o intercâmbio bilateral e traga previsibilidade para os investimentos e as exportações.

Reafirmamos, portanto, nosso compromisso com o diálogo e com a construção de soluções sustentáveis para o comércio internacional. O Brasil tem muito a perder com um distanciamento dos Estados Unidos, e os Estados Unidos também têm muito a perder com um rompimento dessa relação histórica.

Se o objetivo é proteger interesses nacionais, que o façamos negociando, e não erguendo barreiras.

Fonte: ABC do ABC
Seção: Indústria & Economia
Publicação: 01/08/2025

Quase 50% das exportações brasileiras escaparam de tarifaço de Trump, diz MDIC

O Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) informou, nesta quinta-feira (31), que aproximadamente 44,6% das exportações brasileiras para os Estados Unidos estão fora da tarifa adicional de 50% aplicada unilateralmente pelo governo norte-americano na quarta-feira (30). Entre os produtos que se livraram da taxação extra estão os aviões, a celulose, o suco de laranja, o petróleo e o minério de ferro brasileiros.

Segundo o MDIC, a lista de 700 itens contendo esses produtos está na própria ordem executiva por meio da qual a Casa Branca aplicou a tarifa. A chamada “ordem executiva”, a grosso modo, compara-se a um decreto presidencial semelhante ao brasileiro. Ou seja: é uma decisão que cabe única e exclusivamente ao chefe do Poder Executivo. Neste caso, Donald Trump, presidente dos Estados Unidos.

A interpretação técnica da ordem executiva cabe à Secretaria de Comércio Exterior, do MDIC. “A tarifa adicional de 50% anunciada hoje incidirá sobre 35,9% das exportações brasileiras para os Estados Unidos, o que correspondeu a US$ 14,5 bilhões em 2024”, afirmou a pasta, comandada pelo vice-presidente, Geraldo Alckmin. “Estão expressamente excluídas da cobertura da ordem executiva, assinada na quarta-feira, 45% das vendas brasileiras para o mercado americano (US$ 18 bilhões em 2024)”, acrescenta a Secretaria.

“Além disso, 19,5% das exportações brasileiras para os EUA estão sujeitas a tarifas específicas, aplicadas a todos os países, correspondendo em 2024 a US$ 7,9 bilhões. Essas tarifas foram adotadas com base em segurança nacional (Seção 232) e, sobre esses produtos, não se aplica a medida anunciada ontem”, informou o MDIC. “No caso de autopeças, por exemplo, a alíquota é de 25%, aplicável a todas as origens”, esclareceu o ministério.

Ainda de acordo com a pasta, “em linhas gerais, a maior parte das exportações brasileiras (64,1%) segue concorrendo com produtos de outras origens no mercado americano em condições semelhantes”. O ministério explicou também que os produtos em trânsito não serão afetados pelas tarifas adicionais. “A decisão de 30/7 exclui da majoração tarifária mercadorias que tenham sido embarcadas, no Brasil, até sete dias após a data da ordem executiva, observadas as condições previstas”, concluiu o MDIC, em nota.

Fonte: SBT News
Seção: Indústria & Economia
Publicação: 01/08/2025

Plano de contingência em relação às tarifas dos EUA é muito menos fiscal do que se espera, afirma Tebet

A ministra do Planejamento e Orçamento, Simone Tebet, disse nesta terça-feira (29) que o Brics pode ser a solução para o Brasil em meio à imposição de uma tarifa de 50% aos produtos brasileiros pelo presidente dos Estados Unidos (EUA), Donald Trump. Ela também afirmou que o plano de contingência em relação ao "tarifaço" é "muito menos fiscal do que se espera".

Em entrevista ao programa Estúdio i, da Globonews, Tebet declarou que, se as tarifas fossem aplicadas há 15 anos, seria uma situação muito mais "caótica" para o Brasil, uma vez que o país hoje tem uma matriz econômica mais diversificada e mais parceiros comerciais. Por conta disso, ela defendeu o envolvimento do Brasil com o Brics, bloco econômico composto por países emergentes, como China e Índia.

"A grande realidade é que o Brasil conseguiu diversificar a sua matriz econômica e, mais do que isso, diversificar os seus parceiros", disse a ministra, comparando os percentuais de exportação do Brasil aos Estados Unidos com aqueles para países da Ásia. "Diante desse cenário, quando muitas vezes a gente ouve falar que o problema é o Brics, não. Hoje o Brics é a nossa solução. Hoje, quando a gente fala de comércio exterior, no caso do Brasil, é fundamental os países da Ásia, seja naquilo que nós vendemos ou que nós compramos."

Sobre o plano de contingência que o governo Luiz Inácio Lula da Silva (PT) planeja para reagir à tarifa, a ministra não entrou em detalhes por ainda estar "tudo na mesa". Ela só disse, de forma abrangente, que essas medidas não devem envolver “tanto dinheiro” do Orçamento.

"É muito menos fiscal do que se espera, até porque a solução não passa necessariamente pelo fiscal", afirmou Tebet. "Não é que não vá precisar [de dinheiro do Orçamento]. A gente está pensando nas pequenas e médias empresas. Elas precisam de liquidez, elas precisam de capital de giro. Elas precisam conseguir alongar os prazos das suas dívidas. Elas precisam de carência, elas precisam de juros mais baixos. Não tem como não discutir isso. Isso envolve BNDES, envolve Banco Central. É uma discussão que precisa ser feita."

Ela não especificou como seria o envolvimento do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) ou do BC na questão.

Tebet defendeu que a decisão de Lula sobre esse plano deva acontecer somente no dia 2 de agosto, para que seja possível fazê-la frente àquilo que se mantiver do que foi anunciado pelo governo Trump mais cedo neste mês de julho.

Segundo ela, esse plano deve socorrer os setores a médio prazo, em um período de um a dois anos, para que depois seja possível ver como as indústrias e os setores se redirecionaram no novo cenário. A ministra vê uma maior preocupação com a indústria do aço, que já estava sendo sobretaxada pelos EUA.

 
Fonte: Valor
Seção: Indústria & Economia
Publicação: 30/07/2025

 

Grupo de empresas brasileiras tenta adiar o tarifaço para negociar propostas

As empresas brasileiras do Fórum de CEOs Brasil-Estados Unidos buscam um espaço na agenda do governo Trump para que o Brasil possa propor o adiamento da vigência das tarifas de 50% sobre produtos exportados do Brasil aos EUA. O tarifaço anunciado pelo presidente americano Donald Trump entra em vigor na sexta-feira, 1º de agosto.

O lado brasileiro do fórum, formado por 12 empresas brasileiras e 12 americanas, vem tentando uma agenda com o secretário de Comércio dos Estados Unidos, Howard Lutnick, e com o secretário de Estado Marco Rubio, mas ainda sem sucesso. A informação é do secretário-geral do Fórum de CEOs e vice-presidente global da empresa de tecnologia Stefanini, Ailtom Nascimento, que falou ao Valor, nesta segunda-feira (28).

“Desde o anúncio do tarifaço, a gente vem equacionando os impactos sobre as operações, não só sobre as integrantes do fórum como das empresas brasileiras que operam nos EUA”, disse Nascimento. “Nós mesmos estamos tentando abrir estas portas para o diálogo porque isso afeta duramente o Brasil, as empresas e a economia do país de uma forma bastante impactante.”

A Stefanini é uma das 12 empresas que integram o time brasileiro do Fórum ao lado de companhias como Embraer, WEG, Gerdau, JBS, Suzano, Raizen, Aeris Energy e Prumo Logística. Do lado americano estão empresas como Abbott Laboratories, Tyson Foods, Cargill, Dow Silicones Corporation e a gestora de investimentos Franklin Templeton.

Até o momento, somente o lado brasileiro do Fórum de CEOs está tentando interlocução com o governo americano, mas as americanas devem se engajar, após uma conversa realizada nesta segunda-feira (28) entre os integrantes do Fórum, informou Nascimento. “Afinal, elas também serão impactadas devido à própria exportação de suas operações no Brasil para os Estados Unidos.”

Os integrantes brasileiros do Fórum também produziram material para dar apoio ao governo brasileiro nas discussões com o governo americano. As recomendações foram compartilhadas com o vice-presidente da República, Geraldo Alckmin, na sexta-feira (25). “Buscamos uma série de possibilidades de conversas, em vários âmbitos, que poderiam ser interessantes ao governo americano”, afirma o secretário-geral do Fórum.

“O primeiro item da pauta é sugerir a prorrogação da data para entrada em vigor dessas novas tarifas para que tenhamos tempo hábil para equacionar essas recomendações que nós estamos fazendo e o governo brasileiro também quer fazer, colocando as coisas de forma bem concreta e factível, na mesa, para negociação”, disse Nascimento.

A principal proposta, além do pedido de adiamento da vigência das tarifas, é “um compromisso do nosso governo e das empresas de dobrar a relação comercial entre os dois países, nos próximos três anos.”

Segundo o secretário-geral do fórum, as integrantes brasileiras projetam investir US$ 7 bilhões (R$ 39,1 bilhões na conversão do dólar pelo Banco Central) no mercado americano até 2028.

Outra proposta é elevar o volume de empregos gerados pelas empresas brasileiras nos Estados Unidos. Somente as integrantes brasileiras do Fórum de CEOs geram mais de 84 mil empregos nos EUA, com potencial de gerar mais 13 mil nos próximos três anos, informa o secretário geral do fórum.

Até o momento, Nascimento afirma que as solicitações de agenda têm esbarrado nos trabalhos da Secretaria de Comércio americana. “Esta é uma semana na qual o Departamento de Comércio americano está trabalhando justamente nos acordos já firmados com a Europa, China, Japão entre outros países. E agora eles estão implementando essas negociações.”

 
Fonte: Valor
Seção: Indústria & Economia
Publicação: 29/07/2025

Panorama das exportações de aço da China e as tendências recentes de preço no setor siderúrgico

As exportações de aço da China atravessam um momento decisivo, diante de desafios estruturais e de mercado. O primeiro semestre de 2025 foi marcado por medidas antidumping crescentes em mercados tradicionais (como EUA, União Europeia, Japão e Coreia do Sul), concorrência crescente de produtores do Sudeste Asiático e uma demanda global cada vez mais segmentada. Diante disso, a China está reconfigurando sua estratégia: moderniza sua estrutura produtiva, amplia as exportações de produtos de maior valor agregado e intensifica a expansão internacional de sua capacidade produtiva.

Evolução histórica e estratégias de ajuste

Entre 2006 e 2015, a produção de aço bruto da China saltou de 419 para 804 milhões de toneladas, fazendo sua participação global subir de 34% para 50%. Esse crescimento, contudo, veio acompanhado de poluição e desequilíbrios de oferta. Desde 2015, o país vem promovendo reformas estruturais, eliminando capacidades obsoletas e endurecendo regulações ambientais. Em 2024, a produção de aço bruto recuou pela primeira vez em décadas, com a participação chinesa no mercado global caindo de 61% (em 2022) para 55%.

Apesar da queda no volume, as exportações tornaram-se mais sofisticadas. A indústria se apoia agora em três pilares: exportação indireta via produtos de manufatura (como máquinas, eletrodomésticos e automóveis), expansão de capacidade produtiva no exterior (com destaque para a Dexin Steel, na Indonésia) e inovação tecnológica.

Transformação geográfica das exportações

Com barreiras nos mercados tradicionais, a China tem fortalecido sua presença em destinos emergentes. O Sudeste Asiático é agora o maior mercado regional, com destaque para Mianmar (+70%), Indonésia e Malásia. O Oriente Médio e a América Latina também ganham relevância: a Arábia Saudita cresceu 24%, enquanto a Tailândia se tornou alternativa após sanções do Vietnã.

Entretanto, esses mercados oferecem margens de lucro mais baixas e riscos regulatórios. Investigações anticontrabando e novas medidas antidumping, como nas Filipinas, limitam o crescimento sustentável. A dependência de exportações de baixo valor agregado, como lingotes, acende alertas sobre um "bloqueio de baixo nível".

Mudanças na estrutura de produtos exportados

Os lingotes de aço tornaram-se protagonistas, com um salto de 300% nas exportações no primeiro semestre de 2025. Sua isenção das principais tarifas antidumping e preço competitivo explicam esse crescimento. Em contrapartida, produtos como o aço laminado a quente e a frio sofrem com sanções mais severas, como a taxa antidumping de 27,83% imposta pelo Vietnã.

Paralelamente, a exportação indireta ganhou força. Produtos manufaturados com conteúdo de aço (como máquinas e veículos) já representam 72% das exportações do setor, com crescimento de 20% ano a ano.

Disputa de preços e tensões tarifárias

A China ainda possui vantagem de preço em relação à maioria dos exportadores globais, mas a recente valorização das cotações chinesas está corroendo essa vantagem. A pressão é maior sobre as bobinas laminadas a quente, afetando diretamente os volumes de exportação. Estrategicamente, a China busca contornar barreiras por meio de exportações a partir de terceiros países e compras de declarações aduaneiras de pequenas e médias empresas, embora essas práticas impliquem riscos fiscais e comerciais.

Tendências recentes de preços e spreads no mercado doméstico

O diferencial de preço entre o aço laminado a frio e o laminado a quente foi de 382 yuan/tonelada em julho de 2025, encerrando a tendência de queda observada desde o segundo trimestre. A desaceleração nas exportações, impulsionada pelas disputas tarifárias com os EUA, afetou especialmente o mercado de laminados a frio.

Ao mesmo tempo, o diferencial entre laminado a quente e vergalhão está em 162 yuan/tonelada. Apesar da baixa temporada na construção civil, a demanda da manufatura sustentou os preços do laminado a quente. A expectativa é que esse spread oscile entre 130 e 170 yuan/tonelada no curto prazo.

Outro destaque é o comportamento das chapas médias, cuja diferença de preço em relação ao laminado a quente caiu drasticamente para 63 yuan/tonelada em 24 de julho. A razão principal é o redirecionamento da produção nas siderúrgicas e a recente recuperação dos preços do laminado a quente.

Conclusão

A indústria siderúrgica chinesa está em meio a uma transformação estrutural. Entre pressões regulatórias, disputas comerciais e a necessidade de agregar valor, o setor busca caminhos sustentáveis: diversifica mercados, amplia investimentos no exterior e acelera a modernização tecnológica. Ao mesmo tempo, o comportamento dos spreads de preço entre as diferentes categorias de aço revela a complexidade das dinâmicas de mercado e a necessidade de estratégias cada vez mais refinadas.

Fonte: Infomet
Seção: Siderurgia & Mineração
Publicação: 29/07/2025