Notícias

Tarifas reforçam proteção ao aço nacional e elevam perspectivas para siderúrgicas brasileiras

A decisão do Comitê Executivo de Gestão da Câmara de Comércio Exterior (Gecex) de renovar o sistema de tarifa-cota para importações de aço foi recebida de forma positiva pelo mercado e reforçou as perspectivas para a indústria siderúrgica brasileira. Embora o governo tenha descartado a proposta mais rígida de elevar para 35% as tarifas de importação sobre 21 códigos da Nomenclatura Comum do Mercosul (NCM), a manutenção das restrições atuais, combinada à redução dos volumes permitidos em algumas categorias, foi vista como mais um passo no processo de proteção ao setor nacional.

Pelas regras mantidas pelo Gecex, as tarifas permanecem entre 10,8% e 12% dentro das cotas estabelecidas e sobem para 25% para volumes que ultrapassem esses limites. A medida dá continuidade a uma estratégia iniciada em 2024, quando o governo passou a ampliar gradualmente os mecanismos de defesa comercial diante do forte avanço das importações, principalmente de produtos asiáticos, que vinham pressionando as margens das siderúrgicas brasileiras e reduzindo seu poder de precificação.

Na avaliação do Bradesco BBI, a revisão do sistema torna o modelo mais eficiente ao restringir de forma mais precisa a entrada de aço importado. Ainda assim, o banco considera que as mudanças ficaram aquém da alternativa mais agressiva discutida anteriormente e, por isso, não alteram de maneira significativa as perspectivas já projetadas para o setor. Mesmo sem mudanças drásticas, a instituição continua esperando uma redução relevante das importações nos próximos meses, movimento que deve ser impulsionado tanto pelo endurecimento das barreiras comerciais quanto pelos efeitos indiretos do conflito no Oriente Médio sobre os fluxos globais de comércio.

Para o Goldman Sachs, entretanto, o principal impacto da decisão está na sustentação do processo de recuperação dos preços do aço no mercado brasileiro. Segundo os analistas, a combinação entre medidas antidumping, restrições às importações e aumento dos custos de produção vem reduzindo a concorrência dos produtos estrangeiros e criando espaço para reajustes de preços pelas siderúrgicas nacionais.

O banco avalia que os preços do aço continuam em trajetória de alta no Brasil e ainda possuem potencial adicional de valorização entre 5% e 10% ao longo dos próximos meses. Embora a demanda doméstica siga relativamente moderada e o ambiente macroeconômico ainda apresente desafios, os analistas destacam que mesmo aumentos modestos nos preços podem produzir impactos expressivos nos resultados das empresas do setor.

Isso ocorre porque as siderúrgicas operam com elevada alavancagem operacional, característica que amplia os ganhos quando a receita cresce. Pelas estimativas do Goldman Sachs, cada aumento de 1% nos preços realizados do aço pode gerar expansão entre 2% e 8% no EBITDA de empresas como CSN, Gerdau e Usiminas.

Dentro desse cenário, a Usiminas aparece como uma das principais beneficiárias das novas medidas. O Goldman Sachs elevou recentemente sua recomendação para compra das ações da companhia, destacando sua forte exposição ao mercado doméstico, justamente o segmento que tende a ser mais favorecido pela redução da concorrência externa.

Segundo o banco, a manutenção do sistema de tarifa-cota, associada à diminuição dos volumes autorizados para importação em algumas categorias, fortalece a proteção à indústria nacional e cria um ambiente mais favorável para os produtores locais. Como grande parte das operações da Usiminas está concentrada no mercado brasileiro, a companhia possui maior capacidade de capturar os benefícios decorrentes da valorização do aço.

Além disso, os analistas ressaltam que o valuation da empresa continua atrativo quando comparado ao de outras siderúrgicas, oferecendo uma relação entre risco e retorno considerada mais favorável. Com preços em alta e forte presença no mercado interno, a expectativa é de que os ganhos operacionais da companhia avancem de forma relevante nos próximos trimestres.

A Gerdau também permanece entre as preferidas do Goldman Sachs. O banco manteve sua recomendação de compra para as ações da empresa, argumentando que as barreiras comerciais continuam funcionando como um importante suporte para os preços do aço no Brasil.

Embora o Gecex tenha rejeitado a adoção de uma tarifa linear de 35%, os analistas avaliam que as medidas aprovadas já são suficientes para limitar a entrada de produtos importados e preservar a competitividade dos produtores nacionais. A expectativa é que a combinação entre restrições comerciais e medidas antidumping continue sustentando a rentabilidade do setor, mesmo em um contexto de demanda ainda moderada.

Outro fator observado pelos analistas é o cenário internacional. O conflito no Oriente Médio pode gerar novas disrupções logísticas e reduzir ainda mais a competitividade de parte dos produtos importados, contribuindo para uma queda adicional das importações ao longo dos próximos meses. Nesse ambiente, a Gerdau é vista como uma das empresas mais bem posicionadas para converter a alta dos preços em crescimento de resultados.

Já a CSN também deve colher benefícios importantes do novo cenário para o aço brasileiro. A redução da pressão exercida pelos produtos importados tende a fortalecer sua operação siderúrgica e ampliar sua capacidade de capturar os reajustes observados no mercado.

De acordo com o Goldman Sachs, a companhia possui elevada alavancagem operacional, o que faz com que aumentos nos preços do aço produzam impactos significativos sobre sua geração de caixa e seu EBITDA. Assim como ocorre com as demais empresas do setor, a expectativa é de melhora operacional à medida que os preços avancem.

Apesar disso, o banco mantém uma postura mais cautelosa em relação à CSN. A principal razão está na situação financeira da companhia, que continua marcada por elevados níveis de endividamento e preocupações relacionadas à liquidez. Na avaliação dos analistas, os benefícios proporcionados pelo ambiente mais favorável para o aço são relevantes, mas ainda insuficientes para eliminar os riscos associados ao balanço da empresa.

Dessa forma, embora a renovação das tarifas de importação represente um avanço importante para toda a indústria siderúrgica nacional, as avaliações dos analistas mostram que os impactos tendem a ser percebidos de maneira diferente entre as companhias. Enquanto Usiminas e Gerdau aparecem como as principais apostas para capturar os ganhos decorrentes da alta dos preços e da menor concorrência externa, a CSN continua apresentando potencial de valorização operacional, mas ainda enfrenta desafios financeiros que recomendam maior cautela por parte dos investidores.

 
Fonte: Infomet
Seção: Siderurgia & Mineração
Publicação: 01/06/2026

Guerra tarifária do aço amplia tensão entre China, Europa e Reino Unido

A escalada das disputas comerciais no mercado global do aço ganhou novos capítulos nas últimas semanas, envolvendo diretamente China, União Europeia e Reino Unido. Entre tarifas mais rígidas, subsídios bilionários, riscos de nacionalização e acusações de concorrência desleal, o setor siderúrgico vive uma reconfiguração profunda, marcada pelo avanço do intervencionismo estatal e pela crescente fragmentação das cadeias globais de produção.

A mais recente tensão surgiu após a União Europeia confirmar mudanças em sua política tarifária para o aço, com novas medidas previstas para entrar em vigor em 1º de julho. A reação da China foi imediata. O porta-voz do Ministério do Comércio chinês, He Yadong, afirmou que as decisões europeias poderão afetar diretamente o comércio siderúrgico entre os dois mercados e reduzir a competitividade da indústria europeia.

Segundo o governo chinês, as medidas podem gerar impactos sobre as cadeias globais de produção e suprimentos em um momento de desaceleração econômica e reorganização industrial em diversas regiões do mundo. Pequim também alertou que poderá adotar ações de proteção comercial caso empresas e produtos chineses sejam alvo de medidas consideradas discriminatórias.

A disputa ocorre enquanto China e União Europeia seguem negociando no âmbito da Organização Mundial do Comércio (OMC), em uma tentativa de evitar o agravamento das tensões comerciais. Ainda assim, o endurecimento tarifário europeu reflete um movimento cada vez mais amplo de defesa das indústrias locais diante da crescente pressão do aço chinês, historicamente beneficiado por elevados níveis de subsídios governamentais.

No Reino Unido, o cenário também se tornou motivo de preocupação para empresas da cadeia siderúrgica e da construção civil. A Cleveland Steel & Tubes, fornecedora britânica de aço, alertou que as mudanças tarifárias planejadas pelo governo poderão provocar perda de empregos e estimular a transferência da fabricação de estruturas metálicas para outros países.

As novas regras reduzem significativamente as cotas de importação isentas de tarifas e ampliam as taxas sobre o aço importado quando esses limites forem excedidos. Segundo a empresa, algumas categorias terão redução de cotas de até 90%, enquanto as tarifas podem dobrar, passando de 25% para 50%.

Para Roy Fishwick, diretor-geral da Cleveland Steel & Tubes, as medidas podem gerar efeitos contrários aos desejados pelo governo britânico. Embora o objetivo seja proteger a produção nacional, a indústria local não possui capacidade suficiente para atender integralmente à demanda doméstica, especialmente em produtos específicos utilizados pela construção civil.

“O Reino Unido não fabrica, em quantidade suficiente, alguns dos tipos e tamanhos de aço de que precisamos”, afirmou Fishwick. Segundo ele, a consequência prática pode ser o aumento das importações de aço já pré-fabricado, uma vez que as tarifas não se aplicam da mesma forma sobre componentes prontos vindos do exterior.

O executivo também alertou para impactos sobre projetos de construção sustentável. Empresas que utilizam aço reutilizado ou aço de baixo carbono produzido em fornos elétricos fora do Reino Unido podem enfrentar custos maiores, dificultando metas de descarbonização em grandes obras.

O debate europeu sobre proteção industrial ocorre em paralelo a um movimento mais amplo de fortalecimento dos subsídios estatais dentro da União Europeia. Desde a pandemia de covid-19 e da crise energética agravada pela guerra entre Rússia e Ucrânia, os países europeus vêm ampliando significativamente os mecanismos de apoio às empresas.

Em 2024, os países da União Europeia desembolsaram juntos mais de 168 bilhões de euros em subsídios considerados compatíveis com as regras do bloco. O valor representa quase 1% do Produto Interno Bruto europeu e evidencia a mudança de postura da região em relação à intervenção estatal na economia.

A flexibilização das regras de ajuda estatal tem sido defendida por governos como os da França e Alemanha, que argumentam que a Europa precisa proteger suas indústrias estratégicas diante da concorrência de países como China e Estados Unidos, ambos adeptos de políticas industriais agressivas e altos níveis de subsídios.

No centro desse debate está a transição energética e a descarbonização da indústria pesada europeia. Empresas siderúrgicas afirmam que não conseguirão sustentar os elevados custos da transformação sem apoio financeiro dos governos.

O CEO da siderúrgica alemã Salzgitter, Gunnar Groebler, comparou a descarbonização a uma ponte cara de construir e impossível de atravessar sem ajuda estatal. Segundo ele, abandonar a transição no meio do caminho colocaria em risco a própria sobrevivência da indústria europeia.

A discussão, porém, divide economistas e governos do bloco. Países de perfil mais liberal, como Holanda e nações escandinavas, argumentam que o excesso de subsídios pode distorcer a concorrência dentro do mercado europeu e favorecer principalmente Alemanha e França, que possuem maior capacidade fiscal para financiar suas indústrias.

Além disso, críticos apontam que a dependência crescente de ajuda estatal pode reduzir os incentivos para reformas estruturais voltadas à competitividade, inovação e eficiência energética.

A disputa comercial envolvendo o aço ganhou dimensão ainda maior com a crise da British Steel. A empresa, adquirida em 2020 pelo grupo chinês Jingye, tornou-se símbolo das dificuldades enfrentadas por investidores chineses no Ocidente em meio ao avanço das barreiras comerciais e da rivalidade geopolítica.

Segundo analistas chineses, a compra da British Steel fazia parte de uma estratégia para usar a capacidade produtiva britânica como plataforma de acesso aos mercados ocidentais e forma de contornar tarifas norte-americanas sobre o aço chinês.

O plano, entretanto, sofreu forte impacto após o governo dos Estados Unidos ampliar tarifas sobre importações de aço e alumínio, incluindo produtos vindos do Reino Unido. Washington alegou que empresas chinesas vinham adquirindo siderúrgicas estrangeiras para driblar restrições comerciais impostas ao aço produzido diretamente na China.

Com dificuldades financeiras agravadas pelos altos custos de energia no Reino Unido e pela concorrência do aço chinês barato, a British Steel passou a operar com prejuízos elevados. O governo britânico então aprovou uma legislação emergencial que permite assumir o controle da companhia e até avançar para uma possível nacionalização.

A medida elevou a tensão diplomática entre Londres e Pequim. O governo chinês afirmou que a Grã-Bretanha deve agir com imparcialidade, respeitar os investimentos realizados pelo grupo Jingye e preservar os direitos das empresas chinesas.

A crise evidencia como a siderurgia se tornou um dos setores mais sensíveis da nova disputa geopolítica global. O aço, tradicionalmente associado à base industrial das economias, voltou ao centro das estratégias nacionais de segurança econômica, transição energética e defesa comercial.

Em um cenário marcado por tarifas crescentes, subsídios bilionários e reorganização das cadeias produtivas, governos e empresas buscam equilibrar proteção industrial, competitividade e sustentabilidade. O resultado dessa disputa tende a moldar os rumos da indústria siderúrgica mundial nos próximos anos.

 
Fonte: Infomet
Seção: Siderurgia & Mineração
Publicação: 29/05/2026

Construção modular avança no Brasil em meio ao apagão de mão de obra e pressão por produtividade

A construção civil brasileira atravessa uma transformação silenciosa, mas profunda. Enquanto o setor mantém crescimento e demanda aquecida em segmentos corporativos, hoteleiros, hospitalares e de infraestrutura, empresas enfrentam um problema cada vez mais crítico nos canteiros: a falta de mão de obra qualificada.

O chamado “apagão de mão de obra” já impacta cronogramas, aumenta custos e pressiona a produtividade do setor. Dados da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC) mostram que mais de 80% das construtoras brasileiras relatam dificuldade para contratar profissionais qualificados para funções operacionais. Entre os cargos mais escassos estão pedreiros, carpinteiros, armadores, instaladores e mestres de obras.

O problema não é isolado. A construção civil brasileira enfrenta um cenário marcado pelo envelhecimento da mão de obra, baixa renovação geracional e redução do contingente de jovens disponíveis para o mercado de trabalho, reflexo direto das mudanças demográficas no país. Paralelamente, cresce a migração de trabalhadores para atividades ligadas à logística, aplicativos e serviços autônomos, enquanto a pressão por produtividade, velocidade de entrega e previsibilidade financeira se intensificou significativamente nos últimos anos. 

Segundo levantamento da Fundação Getulio Vargas (FGV IBRE), a construção civil segue entre os setores com maiores desafios de produtividade da economia brasileira. No cenário internacional, estudos da McKinsey apontam que a produtividade global da construção cresceu menos de 1% ao ano nas últimas décadas, muito abaixo de setores industriais que avançaram com automação e padronização produtiva.

É nesse contexto que a industrialização da construção começa a ganhar espaço no Brasil. Sistemas modulares e modelos off-site vêm sendo adotados como alternativa para reduzir a dependência operacional, diminuir desperdícios e melhorar o controle técnico das obras.

Na prática, parte significativa da construção deixa o canteiro e passa a ser produzida em ambiente industrial, em linhas de montagem com maior controle de processos, qualidade e cronograma. Dependendo do projeto, o prazo de execução pode cair até quatro vezes em relação aos modelos tradicionais.

Para Celso Zaffarani, fundador da Zaffarani Design Build, a industrialização deixou de ser apenas uma inovação técnica e passou a representar uma necessidade operacional do setor.

“A construção civil brasileira ainda opera com uma dependência muito grande de processos artesanais. Quando você soma escassez de mão de obra, aumento de custos e pressão por prazo, a industrialização passa a ser uma resposta estratégica para manter eficiência e previsibilidade”, afirma.

Segundo ele, segmentos como hotelaria, saúde e projetos corporativos devem acelerar esse movimento justamente pela necessidade de reduzir impactos operacionais durante obras e reformas.

“Em projetos corporativos e hoteleiros, o tempo parado gera prejuízo. Quanto maior o controle industrial sobre determinadas etapas, maior a previsibilidade de entrega e menor o impacto sobre a operação do cliente”, explica.

O avanço acompanha uma tendência global. Relatório da Dodge Construction Network projeta crescimento consistente do mercado internacional de construção modular nos próximos anos, impulsionado por fatores como produtividade, sustentabilidade e redução de desperdício. Nos Estados Unidos e em países europeus, sistemas industrializados já são utilizados em hotéis, hospitais, residências estudantis, habitação multifamiliar e estruturas corporativas.

Apesar disso, o Brasil ainda enfrenta obstáculos relevantes para ampliar o modelo em larga escala. Um dos principais desafios está na logística. O transporte de módulos industriais exige infraestrutura rodoviária adequada, planejamento operacional e adaptações técnicas que ainda limitam a expansão do sistema em algumas regiões.

Outro ponto está relacionado ao próprio ambiente regulatório e financeiro da construção civil. Grande parte dos modelos de financiamento, tributação e normativas técnicas ainda foi estruturada com base na lógica tradicional dos canteiros de obra.

Para Celso Zaffarani, o futuro do setor deve caminhar para um modelo híbrido.

“A tendência não é o desaparecimento da construção convencional, mas uma integração maior entre industrialização e execução em campo. Algumas etapas vão migrar para ambientes industriais enquanto outras continuarão sendo feitas no canteiro. O setor está entrando em uma nova fase de maturidade produtiva”, diz.

Além da produtividade, empresas também observam ganhos importantes em sustentabilidade. Estudos internacionais apontam que sistemas industrializados podem reduzir desperdício de materiais, retrabalho e consumo de água, temas que vêm ganhando peso crescente nas exigências corporativas e institucionais.

Com pressão crescente por eficiência, previsibilidade e controle financeiro, a industrialização da construção começa a deixar de ser tendência futura para se consolidar como resposta concreta aos limites operacionais do modelo tradicional.

 
Fonte: Gazeta do Povo
Seção: Construção, Obras & Infraestrutura
Publicação: 29/05/2026

 

Indústria de máquinas vê ‘retrocesso’ na PEC da jornada 6x1 e alerta para falta de mão de obra

No momento em que a indústria brasileira de máquinas e equipamentos registra recorde histórico de exportações em 12 meses, com US$ 14,4 bilhões, o setor manifesta preocupação com o cenário econômico e regulatório. Segundo a Abimaq, a combinação de juros elevados no mercado interno com a possível aprovação da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que altera a jornada de trabalho (6x1) pode afetar decisões de investimento e impactar pontos da reforma trabalhista de 2017.

Durante entrevista coletiva realizada nesta quarta-feira (27), o presidente da Abimaq, José Velloso, classificou o relatório apresentado na Câmara sobre a redução da jornada como “inexequível” para o setor produtivo. Segundo ele, o texto ignora as especificidades de 2.500 profissões no país e impõe uma regra única que desconsidera a realidade fabril. “É assustador o relatório que foi apresentado. Muitos negócios vão ter que deixar de funcionar pelo menos um dia da semana”, afirmou Velloso, destacando que a medida geraria uma demanda imediata por trabalhadores que o mercado não consegue suprir. “Já não conseguimos preencher as vagas hoje por falta de mão de obra especializada.”

O setor vê com preocupação o descasamento entre as políticas fiscal e monetária. De acordo com Velloso, enquanto o governo segue um “caminho expansionista” de gastos, o Banco Central mantém o caráter contracionista para combater a inflação, o que retarda a queda dos juros necessária para destravar o investimento em bens de capital.

Esse “travamento” doméstico é mascarado por números recordes no comércio exterior, mas que exigem uma leitura cautelosa. Cristina Zanella, diretora do departamento de competitividade, economia e estatística da entidade, explicou que o salto expressivo nas vendas externas em abril (alta de 42,7% em dólares) foi puxado por um “fator Singapura”. “Trata-se de um grande projeto de investimento, que leva meses para ser concluído e envolveu US$ 300 milhões em exportações concentradas em um único mês”, detalhou.

Além da pressão sobre os custos trabalhistas, a indústria lida com a erosão da rentabilidade via câmbio. Cristina pontuou que a valorização de 10,8% do real no quadrimestre “reduz o impacto positivo das exportações sobre a receita em moeda local”, mantendo o faturamento real do setor sob pressão.

O avanço das importações, que representam 49% do consumo nacional, também integra o cenário acompanhado pelo setor. As importações da China cresceram 13,7% no quadrimestre, ampliando a participação no mercado brasileiro. Segundo Velloso, a indústria nacional enfrenta dificuldades para recuperar espaço em razão dos custos de produção. “Se por um lado a exportação está batendo recorde, as expectativas para a frente são ruins”, afirmou.

 

 
Fonte: Valor
Seção: Indústria & Economia
Publicação: 28/05/2026

 

Brasil tem mais de 2500 processos ativos de terras raras em andamento

O Brasil vem ganhando cada vez mais espaço no cenário internacional quando o assunto é exploração mineral estratégica. Com o avanço de pesquisas e novos investimentos, o país fortalece sua presença no setor de terras raras, minerais considerados fundamentais para o desenvolvimento tecnológico e industrial em diversas partes do mundo.

Os estudos realizados pelo Serviço Geológico do Brasil (SGB) têm contribuído diretamente para ampliar o conhecimento sobre o potencial mineral brasileiro. As informações produzidas pelo órgão ajudam na tomada de decisões estratégicas e incentivam o crescimento de projetos ligados à mineração no país.

Terras raras impulsionam interesse internacional no Brasil

A crescente demanda mundial por tecnologias limpas e equipamentos de alta performance tem colocado as terras raras entre os minerais mais valorizados da atualidade. Esses elementos são utilizados na fabricação de baterias, turbinas eólicas, veículos elétricos, equipamentos eletrônicos e sistemas industriais avançados.

Com isso, o Brasil passou a chamar atenção de investidores e empresas estrangeiras, principalmente devido ao avanço das pesquisas minerais e ao desenvolvimento de projetos de argila iônica — um modelo considerado promissor para a extração desses minerais.

Além disso, o início da produção comercial em território brasileiro reforça a expectativa de crescimento do setor nos próximos anos.

Número de processos minerários supera 2.500 no país

Atualmente, o Brasil já registra mais de 2.500 processos minerários ativos relacionados às terras raras, demonstrando o avanço do interesse econômico e estratégico sobre esse mercado.

O crescimento desses processos evidencia a busca por novas áreas de exploração e o fortalecimento da cadeia mineral brasileira, que vem sendo apontada como peça importante na transição energética global.

Especialistas do setor avaliam que o país possui potencial para se tornar um dos principais fornecedores mundiais desses minerais, especialmente diante da alta demanda internacional e da necessidade de diversificação da produção global.

 
Fonte: Cidades & Minerais
Seção: Siderurgia & Mineração
Publicação: 27/05/2026

 

Importação de aço despenca após medidas antidumping contra China e Índia

As medidas antidumping adotadas pelo governo federal contra produtos siderúrgicos importados da China e da Índia já começaram a impactar o mercado brasileiro de aço. Após um início de 2026 marcado pelo forte avanço das compras externas, os volumes importados passaram a desacelerar e entraram em queda nos últimos meses.

Os dados mais recentes mostram uma redução significativa nas importações realizadas pelas distribuidoras de aço, especialmente após o anúncio das restrições comerciais em fevereiro.

No primeiro bimestre deste ano, as compras internacionais chegaram a apresentar crescimento de 39% na comparação com o mesmo período do ano anterior. Porém, o ritmo perdeu força gradualmente ao longo dos meses, desacelerando para 13% no fechamento do trimestre até atingir resultado negativo mais recentemente.

Medidas antidumping reduzem entrada de aço chinês no Brasil

O impacto mais expressivo apareceu em abril, quando o volume importado caiu para cerca de 77 mil toneladas. O número representa forte retração em relação à média registrada entre 2024 e 2025, período em que as importações mensais giravam em torno de 190 mil toneladas.

A expectativa do setor é de que a redução se intensifique com a ampliação das medidas antidumping previstas para junho, especialmente sobre produtos laminados a quente. A avaliação de especialistas do mercado é que, com a nova etapa das restrições, o aço chinês deixará de ser economicamente competitivo para entrada no mercado brasileiro.

Mesmo com a possibilidade de outros países ampliarem participação nas exportações para o Brasil, a tendência é que os novos fornecedores não consigam substituir integralmente o espaço anteriormente ocupado pela China.

Mercado acompanha efeitos das restrições comerciais no setor siderúrgico

As medidas adotadas pelo governo têm como objetivo conter práticas consideradas desleais no comércio internacional, protegendo a indústria siderúrgica nacional diante do aumento das importações com preços abaixo do mercado.

O avanço do aço estrangeiro vinha sendo motivo de preocupação entre produtores brasileiros, principalmente devido à pressão sobre preços e à competitividade da indústria local.

Com a retração observada nas importações nos últimos meses, o setor agora acompanha os próximos impactos das barreiras comerciais e os efeitos sobre a oferta de aço no mercado interno.

 
Fonte: Cidades & Minerais
Seção: Siderurgia & Mineração
Publicação: 26/05/2026