A China continua a liderar, com folga, o ranking de maior produtor mundial de aço, com mais da metade do volume de metal bruto produzido. É também o país onde mais se consomem produtos siderúrgicos. O segundo colocado, a Índia, está vários degraus abaixo, porém em contínuo ritmo de expansão anual (ver os dez maiores fabricantes em tabela abaixo).
Os números foram divulgados nesta sexta-feira, 23, em Bruxelas (Bélgica), durante a publicação anual do balanço da Associação Mundial do Aço (Worldsteel).
A indústria siderúrgica chinesa, apesar da sua pujança, parece ter batido no teto e começa a refluir. Depois de ter superado a barreira de 1 bilhão de toneladas fabricadas em plena pandemia, em 2020, a China encerrou o ano passado com recuo de 4,4%, em 960,8 milhões de toneladas de aço bruto. Em dezembro, o recuo foi de 10,3%.
O volume global de aço bruto fabricado foi de 1,804 bilhão de toneladas, com retração de 2% sobre 2024. A China representou 53% do volume total.
O resultado chinês é decorrente da desaceleração econômica do país, cujo Produto Interno Bruto (PIB) ficou na casa de 5% de alta na comparação com 2024.
O mercado imobiliário, grande consumidor de aço na China, regrediu nos últimos anos — saiu de 30% a 35% do volume consumido para cerca de um quinto do total da demanda, conforme informações de publicações especializadas.
Em seu relatório de outubro, de perspectivas de curto prazo (Short Range Outlook-SRO), a Worldsteel informou que previa continuidade da trajetória de queda na demanda por aço na China em 2025, com redução da ordem de 2%. Isso se refletia no volume de aço ofertado pelas siderúrgicas do país.
“Essa previsão representa uma moderação na tendência de baixa observada desde 2021, impulsionada principalmente pela retração contínua do mercado imobiliário. Para 2026, projetamos que a queda desacelere mais, para 1%, à medida que o mercado imobiliário se estabilize”, destacou a entidade.
Mesmo com barreiras em diversas partes do mundo, em especial nos Estados Unidos, onde tem uma tarifa de 70% e não tem vendido praticamente nada, a China exportou no ano passado um recorde de 119,02 milhões de toneladas, alta de 7,5% frente a 2024, de acordo com a Associação Chinesa de Ferro e Aço (CISA). As vendas ao exterior cresceram para tentar compensar (parcialmente) a retração do mercado doméstico, avaliam especialistas.
A força da Índia
Ao mesmo tempo, conforme a Worldsteel, a siderurgia da Índia manteve seu ritmo de crescimento anual de 8% a 9%. “Nossas projeções indicam que a demanda por aço na Índia continuará a crescer, com aumento de cerca de 9% entre 2025 e 2026, impulsionada pelo crescimento contínuo em todos os setores consumidores de aço”.
Nesse cenário, a Índia encerrou 2025 com produção de 164,9 milhões de toneladas, o que representou expansão de 10,4% na comparação com 2024. O plano do governo indiano é de, até o fim desta década, superar a marca de 250 milhões de toneladas de produção de aço bruto para atender à demanda interna da economia do país mais populoso do mundo.
O país conta com reservas abundantes de minério de ferro para dar suporte à sua indústria de aço. “Em 2026, a demanda por aço no país deverá ser quase 75 milhões de toneladas maior do que a registrada em 2020?, destacou a Worldsteel.
Surpresas de EUA e Turquia
O ranking da associação mundial do aço trouxe duas mudanças de posições: os Estados Unidos saltando para a terceira posição, tradicionalmente ocupada pelo Japão, e a Turquia superando a Alemanha, saltando para o sétimo lugar.
A siderurgia americana, que ganhou tração com imposição de tarifas de 50% na importação de aço por Donald Trump, encerrou 2025 com produção de 82 milhões de toneladas, representando aumento de 3,1% contra 2024.
A produção de aço na Turquia vem se destacando ao longo de uma década. Inicialmente, passou a figurar entre os dez maiores países produtores. Depois superou o Brasil e, agora, a Alemanha, onde essa atividade está estagnada.
A Turquia cresceu 3,3% (para 38,1 milhões de toneladas) enquanto a Alemanha teve tombo de 8,6% (para 34,1 milhões de toneladas).
O Brasil aparece em nono lugar do ranking da Worldsteel, repetindo a posição dos últimos anos. A produção em 2025 ficou em 33,3 milhões de toneladas, recuo de 1,6% frente ao ano anterior. O país já chegou a fabricar 36 milhões, volume máximo que a indústria atingiu em sua história.
O Instituto Aço Brasil afirma que o setor no País poderia estar produzindo mais não fosse a forte entrada de aço importado no mercado local — 5,78 milhões de produtos laminados em 2025 —, principalmente da China. O setor tenta estancar as importações com ações antidumping levadas ao Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic).
Domínio das companhias chinesas
A Worldsteel publica também, a cada ano, a lista das 50 maiores fabricantes de aço. A liderança é chinesa. Nas dez maiores, seis são companhias da China, que, em geral, têm a presença do Estado na sua estrutura de capital. O grupo Baowu, fruto de uma série de fusões de siderúrgicas, é a número 1, com 130 milhões de toneladas de produção em 2024 (ver lista das dez maiores). O ranking referente a 2025 deve ser publicado ao longo do ano.
A ArcelorMittal, com sede oficial em Luxemburgo, e corporativa em Londres, é a segunda da lista, com metade do volume produzido pela Baowu. A empresa, que já foi a líder global, é controlada pela família do empresário indiano Lakshmi Mittal, No ranking das 50, aparecem quatro americanas: Nucor (16ª), Cleveland-Cliffs (23ª). U.S. Steel (29ª) e Steel Dynamics (43ª).
Somente duas companhias latino-americanas figuram entre as 50 maiores do mundo. O grupo ítalo-argentino Techint, dono da Ternium e que pertence ao empresário Paolo Rocca, na 28ª posição. No 33º lugar está a brasileira Gerdau, comandada pela dinastia familiar Johannpeter Gerdau.
A Worldsteel estimou, para 2026, em seu relatório (SRO) de outubro — em abril haverá uma atualização — uma leve recuperação de 1,3% na demanda global de aço, para 1,77 bilhão de toneladas.
Fonte: Estadão
Seção: Siderurgia & Mineração
Publicação: 26/01/2026
26-01-2026 Siderurgia & Mineração
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