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Empresas brasileiras adaptam máquinas agrícolas para vender na Europa

Empresas brasileiras de máquinas e implementos agrícolas parecem ter encontrado uma sólida porta de entrada na Europa: o leste do continente. Durante a Agritechnica 2025, maior feira do setor no mundo, realizada em Hannover, na Alemanha, entre 9 e 15 de novembro, Stara, Vence Tudo e Colombo foram além da presença institucional e expuseram produtos.

Em comum, as três sintetizavam os desafios das mais de 30 marcas nacionais presentes no evento, recorde até então: o atendimento às normas técnicas do Velho Mundo, os entraves logísticos e o estabelecimento de um nome que se faça lembrar em meio ao de gigantes que fornecem para os produtores do norte do globo há mais de um século.

O executivo internacional de vendas da Colombo, Breno Masalskiene, conta que já nos primeiros dias de feira, a empresa conquistou abertura de dois novos mercados: Romênia e Hungria. Assim, a empresa passa a exportar máquinas, como as colhedoras de feijão, responsáveis por 80% das vendas e que são comercializadas a uma média de 60 mil euros, e as de amendoim, a 16 nações europeias.

“Porém, até então, o nosso maior mercado europeu é a Polônia, onde já vendemos mais de 200 colhedoras de feijão em cinco anos. Como faz fronteira, também temos conseguido entrar na Ucrânia, porém, na Itália, França e em Portugal a nossa presença já é mais ativa, com uma forte representatividade. Nosso foco é o de aumentar mais cinco países europeus nos próximos anos”, afirma.

Como adaptação para vender no continente, Masalskiene cita a adesivação de segurança como a mudança mais significativa: cada parte operacional da máquina precisa ter identificação e conter uma lista de possíveis riscos durante o manuseio. “Fora isso temos um freio a ar, o freio europeu, já que para conseguirmos certificar a máquina e vendê-la na Europa, é preciso passar por um teste de freio”, detalha.

Tal teste consiste em engatar a máquina a um trator, movimentá-la a 30 km/h e efeturar uma freada brusca. “Também precisamos ter as placas de segurança na traseira da máquina para que o produtor possa transportá-la na estrada, além de um engate de três pontos. A largura máxima da máquina deve ser de 3,20 metros, valor limite para poder rodar nas rodovias europeias”, completa.

Cazaquistão, Mongólia e Biolorrúsia

O diretor comercial da Stara, Márcio Elias Fülber, conta que cerca de 15% do faturamento da companhia advém das exportações, sendo que para a Europa, os destaques das remessas vão para Cazaquistão, Mongólia e Biolorrúsia.

Já para atender a países com PIB mais elevado, exemplos de Alemanha, França e Inglaterra, o executivo ressalta que a empresa teria de fazer adaptações mais profundas em sua linha, como a largura das máquinas, a velocidade de transporte e os sistemas de frenagem, diferentemente do que ocorre em outros locais do Hemisfério Norte, que não consideram tais adequações como obrigatórias.

“O mercado de máquinas agrícolas em países como a Alemanha é muito competitivo e conta com diversos fabricantes globais. É um esforço [estar presente neste mercado] que um dia a Stara vai fazer, mas não é um dos focos neste momento porque teríamos de realizar grandes adaptações em nossas máquinas para, em troca, ter uma oportunidade pequena”, conta.

Fülber ainda destaca que países europeus com áreas agrícolas maiores guardam mais semelhanças com o Brasil, o que viabiliza o negócio. “As áreas agrícolas do Cazaquistão, por exemplo, são semelhantes às da Bahia, com cinco, dez, 15, 20 mil hectares, então há maior sinergia e os nossos equipamentos podem trabalhar de forma mais fácil.”

De acordo com ele, quando se tratam de máquinas autopropelidas, caso dos pulverizadores, produto mais exportado pela Stara no leste europeu, a única adaptação necessária é no sistema de aquecimento, que passa a ser regulado para operar em temperaturas negativas.

Máquina para plantio convencional

Pela primeira vez com maquinário na Agritechinica, a Vence Tudo expôs uma plataforma de milho que não comercializa no Brasil, voltada, principalmente, aos Estados Unidos. “Por lá se tem plantações de milho com o dobro do tamanho do Brasil. São materiais mais resistentes, altos, com mais sementes por metro, com espaçamento diferente e o equipamento precisa estar adequado para suportar essas mudanças”, conta o gerente de Mercado Externo da empresa, Jair Bottega.

Segundo ele, tais especificidades também atenderiam ao mercado europeu. Contudo, a largura da plataforma ainda ainda é um entrave. Diante disso, a companhia mira, por enquanto, nações que não requerem a compactação máxima de 3,20 metros, casos de Rússia, Ucrânia, Cazaquistão, Uzbesquistão e, mais recentemente, Bulgária. Ainda assim, tal parte do continente representa o menor contingente nas exportações da companhia, atrás de América do Sul e África.

“Nossas máquinas no Brasil são específicas para plantio direto, mas na Europa e em outras partes do mundo se faz quase que unicamente o plantio convencional, então temos de adaptar o equipamento. Nosso objetivo é aumentar presença no leste europeu, mas, para isso, temos desafios logísticos”, destaca Bottega.

Nesse aspecto, ele dá o exemplo da Rússia, país com quem o Brasil tem o direito a exportar apenas um navio por mês com maquinários. “Se perder a data, só consegue no próximo mês. No ano passado aconteceu de termos um problema logístico e a nossa máquina chegar em território russo após a temporada de plantio, ou seja, tarde demais, o que causa um desconforto”, diz.

 
Fonte: Canal Rural
Seção: Agro, Máquinas & Equipamentos
Publicação: 26/11/2025

 

EUA exigem mudança nas regras digitais da UE para reduzir tarifas sobre aço e alumínio

O secretário de Comércio dos Estados Unidos, Howard Lutnick, declarou, nesta segunda-feira (24), que a União Europeia (UE) precisa mudar suas regras digitais para, então, viabilizar um acordo a fim de reduzir as tarifas sobre aço e alumínio. Segundo Lutnick, a delegação americana está em constante diálogo com o lado europeu para alcançar a flexibilização das regras de tecnologia do bloco. “Em troca disso, vamos propor um acordo interessante para aço e alumínio”, afirmou à Bloomberg.

O comissário de Comércio da UE, Maros Sefcovic, afirmou que as regras tecnológicas do bloco europeu não são discriminatórias. “Elas não são direcionadas a empresas americanas, mas sabemos que este é um dos temas que os EUA querem discutir. Estamos preparados para responder a essa questão, assim como os EUA estão preparados para responder às nossas demandas”, afirmou.

O secretário e o representante comercial dos EUA, Jamieson Greer, estão em Bruxelas para uma primeira visita desde o estabelecimento do acordo comercial entre o governo americano e a UE.

O tratado estabeleceu uma tarifa de 15% sobre a maioria dos bens europeus, enquanto a UE se comprometeu a eliminar tarifas sobre produtos industriais americanos e alguns itens agrícolas e alimentícios. Ambos os lados também se comprometeram a continuar negociações acerca das tarifas setoriais sobre aço e alumínio, fixadas em 50%.

A principal preocupação das autoridades europeias diz respeito ao alcance do escopo das tarifas. Desde o estabelecimento do acordo, o governo americano ampliou significativamente a lista de itens sobre abrangência das tarifas.

O requisito imposto pelos EUA, porém, coloca a UE numa posição difícil. O bloco tem afirmado reiteradamente que não permitirá que outros países/governos ditem a regulação interna sobre o setor de tecnologia.

Ao mesmo tempo, lideranças dos países-membros do bloco pedem que a autoridade europeia tome providências para mitigar as taxas. “Em relação ao aço e alumínio, precisamos obter alívio adicional”, disse a ministra da Economia da Alemanha, Katherina Reiche, à imprensa.

“Muitas máquinas produzidas não podem ser entregues aos EUA e nossas empresas estão sofrendo quedas consideráveis nas vendas”, completou.

O porta-voz da Comissão Europeia, Thomas Regnier, afirmou, em coletiva de imprensa, que o bloco não acatará negociação sobre as regras do setor tecnológico e tributação como parte das negociações com a delegação americana.

Além do encontro com representantes comerciais europeus, Lutnick e Greer se reuniram também com a vice-presidente da UE para soberania tecnológica e segurança, Henna Virkkunen.

 

 
Fonte: Valor
Seção: Siderurgia & Mineração
Publicação: 25/11/2025

 

Aço nos EUA engata trajetória de alta: preços sobem em todas as regiões em meio a oferta restrita e demanda morna

Os preços dos principais produtos siderúrgicos nos Estados Unidos avançaram em novembro, em diversas regiões e categorias, em um movimento marcado por oferta reduzida, tarifas elevadas sobre importados, manutenção programada de usinas e compradores operando com estoques mínimos. Mesmo com a demanda final ainda descrita como “fraca” por diversos participantes, usinas domésticas seguem firmes nas ofertas e ampliaram a distância em relação aos valores vistos no final do terceiro trimestre.

Sul e Meio-Oeste dos EUA: HRC se aproxima de US$ 900 por tonelada

No Sul dos Estados Unidos, o hot-rolled coil (HRC) encerrou 19 de novembro orbitando US$ 880 por tonelada, com o índice semanal chegando a US$ 876,80/t, leve alta de 0,11% em uma semana. As negociações continuam escassas, mas os produtores seguem resistentes a reduzir preços, mantendo ofertas na faixa de US$ 42,50 a US$ 45,50 por cwt.

No Meio-Oeste, o HRC chegou a US$ 895/t, o maior nível em quatro meses, após uma sequência de reajustes conduzida pelas usinas. O preço diário chegou a US$ 44,75 por cwt em 19 de novembro, alta de 1,66% em relação à semana anterior. Participantes relatam um mercado com liquidez reduzida, mas com usinas alongando prazos de entrega para seis a oito semanas — e compradores limitando pedidos para evitar aumento de estoques.

A Nucor, maior produtora de aço dos EUA, elevou o preço spot do HRC pela terceira semana consecutiva, para US$ 910/t, reforçando o movimento altista no segmento.

Apesar da firmeza nas ofertas, compradores seguem cautelosos. “As pessoas têm estoque baixo e não querem aumentar muito, porque esperam demanda flat”, afirmou um distribuidor da região.

Costa Oeste: HRC sobe e ultrapassa US$ 950/t com spot paralisado

No Oeste do país, o HRC entregue em Los Angeles alcançou US$ 955/t, alta de US$ 1,58 por cwt em uma semana. A Nucor também reajustou preços em sua operação na California Steel Industries, para US$ 960/t.

O mercado spot continua praticamente congelado desde o aumento das tarifas de importação para 50%, impostas pelo governo dos EUA em junho. Com importações praticamente inexistentes, o abastecimento depende quase exclusivamente de usinas domésticas.

“Os importadores estão esperando os números internos subirem para voltar a ofertar”, disse um distribuidor da Costa Oeste. A expectativa de maior demanda ligada à construção do muro na fronteira sul e aos setores de óleo e gás pode sustentar o consumo de HRC em 2026.

Galvalume sobe pela primeira vez em oito meses, puxado por alumínio caro e novos extras

O mercado de Galvalume registrou seu primeiro aumento desde março, subindo US$ 40 por tonelada e atingindo US$ 900/t em 18 de novembro. A alta foi impulsionada por:

aumento das ofertas das usinas,
reajuste dos extras de revestimento (coating weight extras),
forte escalada dos prêmios do alumínio — que aumentaram quase 290% desde janeiro.
As negociações spot para novembro e dezembro já estão encerradas, e o mercado negocia volumes para janeiro de 2026. A retração das importações, após tarifas de 50% e processos antidumping, reduziu drasticamente a concorrência estrangeira.

A elevação dos extras abre espaço até para substituição parcial do Galvalume por galvanizado em aplicações específicas. “Estamos pensando em trocar Galvalume por galvanizado para produtos de bitola mais leve”, relatou um distribuidor.

Apesar dos preços mais altos, a demanda permanece fraca. “As linhas estão cheias, mas o consumo não está forte”, disse uma fonte da distribuição.

Importações devem voltar a aparecer em maior volume a partir de março de 2026, com expectativa de entrada de até 25 mil toneladas — e risco de novas tarifas se o volume ultrapassar 50 mil t.

Mercado de importados: HRC e placas sobem com recomposição de estoques

Os preços do HRC importado entregue em Houston subiram para US$ 840–880/t, acompanhando o avanço do mercado doméstico. A proximidade entre o preço interno e o importado indica que não há margem para grandes descontos no material estrangeiro.

Já as chapas grossas importadas tiveram forte valorização, chegando a US$ 1.060–1.100/t, impulsionadas pela necessidade de distribuidores reforçarem estoques antes de novos aumentos previstos para o início de 2026.

O preço doméstico da chapa grossa permanece em US$ 1.000/t, estável desde setembro.

Vergalhão: mercado firme e em alta diante da oferta curta

O preço do vergalhão doméstico se manteve em US$ 930/t, após o reajuste de US$ 30 por tonelada aplicado por Nucor, CMC e Gerdau no início de novembro. A aceitação generalizada no mercado reforça um cenário de oferta limitada e chegada reduzida de material importado.

O vergalhão importado entregue em Houston permaneceu entre US$ 850–920/t, com baixa disponibilidade devido à queda de chegadas externas.

Fontes destacam que a demanda segue sustentada pelos setores de infraestrutura e centros de dados, enquanto a construção comercial privada desacelera. Alguns participantes esperam uma leve retração da atividade no restante do ano, com a chegada de novos lotes importados e o impacto sazonal do inverno.

Panorama geral: 2026 começa a tomar forma

Os aumentos recentes nos preços do aço nos EUA refletem menos uma aceleração da demanda e mais um ajuste de oferta, influenciado por:

paradas de manutenção,
estoques historicamente baixos na cadeia,
tarifas de 50% restringindo importações,
usinas tentando estabelecer um novo piso para 2026.
Embora o consumo final continue considerado “fraco”, o mercado como um todo dá sinais de reorganização, com compradores tentando se antecipar a novos ajustes e usinas usando períodos de baixa liquidez para firmar preços mais altos.

O resultado é um cenário em que praticamente todas as categorias — HRC, Galvalume, vergalhão e produtos importados — registram alta simultânea, mesmo com a demanda ainda tímida. A configuração para 2026 dependerá do ritmo de reposição de estoques, da força das tarifas e da eventual retomada das importações.

 
Fonte: Infomet
Seção: Siderurgia & Mineração
Publicação: 24/11/2025

Importações de aço recuam em outubro, a terceira queda seguida na comparação anual

As importações de aço somaram 473 mil toneladas em outubro, volume 21,4% menor que o registrado no mesmo período do ano passado, segundo dados divulgados pelo Instituto Aço Brasil (IABr) nesta quarta-feira (19). Somente de aço laminado, foram importadas 459 mil toneladas, o que sinaliza recuo de 5,4%.

Essa foi a terceira queda consecutiva nos desembarques totais e nas compras de laminados na comparação anual, depois de sete aumentos seguidos. Em nota, a entidade disse que as comparações mensais não refletem tendência de longo prazo e estão sujeitas a oscilações causadas por fatores conjunturais ou não recorrentes.

O Aço Brasil ressaltou que, se na comparação mês contra mesmo mês do ano anterior, verificam-se quedas na importação de aço laminado entre agosto e outubro, como apontado, o comparativo mês contra mês anterior, por sua vez, mostra duas altas seguidas desde agosto. Nesse contexto, cabe destacar que a importação de laminados subiu 12% na passagem de setembro para outubro, após crescer 4,3% entre agosto e setembro.

“O fato estatístico mais relevante e preocupante para a indústria do aço, atualmente, é que os aumentos anuais nos volumes importados de aço laminado estão ocorrendo sobre patamares cada vez mais elevados”, alertou o instituto.

“Como divulgado na última coletiva [em agosto, durante o Congresso Aço Brasil], as importações de laminados deverão fechar 2025 em mais de 6 milhões de toneladas, ante 5,3 milhões em 2024. Trata-se de um volume jamais atingido, que representa um import penetration de 22,6%, ante média histórica abaixo de 10%, entre 2000 e 2019”, sublinhou.

Com o resultado de outubro, as importações de aço chegaram a 5,5 milhões de toneladas desde janeiro, alta de 6,1% em relação a igual intervalo do exercício passado. Apenas de aço laminado, o volume atingido foi de 4,9 milhões de toneladas, avanço de 20,4%.

Origem dos desembarques

No décimo mês de 2025, Brasil importou 379,1 mil toneladas de aço da Ásia. Somente da China vieram 323 mil toneladas. A Europa enviou 52 mil toneladas, sendo 29,5 mil provenientes de países da União Europeia (UE). Os dois continentes foram os principais fornecedores, seguidos pela África, com a venda de 34,9 mil toneladas.

No acumulado do ano, os asiáticos exportaram 4,7 milhões de toneladas de aço ao mercado brasileiro, das quais 3,4 milhões de toneladas vendidas pelos chineses. Os embarques dos europeus somaram 453 mil toneladas. Apenas da UE foram compradas 341 mil toneladas. As compras originadas no continente africano totalizaram 315,9 mil toneladas.

Conforme o analista de investimentos da plataforma AGF, Pedro Galdi, há rumores e expectativas sobre a aplicação de medidas antidumping por parte do governo federal para conter importações. Ele avalia que isso pode reforçar a competitividade das usinas locais.

 
Fonte: Diário do Comércio
Seção: Siderurgia & Mineração
Publicação: 24/11/2025

Brasil tenta blindar sua siderurgia enquanto aço chinês pressiona preços e desafia políticas de defesa comercial

O mercado siderúrgico brasileiro entrou em um novo capítulo de tensão neste fim de ano. De um lado, usinas tentam recompor margens após meses de preços em queda; de outro, a enxurrada de aço chinês segue pressionando o mercado interno, enfraquecendo políticas recentes de controle e alimentando um consenso entre distribuidores: sem medidas antidumping mais robustas, a indústria nacional não recupera fôlego.

Aços planos mostram reação no mercado interno

Os preços domésticos de aços planos subiram de forma consistente até 14 de novembro, acompanhando o movimento de distribuidores que passaram a evitar compras externas diante das expectativas de novas ações antidumping na América Latina.

O laminado a quente subiu para 3.935–4.175 Reais por tonelada (ex-works), alta de 9,59% no mês, revertendo cinco meses consecutivos de queda. Distribuidores afirmam que o aumento aplicado pelas usinas “pegou”, embora em magnitude menor que a desejada.

A CSN indicou que aguarda novas medidas antidumping entre novembro e fevereiro, o que também impulsionou preços de produtos revestidos. O galvanizado avançou 10,76%, para 5.120–5.435 Reais por tonelada, e deve ser um dos primeiros alvos de novas barreiras comerciais.

O laminado a frio, porém, subiu apenas 0,33%, limitado pelo volume ainda elevado de importações na região. No mercado externo, o CRC importado avançou para US$ 560–630 por tonelada CFR, alta semanal de 5,31%.

Vergalhão segue pressionado por demanda fraca

Enquanto os aços planos ganham tração, o mercado de vergalhão permanece travado. Os preços recuaram 0,44% para 3.200–3.600 Reais por tonelada entregue, num cenário de estoques elevados e fraca atividade no segmento da construção.

“A demanda despencou. As usinas tentam aumentar preços, mas o teto não reage”, afirma um distribuidor. Segundo ele, as margens encolheram ao longo de 2024, e o fim do ano não deve trazer alívio.

INDA: “Só o antidumping pode deter a China”

No campo político-comercial, o recado do setor é direto. “A única forma de conter o aço chinês é o antidumping. Sem isso, nada acontece”, afirmou Carlos Loureiro, presidente do INDA, em 18 de novembro.

Para ele, medidas genéricas já adotadas pelo governo — como o aumento tarifário sobre veículos elétricos e híbridos — não reduziram a pressão competitiva da China. Em alguns segmentos, como o automotivo, já se discute formalmente a abertura de investigações por preços considerados predatórios.

A lentidão nos processos de defesa comercial também preocupa. O Brasil tem mais de uma dezena de investigações envolvendo aço chinês, mas cada uma pode levar até 18 meses.

Importações seguem elevadas — e filas se formam nos portos

Mesmo com redução anual, o Brasil importou 251,1 mil toneladas de aços planos em outubro, 4% acima de setembro — volume ainda considerado elevado pelo setor. O temor de sobretaxas acelerou a corrida para liberar cargas nos portos. Mais de 500 mil toneladas aguardam desembaraço, segundo o INDA.

Um navio com 45 mil toneladas, atracado em 24 de outubro, chegou a ficar mais de um mês sem descarga por falta de espaço.

Dados do Instituto Aço Brasil reforçam a pressão sobre o setor

As estatísticas mais recentes da Aço Brasil ajudam a compor o quadro de fragilidade industrial:

Importações totais de produtos siderúrgicos caíram 21,4% em outubro, para 473 mil toneladas.
Ainda assim, no acumulado do ano, houve alta de 6,1%, somando 5,549 milhões de toneladas.
Exportações subiram 28,1% em outubro, para 907 mil toneladas, e cresceram 4,6% no ano.
Produção de aço caiu 2,7% em outubro, para 2,988 milhões de toneladas, e recuou 1,8% de janeiro a outubro.
Vendas internas caíram 6,5% em outubro, para 1,814 milhão de toneladas.
O consumo aparente recuou 6,3% no mês, mas ainda mostra alta de 2,9% no acumulado do ano, para 22,709 milhões de toneladas.
Na visão de analistas, o recuo mensal de importações não altera o pano de fundo: o volume importado permanece elevado e continua pressionando preços internos, especialmente nos segmentos mais sensíveis à concorrência chinesa.

Desempenho da distribuição mostra desaceleração

As compras dos distribuidores associados ao INDA caíram 4,6% em outubro, para 343,5 mil toneladas. As vendas diminuíram 2,1% em relação a setembro, embora tenham registrado leve alta anual de 1,3%.

A maior fraqueza ocorreu no segmento de chapa grossa, com quedas profundas tanto em compras quanto em vendas. O galvanizado, por sua vez, foi o destaque positivo, com vendas anuais crescendo 26,9%.

2025 será decisivo para a sobrevivência da siderurgia brasileira

Com usinas pressionando por recomposição de margens, distribuidores defendendo barreiras emergenciais e a China mantendo ritmo agressivo de exportação, o Brasil entra em 2025 diante de um desafio central: equilibrar competitividade, proteção industrial e previsibilidade regulatória.

A depender do ritmo das decisões antidumping — e da disposição política para implementá-las — o país pode redesenhar o tabuleiro competitivo da siderurgia nacional nos próximos meses.

 
Fonte: Infomet
Seção: Siderurgia & Mineração
Publicação: 24/11/2025

 

Exportadores comemoram retirada de tarifas dos EUA: ‘Presente de Natal’

Representantes dos segmentos beneficiados com a retirada de tarifas dos Estados Unidos, anunciada no início da noite desta quinta-feira (20/11), comemoraram a decisão do governo Trump. A Casa Branca informou a isenção da tarifa adicional de 40% a alguns produtos agrícolas do Brasil, incluindo o café, a carne bovina e frutas.

“Ganhamos um presente de Natal”, comemorou Marcos Matos, diretor-geral do Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé), à Globo Rural. “Agora é hora de celebrar. Tudo o que a gente mais queria era a isonomia, e conseguimos a isonomia”, declarou.

Ele informou que a isenção da tarifa de 40% retroage para 13 de novembro, quando Donald Trump excluiu as tarifas de 10% aplicadas a todos os países.

Matos disse que agora o Cecafé vai trabalhar para reduzir os impactos que o setor sofreu desde 6 de agosto, quando o tarifaço sobre o Brasil foi anunciado, e que segundo ele foram “muito significativos” para os cafeicultores.

“Agora, com nossa organização, eficiência, competência e sustentabilidade, [vamos] reconquistar nossos espaços nos blends, agora com isonomia”, afirmou.

Outra entidade do setor de café, a Associação Brasileira da Indústria de Café (ABIC), atribuiu o fim das tarifas americanas aos esforços do governo brasileiro, que atuaram em conjunto com a cadeia produtiva.

De acordo com Pavel Cardoso, Presidente da ABIC, após o fim do tarifaço "fica evidenciado que o café brasileiro é um produto essencial e estratégico para a economia americana, abrindo, inclusive, espaço para ampliação da presença dos cafés industrializados brasileiros no varejo norte-americano, com ganhos diretos para toda a cadeia produtiva, da indústria ao produtor".

Indústria da carne beneficiada

A Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec) também celebrou a decisão. Segundo a entidade, "a reversão reforça a estabilidade do comércio internacional e mantém condições equilibradas para todos os países envolvidos, inclusive para a carne bovinabrasileira".

"A medida demonstra a efetividade do diálogo técnico e das negociações conduzidas pelo governo brasileiro, que contribuíram para um desfecho construtivo e positivo. A ABIEC seguirá atuando de forma cooperativa para ampliar oportunidades e fortalecer a presença do Brasil nos principais mercados globais", informou a associação, em nota.

A tarifa, que na semana passada havia caído de 50% para 40%, ficou zerada para cortes de bovina.

Frutas: “Vamos voltar a competir com o mundo”

O setor de frutas reagiu com alívio à derrubada das tarifas de 40%.

O presidente da Associação Brasileira dos Produtores de Frutas e Derivados (Abrafrutas), Guilherme Coelho, comentou que ainda estão analisando o documento de 36 páginas para identificar quais frutasforam contempladas, mas celebrou: “É um espetáculo, vamos voltar a competir com o mundo. Não dava para competir com 50% de tarifas e o resto do mundo com apenas 10%”.

Coelho ressalta que a região mais beneficiada pela isenção das tarifas é o Vale do São Francisco. “De cada dez contêineres exportados de manga, nove saem de lá”.

Manga, melão, laranja e mamão estão entre as frutas com tarifa zero. A uva não aparece na lista. O presidente da associação, porém, não vê como um problema, já que a negociação é feita por etapas. “A manga foi por etapa, o melão e a melancia também. A gente está comemorando porque foi uma luta grande”.

Usinas do NE: 'Aijadas'

Já as usinas de cana-de-açúcar do Nordeste se sentiram “alijadas”, já que o açúcar não entrou na lista de produtos beneficiados pela isenção do tarifaço de 40% sobre o Brasil.

“Nos sentimos alijados e despremiados, pelo fato de sermos fornecedores exemplares”, lamentou Renato Cunha, presidente do Sindaçúcar de Pernambuco

O dirigente lembrou que as usinas de açúcar do Nordeste, que são historicamente detentoras da maior cota de importação de açúcar do país sem tarifa, sempre cumpriu com o volume determinado e até cobriu espaço de cota que outros países não conseguiam cumprir. “Sempre salvamos o fornecimento americano. E hoje, outros países que não fazem esse tipo de suprimento, estão tendo um benefício competitivo em detrimento daquele que historicamente sempre favoreceu os EUA.”

Apesar da exclusão do açúcar da lista de isenção, Cunha ainda acredita que os EUA flexibilizarão sua posição a respeito do produto brasileiro.

Ele lembrou que, em breve, o governo americano deverá fazer um balanço de oferta e demanda locais, e pode redefinir o volume que precisará importar para ter um mercado mais equilibrado. Em suas estimativas, os estoques americanos hoje estão em torno de 15% do consumo, nível que deve ser considerado baixo para dar segurança de suprimento.

Para a atual safra americana, que começa em outubro e vai até setembro, os EUA já atribuíram ao Brasil uma cota de 155 mil toneladas de açúcar que podem entrar no país isenta das tarifas aplicadas ao açúcar. Porém, a sobretaxa de 40% acaba sendo aplicada mesmo sobre este valor, o que tira a competitividade do açúcar brasileiro ante o produto oriundo de outras regiões beneficiadas com cotas.

Cunha disse acreditar que os EUA terão que aumentar a cota brasileira diante da baixa oferta interna de açúcar, o que ele espera que ocorra entre o fim do ano e início do ano que vem. “Se eles admitirem que precisam de mais [açúcar], pode ser a hora de também reverem a questão das tarifas”, afirmou.

O presidente do Sindaçúcar-PE disse que o setor vai agora pedir para o Itamaraty que volte sua estratégia para negociar com os EUA sobre os produtos que ainda não foram atendidos pela isenção de tarifas. “Nós não jogamos a toalha porque somos resilientes”, concluiu.

Frustração para os pescados e mel

Além do setor canavieiro, o setor de pescados do Brasil também não foi beneficiado com o fim do tarifaço. Com exportações anuais de US$ 300 milhões aos Estados Unidos, a indústria de pescados fala em "frustração" com as negociações envolvendo as sobretaxas.

“Estamos obviamente satisfeitos pelos setores brasileiros que avançaram, mas é impossível esconder nossa frustração. Não houve evolução alguma para o pescado, e isso mostra que essa pauta não tem recebido a priorização necessária por parte do governo brasileiro. O setor gera empregos, movimenta a economia e tem enorme potencial de expansão, mas continua invisível nas negociações com os Estados Unidos”, afirmou o presidente da Associação Brasileira das Indústrias de Pescados (Abipesca), Eduardo Lobo.

O sentimento de frustação também foi relatado pelo setor exportador de mel do Brasil. Em nota, o presidente da Associação Brasileira dos Exportadores de Mel (Abemel), Renato Azevedo, lembrou que os EUA possuem um grande déficit de produção de mel, necessitando de importar o produto para equilibrar a oferta.

Azevedo disse que fica a frustração pelo mel brasileiro ficar de fora da lista de isenções do tarifaço. Por outro lado, ele acrescentou que o resultado prático das negociações com o fim das taxas para alguns produtos dá esperança para resolver em breve a situação do mel.

“Tive uma troca de mensagens com o Luis Rua, secretário de Comércio e Relações Internacionais do MAPA [Ministério da Agricultura], que me confessou estar surpreso com a não entrada do mel na lista de produtos que ficaram sem taxação. Ele me garantiu que as negociações continuarão até que consigamos resolver essa situação”, ressaltou o presidente da Abemel.

Confira a lista dos itens beneficiados neste link.

 
Fonte: Globo Rural
Seção: Indústria & Economia
Publicação: 21/11/2025