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Produção de aço da China deve cair abaixo de 1 bi de toneladas pela 1ª vez desde 2019

A produção de aço da China este ano cairá abaixo de 1 bilhão de toneladas pela primeira vez desde 2019, mas as importações de minério de ferro podem atingir um recorde.

Embora existam alguns fatores fundamentais que ajudam a explicar a aparente contradição entre a demanda robusta por minério de ferro e a redução de ritmo na produção de aço, o principal provavelmente é a confiança.

O minério de ferro está sendo impulsionado pela opinião dos participantes do mercado de que Pequim continuará a estimular a segunda maior economia do mundo e, em última análise, que a demanda por aço se recuperará.

O declínio na produção de aço ocorre à medida que as usinas chinesas lutam para se manterem lucrativas em meio aos custos mais altos dos insumos e à demanda menor do setor de construção.

A China, que produz mais da metade do aço global, produziu 72 milhões de toneladas em outubro, queda de 2% em relação a setembro e recuo de 12,1% sobre o mesmo mês de 2024, de acordo com dados divulgados em 14 de novembro.

Nos primeiros 10 meses do ano, a produção de aço da China foi de 817,9 milhões de toneladas, uma queda de 3,9% em relação ao mesmo período do ano passado.

Isso também significa que para atingir 1 bilhão de toneladas a produção chinesa nos dois últimos meses do ano terá de ser de 182,13 milhões de toneladas, ou cerca de 91 milhões de toneladas em novembro e dezembro.

É mais provável que a produção da China não ultrapasse 75 milhões de toneladas em cada um dos dois últimos meses do ano, o que significa que a produção anual está a caminho de atingir cerca de 970 milhões de toneladas.

A última vez que a produção de aço da China ficou abaixo de 1 bilhão de toneladas foi em 2019, quando o volume produzido foi de 996 milhões de toneladas.

No entanto, as importações de minério de ferro estão a caminho de eclipsar o recorde do ano passado de 1,24 bilhão de toneladas alcançado em 2024.

Nos primeiros 10 meses do ano, as importações de minério de ferro pela China somaram 1,03 bilhão de toneladas, o que significa que, se as chegadas nos últimos dois meses do ano ultrapassarem 210 milhões de toneladas, será estabelecido um novo recorde.

As importações de novembro já parecem fortes, com os analistas da DBX Commodities estimando as importações da commodity em 116,5 milhões de toneladas, enquanto a Kpler está ainda mais otimista com uma previsão de 120,6 milhões de toneladas.

A questão é: por que as importações de minério de ferro estão tão fortes se o setor siderúrgico está tão obviamente em dificuldades?

ESTOQUES, PREÇOS

Um motivo fundamental é que a China vem reconstruindo seus estoques. Os inventários em portos monitorados pela consultoria SteelHome (SH-TOT-IRONINV) aumentaram pela oitava semana para 139,6 milhões de toneladas nos sete dias até 14 de novembro.

Os estoques agora estão 7,3% acima da baixa de 18 meses de 130,1 milhões de toneladass atingida no início de agosto, mas ainda estão abaixo dos 150,7 milhões de toneladas de novembro do ano passado.

Isso implica que ainda há espaço para que os estoques crescerem nas próximas semanas, especialmente se os preços permanecerem relativamente estáveis.

Os contratos futuros de referência de minério de ferro de Cingapura (SZZFc1) terminaram em US$104,60 por tonelada na terça-feira e têm se mantido em uma faixa estreita entre US$100 e US$108 desde o início de agosto.

Embora os preços estáveis possam sustentar alguma compra, eles dificilmente são um forte impulsionador, especialmente quando a visão generalizada do mercado é de que os preços do minério de ferro provavelmente cairão em 2026, à medida que a nova e enorme mina de Simandou, na Guiné, aumentar a produção.

O argumento fundamental para as fortes importações de minério de ferro não é convincente e é mais provável que o fator determinante seja a confiança dos participantes do mercado.

Uma entrevista na semana passada com o Ministro das Finanças da China, Lan Foan, é um exemplo disso.

Uma política fiscal mais forte, usando ferramentas como orçamento, tributação e títulos públicos será usada para fornecer apoio sustentado ao desenvolvimento econômico e social, disse Lan.

O minério de ferro está sendo impulsionado pelo otimismo de que os esforços de Pequim darão frutos, enquanto a produção de aço está reconhecendo que o estímulo ainda não fez uma diferença substancial.

 

 
Fonte: Reuters
Seção: Siderurgia & Mineração
Publicação: 21/11/2025

 

China compra 7,12 milhões de toneladas do Brasil e ignora soja dos EUA

China registrou em outubro um volume recorde de importações de soja, mas pela segunda vez consecutiva não comprou nenhum grão dos Estados Unidos. Os dados, divulgados nesta quinta-feira (20) pela Administração Geral de Alfândega, mostram que o país manteve a estratégia de substituir fornecedores norte-americanos por produtores sul-americanos em meio às tensões comerciais com Washington.

As compras de soja dos EUA caíram a zero no mês, após terem somado 541,4 mil toneladas em outubro do ano passado. O recuo reflete as tarifas elevadas impostas pela China no início do ano e o esgotamento dos estoques da safra antiga norte-americana. A mudança ocorre enquanto o país asiático — maior importador global da commodity — busca reduzir riscos de interrupções no abastecimento.

Ao mesmo tempo, as importações do Brasil avançaram 28,8%, alcançando 7,12 milhões de toneladas e representando 75,1% de todo o volume desembarcado pela China no mês. Os embarques argentinos também cresceram: alta de 15,4%, para 1,57 milhão de toneladas, o equivalente a cerca de um sexto das compras totais.

Com o impulso da América do Sul, as importações chinesas de soja chegaram a 9,48 milhões de toneladas em outubro, o maior nível já registrado para o mês. No acumulado de janeiro a outubro, a China importou 70,81 milhões de toneladas do Brasil, aumento de 4,5% em relação ao ano anterior, e 4,46 milhões de toneladas da Argentina, alta de 23,9%.

Os números reforçam a mudança estrutural da cadeia de abastecimento chinesa e consolidam a América do Sul como principal origem da oleaginosa no maior mercado consumidor do mundo.

 
Fonte: Portal IN
Seção: Agro, Máquinas & Equipamentos
Publicação: 21/11/2025

Usinas adiam para janeiro alta de preços de aços planos no Brasil, diz Inda

Usinas siderúrgicas resolveram adiar para janeiro um reajuste de 5% a 8% em seus produtos planos que seria aplicado em dezembro, em meio à expectativa de uma queda sazonal do mercado interno em dezembro e pressão de importadores para internalizar milhares de toneladas de aço antes da possível imposição de medidas de defesa comercial pelo Brasil.

"O novo aumento (de preço) em dezembro foi posto de lado", disse o presidente do Instituto Nacional dos Distribuidores de Aço (Inda), Carlos Loureiro, em entrevista a jornalistas nesta terça-feira.

"O pessoal está anunciando novo reajuste para janeiro...é uma maneira de forçar para que dezembro não seja um mês tão ruim, pois quando se posterga o aumento, o pessoal vai tentar ajustar estoques ainda nos preços antigos", acrescentou.

Apesar das importações de aço plano pelo Brasil terem recuado 9,2% em outubro ante o mesmo mês de 2024, o Inda avalia que há ainda grande quantidade de aço a ser descarregada em portos brasileiros, o que deve pressionar o mercado nacional até abril ou maio, disse Loureiro.

Segundo ele, o principal porto de entrada de aço plano no país, de São Francisco do Sul (SC), tem cerca de 500 mil toneladas em terra e esperando desembarque.

"Um navio chegou em 24 de outubro com 45 mil toneladas e esse navio esta previsto descarregar em 25 de novembro...ainda tem volume grande de material que está chegando que vai fazer pressão forte nos próximos três a quatro meses", disse o presidente do Inda.

Em outubro, as vendas de aços planos no Brasil pelos distribuidores filiados ao Inda somou 354,2 mil toneladas, alta de 1,3% sobre um ano antes, mas queda de 2,1% ante setembro.

Loureiro disse que o desempenho do mês passado foi "razoavelmente bom", e que a tonelagem de outubro foi a melhor dos últimos cinco anos.

Para novembro, a expectativa é de queda de 4% nas vendas ante outubro. De janeiro a outubro, as vendas do setor somam 3,33 milhões de toneladas, alta de 1,1% sobre o mesmo período de 2024 e perto da projeção do Inda para 2025.

Os distribuidores terminaram outubro com estoques suficientes para 3 meses de vendas, equivalente a um total de 1,07 milhão de toneladas, segundo o Inda. Esse volume é 9,3% mais alto que o registrado um ano antes.

O presidente do Inda avalia que a tendência é de crescimento dos estoques nos próximos meses, diante da urgência dos importadores em internalizar o aço que contrataram do exterior alguns meses atrás.

Em outubro, o Porto de São Francisco do Sul, segundo o Inda, registrou a chegada de 150,08 mil toneladas de aço plano, quase 60% de todo o volume importado pelo Brasil no mês. Em segundo e terceiro lugares aparecem os portos de Fortaleza e Manaus, com volume combinado de 71,3 mil toneladas.

De janeiro a outubro, o porto catarinense, segundo o Inda, recebeu 1,4 milhão de toneladas de aços planos, 47% da importação nacional do material. Os portos de Fortaleza e Manaus, acumularam 904,2 mil toneladas no total, com o material sendo redistribuído por diversas regiões do país, principalmente no Sudeste, onde está grande parte da indústria de transformação do aço do Brasil, disse Loureiro.

 
Fonte: Reuters
Seção: Siderurgia & Mineração
Publicação: 19/11/2025

Colômbia 'constrange' Brasil e declara Amazônia livre de exploração de minério e petróleo

A Colômbia anunciou, nesta quinta-feira (13), que será o primeiro país a definir que a Amazônia é uma área livre da exploração de minério e petróleo e tornará todo o espaço de floresta uma reserva “de recursos renováveis”.

O anúncio foi feito pela ministra de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável colombiana, Irene Vélez Torres, durante encontro entre ministros do meio ambiente na COP30.

“A Colômbia decidiu dar o primeiro passo e foi o primeiro país da área amazônica a declarar a toda a parte que corresponde à Colômbia como uma zona de reserva de recursos naturais renováveis, protegendo este bioma de atividades de minério e de hidrocarbonetos”, disse.

A colocação se deu em tom de incentivo para que outros sete países que fazem parte da região amazônica avancem com a preservação da floresta, em passo que vai contra decisão recente do Brasil, que em outubro, autorizou a Petrobras a buscar petróleo na Margem Equatorial, região que vai do Amapá ao Rio Grande do Norte.

A Amazônia representa uma área menor dentro do território colombiano, com 7% do espaço de floresta, enquanto o lado brasileiro concentra cerca de 60% da vegetação. Outras parcelas são divididas entre Bolívia, Equador, Peru, Venezuela, Suriname e Guiana Francesa.

Apesar da parcela menor, a ministra afirma que há decisão em proteger toda a área de floresta dentro do país. “A selva é só uma. Os rios não têm fronteiras, assim como a vida. Cuidar da Amazônia não é um sacrifício econômico, é uma inversão ética para o futuro da região e da humanidade”.

Defesa conjunta da Amazônia

O anúncio foi feito durante lançamento da Comissão Especial de Meio Ambiente e Clima, que reúne os oito países da região amazônica. Durante o evento, a ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, destacou avanços do Brasil e defendeu o fundo de proteção para florestas, o TFFF.

“Para que possamos, ao término dessa COP30, darmos uma resposta à altura do que a sociedade e a comunidade internacional está a esperar de nós. Na matéria de financiamento, por exemplo, sabemos que alcançar US$ 1,3 trilhões é a meta. E o Brasil colocou na mesa um instrumento potente, o TFFF, que é capaz de mobilizar recursos públicos e privados, não como doação, mas como investimento”, afirmou.

 
Fonte: R7
Seção: Siderurgia & Mineração
Publicação: 14/11/2025

 

Associação de aço dos EUA diz que Brasil também precisa proteger a própria indústria

O presidente da Associação de Fabricantes de Aço dos Estados Unidos (SMA, na sigla em inglês), Philip Bell, acredita que a relação entre governos brasileiro e americano ainda pode melhorar. Ao Valor, Bell afirmou que, mesmo com uma maior aproximação entre os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Donald Trump nos últimos meses, há espaço para avanços. Ele também observou que o Brasil precisa de mecanismos para proteger a própria indústria, em clara alusão à China.

“Trump era um grande fã de [Jair] Bolsonaro, mas as coisas mudaram. O Brasil é importante para a economia global e para a indústria de aço. É fundamental termos um relacionamento saudável. Há um enorme potencial para melhora”, disse Bell, após participar do congresso anual da Associação Latino-americana de Aço (Alacero), na Colômbia.

Questionado sobre se essa relação melhor entre os países poderia reduzir as tarifas americanas sobre o aço importado do Brasil, que ainda é taxado com 50% desde junho pela medida da Casa Branca chamada seção 232, Bell deixou a decisão para os chefes de Estado.

“Isso diz respeito a Lula e Trump, e não a mim. Acredito que o Brasil tem muito a fazer no campo de comércio exterior. Muitos na indústria brasileira [do aço], ainda que não gostem do que nós estamos fazendo, acreditam que o Brasil deveria fazer algo parecido com nossas tarifas para ajudar a indústria interna”, afirmou.

O presidente americano instituiu a seção 232 logo depois de assumir, em janeiro deste ano, inicialmente taxando os produtos em 25%. Em junho, decidiu elevar a taxa para 50%. A tarifa vale igualmente para todos os países.

Conforme Bell, a medida tem ajudado a indústria americana: “Para os produtores americanos, isso nos ajuda. Nos ajuda a conseguir mais investimentos e a ganhar fatia de mercado que havíamos perdido com a concorrência desleal do produto importado. A melhor forma de descrever o avanço é que, até agora, está tudo bem.”

O presidente da SMA reconheceu que a taxação de aço prejudicou as relações entre os Estados Unidos e outros países, tornando a geopolítica mais complicada: “Mas ainda acredito que temos que entender o que o presidente Donald Trump está tentando fazer. Ele está passando uma mensagem clara sobre o comércio exterior americano e sobre as relações com os países", disse.

"Países como a China estão tentando dominar as indústrias dos outros países e tentando derrubá-las. Sei que não é fácil, mas, em certo ponto, o Brasil deve precisar de algo como a 232 [mecanimo americano] para ajudar a levantar a indústria de aço e outros setores de manufatura”, completou.


 
Fonte: Valor
Seção: Siderurgia & Mineração
Publicação: 13/11/2025

Ex-ministro defende fortalecimento da indústria de aço brasileira

O ex-ministro da Fazenda Joaquim Levy defendeu o fortalecimento da indústria siderúrgica como condição estratégica para o desenvolvimento do Brasil. Ele argumentou que, para um país que é um dos maiores produtores de minério de ferro do mundo, é essencial manter uma base industrial capaz de transformar essa riqueza natural em produtos de maior valor agregado.

Levy, que comandou o Ministério da Fazenda em 2015 e hoje é diretor de Estratégia Econômica e Relações com Mercados, observou que a economia brasileira vem crescendo nos últimos anos, mas tem mostrado sinais de desaceleração nos meses recentes. Segundo ele, o país ainda enfrenta os efeitos do período inflacionário pós-pandemia e de uma política monetária restritiva, embora a atividade econômica continue avançando.

As declarações foram dadas durante o Alacero Summit, maior evento da indústria siderúrgica da América Latina, realizada em Cartagena das Índias, na Colômbia, para o qual a reportagem da Rede Tribuna foi convidada.

O ex-ministro destacou que o desempenho da siderurgia está diretamente ligado à vitalidade de setores como o automotivo e o de bens de capital. Quando esses segmentos crescem, a produção de aço acompanha o movimento; quando recuam, a atividade do setor também se retrai.

Levy alertou ainda para o avanço das importações indiretas de aço — quando o produto chega ao país incorporado a bens industrializados — e defendeu o equilíbrio entre a busca por menores custos ao consumidor e a necessidade de preservar a saúde do parque produtivo nacional.

Ele acrescentou que o governo precisa buscar estabilidade interna com diálogo e previsibilidade, enquanto o setor produtivo deve mostrar sua capilaridade social e econômica — como na cadeia da sucata, que envolve coleta, transporte e reaproveitamento em várias cidades.

Levy também defendeu maior coordenação internacional, especialmente por meio da OCDE, e afirmou que a integração latino-americana deve ser vista sob a ótica da segurança nacional, como instrumento para assegurar espaço à produção local e maior autonomia econômica regional.

INVASÃO

A América Latina vive um processo de desindustrialização agravado pelo aumento das importações de aço, especialmente da China, o que ameaça investimentos e empregos no setor siderúrgico. No Brasil, o presidente da Alacero e da ArcelorMittal Brasil, Jorge Oliveira, alertou que a concorrência desleal pode comprometer projetos como o de R$ 4 bilhões da unidade Tubarão, na Serra, que prevê a criação de 3 mil vagas.

De 2020 a 2025, as importações de aço cresceram 300%, três vezes acima da média histórica. Mesmo com uma leve redução recente, o nível ainda é considerado alto. O setor busca medidas de defesa comercial e antidumping para conter práticas predatórias e manter a competitividade regional.

Outros participantes do Alacero Summit 2025, como o colombiano Bruce Mac Master e o brasileiro Oliver Stuenkel, destacaram que a desindustrialização é um problema comum a toda a América Latina, que precisa fortalecer sua política industrial e ampliar a integração regional para evitar perda de relevância econômica e dependência externa.

 
Fonte: Tribuna Online
Seção: Siderurgia & Mineração
Publicação: 13/11/2025