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Mercado eleva previsão de inflação para 2026 e projeta Selic a 12,25%

A expectativa de inflação do mercado financeiro para 2026 subiu para 4,06%, segundo o boletim Focus divulgado nesta segunda-feira (5) pelo Banco Central. Esta é a primeira edição do relatório em 2026 e indica leve alta em relação à projeção anterior, que era de 4,05%.

Para 2025, os analistas reduziram a estimativa do IPCA para 4,31%. O dado oficial da inflação será divulgado na próxima sexta-feira (9), conforme o calendário do IBGE.

Em relação aos juros, os economistas projetam que a taxa Selic encerre este ano em 12,25%. A principal dúvida do mercado é o momento de início dos cortes. Inicialmente esperada para janeiro, a redução pode ficar para março, avalia o professor de economia da Universidade de Brasília (UnB), Cesar Bergo.

“Então essa demora no corte da taxa de juros vai ter impacto direto na economia, exatamente porque afeta o crédito das empresas, aumenta na despesa das famílias, então afeta o consumo e afeta também os preços como estamos vendo e a perspectiva pode ser essa. Mas em decorrência de uma possibilidade de corte da Selic, melhora o cenário econômico.”

Segundo ele, a demora na queda dos juros impacta diretamente a economia ao encarecer o crédito, aumentar as despesas das famílias e afetar o consumo. “Por outro lado, a perspectiva de corte da Selic tende a melhorar o cenário econômico”, explica.

Sobre a possibilidade de uma invasão norte-americana à Venezuela, especialistas avaliam que o impacto direto sobre o Brasil deve ser limitado, já que o comércio bilateral entre os dois países é pouco significativo. A análise é do economista Werton Oliveira, do Conselho Regional de Economia da Paraíba.

“O que a gente tem que entender mais é questão dos investidores e a questão do dólar. Porque como a gente está numa região que está sendo afetada diretamente por essa invasão, a gente pode sofrer algumas sanções por causa da proximidade com o país venezuelano. E pode ter alguma questão direta no preço das commodities,  minério, ouro, petróleo. Também pode ter a questão do fluxo de capitais com insegurança na região”.

De acordo com ele, a maior preocupação envolve a reação dos investidores e o comportamento do dólar. “A instabilidade na região pode afetar o fluxo de capitais, o câmbio e até os preços de commodities como minério, ouro e petróleo”, afirma.

Ainda segundo o boletim Focus, a projeção inicial para o crescimento da economia brasileira em 2026 é de 1,80%. Já o dólar deve encerrar o ano cotado a R$ 5,50.

 
Fonte: Diário Indústria & Comércio
Seção: Indústria & Economia
Publicação: 06/01/2026

Brasil terá novas montadoras de motos em 2026; veja quais

O ano de 2025 promete ser um dos melhores dos últimos tempos em vendas de motocicletas novas. E com isso, o mercado brasileiro começa a atrair mais montadoras que querem um pedacinho do nosso sucesso. Algumas marcas já confirmaram sua chegada, enquanto algumas têm fortes indícios apontando para sua estreia por aqui.

E não é para menos, marcas com menos tempo de mercado, como as indianas Royal Enfield e Bajaj, já entraram no Top 10 de montadoras em 2025. A chinesa Shineray também começou a trazer motos da chinesa QJ Motor para cá num esforço para ter produtos de posicionamento mais premium. Mas elas devem receber a companhia de mais rivais.

Voge

Em dezembro de 2025, a chinesa Voge confirmou sua chegada ao Brasil. É marca premium do grupo chinês Loncin Motor. A empresa anunciou sua estreia nacional e afirmou que revelará ainda este ano os primeiros modelos que serão lançados e produzidos no Brasil a partir de 2026. A comercialização deve ter início no primeiro trimestre.

Embora ainda não tenha confirmado quais motos estarão no portfólio inicial, o site brasileiro da marca destaca duas famílias globais: Trofeo, com opções de 300 cm?3; a 525 cm?3;, e Valico, com modelos entre 300 cm?3; e 900 cm?3;.

CFMoto

A chinesa CFMoto confirmou que passará a comercializar seus produtos em nosso mercado em breve, sem dar uma data específica. A CFMoto já opera no Brasil há 10 anos por meio do Grupo Unique, mas atua até agora apenas com modelos off-road, UTVs e quadriciclos. Também vale ressaltar que a marca chinesa opera em joint ventures com outras montadoras conhecidas, como Yamaha e KTM. A CFMoto até o momento confirmou quatro modelos a serem oferecidos no mercado brasileiro em 2026. São elas as aventureiras Ibex 450 e 700 e as estradeiras CL-C 450 e CL-C 450 Bobber.

Revelada na Europa em março do ano passado, a Ibex 450 promete ser o carro-chefe da marca por aqui. É uma aventureira de média cilindrada que, olhando rapidamente, pode até lembrar alguns traços de modelos da linha Adventure da KTM. O motor de 449 cm?3; é bicilíndrico e tem duplo comando de válvulas no cabeçote (DOHC) com arrefecimento a líquido. No total, entre 44 cv de potência a 8.500 rpm e 4,3 kgfm de torque a 6.500 rpm na configuração oferecida na Europa. O câmbio de 6 marchas tem embreagem assistida e deslizante.

TVS

Uma das gigantes indianas das duas rodas tem um caso de idas e vindas com o Brasil. Já teve os produtos da linha Apache vendidos por aqui em parceria com a Dafra. Hoje, a TVS Sport 110i é oferecida por meio de uma complexa parceria com a empresa de aluguel Mottu. No entanto, pode ser que a marca queira fincar os pés de vez por aqui.

Segundo apurou o site Motoo, a TVS deve iniciar a operação própria no Brasil ainda em 2026, focando em motos na faixa de até 200 cilindradas com scooters e ainda pode trazer de volta os produtos da linha Apache, que chegaram a fazer sucesso no Brasil, mesmo com os volumes limitados por conta da parceria com a Dafra.

Hero

Mais uma marca indiana de olho no Brasil é a Hero. A empresa tem credenciais fortes, tendo sido parceira local da Honda na Índia por décadas e hoje desenvolve produtos localmente em parceria até com a Harley-Davidson, rendendo a moto mais barata do mundo da estadunidense. Desde agosto de 2024 que se sabe das intenções da Hero por aqui e os planos podem se concretizar em 2026.

Um relatório de resultados do segundo trimestre de 2024 distribuído aos investidores da Hero MotoCorp revelou algo interessante para o Brasil. No campo dedicado aos destaques da empresa no período, foi informada a inauguração de uma linha de montagem no Nepal em conjunto com a CG Motors e também o anúncio dos preparativos para uma unidade produtiva para veículos de das rodas no Brasil.

A diferenciação entre estes dois pontos é importante. A operação no Nepal é claramente uma unidade pensada apenas para a montagem das motos da marca com peças importadas da Índia. A operação brasileira, da forma com a qual foi escrita no relatório, leva a crer que a Hero já quer entrar no Brasil com uma fábrica de fato. Hoje, a Royal Enfield e a Bajaj operam em regime CKD em Manaus, com peças importadas e montagem final no Brasil.

 
Fonte: Motor 1
Seção: Automobilística & Autopeças
Publicação: 05/01/2026

 

Ponte, fábrica de celulose e duplicações: confira lista de ‘megaobras’ em MS aguardadas em 2026

Mato Grosso do Sul começa o ano de 2026 com grandes projetos em desenvolvimento, espalhados por vários dos 79 municípios. Sete megaobras possuem entrega prevista para este ano ou devem ‘deslanchar’ ao longo dos meses.

Projetos iniciados há anos ou meses agora ganham forma e podem ser entregues à população. As obras listadas pelo Jornal Midiamax vão desde duplicações em BR até construção de novas fábricas no Estado.

Juntas, somam mais de R$ 25,5 bilhões de investimento em Mato Grosso do Sul. Confira a lista completa:

Ponte Carmelo Peralta

A construção da ponte entre Carmelo Peralta, no Paraguai, e Porto Murtinho, no Brasil, é considerada a principal obra da Rota Bioceânica. Um marco para o setor da construção civil e para o Mato Grosso do Sul, a ponte integra grande projeto que ligará o Brasil ao litoral do Pacífico, atravessando Paraguai, Argentina e Chile.

Do lado brasileiro, a ponte encerrou 2025 com 80% de conclusão. A previsão de entrega é para o primeiro semestre de 2026. O corredor bioceânico soma R$ 472 milhões de investimentos somente no trecho de MS.

Fábrica Arauco

Inocência deve ver a construção da fábrica de celulose da Arauco deslanchar neste ano. O pico de obras é previsto para 2026. A indústria chilena promete investir cerca de R$ 25 bilhões na planta de MS.

Assim, a cidade de menos de 10 mil habitantes pode triplicar a população. Com as construções, a estimativa é de que Inocência registre até 32 mil pessoas na cidade.

A fase de terraplanagem começou em junho de 2024. Desde então, a cidade já ganhou 4,8 mil novos moradores. Contudo, a inauguração da fábrica deve acontecer no próximo ano, em 2027.

Duplicação trechos 163

Vencedora do leilão da BR-163, a Motiva Pantanal — antiga CCR MSVias — terá que duplicar 203 quilômetros da rodovia federal no Estado. As obras devem acontecer ao longo dos 29 anos de concessão.

No entanto, a ampliação de alguns trechos já entraram em nova etapa. Agora, trechos de pelo menos quatro municípios recebem o início da execução da estrutura de pavimento. Segundo a Motiva Pantanal, os trabalhos de duplicação avançam em Campo Grande, Jaraguari e Bandeirantes. Além disso, há implantação de camadas de pavimento das faixas adicionais em Mundo Novo.

As frentes de trabalho estão concentradas em Campo Grande (entre os km 452 e 460), Jaraguari (entre os km 510 e 511) e Bandeirantes (entre os km 535 e 546). Nos trechos citados, haverá implantação das camadas iniciais da estrutura de pavimento, além de drenagem, terraplenagem e implantação de dispositivos de segurança e acessos.

As obras seguem em andamento em 2026, bem como as de Mundo Novo. No município, há execução de faixas adicionais entre os km 7 e 11 e entre os km 28 e 31. Além disso, contam com o início das camadas inferiores de pavimento.

Fim da Ernesto Geisel

Campo-grandenses se aproximam de ver o fim das obras na avenida Ernesto Geisel. A previsão da Prefeitura de Campo Grande é de que até fevereiro do ano que vem o investimento seja concluído.

Em meados de 2025, a prefeita Adriane Lopes (PP) destacou que as obras ficaram paradas por cerca de 33 anos. Então, anunciou a conclusão para o início de 2026.

O município realiza obras de contenção de enchentes e erosões no Rio Anhanduí, na Avenida Ernesto Geisel. Até o início do segundo semestre de 2025, 65% da construção havia sido concluída. O valor total de investimentos é de R$ 20,9 milhões.

Corredor de ônibus

Há quase uma década, Campo Grande via o anúncio da construção do corredor de ônibus da avenida Gunter Hans. Em maio de 2025, a Prefeitura colocou a obra a todo vapor.

A previsão da entrega é em 2026, um ano após a retomada da execução da obra. Na prática, serão quatro plataformas de parada de ônibus, entre o trevo Imbirussu e o Terminal Aero Rancho.

A empresa Engevil Engenharia Ltda. foi contratada por R$ 9,6 milhões para executar a obra.

Antiga Rodoviária

A terceira grande obra com entrega prevista em 2026 para Campo Grande é a antiga rodoviária. A Sisep (Secretaria Municipal de Infraestrutura e Serviços Públicos) anunciou em 2025 que a revitalização do Terminal Heitor Eduardo Laburu será concluída até junho de 2026.

O investimento começou em 2022, quando a obra tinha prazo de 12 meses. No entanto, foi estendido para dezembro de 2025. Antes mesmo de 2025 acabar, a pasta informou o novo prazo.

O novo adiamento ocorreu porque houve necessidade de uma nova licitação. O certame foi para instalação do sistema de climatização no prédio.

Hospital em Dourados

As obras da segunda etapa da UMC (Unidade da Mulher e da Criança) no Hospital Universitário da UFGD (Universidade Federal da Grande Dourados) têm previsão de conclusão para o segundo semestre de 2026.Com investimento federal de R$ 28 milhões, a obra amplia a capacidade de atendimento do hospital.

Assim, serão criados 45 novos leitos e as UTIs pediátrica e neonatal passarão por duplicação. Iniciada em 13 de novembro de 2024, as obras têm prazo de conclusão previsto de 24 meses. Logo, podem ser entregues em outubro de 2026.

 
Fonte: Midiamax
Seção: Construção, Obras & Infraestrutura
Publicação: 05/01/2026

 

Brasil entra em 2026 com tarifas mais altas do México e isso pode ser só o começo

Depois das medidas de isenção do tarifaço americano para parte dos embarques, o Brasil inicia 2026 enfrentando novos aumentos de tarifas para suas exportações. Desta vez a tributação maior é do México, que veio a toque de caixa. Proposta pelo governo mexicano em setembro de 2025 e aprovada no início de dezembro no Congresso, a medida entra em vigor a partir de amanhã, 1º de janeiro de 2026, com tarifas de até 35% para importações de vários países com os quais o México não tem acordos de livre comércio, o Brasil entre eles.

A alta de tarifas, que segundo cálculos preliminares da Confederação Nacional da Indústria (CNI) pode ter impacto em US$ 1,7 bilhão em exportações brasileiras, é vista como um reflexo do tarifaço imposto ao Brasil no decorrer de 2025 pelo presidente dos EUA, Donald Trump. O México foi o sétimo maior destino de embarques brasileiros em 2024 e este ano, até novembro, foi o sexto, com total de US$ 7,1 bilhões em embarques. Mas mais do que afetar o comércio com um mercado importante ao Brasil, as tarifas mexicanas são vistas como precedente que pode abrir a porteira para novas medidas de mesma natureza numa guerra tarifária com impacto global não somente para o comércio e custos, mas para as relações externas como um todo.

O governo mexicano declarou que as tarifas buscam fortalecer a produção doméstica e têm o objetivo de proteger cerca de 350 mil empregos em setores sensíveis como calçados, têxteis, vestuário, aço e automotivo.

Segundo estudo da CNI, o país mais afetado pelas medidas deve ser a China, seguida de outros países asiáticos, como Coreia do Sul, Índia e Tailândia. O Brasil deve ser o quinto país mais afetado. O levantamento diz que as tarifas mexicanas devem alcançar 232 produtos da indústria brasileira, num total de US$ 1,7 bilhão, que representaram 14,7% dos embarques brasileiros ao México em 2024.

Procurado, o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic) reiterou comunicado divulgado em 12 de dezembro, após a aprovação das tarifas no Congresso mexicano, de que “tem mantido contato com autoridades mexicanas para tratar dos possíveis efeito das mudanças tarifárias”.

Precedente é considerado perigoso

O problema é que a iniciativa do México podem ser apenas o início de uma série de medidas tarifárias adotadas quase sempre sob justificativa de proteger a indústria doméstica.

“A decisão do México de adotar tarifas contra o Brasil, infelizmente, é o primeiro passo para consolidar no mercado internacional uma decisão de aplicações tarifárias unilaterais”, diz José Augusto de Castro, presidente da Associação de Comércio Exterior do Brasil (AEB).

“Nesse cenário, qualquer outro país pode adotar tarifa livremente, sem saber quais serão as consequências, muito menos sem saber se a aplicação de tarifas mais altas vai gerar ou não uma reciprocidade de outros países”, afirma Castro.

Welber Barral, sócio da BMJ e ex-secretário de comércio exterior, lembra que há uma tendência geral de aumento de protecionismo em todo o mundo, a partir das medidas iniciadas por Trump. “Acabamos de ter o anúncio também de salvaguarda de carne da China. O mundo inteiro tem aumentado suas medidas de proteção.”

Barral menciona também a iniciativa da Índia, que impôs uma tarifa de importação de três anos, entre 11% e 12%, sobre alguns produtos siderúrgicos. A medida foi anunciada pelo governo indiano na terça (30), na tentativa de combater os embarques da China. “Isso terá um efeito grande no mercado internacional. Infelizmente, é um aumento das medidas protecionistas no mundo inteiro, que o México segue neste momento.”

O padrão usual das guerras comerciais é que elas não são bilaterais, diz o economista Livio Ribeiro, sócio da BRCG. “Elas acabam sendo guerras comerciais que vão se espalhando de pouco em pouco, o que nos leva a um mundo mais autárquico e mais tarifado, com todos os fluxos sendo restritos em algum nível. O mundo para o qual estamos caminhando é de um equilíbrio final com menos cooperação, custos mais elevados e com o canto da sereia da proteção da indústria doméstica, algo que nunca deu certo e não vai dar certo agora.”

Para Castro, da AEB, o aumento de tarifas pelo México é um “precedente perigoso”. Isso, diz, pode fazer com que os países comecem a aplicar tarifas maiores como uma forma de eliminar o que foi adotado anteriormente por outros. “No primeiro momento, basicamente, Trump adotou tarifas. Agora nós já enfrentamos as tarifas do México e, de repente, pode surgir outro país. Isso você levar a um desequilíbrio tarifário mundial, que é ruim para o comércio mundial.”

“O México estava sob pressão dos Estados Unidos para colocar essas medidas”, diz Barral, da BMJ. É preciso ainda verificar, observa, o impacto aos setores que são cobertos por alguns acordos especiais entre Brasil e México, como é o caso do setor automotivo e de alguns químicos. “O Brasil terá que, via Mercosul, acelerar os acordos de livre comércio.”

Atualmente o Brasil não tem acordo de livre comércio amplo com o México, embora possua os chamados ACEs (Acordos de Complementação Econômica), como o do setor automotivo.

O grande foco das novas tarifas mexicanas é a Ásia, principalmente China, diz Ribeiro, da BRCG. “A medida olha muito mais para a Ásia, com o argumento de proteção da indústria local e alinhamento da política tarifária mexicana com os Estados Unidos. Tem oposição doméstica no México, com preocupação com elevação de custos e impacto na inflação. Evidentemente isso não vai gerar reindustrialização mexicana.”

O perigo da guerra comercial, avalia Ribeiro, vem quando se inicia uma reação em cadeia, em que todos começam a taxar todos sob argumento de proteção e de equalização tarifária. “Infelizmente, é exatamente o estamos vendo no caso mexicano. É um movimento ruim, mas não é um movimento que virá isolado. Nesse sentido, acho que temos que esperar outras políticas dessa natureza, de outros países. Essa é a grande questão que temos que observar, olhando para frente. Guerras comerciais, você sempre sabe como começa, nunca sabe como termina”, diz o economista, que também é pesquisador associado do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (FGV Ibre).

 

 
Fonte: Valor
Seção: Indústria & Economia
Publicação: 05/01/2026

 

Ações de empresas com terras raras no Brasil sobem até 390% em 2025

Empresas com projetos de terras raras no Brasil encerraram 2025 em forte valorização, com ganhos de até 390% em suas ações, impulsionadas pelo aumento da demanda global por esses insumos.

As terras raras são insumos essenciais para indústrias de tecnologia avançada, como defesa, inteligência artificial, semicondutores, veículos elétricos e energia limpa.

A disparada das ações ocorre em meio ao crescimento da demanda global, ao interesse dos Estados Unidos em diversificar fornecedores fora da China e ao avanço, no Brasil, da discussão sobre a Política Nacional de Minerais Críticos, que tramita em regime de urgência na Câmara dos Deputados.

Além disso, o governo federal anunciou a criação de um conselho especial para tratar de minerais críticos e estratégicos, colocando de vez a agenda mineral no centro das prioridades do Executivo.

St George Mining

Três das mineradoras que registraram os maiores ganhos são australianas. É o caso da St George Mining, dona do Projeto Araxá, em Minas Gerais, cujas ações acumularam alta de cerca de 390% em 2025.

O Projeto Araxá concentra uma das maiores reservas de terras raras e nióbio da América do Sul, com aproximadamente 40 milhões de toneladas de minério de alto teor.

Em setembro, a mineradora confirmou uma nova descoberta de terras raras de alto teor e nióbio no projeto, adquirido em fevereiro de 2025. Após o anúncio, as ações da empresa chegaram a subir 23,1% em apenas 24 horas.

Ainda em 2025, a St George anunciou que pretende construir no Brasil um centro tecnológico, com uma planta-piloto dedicada ao processamento de nióbio e terras raras.

Segundo a empresa, o Projeto Araxá deve gerar um Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) de cerca de US$ 130 milhões por ano, com margens superiores a 60%.

Representantes da mineradora também se reuniram, no ano passado, com integrantes do governo dos Estados Unidos para discutir possíveis acordos de fornecimento.

Previsto para entrar em operação até 2027, o projeto está localizado ao lado das instalações da CBMM (Companhia Brasileira de Metalurgia e Mineração), maior produtora mundial de nióbio, responsável por cerca de 80% da oferta global.

A St George aposta que o posicionamento estratégico, o baixo custo de extração e a infraestrutura já existente na região garantirão alta rentabilidade e retorno acelerado do investimento.

Viridis Mining and Minerals

A também australiana Viridis Mining and Minerals teve um ano igualmente positivo no Brasil. As ações da empresa na bolsa da Austrália subiram cerca de 260% em 2025.

A companhia é dona do Projeto Colossus, que abriga reservas de argilas iônicas ricas em neodímio, praseodímio, térbio e disprósio, localizado no sul de Minas Gerais.

O projeto recebeu cartas de intenção de financiamento dos governos da França e do Canadá. Em 2025, a empresa obteve a licença prévia ambiental, permitindo o avanço do empreendimento.

A Viridis também anunciou a construção de um centro de pesquisa e processamento de terras raras em Poços de Caldas (MG), sem uso de tecnologia, componentes ou equipamentos chineses.

A estratégia da empresa é se consolidar como fornecedora desses insumos para países ocidentais, especialmente os Estados Unidos, em um contexto de reorganização das cadeias globais de suprimento.

A planta, com capacidade para processar 100 quilos por hora de minério bruto, funcionará como uma unidade de demonstração, voltada à validação de parâmetros técnicos, à otimização operacional e à preparação comercial do desenvolvimento das terras raras da empresa.

Meteoric Resources

A australiana Meteoric Resources, que também teve sua licença prévia concedida em 2025, registrou ganhos de mais de 80% em suas ações.

A empresa é dona do Projeto Caldeira, um dos maiores e mais avançados projetos de terras raras em argilas de adsorção iônica do mundo, localizado no Complexo Alcalino de Poços de Caldas, no sudoeste de Minas Gerais.

O empreendimento reúne recursos minerais de alto teor e grande escala, com potencial para produção de terras raras de forma competitiva, baixo custo operacional, menor intensidade de capital e energia e fortes credenciais ambientais, incluindo a dispensa de barragens de rejeitos e de operações de perfuração e detonação.

 
Fonte: CNN
Seção: Siderurgia & Mineração
Publicação: 05/01/2026

Siderurgia encerra 2025 pressionada pelas importações de aço

A siderurgia brasileira encerra 2025 pressionada pelo avanço das importações, com perdas de margem, paralisação de operações, redução de investimentos e demissões. O setor entra em 2026 à espera de medidas capazes de reverter esse quadro, que se arrasta há anos.

Dados do Instituto Aço Brasil mostram que entre 2021 e 2022, os desembarques de laminados diminuíram de 4 milhões de toneladas (Mt), para 3,1 Mt, mas, desde então, a curva foi crescente. Em 2025, o volume deve atingir 5,7 Mt, o maior patamar desde 2010 (5,8 Mt) e que representará um aumento de 20,5% em relação a 2024 (4,8 Mt).

No recorte de janeiro até novembro de 2025, o País importou 5,4 Mt de aço laminado, alta interanual de 20,2%. Por impacto desse cenário, as siderúrgicas cancelaram R$ 2,5 bilhões em aportes no mercado brasileiro, desligaram 5.100 funcionários e paralisaram quatro altos-fornos, uma aciaria e cinco usinas semi-integradas (mini mills).

Além disso, o Ebitda trimestral das associadas da entidade recuou 51,7% no terceiro trimestre deste ano em comparação ao registrado no quarto trimestre do exercício passado. Nesse mesmo confronto, a margem Ebitda caiu 7,7 pontos percentuais.

Conforme ressalta o economista e sócio da iHUB Investimentos, Lucas Sharau, entre as empresas, a Usinas Siderúrgicas de Minas Gerais (Usiminas) e a Companhia Siderúrgica Nacional (CSN) são as que mais sofrem com as importações, porque os aços planos laminados predominam nos desembarques. Já a Gerdau é relativamente menos afetada, por ter menor foco nesse segmento e maior atuação em aços longos.

Gatilhos para a reversão do quadro

Em 2024, o governo federal implementou um mecanismo de cota-tarifa visando conter as importações de aço. O sistema, renovado em 2025 com a inclusão de mais produtos, mitigou, mas não foi capaz de resolver o problema do setor siderúrgico, visto que acordos de comércio celebrados pelo Brasil com outros países e regiões, regimes aduaneiros especiais e incentivos fiscais em estados seguem facilitando a entrada das mercadorias.

Em diálogo constante com representantes da União, o Instituto Aço Brasil acredita que o País vai impor novas medidas de defesa comercial em 2026. Nesse sentido, o analista de investimentos da plataforma AGF, Pedro Galdi, reitera que há expectativa de que, em meados de fevereiro, seja autorizada a ampliação das tarifas de importação para alguns tipos de aço, principalmente chineses, o que seria fundamental para dar fôlego às siderúrgicas.

Segundo o especialista, também existem rumores de que a China possa adotar maior controle sobre a exportação de excedentes, o que ajudaria a reduzir a pressão sobre o setor siderúrgico. No entanto, ele pondera que se trata de um tema difícil de ser modificado, já que o país asiático é o maior produtor de aço do mundo e não deve apresentar crescimento econômico robusto no curto prazo, algo que poderia minimizar a situação.

Para Galdi, a reversão do quadro da siderurgia dependerá do aumento da alíquota para aço importado e do avanço da economia brasileira, além da continuidade da política tarifária dos Estados Unidos – que acentua a guerra de mercado e o desvio de comércio.

Ao listar os gatilhos que podem resultar na recuperação do setor, Sharau também destaca a expansão da demanda doméstica e a adoção de medidas de defesa comercial mais efetivas. O economista acrescenta ainda a queda da taxa de juros, que reduz o custo de capital e destrava investimentos, e o enfraquecimento do real frente ao dólar, fator que diminui a diferença de preço entre o produto nacional e o importado.

Retomada do setor siderúrgico ocorreria gradualmente

Caso os aspectos positivos citados aconteçam, a siderurgia brasileira tende a retomar ciclos de contratações e investimentos. No entanto, essa retomada aconteceria por etapas.

“Primeiro, é esperada a reativação da capacidade. Depois, projetos menores. E, posteriormente, um capex maior”, explica o sócio da iHUB Investimentos. Segundo Sharau, sem os gatilhos mencionados ou até que haja alguma previsibilidade sobre essas variáveis, o setor permanecerá por mais tempo na defensiva, com os aportes em espera.

Nesse contexto, o analista da plataforma AGF ressalta que a Gerdau já vinha alertando há tempos sobre o risco de ser mantido o ambiente negativo atrelado ao aço importado. E afirma que uma estratégia de investimento não muda do dia para a noite, tanto é que a empresa decidiu reduzir investimentos no Brasil, fechar plantas e demitir colaboradores.

Galdi reforça que outros players, como a Usiminas e a CSN, estão ajustando investimentos com foco na redução de custos. Conforme ele, uma mudança de estratégia só deve ocorrer após a confirmação da viabilidade da demanda que foi retirada do Brasil. “Vale destacar que o aço importado já representa cerca de 25% do aço consumido no País”, salienta.

 
Fonte: Diário do Comércio
Seção: Siderurgia & Mineração
Publicação: 05/01/2026