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Aço Verde do Brasil vê pouco espaço para os EUA recuarem tarifas sobre o aço brasileiro

Apesar da recente aproximação entre Brasil e Estados Unidos, a presidente da Aço Verde do Brasil (AVB), Silvia Nascimento, não demonstra otimismo em relação a possíveis retrocessos do governo americano em relação às tarifas de 50% aplicadas a produtos brasileiros, entre eles o aço. “Não estou tão otimista", disse a executiva, em entrevista ao Valor.

"Não acho que o governo Trump vá voltar atrás e vai voltar as tarifas para 10%, como é com ferro-gusa e outras commodities que interessam a eles. Se houver, pode ser que ele reduza para 35%, que seria o melhor dos cenários”, afirmou.

Recentemente, o presidente Lula (PT) e Donald Trump se encontraram na Malásia e acertaram que suas equipes se reuniriam para avançar na busca de soluções para as tarifas e as sanções contra as autoridades brasileiras – agenda que está em andamento. Segundo Nascimento, o gesto americano de iniciar conversas pode representar sinalização política, mas não necessariamente um recuo efetivo nas medidas de proteção à indústria dos EUA.

“O governo Trump deve sinalizar uma boa vontade de abrir um diálogo e pode voltar para tarifas da OMC [Organização Mundial do Comércio], mas não creio que volte a patamares anteriores”, disse.

O setor siderúrgico brasileiro tem sido um dos mais afetados pelas medidas tarifárias impostas pelos Estados Unidos. O ferro-gusa, matéria-prima usada na produção de aço, foi uma das poucas exceções: o governo americano aplicou tarifa de apenas 10% sobre o insumo, um alívio para produtores brasileiros.

Embora a maior parte das vendas da Aço Verde do Brasil esteja concentrada no mercado interno, a empresa acompanha com atenção os desdobramentos das negociações, diante da possibilidade de novos impactos sobre a competitividade do produto nacional no exterior.

Neste trimestre, a AVB embarcou 11 mil toneladas de ferro-gusa para a americana Big River, em operação que deve se repetir apenas uma vez mais, com nova remessa prevista para meados de novembro, devido a um prêmio adicional pago pelo cliente.

Silvia Nascimento, no entanto, avalia que essa movimentação é pontual e talvez esse movimento de exportação não se repita, já que a perspectiva é que, nos próximos trimestres, o setor siderúrgico no Brasil se recupere. Com a expectativa de uma retomada gradual da demanda doméstica, a Aço Verde do Brasil deve concentrar seus esforços no mercado interno.

Resultados do terceiro trimestre

A empresa registrou lucro líquido de R$ 12,1 milhões no terceiro trimestre de 2025, queda de 88,6% em relação ao mesmo período do ano anterior, quando havia lucrado R$ 106,9 milhões. O resultado reflete a queda do preço do aço causada pela entrada de produtos importados, sobretudo da China, e em menor proporção, a redução no volume em função de troca de equipamentos.

Apesar de margens mais apertadas, a expectativa de melhora no segundo semestre se confirmou, puxada, principalmente, pelo aumento da demanda do segmento de construção civil. “O terceiro trimestre foi melhor do que o segundo e estamos vendo um quarto trimestre bastante positivo. Outubro foi mês recorde com sinais de recuperação de preços, entre 2% e 4% a depender do cliente”, diz a companhia.

 
Fonte: Valor
Seção: Siderurgia & Mineração
Publicação: 12/11/2025

 

Empresas de autopeças apostam no agro

A Agritechnica, maior feira de máquinas agrícolas do mundo, tem servido de vitrine não apenas para tratores e colheitadeiras, mas também para um setor que começa a enxergar o agro como nova fronteira de negócios: o de autopeças e componentes industriais. Empresas brasileiras do setor, reunidas pelo Sindipeças e Apex-Brasil, foram à Alemanha para medir o potencial de levar sua tecnologia — historicamente voltada à linha automotiva — ao campo.

A Suporte Rei, fabricante de componentes metálicos e de borracha para veículos pesados, é uma das que testam o terreno. “Nosso foco sempre foi caminhões e ônibus, mas, como temos fundição própria, começamos a produzir peças para o setor agrícola”, diz Antonio Carlos Benetão, um dos sócios, que participa pela segunda vez da feira.

“Estamos aqui para ver se tem continuidade. Fazemos feiras pelo mundo inteiro, mas a ideia é testar, porque nosso foco é linha pesada. Aqui conseguimos prospectar clientes e ver o interesse em metal-borracha, que é um segmento mais simples de desenvolver do que coxins de motor.”

Com 65 anos de operação, fábrica em Cajuru (SP) e faturamento anual entre R$ 400 milhões e R$ 450 milhões, a empresa ainda tem no agro uma fatia mínima do negócio, mas enxerga o setor como forma de diversificar a produção.

“Historicamente, o agro representa pouco, mas é um começo. Na parte de fundição, uma peça metálica agrícola pode ser desenvolvida em poucos dias, enquanto um componente automotivo com borracha leva meses. A feira é ótima para testar essas possibilidades e captar clientes que atuam tanto em rodoviário quanto agrícola”, afirma Benetão.

Também tradicional no setor automotivo, a Robiel Indústria, de Indaiatuba (SP), começa a olhar para o agro de forma mais estruturada. A empresa fabrica peças para sistemas de injeção diesel, desde caminhonetes e vans até caminhões e máquinas agrícolas, e exporta para a América do Sul e América do Norte. “Nosso produto já chega ao mercado agrícola por meio de terceiros. Agora queremos entender a dinâmica e ampliar a atuação direta”, afirma Arthur Bonachella, diretor da Robiel.

“A feira mostra que há espaço para fornecedores de componentes. Muitos dos nossos clientes de caminhões também atuam com máquinas agrícolas, então é um mercado que se complementa. Ninguém fecha negócio no primeiro dia, mas já conseguimos conversar com empresas que oferecem soluções que podem agregar ao nosso mix de produtos”, diz o executivo.

Com 40 anos de mercado e faturamento anual próximo de R$ 100 milhões, a Robiel vê a Agritechnica como um ponto de partida para entender concorrentes, conhecer players internacionais e abrir portas para exportação direta, especialmente na Europa, onde a presença ainda é incipiente.

No caso da DS Agro Sensores, de São José do Rio Preto (SP), o movimento é mais avançado. A empresa migrou parte de seu portfólio automotivo para o desenvolvimento de sensores aplicados à agricultura de precisão, como medidores de fluxo de sementes, sensores de pulverização e de bloqueio de adubo. “O agro ainda representa menos de 5% do nosso faturamento, mas é o setor com maior potencial de crescimento”, afirma Luana Schiavetto, representante da empresa.

A DS já fornece sensores originais a oito montadoras brasileiras de máquinas agrícolas e exporta para América Latina e EUA. “É uma visão nossa para diversificar a clientela. Identificamos oportunidades e demandas no setor agrícola. Concorrentes chineses e indianos têm custo muito menor, mas apostamos na qualidade, flexibilidade e no relacionamento com o cliente local”, diz.

A FBB, de Monte Alto (SP), completa o panorama das empresas brasileiras que enxergam no agro uma fronteira de expansão. A companhia fabrica peças para preparo do solo, plantio e cubos de rodas, fornecendo tanto a indústrias quanto ao mercado de reposição. “Somos referência na linha de preparo do solo, com separadores, eixos, portas, travas, arruelas e limpadores. Nos últimos três anos, estamos incorporando a linha de plantio, além da linha de cubos de rodas, que permite acoplar pneus e rodas em qualquer máquina agrícola”, detalha Rogério Matioli, representante da FBB.

A empresa já exporta para mais de 20 países e fornece a multinacionais como John Deere e Toyota. Apesar de enfrentar concorrência global, principalmente de companhias chinesas e indianas que tem custos menores, a FBB aposta em investimento em tecnologia, incluindo robôs e certificações internacionais, para reduzir gastos e melhorar prazos de entrega.

Com faturamento anual de cerca de R$ 100 milhões, a empresa espera crescer 20% a 30% em 2026, impulsionada pelo segmento de reposição, que mantém as máquinas em operação constante.

 
Fonte: Globo Rural
Seção: Agro, Máquinas & Equipamentos
Publicação: 12/11/2025

 

Aço importado pressiona indústria brasileira e acende alerta para fraudes e perda de competitividade

A indústria siderúrgica brasileira atravessa um novo ciclo de tensão, marcado pela combinação de concorrência predatória, demanda interna fraca e relatos crescentes de fraudes em importações. Embora os desembarques de aço no País tenham caído 17,9% entre julho e setembro de 2025, segundo o Instituto Aço Brasil (IABr), o impacto da entrada de material estrangeiro — especialmente de origem chinesa — continua comprometendo os resultados das principais empresas do setor.

Os balanços trimestrais de Usiminas, Companhia Siderúrgica Nacional (CSN) e Gerdau mostram um quadro heterogêneo, mas com tendência comum: margens apertadas e necessidade de reposicionamento estratégico. A Usiminas registrou queda de 7% nas vendas domésticas e receita 1,3% menor que a do mesmo período de 2024. A CSN teve retração de quase 10% no mercado interno e desempenho 12,4% pior na siderurgia. A Gerdau, menos exposta ao aço plano — principal alvo das importações — conseguiu expandir as vendas internas em 3,6% e as exportações em mais de 29%.

Segundo Virgílio Lage, da Valor Investimentos, o fluxo de aço importado “comprimiu preços e margens” das operações locais. A dificuldade é agravada por fatores externos, como o tarifaço de 50% imposto pelos Estados Unidos sobre o aço brasileiro, que redirecionou parte das exportações nacionais a novos mercados. Ainda assim, analistas apontam que o problema central permanece dentro de casa: um mercado que premia o menor preço, mesmo à custa da qualidade.

Fraudes e aço “fantasma”

Nos bastidores do comércio de aço, cresce a preocupação com a entrada de produtos estrangeiros supostamente falsificados ou com qualidade adulterada. Relatos colhidos entre importadores e distribuidores indicam a chegada de bobinas galvanizadas e Galvalume — amplamente usadas na construção civil — com revestimentos e composições químicas diferentes das declaradas.

Uma das práticas mais citadas é o chamado “head and tail”, em que apenas o início e o fim da bobina têm a camada de zinco informada no rótulo, enquanto o miolo apresenta qualidade inferior. Há também casos de sobreposição de etiquetas, adulteração de certificados de qualidade e manipulação de composição química para alterar a classificação fiscal do produto, reduzindo tarifas de importação.

De acordo com um distribuidor ouvido pelo setor, cerca de 80% do aço Galvalume importado poderia ter algum tipo de irregularidade. “O mercado virou tóxico. Os materiais falsificados são vendidos até US$ 200 por tonelada mais baratos. As empresas sérias não conseguem competir”, disse um importador.

As denúncias apontam que o problema não se restringe aos fornecedores asiáticos, mas também envolve compradores e distribuidores locais que conscientemente adquirem produtos fora de especificação. “Setenta por cento das vezes, é o comprador que pede material de baixa qualidade. Ele sabe o que está comprando”, afirmou um trader.

Fiscalização insuficiente e riscos à segurança

A ausência de fiscalização eficaz nos portos brasileiros e a falta de cultura de verificação entre os consumidores finais permitem que o material irregular circule livremente. “O consumidor pede o preço mais baixo e não mede a espessura do zinco. Só percebe o problema quando o telhado enferruja em dois anos”, relatou outro distribuidor.

Entidades e especialistas defendem a criação de mecanismos de controle semelhantes aos do Inmetro, que poderiam estabelecer padrões mínimos de qualidade — como a obrigatoriedade do revestimento AZ150 para o aço galvanizado. Propostas incluem campanhas de conscientização, uso de medidores simples de espessura, e exigência de certificações mais rigorosas para o desembarque de produtos siderúrgicos.

Cenário estrutural e histórico de desequilíbrios

A atual crise ecoa dilemas antigos. Há mais de uma década, o setor sofre com o chamado “Custo Brasil” — alta carga tributária, energia cara e baixo investimento —, que limita a competitividade frente aos grandes produtores internacionais. Em 2013, o então presidente do Sindisider, Carlos Loureiro, já alertava que o crescimento tímido da economia brasileira e o excesso de aço global estavam corroendo a rentabilidade das usinas nacionais.

Além da concorrência direta, o Brasil também enfrenta o problema do “aço contido”: a importação de bens manufaturados que incorporam aço estrangeiro, como máquinas e veículos, o que substitui a demanda por aço produzido internamente.

Perspectivas e medidas de defesa

Enquanto o governo avalia novas medidas antidumping — que podem abranger produtos galvanizados e pré-pintados —, empresas como a CSN enxergam oportunidade para recuperar participação no mercado interno. A companhia celebrou recentemente a aprovação de tarifas permanentes contra a importação de folhas-de-flandres chinesas, e defende que casos semelhantes sirvam de precedente para outras categorias.

Para analistas como Lucas Sharau, da iHUB Investimentos, o setor siderúrgico continua sendo uma aposta defensiva nos portfólios, mas exige atenção. “O investidor deve priorizar empresas com presença internacional ou cadeias integradas, que se sustentam melhor em momentos de pressão competitiva”, afirmou.

O consenso entre executivos e especialistas é que o Brasil precisa equilibrar a abertura comercial com políticas de defesa mais ágeis e controles técnicos mais robustos. Caso contrário, a siderurgia nacional — que já foi símbolo da industrialização brasileira — corre o risco de ver sua produção corroída não apenas pelo aço barato, mas pelo aço falsificado.

 
Fonte: Infomet
Seção: Siderurgia & Mineração
Publicação: 11/11/2025

 

Mão de obra, um gargalo no Brasil

Nos corredores da Agritechnica 2025, maior feira de tecnologia agrícola do mundo que ocorre na Alemanha, o ruído alto de conversas permite identificar grupos de produtores brasileiros. Vindos de diferentes regiões, principalmente do Sul e do Centro-Oeste, eles observam tratores elétricos, híbridos e sistemas autônomos, além de muitos drones e implementos. Anotam detalhes e fotografam máquinas com olhos curiosos.

Mas, entre a empolgação, há consenso sobre os obstáculos que ainda enfrentam para implementar todas as novidades no Brasil. Uma das principais queixas é que falta mão de obra especializada em solo brasileiro para operar os sistemas.

Outra questão é a conectividade limitada. “O Brasil não fica atrás na tecnologia. Mas não temos gente para aplicar essas soluções de forma eficiente”, afirma Simone Junqueira Sangaleti, produtora de grãos em 4,5 mil hectares em Primavera do Leste (MT). Segundo ela, é comum que o profissional, depois de treinado para lidar com os equipamentos, mude de emprego. “Acabamos não usando toda a tecnologia de que dispomos.”

Maria Isabel Finger, agrônoma do Rio Grande do Sul, que está pela terceira vez na Agritechnica, acrescenta que “muitas ferramentas aqui não podem ser aplicadas a pleno no Brasil porque ainda falta conectividade em algumas regiões importantes do agronegócio”. Ela planta arroz irrigado, soja e trabalha com pecuária de corte.

Mas os visitantes brasileiros ouvidos pelo Valor reconhecem o valor de estar na feira: uma oportunidade de conhecer tendências globais, avaliar inovações e aprender como podem ser adaptadas ao Brasil, mesmo com limitações de infraestrutura.

“É a primeira vez que viemos à Alemanha, embora já tenhamos participado de feiras nos Estados Unidos três vezes”, conta Ozenan Dias, destacando a diferença em relação às feiras brasileiras. “Aqui é muito mais avançado, o ambiente, a organização, o que conseguimos observar. É algo que chama atenção até para quem já está acostumado com tecnologia no campo.”

O produtor tem 3,14 mil hectares em Costa Rica, em Mato Grosso do Sul, onde integra lavouras de soja, milho e milheto com pecuária extensiva e 460 hectares de reserva [mata].

 
Fonte: Globo Rural
Seção: Agro, Máquinas & Equipamentos
Publicação: 10/11/2025

 

Indústria de máquinas reage à Selic de 15%

Com a decisão do Banco Central de manter a Selic em 15% ao ano, o setor industrial reagiu com a sensação de que o Copom prolonga o aperto além do necessário. A decisão, embora esperada, reforçou a posição crítica dos industriais.

Entre fabricantes de máquinas e equipamentos, o diagnóstico é de que o juro alto já cumpre o papel de conter preços, mas começa a impor custos elevados à economia real: crédito escasso, investimentos adiados e menor dinamismo produtivo. No setor, prevalece a percepção de que manter os juros em 15% por período prolongado tende a comprometer a competitividade e a recuperação do emprego.

O Banco Central, por outro lado, sustenta que o cenário ainda exige cautela. O Copom voltou a citar riscos de inflação persistente, como a desancoragem das expectativas, a resiliência dos serviços e a influência de fatores externos, entre eles um câmbio mais depreciado.

A pressão monetária soma-se a outras frentes de preocupação. O setor de máquinas e equipamentos projeta queda de até US$ 300 milhões nas exportações de máquinas e equipamentos voltados ao mercado americano até o fim de 2025, diante de barreiras técnicas e tarifárias. O governo admitiu o risco e informou que mantém diálogo com as empresas.

 
Fonte: Estado de Minas
Seção: Agro, Máquinas & Equipamentos
Publicação: 07/11/2025

 

Mercado automotivo supera 2 milhões de emplacamentos e projeta reta final de ano com otimismo moderado

O mercado automotivo brasileiro ultrapassou a marca de 2 milhões de veículos emplacados até outubro e avança para a reta final do ano com sinais de estabilidade e confiança renovada. Segundo dados do Renavam compilados pela Fenabrave, foram licenciadas 2,171 milhões de unidades nos dez primeiros meses de 2025, resultado 2,2% superior ao mesmo período do ano passado.

Com pouco mais de 600 mil veículos faltando para alcançar a meta anual de 2,7 milhões de unidades, o setor mantém ritmo constante, impulsionado por crédito mais acessível e políticas públicas voltadas ao incentivo de consumo. “Observamos o crédito operando de forma mais funcional, o que tem ajudado a converter intenção em venda. E, também, um ambiente de políticas públicas que favorece eficiência e competitividade no tíquete de entrada, como o Programa Carro Sustentável”, destacou Arcelio Júnior, presidente da Fenabrave.

Apenas em outubro, foram registrados 260,7 mil veículos, um desempenho 7% maior que o de setembro, ainda que 1,5% abaixo de outubro do ano anterior. A média de vendas diárias ficou em 11,3 mil unidades, em 23 dias úteis — indicador considerado sólido para o período, especialmente em um contexto de juros elevados e cautela no consumo.

Automóveis sustentam crescimento, caminhões recuam

Entre os segmentos, os automóveis continuam puxando a curva de alta, com 1,6 milhão de unidades emplacadas até outubro — avanço de 2,5% sobre igual intervalo de 2024. Já o setor de caminhões segue em fase de ajuste, acumulando queda de 8%, com 92,3 mil unidades vendidas nos dez meses do ano.

Apesar da desaceleração em pesados, o balanço geral é positivo e confirma que a retomada gradual da confiança do consumidor e o leve reaquecimento da economia têm sustentado o movimento nas concessionárias.

Mercado de eletrificados estabiliza, mas segue em expansão

Os veículos eletrificados — híbridos e elétricos — mantiveram crescimento expressivo no acumulado do ano, ainda que tenham mostrado estabilidade no comparativo mensal. Em outubro, foram emplacados 19,8 mil híbridos e 7,9 mil elétricos puros, altas de 4% e queda de 1,6% sobre setembro, respectivamente.

Somados, os dois segmentos cresceram 2,3% no mês, desempenho inferior à média do mercado, mas o acumulado continua impressionante: 158 mil híbridos vendidos (+82%) e 61 mil elétricos (+17,8%) em dez meses.

Para Arcelio Júnior, o avanço mais consistente dos híbridos reflete a preferência do consumidor por modelos que combinam eficiência energética e autonomia. “À medida que a infraestrutura de recarga for sendo aprimorada, talvez observemos um aumento mais forte das vendas dos elétricos puros”, afirmou.

Entre as marcas que lideraram o segmento em outubro, BYD, GWM, Fiat e Toyota dominaram entre os híbridos, enquanto BYD, Volvo e General Motors ficaram no topo das vendas de elétricos.

SUVs e picapes seguem dominando o gosto do brasileiro

No ranking dos modelos mais vendidos do mês, o Volkswagen Tera surpreendeu e liderou entre os automóveis, com 10,2 mil unidades emplacadas, à frente de hatches tradicionais como o Fiat Argo, o Hyundai HB20 e o Volkswagen Polo.

A liderança geral, porém, permanece nas mãos da Fiat Strada, que vendeu 14 mil unidades em outubro e segue como o veículo mais emplacado do país pelo quarto ano consecutivo. O sucesso das picapes reforça o peso do agronegócio e do trabalho urbano leve no perfil de consumo nacional.

Os SUVs também tiveram desempenho expressivo: Hyundai Creta (6º), Volkswagen T-Cross (8º) e Honda HR-V (9º) garantiram quatro posições no Top 10 do mês, ao lado do Chevrolet Onix e da Volkswagen Saveiro. A presença equilibrada de diferentes categorias confirma a diversificação da demanda e o fortalecimento dos modelos de maior valor agregado.

Perspectiva positiva para o fim do ano

Com o crédito mais estável, maior previsibilidade nas políticas de incentivo e a chegada de novos lançamentos para o último bimestre, o setor projeta encerrar 2025 próximo das metas traçadas. Mesmo com oscilações pontuais, o sentimento predominante entre montadoras e concessionárias é de otimismo cauteloso — ancorado na percepção de que o mercado automotivo brasileiro volta a se equilibrar, com espaço tanto para os modelos tradicionais quanto para as novas tecnologias de propulsão.

Aos poucos, o país se aproxima de um ciclo de crescimento sustentável, em que o avanço nas vendas não depende apenas de incentivos pontuais, mas também da consolidação de uma base de consumo mais confiante e diversificada.

 
Fonte: Infomet
Seção: Automobilística & Autopeças
Publicação: 06/11/2025