Siderúrgicas esperam medidas do governo até o início de 2026
Os grandes grupos siderúrgicos no país estão participando de encontros quase semanais com integrantes do governo federal para discutir medidas de defesa concorrencial para proteger a indústria brasileira de concorrência desleal de fabricantes de outros países. No caso do aço, a reivindicação tem endereço certo: a China. O problema não é novo, assim como os pedidos dos empresários que, em alguns casos, desativaram ou desistiram de reativar plantas menos eficientes. A expectativa do setor é de que até o primeiro trimestre de 2026 o governo tome alguma medida de defesa comercial. Até porque, as medidas adotadas até agora expiram em abril do ano que vem.
“Historicamente, as importações de aço no Brasil ficavam entre 2,5 milhões e 3 milhões por ano, mas este ano vão ser quase 6 milhões de toneladas, o dobro. A maior parte vinda da Ásia com preços abaixo do custo de produção, numa prática predatória, desleal”, afirma Everton Guimarães Negresiolo, CEO da ArcelorMittal Aços Longos e Mineração Latam e vice-presidente da operação no Brasil. De acordo com ele, uma chapa de aço no Brasil custa entre US$ 800 e US$ 1 mil, mas a mesma chapa de aço vinda da China é internalizada no país por US$ 500. “As siderúrgicas chinesas exportam com margens negativas. Com isso, os produtos chineses chegam a ter uma diferença de quase 50%do custo de produção”, reforça o executivo.
Negresiolo, assim como executivos de outras siderúrgicas consideram o cenário atual como desafiador. Hoje, as empresas brasileiras contam com salvaguardas adotadas pelo Brasil em 2024. Em abril do ano passado, o governo brasileiro elevou para 25% o imposto de importação de produtos de aço e fixou uma cota a partir da qual a sobretaxa passou a incidir. “A medida foi positiva, mas insuficiente”, observa Negresiolo. “Foram 18 produtos de um total de 280 produtos e a cota foi fixada com base nos últimos três anos, nos quais a importação foi alta”, explica o CEO da ArcelorMittal Aços Longos. A reivindicação do setor é de que a lista seja ampliada e as cotas reduzidas. “Não é uma medida protecionista, é uma medida de defesa da indústria brasileira”, frisa o executivo.
Para reforçar a necessidade de o Brasil se proteger, ele lembra que os Estados Unidos impuseram sobretaxa de 50% sobre as importações de aço e a União Europeia (UE) aprovou reduzir as cotas de importação à metade e elevar o imposto de importação para 50%, medida que deve ser ratificada em breve pelo Parlamento Europeu. “O Brasil pode elevar a taxa de importação para 35% de imediato, sem ferir as regras da OMC (Organização Mundial do Comércio)”, afirma o CEO da ArcelorMittaL A persistência do quadro compromete a operação das usinas brasileiras De acordo com Negrisiolo, as empresas hoje operam com 65% da capacidade, quando o ideal era trabalhar acima de 80%.
Diante do cenário, as empresas estão avaliando investimentos e a principal consequência pode ser o cancelamento dos mesmos, lembrando que os grupos hoje são transnacionais. A Aperam, fabricante de aço inoxidável congelou os investimentos de R$ 588 milhões programados para o Brasil. Já a Gerdau manteve a previsão de investimentos no país, de R$ 4 bilhões, este ano, mas está revendo os aportes para os próximos anos. A AcerlorMittal, que acaba de concluir este ano investimentos de R$ 25 bilhões nas siderúrgicas e na mineração, está avaliando a viabilidade de um novo programa de aportes entre R$ 10 bilhões e R$ 12 bilhões para os próximos anos no Brasil.
O Brasil é o nono maior produtor de aço no mundo, com 33,7 milhões de toneladas, o que corresponde a 66% da capacidade instalada de 51 milhões de toneladas. O setor siderúrgico brasileiro conta com 15 empresas privadas controladas por 11 grupos empresariais. Ao todo são 31 usinas em 10 estados que empregam 117,44 mil trabalhadores, entre contingente próprio e terceirizado.
Fonte: Estado de Minas
Seção: Siderurgia & Mineração
Publicação: 28/11/2025