Notícias

Produção mundial de aço registra queda de 6,5% em janeiro de 2026

A produção mundial de aço bruto nos 69 países que reportam à Associação Mundial do Aço (worldsteel) foi de 147,3 milhões de toneladas em janeiro de 2026, uma queda de 6,5% em comparação com janeiro de 2025.

A África produziu 2,0 Mt em janeiro de 2026, um aumento de 5,8% em relação a janeiro de 2025. A Ásia e a Oceania produziram 107,6 Mt, uma queda de 8,6%. A UE produziu 10,3 Mt, uma queda de 2,3%. A Europa e outras regiões produziram 3,7 Mt, um aumento de 4,4%. O Oriente Médio produziu 4,8 Mt, um aumento de 12,6%. A América do Norte produziu 9,2 Mt, uma queda de 0,6%. A Rússia e outros países da CEI + Ucrânia produziram 6,5 Mt, uma queda de 8,6%. A América do Sul produziu 3,4 Mt, uma queda de 1,2%.

Estima-se que a China tenha produzido 75,3 milhões de toneladas em janeiro de 2026, uma queda de 13,9% em relação a janeiro de 2025. A Índia produziu 15,1 milhões de toneladas, um aumento de 10,5%. Os Estados Unidos produziram 7,1 milhões de toneladas, um aumento de 3,3%. O Japão produziu 6,8 milhões de toneladas, uma queda de 0,5%. A Coreia do Sul produziu 5,6 milhões de toneladas, um aumento de 5,0%. Estima-se que a Rússia tenha produzido 5,5 milhões de toneladas, uma queda de 7,4%. A Turquia produziu 3,4 milhões de toneladas, um aumento de 5,8%. A Alemanha produziu 3,1 milhões de toneladas, um aumento de 15,0%. O Brasil produziu 2,7 milhões de toneladas, uma queda de 1,4%. O Irã produziu 2,6 milhões de toneladas, um aumento de 15,1%.

 
Fonte: Brasil Mineral
Seção: Siderurgia & Mineração
Publicação: 27/02/2026

Distribuição de aço começa 2026 em retração e setor prevê ano difícil com pressão das importações

O mercado brasileiro de distribuição de aço iniciou 2026 em ritmo mais fraco, com retração nas vendas e nas compras, estoques elevados e forte concorrência de produtos importados. Dados do Instituto Nacional dos Distribuidores de Aço (Inda) indicam que o setor deverá enfrentar um ano desafiador, com expectativa de crescimento modesto e forte disputa por participação no mercado interno.

Em janeiro de 2026, as vendas de aços planos pelos distribuidores independentes somaram cerca de 293,9 mil toneladas, volume 18% superior ao registrado em dezembro de 2025, mas ainda 8,2% inferior ao observado no mesmo mês do ano anterior. O desempenho confirma a continuidade de um cenário de demanda enfraquecida que já vinha sendo observado no fim de 2025.

As compras feitas pela rede de distribuição totalizaram aproximadamente 291,3 mil toneladas em janeiro, representando queda de 14,8% em relação ao mesmo período de 2025. Na comparação com dezembro, a retração foi de cerca de 2,3%. A expectativa do Inda é de que fevereiro registre novo recuo, com projeção de queda de 4% nas vendas e de 6% nas aquisições.

O desempenho mais fraco ocorre em um ambiente marcado por estoques elevados. Mesmo com ligeira redução no início do ano, o volume armazenado permanece em torno de 3,8 meses de consumo, nível considerado alto e acima da média histórica de aproximadamente 2,8 meses. Esse excesso de material disponível tende a limitar novos pedidos e pressiona as margens de distribuidores e usinas.

Além da demanda moderada, as importações continuam sendo o principal fator de pressão sobre o mercado doméstico. Em janeiro, entraram no país cerca de 225,6 mil toneladas de produtos siderúrgicos, volume 9,7% superior ao de dezembro, embora 6,6% inferior ao registrado um ano antes. O aumento das compras externas ao longo de 2025 elevou a concorrência com o aço nacional e contribuiu para a desaceleração das vendas internas.

A maior parte das importações é tradicionalmente proveniente da China, mas o cenário vem mudando com a adoção de medidas antidumping e outras ações de defesa comercial. O governo brasileiro já aplicou tarifas adicionais sobre alguns produtos chineses e analisa a ampliação das medidas para outros segmentos. Essas ações devem reduzir gradualmente a participação chinesa, mas não devem eliminar as importações, já que fornecedores de países como Coreia do Sul e Egito tendem a ocupar parte do espaço.

Como parte desse esforço para proteger a indústria nacional, o governo federal também elevou para 25% a tarifa de importação de nove códigos de produtos siderúrgicos da Nomenclatura Comum do Mercosul (NCM). A medida entrou em vigor no fim de fevereiro e permanecerá válida por 12 meses, até fevereiro de 2027, sem previsão de volumes isentos. Os produtos afetados incluem bobinas laminadas a quente decapadas, chapas, fios e aços elétricos, que representam cerca de 10% das importações brasileiras de aço.

Apesar do aumento tarifário, agentes do mercado avaliam que parte das importações poderá continuar viável por meio de regimes especiais ou estruturas logísticas específicas, o que indica que a competição com o aço estrangeiro deve permanecer relevante ao longo do ano.

Ao mesmo tempo, as usinas brasileiras tentam recompor margens pressionadas pelos preços baixos e pela concorrência externa. O setor trabalha com a perspectiva de reajustes de aproximadamente 10% nos preços domésticos, movimento que já começou a ocorrer em alguns produtos. A evolução das cotações dependerá, porém, de fatores como o nível do dólar, que influencia diretamente a competitividade do material importado.

A combinação de demanda moderada, estoques elevados e forte concorrência externa leva as entidades do setor a preverem um ano difícil. A expectativa do Inda é de crescimento de cerca de 1,5% em 2026, enquanto projeções do Instituto Aço Brasil indicam que o volume de importações pode seguir elevado, possivelmente com expansão próxima de 10%.

Nesse contexto, distribuidores e produtores nacionais devem enfrentar um cenário de competição intensa, no qual a recuperação do mercado dependerá tanto das medidas de defesa comercial quanto da retomada mais consistente da atividade industrial no país.

 
Fonte: Infomet
Seção: Siderurgia & Mineração
Publicação: 27/02/2026

 

Sobretaxa global dos EUA favorece exportações do Brasil

A sobretaxa global aplicada pelos Estados Unidos trará um alívio financeiro imediato para diversos setores produtivos brasileiros. Segundo o novo relatório do Observatório da Amcham, a mudança na política tarifária norte-americana reduz encargos sobre US$ 14,9 bilhões em vendas externas do Brasil.

Redução da carga tributária impulsiona o comércio

A nova sobretaxa global de 10% substitui alíquotas anteriores que chegavam a 50% em determinados produtos. Essa alteração, vigente desde 24 de fevereiro, impacta diretamente 34,9% do volume total exportado pelo país para o mercado americano.

O ajuste tarifário utiliza como base a Seção 122 do Trade Act, focada em equilibrar o balanço de pagamentos dos EUA. Diferente das medidas de emergência econômica anteriores, esta norma possui caráter temporário, com validade prevista para até 150 dias.

A Amcham destaca que o cenário atual é de otimismo cauteloso. Embora o custo de exportação tenha caído para uma parcela relevante da pauta, setores como o de aço e alumínio seguem sob as regras da Seção 232, mantendo restrições por segurança nacional.

Produtos brasileiros beneficiados pela nova tarifa

A transição para a sobretaxa global permitiu que a fatia de produtos brasileiros isentos de taxas extras subisse de 37,5% para 45,6%. Entre os itens que deixaram de pagar sobretaxas ou tiveram reduções drásticas, destacam-se:

Aeronaves e partes de turbinas (isentas);
Nióbio e metais industriais;
Tratores agrícolas e máquinas;
Açúcar e café solúvel;
Madeira processada e granito.
Por outro lado, insumos fundamentais como o ferro-gusa (US$ 1,5 bilhão) e minério de ferro passam a ser tributados na faixa fixa de 10%. A simplificação da tabela ajuda no planejamento logístico, mas exige atenção das tradings brasileiras para garantir que a sobretaxa global não afete a margem de lucro.

Riscos e o futuro das negociações bilaterais

Mesmo com o alívio gerado pela sobretaxa global, o governo dos EUA sinaliza que novas investigações podem ser abertas. O monitoramento contínuo é essencial, pois instrumentos como a Seção 301 ainda podem impor barreiras específicas ao Brasil no futuro próximo.

“A redução das sobretaxas traz impacto imediato ao melhorar as condições de competitividade. No entanto, o avanço das negociações entre os governos do Brasil e dos EUA continua sendo fundamental para evitar novas restrições”, afirma Abrão Neto, presidente da Amcham Brasil.

O setor empresarial aguarda agora o encontro entre os presidentes de ambos os países. A expectativa é que o diálogo diplomático consolide essa redução da sobretaxa global em acordos permanentes de cooperação econômica e estabilidade comercial.

 
Fonte: ABC do ABC
Seção: Indústria & Economia
Publicação: 27/02/2026

 

Aço em compasso de espera: confiança dispara com antidumping, mas importações seguem no jogo

A indústria do aço no Brasil entrou em 2026 com um paradoxo na mesa: o humor dos executivos melhora de forma expressiva, impulsionado pelo anúncio e pela expectativa de novas medidas antidumping, mas os números do mercado seguem enviando sinais mistos — produção que cresce na margem, vendas internas em queda e importações ainda relevantes.

Em fevereiro, o Indicador de Confiança da Indústria do Aço (ICIA), do Instituto Aço Brasil, subiu 8,4 pontos e chegou a 57,6, ultrapassando a marca de 50 — linha que separa pessimismo de otimismo — pela primeira vez desde novembro de 2024. O avanço ocorre após um mês marcado pelo anúncio de medidas para proteger o mercado brasileiro do aço importado da China, tema que dominou o debate setorial nos últimos trimestres.

Ao mesmo tempo, janeiro traz um retrato ambivalente: na comparação com dezembro, a produção de aço bruto subiu 6,8% (2,7 milhões de toneladas), mas as importações avançaram 34,8%. Na comparação com janeiro do ano anterior, porém, a produção caiu 1,4% (2,732 milhões de toneladas) e as importações recuaram 6,5% (516 mil toneladas). Em outras palavras: o setor parece respirar melhor, mas ainda não virou a página.

O que mudou no humor do setor?

O ICIA não subiu por acaso — ele reflete uma virada de expectativa. O Aço Brasil atribui a alta tanto à melhora na percepção da situação atual quanto ao aumento do otimismo para os próximos seis meses:

Índice de situação atual: +11,0 pontos, para 53,0
Situação atual da economia brasileira: +9,7 pontos, para 49,4
Condições atuais da empresa: +11,7 pontos, para 54,8
Expectativas para seis meses: +7,2 pontos, para 59,9
Expectativas sobre a própria empresa: +9,5 pontos, para 65,9
O pano de fundo é a crença de que a defesa comercial vai ganhar corpo. A leitura corrente entre CEOs é que novas medidas antidumping podem chegar entre junho e julho, quando investigações em andamento avançarem para fases mais decisivas. O tema ganhou reforço público recentemente com declarações de executivos do setor — inclusive com a visão de que as medidas podem reduzir gradualmente a pressão do aço chinês.

Esse “choque de confiança”, porém, ainda convive com a realidade do chão de fábrica.

Produção sobe na margem, cai no ano: a fotografia de janeiro

Os dados de janeiro precisam ser lidos em duas camadas — e é aí que mora boa parte do aparente “conflito”:

1) Comparação mensal (janeiro vs. dezembro)

Produção de aço bruto: +6,8% (para 2,7 milhões t)
Importações: +34,8% (para 516 mil t)
Vendas internas: -2,3% (para 1,6 milhão t)
Consumo aparente: +4,1% (para 2,0 milhões t)
Exportações: estáveis (cerca de 1,2 milhão t)
Aqui, aparece um mercado que reaquece após sazonalidade — mas com importação crescendo forte.

2) Comparação anual (janeiro 2026 vs. janeiro 2025)

Produção: -1,4%
Vendas internas: -6,3% (para 1,555 milhão t)
Exportações: +34,2% (para 1,218 milhão t)
Importações: -6,5% (para 516 mil t)
Consumo aparente: -7% (para 2,003 milhões t)
Utilização da capacidade instalada: 64,3% (queda de 0,9 p.p.)
Essa segunda leitura revela algo mais estrutural: o consumo aparente caiu e as vendas internas encolheram, ao mesmo tempo em que as exportações subiram forte — um desenho compatível com indústria buscando escoamento externo e ainda operando longe do “ideal” de utilização de capacidade.

Importação: caiu no ano, mas subiu no mês — e a pressão continua

A importação é o centro da narrativa do aço brasileiro. Em janeiro, o volume importado recuou 6,5% na comparação anual, mas saltou 34,8% frente a dezembro. Isso alimenta uma interpretação clara no setor: medidas anunciadas podem ter melhorado expectativas, mas ainda não reduziram de forma consistente a presença do produto importado no mercado.

E há mais nuance: em Minas Gerais, por exemplo, o Aço Brasil aponta que a China reduziu envios em 8,6% (para 304 mil t) — um sinal positivo na comparação anual, embora insuficiente para dissipar a sensação de competição “assimétrica” que as siderúrgicas vêm denunciando.

O desafio, para os próximos meses, será entender se o antidumping muda o comportamento do importador (volume, preço, mix de produtos e triangulações) e em que ritmo o mercado doméstico reabsorve a produção local.

Minas Gerais: líder nacional, mas em queda pelo 3º mês seguido

Minas Gerais segue como principal polo siderúrgico do país — mas começou 2026 no vermelho.

Produção de aço bruto em MG: 822 mil t em janeiro (-6,9% em relação a janeiro de 2025)
Participação nacional: 30,1% (1º lugar)
Queda interanual é a 3ª consecutiva (após -0,6% em novembro e -4,4% em dezembro)
No recorte de semiacabados para venda e laminados, Minas teve leve alta:

762 mil t (+0,8%), com 30,6% de participação nacional
O contraste sugere uma indústria mineira tentando sustentar parte da cadeia de produção, mas ainda sentindo o peso do ambiente competitivo e da dinâmica de demanda.

Exportações disparam, mas há um asterisco importante

O dado mais “surpreendente” de janeiro é a disparada das exportações: +34,2% na comparação anual, chegando a 1,2 milhão de toneladas. Para a América Latina, o salto é ainda mais expressivo: 544 mil t, alta de 366,3%.

Mas o próprio Aço Brasil faz um alerta técnico relevante: parte do número pode estar inflado por “embarque antecipado”, uma prática que registra volumes acima do efetivamente exportado e pode ser corrigida em divulgações futuras do Comex.

Ou seja: a leitura é positiva, mas o mercado precisará acompanhar se o movimento se confirma como tendência.

O que o ICIA está dizendo, na prática?

Com confiança acima de 50 e expectativas para seis meses próximas de 60, o setor está essencialmente afirmando:

Defesa comercial virou variável central de planejamento (produção, preços e investimento)
O mercado acredita mais em resposta do governo do que acreditava em 2024–2025
A melhora ainda é “de percepção”, não de resultado, porque vendas internas e consumo aparente seguem fracos no comparativo anual
O timing é tudo: a indústria mira o meio do ano como ponto de inflexão
A questão é se o otimismo se converterá em números melhores antes que novas ondas de importação neutralizem o efeito.

O que observar daqui para frente?

1) Junho–julho como marco

Se novas medidas antidumping vierem no meio de 2026, o setor deve monitorar:

queda do volume importado (e não só mudança de origem)
reação de preços no mercado interno
retomada de utilização de capacidade
2) Vendas internas e consumo aparente

Sem melhora nesses dois termômetros, o otimismo tende a virar frustração, mesmo com importações ligeiramente menores.

3) Utilização de capacidade

O patamar de 64,3% no Brasil indica ociosidade relevante. Recuperar isso é crucial para margens e competitividade.

4) O caso Minas

Por concentrar grande parte da produção, MG vira “termômetro”: se o Estado continuar caindo, é sinal de que o reequilíbrio ainda não chegou ao coração industrial do país.

Bastidores: por que confiança sobe antes do resultado?

Porque a indústria opera com ciclo longo. Medidas antidumping costumam demorar a produzir efeito real: até o mercado entender o novo custo de importar, ajustar contratos, trocar origens e repassar preços, há meses de transição. Assim, o ICIA pode antecipar uma virada — mas também pode “se empolgar” e exigir confirmação mais adiante.

Por ora, a siderurgia brasileira parece viver um começo de inflexão no discurso, ainda sem a mesma inflexão no caixa.

 
Fonte: Infomet
Seção: Siderurgia & Mineração
Publicação: 25/02/2026

 

As reservas brasileiras de terras raras e seus usos na tecnologia

O debate sobre terras raras no Brasil ganhou espaço nos últimos anos, principalmente por causa da transição energética e do avanço das tecnologias digitais. Esse grupo de elementos químicos está presente em diversos produtos do dia a dia, de celulares a turbinas eólicas, e coloca o país em posição estratégica no cenário global. Embora o Brasil ainda não explore todo o seu potencial, estudos apontam que o território brasileiro abriga reservas relevantes de terras raras em diferentes regiões.

Esses minerais não são "raros" no sentido de escassez absoluta, mas a sua concentração em níveis economicamente viáveis é menos frequente. Por isso, localizar jazidas com qualidade adequada e infraestrutura próxima faz diferença. No Brasil, a discussão envolve não apenas onde estão as reservas de terras raras, mas também como transformá-las em produtos de maior valor agregado, evitando a simples exportação de matéria-prima.

Onde estão as principais reservas de terras raras no Brasil?

As principais áreas conhecidas se concentram em estados como Minas Gerais, Goiás, Bahia, São Paulo e Amapá, além de ocorrências importantes na região amazônica. Cada área apresenta características específicas de minério, logística e estágio de pesquisa ou desenvolvimento.

Em Minas Gerais, há depósitos associados a complexos carbonatíticos, como em Araxá, região já conhecida pela produção de nióbio. Em Goiás, áreas como Catalão e Ouvidor também são mencionadas em estudos geológicos por concentrarem minerais com elementos de terras raras. Já no Amapá e em partes da Amazônia, há registros de ocorrências em lateritas e granitos ricos nesses elementos, ainda em diferentes fases de pesquisa.

Quais regiões brasileiras se destacam em terras raras?

Além das jazidas pontuais, alguns cinturões geológicos se sobressaem quando o assunto é reservas de terras raras no Brasil. Na região Nordeste, áreas da Bahiaapresentam potencial em rochas alcalinas e fosfáticas. No Sudeste, além de Minas Gerais, o estado de São Paulo aparece em levantamentos com depósitos menores, mas relevantes para estudos de diversificação de oferta.

De forma geral, podem ser citados alguns polos em evidência:

Minas Gerais e Goiás: depósitos associados a carbonatitos, muitas vezes junto com fosfatos e nióbio;
Bahia: rochas alcalinas e complexos ígneos com potencial para mineração de terras raras;
Amazônia e Amapá: ocorrências em solos lateríticos e granitos, ainda com muitos estudos em andamento;
Sudeste (São Paulo e entornos): áreas com depósitos menores, mas importantes para projetos de pesquisa e desenvolvimento.
Essas regiões diferem em infraestrutura, distância de portos, disponibilidade de energia e mão de obra especializada. Esses fatores influenciam a viabilidade de transformar o potencial geológico em produção efetiva e em cadeia industrial de terras raras no Brasil.

Para que servem as terras raras na prática?

As terras raras brasileiras têm aplicações ligadas a setores considerados estratégicos. Em equipamentos eletrônicos, esses elementos são usados em telas, alto-falantes, baterias e componentes de computadores e smartphones. Na indústria de energia, ganham destaque na fabricação de ímãs permanentes de alto desempenho, fundamentais para turbinas eólicas e motores elétricos mais eficientes.

Além disso, as terras raras aparecem em:

Indústria automotiva: motores híbridos e elétricos, sistemas de direção assistida e sensores;
Setor de defesa: radares, sistemas de guiagem e dispositivos de comunicação;
Medicina: contrastes em exames de imagem e alguns tipos de lasers médicos;
Iluminação e displays: LEDs, telas de televisores e monitores;
Catalisadores: usados em refinarias de petróleo e na redução de poluentes.
O uso em tecnologias verdes, como veículos elétricos e geração de energia renovável, faz com que as terras raras sejam associadas à descarbonização da economia. Isso reforça o interesse de diversos países em diversificar fornecedores, o que coloca o potencial brasileiro no radar de empresas e governos.

Como o Brasil pode aproveitar melhor suas terras raras?

Para transformar as reservas de terras raras no Brasil em ganhos concretos, não basta apenas extrair o minério. A etapa crítica está na cadeia de processamento: separação, refino químico e produção de ligas e componentes. Essa fase exige tecnologia, investimentos elevados e controle rigoroso de impactos ambientais, já que o processamento pode gerar resíduos que precisam de manejo adequado.

Especialistas apontam alguns caminhos considerados relevantes:

Mapeamento detalhado das jazidas, com dados atualizados sobre volume, teor e viabilidade econômica;
Incentivo à pesquisa em universidades e centros tecnológicos para desenvolver rotas de processamento mais limpas;
Parcerias industriais para criar fábricas de ímãs, ligas especiais e componentes de alto valor dentro do país;
Regulação ambiental clara, que garanta segurança e previsibilidade para projetos de mineração e refino;
Formação de mão de obra especializada em química, geologia, metalurgia e gestão ambiental.
Com esse conjunto de iniciativas, o tema das terras raras no Brasil tende a permanecer em evidência nos próximos anos. A combinação de reservas geológicas, demanda crescente por tecnologias de baixo carbono e necessidade de diversificar fornecedores internacionais faz do país um ator com potencial relevante nesse mercado, desde que consiga alinhar exploração responsável, inovação e planejamento industrial de longo prazo.

 
Fonte: Giro 10
Seção: Siderurgia & Mineração
Publicação: 25/02/2026

Redução da jornada de trabalho pode aumentar custo empresarial em até R$ 267 bilhões ao ano

Levantamento da Confederação Nacional da Indústria (CNI) indica que a proposta de redução da jornada semanal de trabalho de 44 para 40 horas pode elevar entre R$ 178,2 bilhões e R$ 267,2 bilhões por ano os custos com empregados formais na economia, o equivalente a um acréscimo de até 7% na folha de pagamentos.

A projeção considera dois cenários para a manutenção do nível de horas trabalhadas: a realização de horas extras aos empregados atuais ou a contratação de novos trabalhadores. Proporcionalmente, o impacto para o setor industrial pode ser ainda maior, chegando a até 11,1% da folha de salários e resultando em aumento de despesas de R$ 87,8 bilhões no primeiro cenário e de R$ 58,5 bilhões anuais no segundo.

Segundo a projeção da CNI, os impactos serão sentidos com maior força na indústria da construção e nas micro e pequenas empresas industriais. De um total de 32 setores industriais, 21 apresentariam elevação de custos acima da média da indústria, independentemente da estratégia adotada pela empresa para manter o número de horas atuais de produção.

Exemplos de impactos por setores econômicos

Indústria da transformação: de 7,7% a 11,6%
Indústria da construção: de 8,8% a 13,2%
Comércio: entre 8,8% e 12,7%
Agropecuária: 7,7% e 13,5%
A proposta tem como resultado imediato o aumento de aproximadamente 10% no valor da hora trabalhada regular para os empregados cujo contrato de trabalho atual exceda 40 horas semanais. Caso as horas não sejam repostas, a redução do limite semanal resultará em queda da atividade econômica.

“Esses dados, combinados com as análises que estamos fazendo sobre o tema, mostram que o mais provável é que a produção seja reduzida e o custo unitário do trabalho aumente, trazendo pressão de custos e perda de competitividade das empresas nacionais. Essa dinâmica provoca queda da produção, do emprego e da renda e, consequentemente, do PIB brasileiro”, alerta o presidente da CNI, Ricardo Alban.

Micro e pequenas empresas industriais sofrerão maior impacto

As empresas industriais de menor porte seriam as mais impactadas pela redução da jornada de trabalho, uma vez que a proporção de empregados com jornadas superiores a 40 horas semanais é maior nessas empresas. 

A CNI também estimou os custos para os dois cenários - manutenção da quantidade de horas trabalhadas integralmente por meio de horas extras e manutenção da quantidade de horas trabalhadas por meio da reposição por outros trabalhadores. 

No primeiro caso, empresas com até 9 empregados teriam uma alta de custos de R$ 6,8 bilhões, o que representa um aumento de 13% nos gastos com pessoal. Nas empresas com 250 empregados ou mais, o aumento chegaria a R$ 41,3 bilhões (9,8% nos gastos com pessoal). 

No segundo cenário, tanto as indústrias com até 9 empregados apresentariam alta de custos de R$ 4,5 bilhões - aumento de 8,7% nos gastos com pessoal. E nas empresas com 250 empregados ou mais, o aumento chegaria a R$ 27,5 bilhões (6,6% nos gastos com pessoal). 

“A dificuldade de adaptação para micro e pequenas empresas, que correspondem a 52% do emprego formal do país, mas que não dispõem de recursos ou estrutura física para ampliar equipes, será ainda maior. Como resultado, essas indústrias tendem a reduzir a produção, perder a competitividade e comprometer os postos de trabalho”, explica o presidente Alban.

A análise da CNI também aponta os segmentos industriais que devem ser mais fortemente afetados pela medida. No cenário de maior impacto, o segmento da construção lidera, com uma projeção de 13,2% de aumento de custos, o que totaliza R$ 19,4 bilhões por ano. Na sequência, vem a indústria de transformação (11,6% de aumento), serviços industriais de utilidade pública (eletricidade e gás, água 5,7% de aumento) e a indústria extrativa (4,7% de crescimento). 

Segundo Ricardo Alban, a discussão sobre a redução da jornada e mudança da escala de trabalho exige cautela e, se não for feita com o devido debate e análise criteriosa dos impactos, corre o risco de comprometer não apenas a competitividade da indústria, mas toda a economia e o desenvolvimento do país.

“Qualquer mudança na legislação trabalhista deve considerar a diversidade de realidades produtivas do país, os efeitos sobre os setores econômicos e empresas de diferentes portes, além das disparidades regionais e do impacto sobre a competitividade e a criação de empregos formais”, conclui o presidente da CNI.

 
Fonte: CNI
Seção: Indústria & Economia
Publicação: 24/02/2026