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Brasil reage às novas restrições da União Europeia e reforça defesa do aço nacional no comércio internacional

O governo brasileiro elevou o tom nas negociações comerciais com a União Europeia após a entrada em vigor das novas regras para importação de produtos siderúrgicos pelo bloco europeu. Em nota conjunta, os ministérios das Relações Exteriores (MRE) e do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) criticaram a adoção unilateral das novas cotas tarifárias, afirmando que a medida reduz o acesso do aço brasileiro ao mercado europeu e não representa a compensação prevista pelas regras da Organização Mundial do Comércio (OMC).

A manifestação ocorre justamente no momento em que a União Europeia substitui o sistema de salvaguardas adotado desde 2018 por um novo modelo que reduz em 47% o volume de aço que poderá ingressar no bloco sem incidência tarifária e eleva de 25% para 50% a tarifa aplicada ao volume que exceder as cotas estabelecidas.

Embora as medidas alcancem diversos parceiros comerciais, o governo brasileiro sustenta que elas penalizam países que não são responsáveis pelo principal problema enfrentado atualmente pela siderurgia mundial: o excesso de capacidade produtiva concentrado em grandes produtores globais.

Aço entra novamente no centro das disputas comerciais

A decisão europeia evidencia que, mesmo após o avanço das negociações comerciais entre Mercosul e União Europeia, o setor siderúrgico permanece submetido a mecanismos de defesa comercial considerados estratégicos pelo bloco europeu.

Na avaliação da Comissão Europeia, as novas regras são necessárias para proteger sua indústria siderúrgica diante do crescimento da oferta internacional, das práticas de dumping e da pressão exercida pelo excedente global de produção.

O objetivo declarado é elevar a utilização da capacidade instalada das usinas europeias, atualmente próxima de 65%, para patamares próximos de 80%, preservando empregos e fortalecendo a competitividade da produção local.

O regulamento publicado pela Comissão Europeia estabelece que metade da nova cota tarifária será destinada aos países que mantêm acordos de livre comércio com o bloco — grupo no qual o Brasil está incluído —, enquanto a outra metade permanecerá disponível para os demais parceiros comerciais. Segundo Bruxelas, a distribuição busca preservar condições de acesso para países com acordos preferenciais, ainda que dentro de um volume total significativamente menor.

A Comissão Europeia publicou o regulamento que estabelece o novo sistema de cotas tarifárias para produtos siderúrgicos importados pelo bloco, em vigor desde 1º de julho de 2026.

Regulamento oficial da Comissão Europeia: https://static.poder360.com.br/uploads/2026/07/UE-aco-30jun2026.pdf
Segundo Bruxelas, aproximadamente metade das cotas continuará destinada a países que mantêm acordos comerciais com a União Europeia, enquanto o restante permanecerá disponível para os demais exportadores.

Brasil cobra compensações

O governo brasileiro, entretanto, afirma que não houve entendimento formal sobre compensações previstas no Artigo XXVIII do Acordo Geral sobre Tarifas e Comércio (GATT), mecanismo internacional que disciplina alterações tarifárias capazes de afetar parceiros comerciais.

Na interpretação brasileira, a nova distribuição das cotas foi definida unilateralmente pela União Europeia e não pode ser considerada uma compensação negociada.

Por isso, Brasília informou que continuará defendendo seus interesses nas negociações bilaterais e nos fóruns multilaterais de comércio.

O governo também destacou que o Brasil atua ativamente nas discussões internacionais sobre o excesso global de capacidade siderúrgica, especialmente no âmbito do Fórum Global sobre Excesso de Capacidade Siderúrgica.

Excesso global continua sendo principal desafio

A reação brasileira reforça um debate que vem ganhando espaço em diversos mercados.

Nos últimos anos, o crescimento da produção mundial de aço, especialmente em países asiáticos, ampliou significativamente a oferta internacional e pressionou preços, margens e investimentos das siderúrgicas em diferentes regiões.

Brasil, Estados Unidos, União Europeia e outros produtores passaram a adotar medidas de defesa comercial para limitar a entrada de produtos considerados objeto de concorrência desleal.

Na avaliação do governo brasileiro, entretanto, restringir exportações de países que também sofrem os efeitos da sobreoferta global não contribui para resolver o problema estrutural do mercado.

Pelo contrário, pode estimular novas rodadas de medidas protecionistas e ampliar as tensões comerciais entre grandes economias.

Mercosul mantém agenda comercial

A discussão ocorre poucos meses após a assinatura do acordo comercial entre Mercosul e União Europeia, considerado um dos principais avanços da política comercial brasileira nas últimas décadas.

O entendimento amplia oportunidades para centenas de produtos industriais e agrícolas brasileiros, mas demonstra que setores considerados estratégicos continuam sujeitos a negociações específicas e mecanismos próprios de proteção.

A siderurgia permanece entre os segmentos mais sensíveis dentro da política comercial europeia, ao lado da agricultura e de determinadas cadeias industriais.

Indústria brasileira acompanha negociações

Para a indústria siderúrgica nacional, o novo cenário reforça a importância das políticas de defesa comercial.

Nos últimos anos, o setor também passou a enfrentar forte crescimento das importações, principalmente de produtos asiáticos, levando o governo brasileiro a adotar medidas antidumping e sistemas de cotas para determinados produtos siderúrgicos.

A avaliação predominante entre representantes da indústria é que o equilíbrio competitivo dependerá cada vez mais da combinação entre acordos comerciais, instrumentos de defesa e aumento da produtividade das empresas.

Perspectivas

As novas regras europeias mostram que o comércio internacional de aço continuará marcado por disputas relacionadas à competitividade, capacidade produtiva e proteção dos mercados internos.

Ao mesmo tempo em que amplia acordos comerciais e fortalece sua agenda de integração econômica, a União Europeia preserva mecanismos destinados a proteger setores considerados estratégicos para sua base industrial.

Para o Brasil, o desafio será manter o diálogo com Bruxelas em busca de compensações previstas pelas normas multilaterais e, ao mesmo tempo, ampliar a competitividade da siderurgia nacional em um ambiente internacional cada vez mais disputado.

Mais do que uma discussão sobre tarifas, o episódio evidencia que a reorganização da indústria global do aço continua sendo um dos temas centrais da geoeconomia contemporânea, na qual política industrial, comércio exterior e segurança econômica caminham cada vez mais próximos.

 
Fonte: Infomet
Seção: Siderurgia & Mineração
Publicação: 02/07/2026

 

UE reduz acesso do aço brasileiro e causa mais irritação em Brasília

O Brasil e os demais países do Mercosul passarão a exportar menos aço livre de tarifas para a União Europeia (UE) a partir desta quarta-feira, 1º de julho, apenas dois meses depois da assinatura do acordo de livre comércio entre os dois blocos.

A UE colocará em vigor, unilateralmente, seu novo sistema de cotas para o setor siderúrgico, mesmo sem acordo formal com o Brasil. Brasília não assinou nenhum entendimento e nem concordou com os volumes oferecidos. A cota destinada ao país foi definida por Bruxelas.

Pelo novo sistema, a UE decidiu oferecer ao Brasil uma cota específica de 227 mil toneladas para diferentes categorias de produtos siderúrgicos. Ao mesmo tempo, mantem livre de tarifas a entrada do aço semiacabado, matéria-prima para a indústria europeia. O Brasil também poderá disputar parte de uma cota global de 1,422 milhão de toneladas. Mas a proposta não atende interesses brasileiros.

No período de 2022 a 2024, o Brasil exportou pouco mais de 900 mil toneladas de aço para os 27 países do bloco, já sob os efeitos de uma salvaguarda que tinha reduzido a entrada de siderúrgicos na UE desde 2018.

O aço semiacabado brasileiro teve exportação média de cerca de 500 mil toneladas por ano em passado recente para a UE. Assim, o volume efetivamente atingido pelas novas restrições é de 440 mil toneladas de aço com maior valor agregado.

Bruxelas anunciou acordo com vários países, e indicou que o Brasil teria concordado, o que é desmentido.

"O processo continua em negociação, porque a indústria brasileira e o governo entendem que a proposta da UE não é satisfatória. Ela precisa ser ajustada no nível das categorias de produtos", disse à coluna o presidente-executivo do Instituto Aço Brasil, Marco Polo de Mello Lopes.

 

De fato, a comparação correta, no caso do Brasil, é com a situação prevista no acordo de livre comércio — duty-free, quota-free (sem tarifas e sem cotas) — e não com média histórica de exportações. Sob esse critério, o Brasil perde de qualquer maneira com o novo sistema de restrições da UE.

Mesmo se a comparação for feita com a média das exportações de 2022 a 2024, a proporção correta do acesso preservado seria de cerca de 55%, e não de dois terços, como afirmaram algumas fontes na Europa. E as proporções variam conforme a categoria e, em alguns casos, podem ficar abaixo de 40%.

Uma fonte europeia afirma que a diferença entre a proposta da UE e as demandas do Brasil em relação à cota específica é pequena. Um problema, porém, está na distribuição das categorias de produtos dentro das cotas.

Além disso, nem sempre o acesso livre de tarifas concedido pela UE corresponde aos interesses exportadores do Brasil. E Brasília não está sendo atendida na alocação para algumas categorias de siderúrgicos, que incluem por exemplo tubos sem costura, laminados a frio, barras de aço inoxidável.

Outro problema é que a UE vem conduzindo essas discussões com um grau de informalidade considerado excessivo, quando o processo deveria ter maior formalização.

Além disso, os europeus exigem uma "cláusula de paz" em um eventual acordo bilateral sobre o comércio de produtos siderúrgicos. Na prática, o Brasil abriria mão de contestar as restrições no Órgão de Solução de Controvérsias da OMC, por exemplo.

Há um "mal-estar gigantesco" nessa negociação com a UE, segundo uma fonte do setor privado, justamente porque ela ocorre logo após a conclusão do acordo de livre comércio entre os dois blocos.

O mercado dos 27 países da UE é importante para o Brasil, ainda mais em um cenário internacional cada vez mais conturbado. Há um enorme excesso de capacidade mundial na siderurgia e os mercados vêm se fechando progressivamente, com a adoção de salvaguardas por diversos países.

Ao mesmo tempo, produtores brasileiros reclamam de uma enxurrada de importações consideradas "predatórias", principalmente da China. Segundo cálculos do setor privado, esses produtos tomaram um terço do mercado brasileiro no ano passado.

A UE acabou comprando uma briga com "parceiros privilegiados", justamente aqueles com os quais mantém acordos de livre comércio. Bruxelas, porém, insiste que a reforma era necessária para restringir a entrada de aço em seu mercado diante do persistente excesso de capacidade mundial, especialmente da China.

A Suíça está particularmente irritada por ter sido submetida ao regime de cotas, em vez de ser excluída das restrições, como ocorreu com a Noruega e a Islândia. O Reino Unido também apresentou protesto oficial. Mas, a esta altura, prevalece a lógica do cada um por si, como demonstra a decisão da UE.


 
Fonte: Valor
Seção: Siderurgia & Mineração
Publicação: 01/07/2026

União Europeia limita importação de aço sem tarifa e impõe alíquota de 50% para volume acima da cota

A União Europeia vai limitar, a partir de quarta-feira, 1º, o volume de aço que seus Estados-membros podem importar com isenção tarifária, como parte de esforços para proteger a indústria siderúrgica do bloco do excesso de capacidade em países como a China.

Pelo novo sistema, o volume de importações sem tarifa cairá 47%, para 18,3 milhões de toneladas métricas. As compras que excederem essa cota estarão sujeitas a uma alíquota de 50% em 26 categorias de produtos de aço.

Em comunicado, a Comissão Europeia informou nesta terça-feira que metade da cota de 18,3 milhões de toneladas será reservada a países com acordos de livre-comércio com a UE, enquanto a outra metade ficará disponível a todos os parceiros comerciais — inclusive os que tenham esses acordos.

Segundo a Comissão, braço executivo da UE, a medida busca amortecer o impacto da mudança para países com os quais o bloco mantém laços mais estreitos. Muitos parceiros com acordos de livre-comércio deverão receber cotas específicas por país, com base em seus volumes históricos de exportação ao bloco.

As medidas, originalmente propostas pela Comissão em 2025, também exigem que exportadores informem onde ocorreram as etapas de fusão e vazamento do metal na produção do aço, para facilitar o rastreamento das importações.

“Estamos oferecendo previsibilidade aos participantes do mercado por meio de regras claras e transparentes de distribuição de cotas, ao mesmo tempo em que aplicamos uma metodologia justa e objetiva”, afirmou Maros Sefcovic, principal negociador comercial do bloco, no comunicado.

A UE busca proteger seu setor siderúrgico de um excesso de produtos no mercado global, que, segundo a Comissão, atualmente soma 620 milhões de toneladas.

 
Fonte: Estadão
Seção: Siderurgia & Mineração
Publicação: 01/07/2026

 

Aço, carro e pneu: importação ameaça indústria do Sul Fluminense

Aço, carro e pneu: importação ameaça indústria do Sul Fluminense
 
 Importação predatória ataca ao mesmo tempo os três pilares da economia regional; polo siderúrgico e automotivo somam mais de 30 mil empregos diretos em risco Não é uma ameaça. São três. E todas chegam ao mesmo tempo, pelo mesmo caminho: a importação de produtos chineses a preços que a indústria instalada no Brasil não consegue competir. Aço, carros e pneus — exatamente os três pilares da economia do Sul Fluminense — estão sob pressão simultânea de um fluxo crescente de importações que já eliminou empregos, fechou fábricas e cancelou bilhões em investimentos. Para uma região que abriga CSN, ArcelorMittal, Stellantis, Volkswagen, Nissan e Michelin, o cenário não é abstrato. É o cotidiano de quem trabalha no chão de fábrica.

O presidente do Sindicato dos Metalúrgicos do Sul Fluminense, Odair Mariano, resume a gravidade do momento. “Nossa região depende fortemente da indústria siderúrgica e automotiva. Quando um veículo deixa de ser produzido aqui para ser importado pronto ou semimontado, quando o aço que deveria sair de Volta Redonda ou de Resende é substituído por produto chinês com preço artificial, estamos falando de empregos que deixam de ser gerados, renda que deixa de circular no comércio local e oportunidades que desaparecem para milhares de famílias do Sul Fluminense”, afirma. “Não somos contra a modernização nem contra novas tecnologias. O que questionamos é a concorrência desigual.”

O aço que virou alvo

A siderurgia brasileira chegou a 2026 com as cicatrizes abertas de dois anos de pressão intensa. Em 2025, o Brasil importou 5,7 milhões de toneladas de aço laminado — o maior volume desde 2010 e um aumento de 20,5% em relação a 2024. O impacto foi direto: parte das siderúrgicas cancelaram R$ 2,5 bilhões em investimentos no país e demitiram 5.100 trabalhadores. Para a CSN, que tem em Volta Redonda o maior complexo siderúrgico integrado da América Latina e é um dos maiores empregadores da região, a pressão é constante. Mas, mesmo sobre pressão, a empresa segue acreditando no país e investindo na modernização e melhoria dos seus processos.

O governo federal reagiu em janeiro de 2026, aprovando direitos antidumping definitivos sobre aços pré-pintados da China e da Índia e uma tarifa provisória de 25% sobre nove categorias de produtos siderúrgicos — medida considerada especialmente relevante para a CSN, onde o aço pré-pintado representa cerca de 10% do volume total de embarques. Com isso, o Instituto Aço Brasil revisou a projeção de importações para 2026 de 6,7 milhões para 6,3 milhões de toneladas.

Mas o setor não comemora. Para o presidente do Instituto Nacional dos Distribuidores de Aço, Carlos Loureiro, a alíquota de 25% é insuficiente para segurar a China. “Se não vier nada mais em relação a dumping, nós vamos ter de novo mais um ano perdido. 25% não segura nada da China. Da China tem que vir muito mais que 25%”, declarou. Enquanto a batalha tarifária segue em Brasília, o CEO da Aperam South America, Rodrigo Villela, revelou que a empresa tem investimentos importantes previstos para o Brasil — mas que os planos estão “absolutamente suspensos” por causa do cenário de importações.

O pneu que tomou o mercado

Se no aço a invasão foi gradual, no setor de pneus ela foi uma virada histórica. Em 2019, os fabricantes instalados no Brasil detinham 69% do mercado de reposição. Hoje, respondem por apenas 31% — o menor índice já registrado pela Associação Nacional da Indústria de Pneumáticos. A inversão completa aconteceu em menos de seis anos.

Hoje, seis em cada dez pneus trocados no Brasil vêm do exterior. A China é a origem de 78% dos pneus de passeio importados, mesmo com a vigência de tarifas antidumping. Em 2025, o Brasil importou 692,4 mil toneladas de pneus, movimentando US$ 2 bilhões. E 2026 começou em forte aceleração: nos dois primeiros meses do ano, o volume importado cresceu 38,8% na comparação com o mesmo período de 2025.

O impacto já chegou ao Sul Fluminense de forma concreta. A Michelin, que mantém fábricas em Resende e Campo Grande, fechou sua unidade de Guarulhos em 2025 — e apontou a entrada massiva de importados asiáticos abaixo do custo de produção local como a principal razão. A empresa afirmou que a decisão foi resultado de “supercapacidade de produção gerada a partir da entrada expressiva de produtos importados da Ásia, que chegam muitas vezes abaixo do custo de produção local.”

A indústria pede aumento da tarifa de importação para 35%. O governo manteve em 25% tanto em 2025 quanto em 2026. A Associação Nacional da Indústria de Pneumáticos alerta que, enquanto os importados continuarem dominando o mercado de reposição e as fábricas operarem com ociosidade, o risco de novas decisões como a da Michelin de Guarulhos é real.

O carro elétrico que ameaça 191 mil empregos

A mais recente — e talvez a mais grave — das três ameaças chegou em 23 de junho de 2026. O governo federal reabriu a isenção de impostos para a importação de kits de carros elétricos e híbridos desmontados, criando uma cota de US$ 463 milhões com alíquota zero, válida por seis meses a partir de 1º de julho. A medida foi aprovada sem consulta à indústria.

Os números do setor mostram a dimensão da transformação em curso. Em 2023, os carros chineses representavam 3% das vendas de zero-quilômetro no Brasil. Hoje, um em cada cinco carros vendidos é chinês. Dos 15 modelos eletrificados mais vendidos no país, 12 são de marcas chinesas. Os emplacamentos de elétricos importados cresceram 214% entre 2023 e 2025.

A Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores estima que apostar na montagem de kits importados em larga escala pode custar R$ 96,8 bilhões em vendas ao setor de autopeças, reduzir R$ 24,3 bilhões na arrecadação federal e eliminar 68 mil empregos diretos — 191 mil vagas em toda a cadeia produtiva. A entidade anunciou que vai acionar a Justiça contra a medida.

Stellantis, Volkswagen, General Motors e Toyota assinaram carta conjunta ao presidente Lula pedindo que a prorrogação não fosse concedida. O documento alertou que a decisão representa “um legado de desemprego, desequilíbrio da balança comercial e dependência tecnológica.” Para o Sul Fluminense, onde a Stellantis acaba de abrir 100 novas vagas em Porto Real para produção do Jeep Avenger, o alerta é direto: a cada kit montado no Brasil com peças importadas, uma vaga que poderia ser gerada na cadeia regional deixa de existir.

Uma região, três frentes de batalha

O Sul Fluminense é hoje o único polo industrial do Brasil onde os três setores mais pressionados pela importação predatória convivem no mesmo território. CSN e ArcelorMittal no aço. Michelin nos pneus. Stellantis, Volkswagen, Nissan no setor automotivo. Mais de 30 mil empregos diretos, uma cadeia de fornecedores e de empresas beneficiadoras que emprega outros tantos milhares e um comércio local que depende do poder de compra de quem trabalha nessas fábricas.

Para Odair Mariano, do Sindicato dos Metalúrgicos, a coincidência das três ameaças não pode ser tratada como assunto apenas de empresas ou de Brasília. “O Sindicato dos Metalúrgicos do Sul Fluminense defende que qualquer avanço — seja na eletrificação da frota, seja na modernização da siderurgia — aconteça com garantia de produção nacional, geração de empregos e fortalecimento da cadeia industrial brasileira. O que não podemos aceitar é que a modernização do país seja feita às custas dos trabalhadores desta região.”

 
Fonte: Diário do Vale
Seção: Indústria & Economia
Publicação: 29/06/2026

Preço do aço pode ganhar força com queda das importações; mercado projeta crescimento no consumo de até 2% em 2026

O mercado brasileiro de aço começou a apresentar sinais mais consistentes de recuperação após um primeiro trimestre marcado por demanda fraca, elevada concorrência das importações e dificuldades para o repasse de reajustes de preços. Dados divulgados pelo Instituto Nacional dos Distribuidores de Aço (Inda) mostram que maio representou um ponto de inflexão para o setor, com avanço nas vendas, forte retração das importações e melhora das perspectivas para o segundo semestre.

Na avaliação da entidade, a combinação entre menor pressão do aço importado e recuperação gradual do consumo deverá permitir que o mercado encerre 2026 com crescimento entre 1,5% e 2%.

O cenário também abre espaço para um movimento aguardado pelas siderúrgicas desde o início do ano: a consolidação dos reajustes de preços anunciados pelas usinas.

Importações caem e mudam a dinâmica do mercado

O principal fator por trás da melhora observada em maio foi a forte redução das importações.

Segundo o Inda, o volume importado de produtos siderúrgicos recuou 71,1% em relação ao mesmo mês do ano passado e 27,4% na comparação com abril, totalizando pouco mais de 120 mil toneladas.

A retração ocorre após a entrada em vigor das medidas antidumping e de defesa comercial adotadas pelo governo brasileiro para conter a entrada de produtos provenientes principalmente da China e da Índia.

Os efeitos começaram a aparecer em abril e ganharam intensidade em maio.

Na prática, a menor disponibilidade de material importado ampliou o espaço para o aço produzido no Brasil e reduziu a pressão competitiva sobre distribuidores e siderúrgicas nacionais.

Segundo o presidente do Inda, Carlos Loureiro, a dificuldade de aquisição de aço chinês permitiu maior participação do produto nacional nas vendas realizadas pelos distribuidores.

Vendas registram o melhor desempenho para maio em anos

O novo ambiente comercial refletiu rapidamente na atividade do setor.

As vendas de aços planos cresceram 8,7% em maio frente a abril, alcançando 341,3 mil toneladas. Na comparação com maio do ano passado, o avanço foi de 3,8%.

Para o Inda, o resultado representa o melhor desempenho para o mês de maio dos últimos cinco anos e indica que o mercado começa a recuperar parte das perdas acumuladas no início de 2026.

As compras realizadas pelos distribuidores também avançaram, embora em ritmo mais moderado, registrando crescimento de 2,3% sobre abril.

Ao mesmo tempo, os estoques permaneceram praticamente estáveis, encerrando o mês em aproximadamente 1,16 milhão de toneladas, volume suficiente para cerca de 3,4 meses de comercialização.

Apesar de ainda permanecer acima do nível considerado ideal pelo setor, o comportamento dos estoques mostra um mercado mais equilibrado do que aquele observado no início do ano.

Preço do aço pode ganhar força no segundo semestre

A forte redução das importações também melhora as condições para que os reajustes anunciados pelas siderúrgicas sejam efetivamente absorvidos pelo mercado.

Desde maio, parte das usinas comunicou aumentos de preços, mas a demanda ainda moderada e a concorrência do aço importado dificultaram o repasse integral desses reajustes aos distribuidores e consumidores.

Com a retração das importações, representantes do setor acreditam que esse cenário tende a mudar ao longo do segundo semestre.

Segundo Carlos Loureiro, segmentos como o galvalume já demonstram um ambiente mais favorável para a consolidação dos aumentos, justamente pela menor presença do material importado.

A expectativa do Inda é que as usinas consigam implementar gradualmente os reajustes anunciados, fortalecendo as margens da cadeia siderúrgica caso a demanda continue mostrando sinais de recuperação.

Defesa comercial muda o equilíbrio competitivo

Para o setor, a recuperação observada em maio demonstra a importância das medidas de defesa comercial adotadas pelo governo.

Nos últimos anos, a crescente entrada de aço importado — principalmente de origem chinesa — pressionou preços, reduziu a participação da produção nacional e comprometeu a rentabilidade de distribuidores e siderúrgicas.

A aplicação das medidas antidumping alterou esse cenário ao reduzir significativamente o fluxo de importações.

Embora a China continue sendo o principal fornecedor externo, outros países asiáticos, como Coreia do Sul, Vietnã e Egito, passaram a ganhar maior relevância nas estratégias de abastecimento dos importadores brasileiros.

Mesmo assim, o volume total importado deverá permanecer significativamente inferior ao registrado em 2025.

O Inda projeta que as importações encerrem o ano cerca de 40% abaixo do volume observado no exercício anterior.

Juros ainda limitam expansão da demanda

Apesar da melhora do ambiente comercial, o setor continua convivendo com obstáculos importantes.

Segundo o Inda, segmentos consumidores relevantes, como caminhões, máquinas agrícolas e máquinas industriais, ainda apresentam demanda abaixo do esperado.

Para a entidade, o principal fator limitador continua sendo o elevado nível da taxa básica de juros.

Custos financeiros mais altos reduzem investimentos, dificultam financiamentos e retardam decisões de compra em setores intensivos em aço.

Na avaliação dos distribuidores, uma trajetória consistente de redução dos juros poderá ampliar significativamente o consumo de aço no país.

Perspectivas

O desempenho registrado em maio reforça a percepção de que o mercado brasileiro de aço inicia uma fase de recuperação gradual.

A combinação entre menor pressão das importações, retomada das vendas e possibilidade de consolidação dos reajustes de preços cria um ambiente mais favorável para distribuidores e siderúrgicas.

Ainda que o crescimento esperado para 2026 permaneça moderado, os indicadores sugerem que o segundo semestre deverá apresentar desempenho superior ao observado na primeira metade do ano.

Para o setor, o desafio agora será transformar a melhora dos indicadores conjunturais em uma recuperação sustentável da demanda, apoiada por investimentos industriais, expansão da construção civil e redução gradual dos custos financeiros.

Caso esse cenário se confirme, 2026 poderá marcar o início de um novo ciclo de fortalecimento da siderurgia brasileira, com maior equilíbrio entre oferta, demanda e competitividade frente ao mercado internacional.

 
Fonte: Infomet
Seção: Siderurgia & Mineração
Publicação: 26/06/2026

Aprovação da PEC 6x1 aumentará preços ao consumidor, diz Abimaq

A possível aprovação da PEC que altera a jornada de trabalho, combinada com os juros elevados no mercado interno, preocupa o setor industrial brasileiro.

A Abimaq (Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos) alerta que o cenário pode afetar decisões de investimento, reduzir a oferta de mão de obra qualificada e, no fim, encarecer produtos para o consumidor final.

Camilla Toledo, gerente do departamento jurídico da Abimaq, explica que o texto aprovado na Câmara dos Deputados impacta, além da indústria de máquinas e equipamentos, todo o setor produtivo brasileiro.

Segundo ela, no setor específico da associação, já se trabalha no regime 5x2, com 44 horas semanais, e a perda de quatro horas semanais, somada ao acréscimo de um descanso semanal remunerado, representa custos adicionais significativos.

Impacto nos preços e prazo de adaptação insuficiente

Camilla Toledo destacou que a mudança, da forma como está estruturada, tende a gerar aumento de preços em toda a cadeia produtiva, impacto que, segundo ela, chegará ao consumidor final.

"No fim, nós vamos trabalhar menos, mas vamos ter um impacto indireto: tudo que a formos comprar ficará mais caro", disse.

A representante da Abimaq também criticou o prazo de transição previsto no texto, que estabelece 60 dias para um primeiro escalonamento e depois um ano. Para ela, esse período é insuficiente.

"Todos os países que adotaram alguma redução de jornada fizeram isso num período de transição de quase 10 anos", argumentou, acrescentando que 12 a 14 meses é dificultoso para que empresas readequem escalas e processos.

Setor apoia flexibilidade, não imposição

Camilla Toledo deixou claro que a Abimaq não é contrária à revisão da jornada de trabalho, mas sim à forma abrupta como a mudança está sendo conduzida.

A associação apoia a PEC 12, proposta em tramitação no Senado, de autoria do senador Rogério Marinho, que prevê maior flexibilidade e permite que a adequação da jornada seja negociada entre empregadores, empregados e sindicatos.

"O Brasil é um país continental, temos diferenças de cidades, de costumes, de setores, então não dá para impor uma escala única para todo mundo", afirmou.

Para a representante da Abimaq, o ideal seria que a discussão ocorresse fora de um período eleitoral, com mais tempo para análise e um prazo de transição mais longo.

"Se isso fosse deixado para discutir depois, com calma, com segurança, olhando todos os lados, vendo todos os impactos que isso pode causar e com um período de transição maior, com certeza seria melhor para o país", concluiu.

A entidade também defende maior investimento em automação como caminho para viabilizar, no futuro, uma eventual redução de jornada sem prejuízos à competitividade industrial.

 
Fonte: CNN
Seção: Indústria & Economia
Publicação: 25/06/2026