Notícias

Fazenda vê "impacto limitado" de tarifas americanas sobre o aço. Efeito pode ser maior na cadeia metalúrgica

O Ministério da Fazenda avalia que as tarifas de importação sobre ferro, aço e alumínio impostas pelos Estados Unidos devem ter um "impacto limitado nas exportações brasileiras, se efetivamente implementadas".

Em relatório divulgado nesta quinta-feira (13), a Secretaria de Política Econômica da Fazenda explica que "as exportações brasileiras de produtos de ferro, aço e alumínio para os Estados Unidos corresponderam a apenas 1,9% do valor total exportado pelo Brasil em 2024".

Essas vendas, no entanto, representaram 40,8% de todo o valor de ferro, aço e alumínio exportado pelo país.

Por isso, a pasta reconheceu que os impactos podem ser limitados no valor total de exportações e no PIB (Produto Interno Bruto) do Brasil, mas devem ser "relevantes na indústria de metalurgia".

Os Estados Unidos são o segundo maior parceiro comercial do Brasil, atrás apenas da China. Por isso, receberam 12% de todo o valor exportado pelo país em 2024. E essas vendas foram limitadas a "alguns produtos, como petróleo, derivados de ferro e aço e aeronaves e peças", segundo a Fazenda.

Governo aposta no diálogo

A Secretaria de Política Econômica da Fazenda lembrou, por sua vez, que esse impacto só será sentido se as tarifas forem "efetivamente implementadas".

O governo brasileiro ainda não respondeu formalmente à decisão do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de elevar para 25% as tarifas americanas de importação de aço e alumínio, além de cancelar isenções e cotas de importação que favoreciam grandes fornecedores do produto, como o Brasil.

Segundo auxiliares do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), o Brasil não vai entrar em uma guerra comercial, mas procurar os Estados Unidos para negociar a questão.

Na quarta-feira (12), o vice-presidente Geraldo Alckmin reforçou que "o caminho é o diálogo". Segundo ele, o reestabelecimento de cotas seria uma forma de o Brasil driblar os efeitos das tarifas.

Vale lembrar, no entanto, que o tarifaço de Trump não vai se limitar ao setor da metalurgia. O presidente dos Estados Unidos prometeu anunciar nesta quinta-feira (13) tarifas recíprocas. Ou seja, cobrar taxas iguais às que outros países impõem aos produtos americanos. A medida deve atingir diversos países, inclusive o Brasil.

Além disso, o diretor global de Relações Internacionais da Raízen (RAIZ4), Paulo Macedo, teria alertado o governo brasileiro sobre a possibilidade de o governo americano elevar as tarifas sobre o etanol.

Outros impactos

A Fazenda reconheceu, então, que a elevação das tarifas de importação americanas pode ter efeitos secundários na economia brasileira, como a alta do dólar e a redução da demanda chinesa por commodities.

Em relatório, a Secretaria de Política Econômica disse que a medida "tende a elevar a aversão global ao risco, contribuindo para o fortalecimento do dólar". Logo, "traz riscos para o cenário de atividade global resiliente e para o processo de desinflação".

"Se o saldo líquido das medidas de proteção tarifária levarem à alta na curva de juros americana e a maior inflação nos Estados Unidos, a perspectiva de flexibilização monetária e resiliência do crescimento global em 2024 tende a ser prejudicada, com potencial de afetar principalmente economias emergentes", afirmou.

Outro risco apontado pela pasta é a "desaceleração mais acentuada da economia chinesa" e a consequente redução da demanda chinesa por commodities, o que também poderia afetar as exportações brasileiras.

PIB em desaceleração

Vale ressaltar que a Fazenda já trabalha com a hipótese de desaceleração do crescimento econômico brasileiro neste ano de 2025.

A pasta calcula que o PIB do Brasil avançou 3,5% em 2024, mas crescerá 2,3% em 2025. A projeção para este ano era de 2,5%, mas foi reduzida nesta quinta-feira (13) devido ao aumento da Selic e ao cenário externo.

Além disso, a expectativa é de que a inflação continue acima da meta em 2025, em razão do dólaralto e do ritmo aquecido da atividade econômica.

A projeção do governo é de uma alta de 4,8% do IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo) de 2025. A meta de inflação, no entanto, é de 3%, com um intervalo de tolerância de 1,5% a 4,5%.

Fonte: Investidor 10
Seção: Siderurgia & Mineração
Publicação: 14/02/2025

 

Entenda como o fenômeno La Niña pode impactar a construção e mineração brasileira

Já nos acostumamos a ouvir sobre o El Niño, fenômeno de aquecimento das águas do Oceano Pacífico que afeta o clima global. Mas há também o La Niña, de resfriamento das águas, que ocorre mais espaçadamente, em intervalos de dois a sete anos, alterando padrões de ventos, regime de chuvas e médias de temperaturas. Tudo isso impacta fortemente diversos setores da economia, incluindo a construção e mineração. Saiba mais no artigo a seguir, do Engenharia 360!

O que é La Niña?

O La Niña deixa as temperaturas da superfície do Oceano Pacífico mais frias do que a média. Vamos falar do Brasil? Por aqui, o fenômeno costuma provocar um aumento das chuvas na região Norte e Nordeste e um período mais seco no Sul durante o verão. Especialmente agora, entre 2024 e 2025, nosso país está sob o efeito do La Niña Modoki, uma variação do fenômeno que já trouxe chuvas intensas na primavera e vem apresentando uma redução na precipitação durante o verão.

 

Os impactos do La Niña na construção

A construção civil é uma área da engenharia bastante sensível às mudanças climáticas - não à toa é um dos setores da economia que mais vem sentindo os impactos do aquecimento global. Durante períodos de intensa precipitação, as obras ao ar livre geralmente precisam ser paralisadas, já que as chuvas prolongadas impedem a execução de serviços essenciais, como terraplenagem, concretagem e alvenaria.

Insumos como cimento, areia e gesso podem se perder se ficarem expostos à umidade excessiva, resultando em prejuízos financeiros. Terrenos inclinados, ainda sem o devido tratamento, podem desmoronar, impactando as estruturas de fundações. E as condições gerais de trabalho ficam arriscadas devido à incidência de raios durante as tempestades, exigindo medidas mais rigorosas de segurança.

Os impactos do La Niña na mineração

A mineração é outro setor da economia muito afetado com as mudanças climáticas, pois depende demais das condições ambientais. O excesso de chuvas compromete a segurança nas minas a céu aberto, alaga galerias subterrâneas - que podem desabar - e dificulta a extração de minérios. Aliás, a própria qualidade de minérios extraídos (como ferro e bauxita) é afetada, tendo a sua pureza reduzida - sem contar o valor de mercado. Ademais, rodovias e ferrovias utilizadas para o escoamento da produção podem acabar danificadas.

A saber, no Brasil, os estados do Pará e Minas Gerais são os que concentram a maior parte dos trabalhos de mineração e são justamente os que mais sentem os efeitos das chuvas intensas do La Niña.

As soluções para mitigar os efeitos do La Niña

Apesar dos desafios impostos pelo La Niña, algumas medidas podem minimizar seus impactos na mineração e construção civil:

Monitoramento meteorológico: Utilizar sistemas avançados de previsão do tempo, como o SMAC (Sistema de Monitoramento e Alerta Climatempo), pode ajudar empresas a se prepararem para condições climáticas extremas.
Drenagem eficiente: Investir em sistemas de drenagem adequados evita o acúmulo de água e reduz o risco de alagamentos e erosão.
Planejamento flexível: Adaptar os cronogramas de obras para priorizar atividades que possam ser realizadas em períodos de estiagem pode reduzir atrasos.
Treinamento de segurança: Garantir que os trabalhadores saibam como agir em situações de risco, como tempestades com raios e deslizamentos, é essencial para evitar acidentes.

Monitoramento meteorológico

Para que a indústria consiga se preparar para futuras mudanças no clima, o jeito é acompanhar em tempo real os alertas do Sistema de Monitoramento e Alerta Climatempo (SMAC). Isso pelo menos ajuda a minimizar os riscos para colaboradores e otimiza o planejamento de operações.

Como dissemos anteriormente, os efeitos esperados para o La Niña é chuva forte no Norte e Nordeste, beneficiando certas culturas agrícolas, mas danificando algumas infraestruturas. Já no Centro-Sul, eventos extremos ocorrem com mais frequência, como granizo; e no Sul há menos chuva - ainda que haja eventos pontuais de chuva forte por conta da complexidade das interações atmosféricas. O período mais crítico para as tempestades é entre outubro e março, com a formação da Zona de Convergência do Atlântico Sul (ZCAS).

Fonte: Engenharia 360
Seção: Construção, Obras & Infraestrutura
Publicação: 14/02/2025

 

Mais severa, taxação ao aço pelos EUA pode incluir novos itens

Mais agressiva do que a tarifa sobre aço e alumínio estabelecida em 2018, a nova medida de Donald Trump, presidente dos Estados Unidos, tem como alvo um número maior de países, atingindo até mesmo os países fronteiriços, pode incluir novos itens na lista de derivados de aço sujeitos à tarifa de 25% e promete ser mais severa na fiscalização das importações americanas, obrigando as empresas do setor a suportar maiores custos de conformidade.

Especialistas apontam que o melhor caminho para o Brasil é a negociação diplomática até 12 de março, quando as medidas entram em vigor. Na incerteza do que acontece até lá, escritórios de advocacia têm recomendado tentar antecipar exportações de modo que a mercadoria chegue à aduana americana antes da vigência da nova tarifa, além de uma revisão das estratégias de exportação e cadeias de suprimento para identificar riscos e evitar interrupções quando a medida entrar em vigor.

Embora não tenham sido uma surpresa, as tarifas de Trump sobre aço e alumínio são vistas por especialistas com preocupação, porque podem ser o início de medidas que irão se espalhar a outros produtos e setores, afetando preços e com risco de deflagrar uma onda de taxações.

Em março de 2018, Trump colocou tarifa de 25% para aço e de 10% no alumínio, mas a medida não atingiu o México nem o Canadá e foi dada alternativa de negociação a alguns países. O Brasil conseguiu entrar em uma lista de exceção e negociou cotas.

William Roberto Crestani, sócio da área de comércio internacional do Pinheiro Neto Advogados, lembra que houve várias negociações de lá para cá. A medida de 2018, diz, teve alterações. Houve uma tentativa de tirar as cotas de alguns países, inclusive do Brasil, já em 2019, mas houve nova negociação. Em 2020, reduziu-se a cota que tinha para certos países, o Brasil entre eles. Somente em 2022, na gestão de Joe Biden, alguns ajustes foram feitos, lembra.

"É uma medida horizontal e ainda está em aberto como será aplicada”
— Felipe Rainato

Para as novas medidas de Trump, o melhor caminho ainda é a via diplomática, diz Crestani. “Existem poucos mecanismos jurídicos do ponto de vista da Organização Mundial do Comércio [OMC]. As regras gerais permitem aumento de até 35% das tarifas de importações e o órgão de soluções de controvérsia da OMC não tem funcionando muito bem.”

Enquanto isso, diz, a recomendação para as empresas do setor é, se possível, adiantar embarques para fevereiro, para que o produto chegue na aduana americana antes de 12 de março. O escritório, observa, também tem recomendado que as empresas levem ao Itamaraty dados sobre o setor que possam auxiliar na negociação diplomática com o governo americano. Os efeitos, lembra Crestani, são muito heterogêneos sobre as indústrias do setor, porque nem todas são atuantes da mesma forma na exportação.

O transporte de aço do Brasil para os EUA leva de 10 a 12 dias, mas a estratégia de antecipar embarques deve levar em consideração as cotas que estão em vigor, diz José Augusto de Castro, presidente da Associação de Comércio Exterior do Brasil (AEB).

A proclamação de Trump estabelece o fim do acordo de cotas com o Brasil a partir de 12 de março e encerra todos os acordos alternativos concedidos anteriormente a Argentina, Austrália, Brasil, Canadá, União Europeia, Japão, México, Coreia do Sul e Reino Unido. Todas as importações de aço e de produtos derivados de aço provenientes desses países voltam a ficar sujeitas à tarifa adicional de 25%.

Welber Barral, ex-secretário de Comércio Exterior e sócio do escritório Barral Parente Pinheiro, destaca que a nova ordem permite a expansão da lista de derivados de aço sujeitos à tarifa de 25%. Segundo a proclamação, além de incluir os artigos de aço que já estavam sobretaxados anteriormente por outras medidas, incluindo a de março de 2018, o novo processo deverá permitir a ampliação da lista a pedido de um produtor do setor ou uma associação industrial que indiquem que as importações de algum derivado de aço aumentaram de maneira que “ameaça prejudicar a segurança nacional”.

A proclamação, diz Barral, também revoga o processo que permitia isenção de tarifa caso não houvesse produção em quantidade ou qualidade suficientes nos EUA. Com isso, diz Barral, Trump “zera” todas as negociações feitas pelo Brasil em relação ao aço, tornando necessários novos acordos.

Os Estados Unidos também prometem intensificar a fiscalização. Segundo a proclamação, serão aplicadas penalidades máximas para importações que tentem contornar ou evadir as tarifas. Entre as medidas que prometem maior escrutínio nas importações americanas, Barral destaca o “Melt and Pour” [Derreter e Despejar], critério que já existe para determinar a origem do aço e que deve ser aplicado com maior rigor pelos Estados Unidos.

O termo “melt and pour” refere-se ao local em que o aço é efetivamente derretido a partir de matérias-primas ou sucata e em que se dá o vazamento em sua forma primária. Por exemplo, lingotes ou blocos. Esse processo inicial de produção é o que determina a origem efetiva do aço, independentemente de quaisquer estágios adicionais de processamento ou acabamento em outro país.

Para Barral, essa fiscalização que foca na origem da matéria-prima e no local de derretimento do aço não afeta diretamente o fornecimento de países como o Brasil, que detêm a cadeia toda do aço, desde o minério de ferro. A medida, porém, deve afetar o México, que desta vez não ficou isento da tarifa de 25%. “O Brasil, porém, deve ser afetado de forma indireta porque será preciso ter novas medidas de compliance para fazer frente ao reforço do controle aduaneiro, o que requer certificações e outros documentos que devem elevar o custo.”

Para Felipe Rainato, advogado e gerente da área de comércio internacional do escritório Hondatar, essa é uma medida que deve afetar o Brasil independentemente do que o Itamaraty conseguir na negociação com Trump para amenizar a tarifa de 25%. “É uma medida horizontal e ainda está em aberto como será aplicada. Eles podem exigir, por exemplo, que uma autoridade certificadora no Brasil siga critérios extremamente rígidos.”

Livio Ribeiro, sócio da BRCG e pesquisador do Instituto Brasileiro de Economia (FGV Ibre), diz que a medida de Trump não surpreende. Para ele, deve haver uma negociação do Brasil com os Estados Unidos porque a tarifa afeta muito a indústria americana que não é produtora de aço e que tem o aço e produtos derivados como insumos.

É difícil saber, diz, se a nova negociação trará situação mais desvantajosa ao Brasil no aço. “Trump deu um tiro geral para derrubar o sistema anterior. Isso deve levar a uma renegociação e não sabemos onde as coisas vão pousar. Mas a questão é que agora foram o aço e o alumínio. Qual será o próximo produto? No caso do aço, 15% do que entra nos Estados Unidos vem do Brasil. Não somos irrelevantes nesse setor. Mas pode haver outros segmentos onde tomamos um tiro do geral, uma bala perdida, e não temos tanta margem de negociação. Hoje não somente os setores que exportam de maneira significativa aos Estados Unidos devem ficar com pé atrás.”

Rainato, do Hondatar, diz que uma medida como a de Trump no caso do aço pode resultar em excedentes nas cadeias produtivas. “O Brasil pode ter excesso de produção e não pode ter muito como escoar essa produção. Esse é um mercado com margens na origem muito estreitas e num cenário de excesso de estoque ou com falta de escoamento de produção, as empresas privadas sofrem muito na formação do preço, porque não conseguem colocar uma margem minimamente adequada para sustentar a operação.” A produção chinesa de aço, porém, observa, pode ter condições de oferecer preços acessíveis. “Essa é uma das principais preocupações do Brasil.”

Para Ribeiro, a medida de Trump mostra que há risco de encadeamento de tarifas, num caso em que um país tenta se defender do deslocamento de exportações causado pela dificuldade de um segundo país de entrar em um determinado mercado que elevou suas tarifas. “Esse é um perigo e não acontece rapidamente. Podemos chegar num equilíbrio em que começam a sobrar produtos no mundo e aí as indústrias locais começam a querer se proteger.”

Fonte: Valor
Seção: Siderurgia & Mineração
Publicação: 13/02/2025

 

Brasil tentará reverter tarifaço de Trump sobre aço e alumínio até março

A decisão do governo brasileiro de evitar qualquer conflito com o presidente americano Donald Trump sobre o tarifaço anunciado sobre o aço e o alumínio passa por um prazo de negociação, já calculado pelo Palácio do Planalto, para tentar reverter a situação. As tarifas de 25% sobre as importações desses produtos impostas pelos Estados Unidos entrarão em vigor em 12 de março de 2025, ou seja, daqui a um mês.

Segundo a Folha de S. Paulo, a cúpula do governo brasileiro acredita que esse tempo será suficiente para que, por meio de suas representações diplomáticas, se encontre uma alternativa que permita manter o cenário de cotas de exportação, vigentes desde 2018, isentando o Brasil da cobrança extra. Esse período de negociações está alinhado com as entidades de classe empresarial, que agora darão início à fase de discussões com o apoio da representação oficial do governo. O foco é, por ora, evitar qualquer movimentação que afete a indústria nacional ou que possa resultar em uma guerra comercial entre os dois países.

Ainda conforme a reportagem, um integrante do alto escalão do governo apontou, em comentários feitos sob reserva, que Trump já anunciou diversas decisões em seu mandato para, em seguida, revisá-las. Esse mesmo auxiliar do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) destacou que as medidas tomadas pelo americano afetam vários países, o que reforça a confiança brasileira em um diálogo construtivo. A estratégia do governo é, portanto, buscar alternativas diplomáticas, visto que o presidente Trump "reage mal ao enfrentamento", como disse um ministro, que enfatizou a necessidade de cautela.

Em declarações feitas nesta terça-feira (11), o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, também reforçou que a decisão dos Estados Unidos é "genérica, para todo mundo". No entanto, ele destacou que "medidas unilaterais desse tipo são contraproducentes para a melhoria da economia global".

O movimento do governo brasileiro é calculado em conjunto com as principais empresas do setor, que, embora evitem declarações pontuais, concentram seus posicionamentos por meio das suas associações. Dez companhias procuradas pela Folha nos últimos dias informaram que preferem não se manifestar até que o cenário se esclareça. A Associação Brasileira do Alumínio (Abal) declarou preocupação com os impactos da nova medida tarifária, que não contempla exceções ou isenções para nenhum país. Embora a participação do Brasil nas importações americanas de alumínio seja relativamente pequena, os Estados Unidos são um parceiro comercial importante, respondendo por 16,8% das exportações brasileiras do metal, conforme a associação.

De acordo com a Abal, o mercado americano movimentou US$ 267 milhões do total de US$ 1,5 bilhão exportados pelo setor em 2024. Em termos de volume, os Estados Unidos foram o destino de 13,5% das exportações brasileiras de alumínio. A associação enfatizou a importância de manter o diálogo com o governo brasileiro para mitigar os impactos da medida e evitar rupturas no fornecimento de produtos e materiais essenciais para a economia nacional.

O Instituto Aço Brasil, que representa as siderúrgicas brasileiras, também se manifestou sobre a surpresa com o anúncio de Trump e refutou a justificativa apresentada pelo presidente americano de que o Brasil estaria importando grandes quantidades de aço chinês para enviá-lo aos Estados Unidos. Esse argumento foi incluído em um documento assinado por Trump e divulgado na segunda-feira. A decisão do presidente estadunidense também terá efeitos colaterais no Brasil, como a redução das compras de carvão metalúrgico dos Estados Unidos, essencial para a produção de aço no Brasil, que é utilizado nas siderúrgicas brasileiras.

O carvão metalúrgico, também conhecido como carvão coqueificável, é um insumo essencial para o processo de produção de aço realizado pelos altos-fornos das siderúrgicas. O Brasil, que possui produção limitada desse material, importa a maior parte do carvão usado na fabricação do aço. O Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços informou que, no ano passado, foram gastos US$ 1,4 bilhão com as importações desse produto dos Estados Unidos, totalizando mais de US$ 6,2 bilhões nos últimos cinco anos.

Além disso, a intenção de Trump de proteger os fabricantes americanos de aço e alumínio pode resultar em aumento no preço de produtos finais nos Estados Unidos, como eletrodomésticos, máquinas e carros. Isso ocorre porque as tarifas sobre os materiais importados, que são vendidos a preços mais baratos, naturalmente elevam o custo desses produtos, refletindo no bolso do consumidor americano.

Até 2018, as importações de aço e alumínio pelos Estados Unidos eram mais flexíveis, com menores barreiras tarifárias, de acordo com as normas da Organização Mundial do Comércio (OMC). No entanto, em março de 2018, Trump impôs tarifas de 25% sobre o aço e 10% sobre o alumínio, com base na "Seção 232" do Trade Expansion Act, de 1962, que permite a imposição de tarifas quando produtos importados representam uma ameaça à segurança nacional dos Estados Unidos.

Inicialmente, a medida afetava todos os países, mas o Brasil, Argentina e Coreia do Sul conseguiram acordos para evitar as tarifas plenas. O Brasil, por exemplo, aceitou cotas de exportação, limitando os volumes de aço exportados sem tarifas adicionais. Embora as regras tenham sido mantidas durante o governo de Joe Biden, agora estão sendo revisadas novamente por Trump.

Na época, os Estados Unidos e o Brasil acordaram cotas de exportação de 3,5 milhões de toneladas de semiacabados e placas, e 687 mil toneladas de laminados. Esse regime foi mantido, com o Brasil exportando aço para os Estados Unidos dentro dos limites estabelecidos. Em 2024, os Estados Unidos importaram 5,6 milhões de toneladas de placas, das quais 3,4 milhões de toneladas vieram do Brasil, cumprindo as condições do regime de "hard quota", conforme dados do Instituto Aço Brasil.

Fonte: Brasil 247
Seção: Siderurgia & Mineração
Publicação: 13/02/2025

 

China é o verdadeiro alvo da taxação global de Trump sobre o aço

A sobretaxa que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, impôs sobre os países exportadores de aço tem como verdadeiro alvo sua grande rival, a China. Maiores produtores de aço do mundo, os chineses driblam a taxação americana inundando outros mercados com seu produto, depois revendido para os EUA.

O que aconteceu?

A manobra chinesa é conhecida como "transbordo" ou "comércio de trânsito". É quando países compram produtos mais baratos, como o aço chinês, e revendem para outros países. Dessa forma, a China evita a tarifa de 25% —imposta pelos EUA desde 2018— e coloca seu produto no mercado americano como se tivesse sido produzido em outros países.

O México, por exemplo, importa da China o ferro gusa (usado para produzir aço) e exporta para o país vizinho. "Trump tratou disso no anúncio de segunda (10). Os EUA vão fiscalizar para evitar essa triangulação", diz Welber Barral, ex-secretário de Comercio Exterior Do Brasil e sócio da Consultoria Barral M Jorge.

Antecessor de Trump, Joe Biden já havia tentado frear a manobra. "No ano passado, ele conversou com o governo mexicano para que o aço exportado daquele país tivesse grande porcentagem de produto nacional: ou seria mexicano ou haveria taxas adicionais", diz o economista Rodrigo Scolaro, da Gep Costdrivers.

Ao invés de mandar para os EUA, a China envia parte da sua produção para o México, que reenvia para os EUA como se fosse a produção mexicana.Rodrigo Scolaro, economista

Canadá, países asiático, como o Vietnã e Malásia, e até o Brasil fariam o mesmo em alguma proporção. "A gente tá importando muito material chinês e faz um pouco esse repasse, mas indiretamente", diz Scolaro. "Quando o aço chinês —que é mais barato— entra no Brasil, as empresas nacionais se livram do fluxo vendendo o aço brasileiro para os EUA a preço baixo, canibalizando a margem de lucro."

O Instituto Aço Brasil diz que o Brasil não participa desse processo."O mercado brasileiro também vem sendo assolado pelo aumento expressivo de importações de países que praticam concorrência predatória, especialmente a China", diz a entidade em nota. "Ao contrário do alegado pelo governo americano, inexiste qualquer possibilidade de ocorrer, no Brasil, circunvenção para os Estados Unidos de produtos de aço oriundos de terceiros países."

Apesar de taxas adicionais impostas pelo governo, a importação de aço chinês não para de crescer no Brasil. Entre 2022 e 2023, esse aumento foi de 40%, e, entre 2023 e 2024, cresceu mais 20%, segundo estimativa da siderúrgtica Vallourec América do Sul.

Aço chinês invade o mundo

Sozinha, a China produz mais aço do que a soma da produção no restante do mundo. No início dos anos 1990, o gigante asiático passou a construir usinas siderúrgicas para abastecer sua construção civil, que consumia toneladas de aço. O setor imobiliário, por exemplo, construiu casas para centenas de milhões de chineses.

Nos últimos anos, porém, o setor de construção na China perdeu fôlego. O jeito foi vender para fora o aço excedente a preços até 20% mais baixos que a concorrência. Assim, os exportadores chineses inundam com seu aço diversos países, principalmente aqueles com baixa proteção a produtos vendidos a preço inferior ao custo de produção (dumping).

No ano passado, as fortes exportações de aço chinês bateram recorde. Atingiram o maior nível em nove anos: 110,72 milhões de toneladas, o que ajudou a China a compensar a baixa demanda interna. As exportações diretas para os EUA, porém, não passaram de 890 mil toneladas, 0,8% do total.

A superprodução da China está inundando os mercados globais e prejudicando gravemente os produtores e trabalhadores americanos.Michael Wessel, consultor do United Steelworkers of America

Brasil, Estados Unidos e União Europeia reclamam da competição injusta. "Há muitas siderúrgicas chinesas operando negativamente graças ao subsidio chinês", diz Scolaro. "Além disso, a produção chinesa é suja (poluidora) em comparação com a produção brasileira e europeia."

Guerra tarifária

Se as tarifas de Trump frearem o "transbordo", a China terá de se voltar para dentro. "Acredito que a China vai aumentar o crédito para aumentar a produção interna. Mas se a economia chinesa não reagir, será preciso controlar a produção de aço", diz Scolaro.

Antes, porém, a China buscará outros mercados. "Isso provavelmente vai representar novas tarifas sobre o mundo. Se a China exportar mais para a União Europeia, ela vai tarifar a China também", diz o especialista.

Muitas tarifas serão negociadas, mas existe chance delas escalarem também, criando instabilidades geopolíticas.

Fonte: UOL
Seção: Siderurgia & Mineração
Publicação: 12/02/2025

 

Industria brasileira quer tarifa sobre aço chinês para compensar ‘efeito Trump’

Indústrias siderúrgicas brasileiras querem que o governo federal imponha uma tarifa de 25% sobre o aço chinês para compensar o efeito do ‘tarifaço’ do presidente americano Donald Trump.

A medida funcionaria como uma resposta para proteger a produção brasileira, que deve perder competitividade no cenário internacional depois da imposição de tarifas de 25% por parte de um dos maiores aliados comerciais.

A expectativa é que um encontro de representantes da indústria com o vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio, Geraldo Alckmin (PSB), seja realizado ainda neste mês.

Os industriais brasileiros ouvidos pela CNN acusam a China de uma prática semelhante ao dumping, já que o governo subsidiou a indústria de aço para manter empregos em meio à desaceleração da construção civil no país.

Com demanda interna enfraquecida, os industriais brasileiros sustentam que a China passou a exportar o aço subsidiado por valores extremamente baixos, o que, em alguns casos, acabou deixando o produto com valor inferior ao preço de custo brasileiro.

Isso fez com que as importações de aço chinês para o Brasil subissem consideravelmente nos últimos anos. Nos anos 2000, 2001, a importação era de menos de US$ 100 milhões. Em 2009, ela bate US$ 1 bi pela primeira vez, mas não se sustenta. Até que em 2019 volta a atingir a marca e dobra o valor para US$ 2 bi em 2022, mantendo de lá pra cá o patamar sempre na casa do bilhão de dólares.

Mesmo antes da decisão de Trump, a tarifa ao aço chinês já era uma bandeira da indústria brasileira. No ano passado, o país definiu um sistema de quotas de importação, para tentar equalizar o setor. A leitura dos industriais ouvidos pela CNN é de que, no novo cenário, as quotas não resolvem o problema.

Acontece que a alegação é questionada e criticada por chineses. Charles Tang, presidente da Câmara de Comércio e Indústria Brasil-China, acompanha o debate e diz que os subsídios do governo chinês ao aço já terminaram há muito tempo. Ele afirma que “taxar o aço chinês só prejudicaria os brasileiros, porque aumentaria o valor dos produtos feitos à base de aço no Brasil e pressionaria a inflação”.

“O aço da China está barato no mundo não por causa dos subsídios, que já terminaram faz tempo, mas por causa da tecnologia e do custo operacional. A culpa não é da China, a culpa é do custo Brasil, que derruba a competitividade do produto manufaturado brasileiro”, sustenta Tang.

“A indústria brasileira é eficiente até chegar na porteira, onde enfrenta a cascata de impostos, falta de logística eficiente, entre outros [problemas] que alimentam o custo Brasil”, completa ele.

Fonte: CNN
Seção: Siderurgia & Mineração
Publicação: 12/02/2025