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Aço exportado aos EUA poderá pagar tarifa de 100%?

Setor que enfrenta tarifa setorial de 50% desde 4 de junho – e apesar disso teve até aumento nas exportações para os Estados Unidos –, o siderúrgico teria de pagar 50% a mais com o tarifaço de Donald Trump para "todos os produtos do Brasil"? Especialistas avaliam que não, mas ressalvam que não está claro. 

Na absurda "cartinha" de Trump publicada na quinta-feira (9), ele afirma que a alíquota vai vigorar "separada de todas as outras Tarifas Setoriais (maiúsculas dele)".

Marco Polo de Mello Lopes, presidente- executivo do Instituto Aço Brasil, que representa as empresas do setor, afirma que, consultados analistas, o "entendimento" é de que não há risco de sobreposição das duas alíquotas. Mas admite que não há 100% de certeza.

Welber Barral, consultor de comércio internacional, detalha que a tarifa setorial é uma medida de defesa nacional, do prevista na seção 232 do Ato de Expansão Comercial de 1962 – recorrer a legislação antigas tem sido frequente na ofensiva tarifária de Trump. 

Nas "recíprocas" – como Trump chama as tarifas entre 25% e 50% de 22 países até agora, enquanto outros 163 pagam 10% –, o "normal" é excluir as cobranças aplicadas sob a seção 232. Mas frisa que isso seria o "normal" – palavra cujo sentido Trump desafia diariamente –, porque tudo depende do ato executivo que ainda precisa ser publicado.

Quais tarifas setoriais estão valendo?

Além da tarifa de 50% cobrada sobre aço e alumínio, há outras específicas para setores que já estão valendo, como as para carros e autopeças, de 25%. 

Mas Trump retomou ameaças de imposição de imposto de importação por setor – além das "recíprocas", para todo o comércio com cada país. As mais recentes são sobre cobre, produtos farmacêuticos e até filmes (de cinema, não os plásticos).

 
Fonte: GaúchaZH
Seção: Siderurgia & Mineração
Publicação: 14/07/2025

 

Abimaq critica tarifas dos EUA e defende saída diplomática para evitar ruptura comercial

A Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq) manifestou preocupação com o anúncio do governo dos Estados Unidos, que aplicará uma tarifa de 50% sobre todas as importações vindas do Brasil a partir de 1º de agosto. A entidade avalia que a medida é injustificável e representa risco à relação comercial bilateral, especialmente em setores como o de máquinas e equipamentos, no qual o Brasil já acumula déficit significativo.

A Abimaq também lembra que grande parte dos produtos americanos entra no Brasil com tarifa zero, e que a tarifa média efetiva aplicada às importações dos EUA é de apenas 2,7% — sendo ainda menor no setor de máquinas, devido a regimes especiais. “A relação comercial é claramente vantajosa para os Estados Unidos, o que invalida o argumento de que haveria um desequilíbrio comercial a ser corrigido com novas tarifas”, afirma a entidade em nota.

Segundo a associação, em 2024, os EUA foram o principal destino das exportações brasileiras do setor, que somaram US$ 3,54 bilhões, frente a US$ 4,7 bilhões em importações de equipamentos norte-americanos — resultando em um déficit comercial de US$ 1,16 bilhão. No comércio total, as exportações brasileiras para os EUA totalizaram US$ 40,4 bilhões, enquanto as importações atingiram US$ 40,6 bilhões, também com saldo negativo para o Brasil.

A entidade apoia os esforços do governo brasileiro para resolver a questão por meio do diálogo e da diplomacia, e defende que as negociações sejam iniciadas com urgência para evitar a aplicação das sobretaxas.

“É fundamental garantir a continuidade do fluxo comercial, a preservação dos investimentos produtivos e a manutenção dos empregos”, afirma a associação, que entende que a história de cooperação entre os dois países precisa ser respeitada e reafirmada em um ambiente de confiança mútua e prosperidade.

 

 
Fonte: Valor
Seção: Agro, Máquinas & Equipamentos
Publicação: 14/07/2025

 

De ferro e aço a aviões e etanol: os produtos mais dependentes do mercado americano

As tarifas de 50% anunciadas por Donald Trump para produtos brasileiros, se colocadas em prática a partir de agosto, vão causar impacto mais relevante sobre setores cujas exportações têm os Estados Unidos como um dos principais mercados.

De forma agregada, a economia brasileira está entre as mais fechadas do mundo, ou seja, tem limitada exposição ao comércio exterior - e isso inclui os EUA, destino do equivalente a cerca de 12% do total das exportações do Brasil em 2024 e que responde por cerca de 2% do PIB (Produto Interno Bruto) do país.

Além disso, o Brasil tem uma pauta de exportações diversificada tanto do ponto de vista de produtos como de mercados, o que ameniza o impacto das tarifas.

Mas essa análise preliminar se aplica de modo geral; no recorte específico, a situação muda, segundo ressaltaram analistas que se dedicaram à questão.

“Segmentos altamente dependentes do mercado norte-americano poderão sofrer efeitos significativos”, apontaram em relatório em abril os analistas Iana Ferrão e Pedro Oliveira, do time de research do BTG Pactual, à luz do anúncio inicial das chamadas tarifas recíprocas de Trump.

Segundo os analistas da área de pesquisas do banco de investimento, “produtos como semimanufaturados de ferro e aço (que destinam 72,5% de suas exportações aos EUA), aeronaves (63,2%), materiais de construção (57,5%), etanol (48,5%), madeira e derivados (43,3%) e petróleo e derivados (27,9%) estão entre os mais vulneráveis à aplicação de tarifas”.

No caso de aeronaves, a empresa em questão é a Embraer (EMBR3), que tem em companhias aéreas americanas algumas de suas principais clientes.

Segundo o Banco Central, que preparou um relatório sobre as relações comerciais do Brasil também no contexto das tarifas de Trump - mas antes das taxas de 50% anunciadas ontem -, perto de 40% das exportações aos EUA estão concentradas em cinco categorias de produtos: petróleo, semiacabados de ferro e aço, ferro gusa, café e aeronaves.

Entre as principais exportações em valores aproximados em 2024 estiveram: petróleo bruto (US$ 6 bilhões), semifaturados de aço e ferro fundidos (US$ 4,9 bilhões) e aeronaves (US$ 2,7 bilhões), além de produtos do agro como café (US$ 1,9 bilhão), celulose (US$ 1,5 bilhão) e carne bovina in natura (US$ 900 milhões).

Os dados acima são do governo brasileiro e foram citados em relatório da consultoria de análise política da Arko Advice, enviado a clientes.

No primeiro semestre de 2025, a concentração das cinco categorias mais exportadas teve ligeira queda para o equivalente a 37% do total que vai para os EUA.

Na resposta inicial do governo brasileiro à carta de Donald Trump com as tarifas, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva apontou dados da balança comercial entre os dois países para ressaltar que, na história recente, o país tem sistematicamente déficits com os Estados Unidos, que somaram US$ 410 bilhões em 15 anos.

Esse é o resultado prático das relações de economias de tamanho muito desiguais: o PIB americano em 2024 ficou em US$ 29,2 trilhões, ou mais de 13 vezes o PIB brasileiro, de aproximados US$ 2,18 trilhões.

Mas, do ponto de vista de tarifas médias, o Brasil de fato cobra alíquotas mais altas do que os EUA, sem contar barreiras não tarifárias, como sanitárias.

“A tarifa média ponderada pelo volume de importações do Brasil é cerca de 5,8%, contra cerca de 1,3% dos EUA”, escreveram os analistas do BTG.

Por outro lado, segundo eles, “o protecionismo brasileiro decorre sobretudo do uso de barreiras não tarifárias, mais do que das tarifas”.

Segundo cálculos da equipe de pesquisas do Goldman Sachs, a medida do governo Trump, se de fato for colocada em prática, pode levar a um aumento de 35,5 pontos percentuais na tarifa de importação efetiva cobrada de produtos brasileiros.

A cifra leva em conta as tarifas já anunciadas e a imposição de novas tarifas setoriais, que o banco espera que entrem em vigor, como a tarifa de 50% sobre cobre e de 25% sobre produtos farmacêuticos, semicondutores, minerais críticos e produtos de madeira, previstas para o terceiro trimestre de 2025.

Trata-se do maior aumento de tarifas entre as grandes economias da América Latina afetadas pelas medidas de Trump.

Considerando tarifas já em vigor e anunciadas, o banco estima que o Chile deve ter um aumento de 26,3 pontos percentuais, seguido do Peru (14,4 p.p.), da Argentina (10,8 p.p.), do México (9,7 p.p.), da Colômbia (6,7 p.p.) e do Equador (5,7 p.p.).

Alberto Ramos, diretor de pesquisa macroeconômica para a América Latina do Goldman Sachs, ressaltou no relatório que as exportações do Brasil para os Estados Unidos sujeitas às tarifas equivalem a US$ 42,7 bilhões, o que representa cerca de 2% do PIB brasileiro e 12,6% do total das vendas ao exterior.

Os analistas do BTG apontaram na ocasião de seu relatório há três meses que eventuais tarifas mais altas impostas sobre o Brasil - o que não se concretizou à época, pois acabaram ficando em 10% - teriam impacto limitado diante do perfil da pauta de exportações do país.

O Brasil tem um índice de BNT (coverage ratio) de 86,4%, acima dos EUA (77%) e da média internacional (72%).

“A diversificação da pauta de exportação do Brasil limita o impacto geral sobre a balança comercial caso as tarifas sejam impostas apenas em determinados setores”, escreveram os analistas do BTG Pactual.

 
 
Fonte: Bloomberg News
Seção: Indústria & Economia
Publicação: 11/07/2025

Governo prorroga alíquotas de importação sobre produtos de aço

O Governo Federal, por meio de decisão tomada em reunião extraordinária do Comitê Executivo de Gestão da Câmara de Comércio Exterior (GECEX), prorrogou por mais um ano a alíquota do Imposto de Importação aplicada a produtos processados em aço, que se mantém em 25%.

A medida, que atende a pleitos apresentados pela Abimetal-Sicetel (Associação Brasileira da Indústria Processadora de Aço e Sindicato Nacional da Indústria de Trefilação e Laminação de Metais Ferrosos), foi oficializada no dia 24 de junho, com a publicação da Resolução GECEX nº 740 no Diário Oficial da União.

A prorrogação incide sobre seis produtos fabricados por empresas representadas pela organização, incluindo arames de aço de baixo e médio teor de carbono galvanizados, arames de aço de alto teor de carbono revestidos de outros metais comuns, arames de outras ligas de aço, material para andaimes, cofragens ou escoramentos, grades e redes galvanizadas soldadas nos pontos de interseção e pregos de aço.

A Abimetal-Sicetel considera que a medida contribui para mitigar os impactos causados pelo aumento das importações em segmentos industriais estratégicos e de alto valor agregado.

“Embora temporária, a prorrogação representa um instrumento de alívio diante do cenário de competição internacional assimétrica”, afirma Ricardo Martins, presidente da entidade.

Martins destaca, no entanto, que são necessárias ações complementares, a fim de promover um ambiente mais estável e previsível para o setor.

“A indústria brasileira de processamento do aço tem enfrentado uma concorrência crescente e muitas vezes desleal, que compromete a competitividade das empresas instaladas no país”, alerta o executivo.

“A manutenção das alíquotas ajuda a conter esse avanço e oferece um respiro importante ao setor, mas é fundamental que o governo avance na construção de uma política industrial robusta e permanente, que valorize a produção local, assegure segurança jurídica e promova o desenvolvimento tecnológico da nossa indústria”, comenta

A decisão ocorre em um momento de atenção para a indústria brasileira, impactada também pela nova tarifa imposta pelos Estados Unidos sobre a importação de aço e alumínio.

A elevação para 50% nas alíquotas norte-americanas agrava as tensões comerciais e atinge cadeias produtivas integradas entre os dois países.

 
Fonte: Grandes Construções
Seção: Siderurgia & Mineração
Publicação: 11/07/2025

 

Gesto político de Trump trará muitas consequências ao agro brasileiro, diz analista

Carlos Cogo, consultor especializado em agronegócio, considerou, assim como outros especialistas, que o gesto de Trump ao impor novas tarifas ao Brasil foi um gesto político, não comercial. “A medida ocorre em meio a tensões diplomáticas crescentes, incluindo críticas de Trump à atuação da Justiça brasileira contra Jair Bolsonaro, que ele considera alvo de perseguição, e à decisão do STF que responsabiliza plataformas digitais por conteúdos criminosos”, escreveu em relatório aos clientes.

Donald Trump usou como um dos argumentos "déficits comerciais insustentáveis" contra o seu país. Mas a frieza dos números não corrobora as palavras do presidente americano. “Se considerarmos os 25 anos deste século, o Brasil só teve superávit comercial com os americanos nos primeiros oito, entre 2001 e 2008. A partir de então, são 17 anos consecutivos de saldo negativo nas trocas de mercadorias, incluindo o resultado acumulado em 2025 até agora.”

Cogo também fez um panorama dos setores do agro afetados:

Produtos florestais

Com o acréscimo de 50% no preço final, os produtos florestais brasileiros (como celulose, papel, madeira serrada, painéis de madeira e móveis) se tornam significativamente menos competitivos frente a concorrentes como Canadá, Chile e países europeus. Isso pode provocar perda imediata de contratos, redirecionamento de pedidos e substituição por fornecedores locais ou de países não tarifados. Em 2024, os produtos florestais foram o item agroexportador número 1 do Brasil para os EUA, somando US$ 3,72 bilhões e 4,87 milhões de toneladas exportadas.

“Com a nova tarifa, parte significativa desse volume pode deixar de ser comercializada com os EUA, afetando diretamente a balança comercial e o superávit do agronegócio brasileiro. As empresas exportadoras, especialmente as grandes produtoras de celulose e papel, como Suzano, Klabin e Arauco (com operação no Brasil), podem ter suas margens comprimidas, caso optem por absorver parte do custo extra para manter mercado. Pode haver redução na produção, suspensão de investimentos e replanejamento logístico para outros mercados”, escreveu o analista. “O setor florestal brasileiro é altamente gerador de empregos em regiões como o Sul, Sudeste e parte do Centro-Oeste. Com menos demanda externa, há risco de demissões, cortes em contratos com fornecedores e perda de renda em áreas de florestas plantadas.”

Carne bovina

O Brasil representa 60% das importações americanas de carne bovina. O país é o segundo maior importador de carne bovina do Brasil, atrás da China. A produção de carne bovina dos Estados Unidos é de 12,3 milhões de toneladas, mas o consumo doméstico é de 13 milhões de toneladas. O país não é mais autossuficiente no abastecimento de carne bovina, embora seja um dos maiores exportadores globais da commodity.

Cogo lembra que o Brasil já enfrentava uma tarifa de 26,4% sobre a carne bovina que ultrapassa a cota anual de 65 mil toneladas, que é rapidamente esgotada no início do ano. Em 2024, mais de 70% das exportações para os EUA pagaram essa tarifa.

“Ainda não está claro como a nova tarifa adicional de 50% será aplicada — se sobre o excedente da cota ou de forma geral.”

A Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec) classificou como um grave entrave ao comércio internacional a tarifa de 50% imposta pelos Estados Unidos sobre todos os produtos brasileiros, incluindo a carne bovina, a partir de 1º de agosto. A entidade alertou que a medida, anunciada pelo presidente Donald Trump, ameaça à segurança alimentar global e prejudica tanto produtores brasileiros quanto consumidores americanos. A Abiec destacou que a decisão tem motivações geopolíticas e não deve ser usada como barreira ao abastecimento de alimentos, especialmente em um setor que fornece produtos com qualidade, regularidade e preços competitivos.

A associação reiterou sua disposição para o diálogo e busca evitar consequências mais amplas no comércio bilateral. No primeiro semestre de 2025, o Brasil embarcou 181,5 mil toneladas aos EUA, com receita de US$ 1,04 bilhão.

Café

Os EUA são o maior mercado consumidor de café do mundo, com 24 milhões de sacas anuais, e o Brasil é seu principal fornecedor, respondendo por mais de 30% do volume importado. Até então, o cafébrasileiro era taxado em 10%, mesma alíquota de países como Colômbia e Honduras. A nova tarifa ameaça essa relação estratégica e pode encarecer o produto ao consumidor final.

O Cecafé intensificará articulações com a National Coffee Association (NCA) e outros parceiros nos EUA para tentar reverter a decisão, destacando a importância do setor para a economia americana: o cafémovimenta US$ 343 bilhões por ano, representa 1,2% do PIB dos EUA e gera 2,2 milhões de empregos. A expectativa é de que o "bom senso prevaleça" e que as tarifas sejam revistas em favor de uma relação comercial mais equilibrada. Entre janeiro e maio, os EUA foram o principal destino do café brasileiro, com 17,1% das exportações.

Açúcar e etanol

O Brasil representa 75% das importações americanas de etanol. Os EUA são um dos principais destinos do etanol brasileiro, sobretudo em momentos de déficits locais ou em busca de combustíveis mais sustentáveis (como nos estados da Califórnia e Oregon, que têm programas de baixo carbono). Em anos recentes, o Brasil exportou entre 1,5 e 2,1 bilhões de litros de etanol por ano, com os EUA sendo destino regular, especialmente via cotas tarifárias ou vendas spot para a Califórnia.

A tarifa de 50% pode representar um acréscimo de US$ 200 a US$ 250 por mil litros, tornando o etanol brasileiro praticamente não competitivo no mercado americano.

O acréscimo de 50% sobre o preço do açúcar brasileiro tornará o produto significativamente mais caro para os importadores e consumidores americanos. “Isso prejudica a competitividade do açúcarbrasileiro frente a outros fornecedores, como México, Guatemala, União Europeia e Tailândia, que poderão ampliar sua participação no mercado americano”, diz Cogo.

O mercado americano opera com cotas tarifárias para importação de açúcar, baseadas em acordos internacionais (OMC e acordos bilaterais). A tarifa elevada pode inviabilizar a entrada do açúcar brasileiro mesmo dentro dessas cotas, reduzindo o volume exportado e trazendo incertezas para o planejamento das empresas brasileiras, completa.

Suco de laranja

A medida de Trump impacta diretamente um dos segmentos mais relevantes do agronegócio nacional, com o Brasil sendo o maior exportador global e principal fornecedor do produto ao mercado americano há décadas. Segundo a CitrusBR, a nova taxação agrava significativamente os custos de exportação. Atualmente, já se aplica uma tarifa fixa de US$ 415 por tonelada e uma alíquota adicional de 10% (cerca de US$ 308 por tonelada). Com a nova tarifa, o custo pode subir para até US$ 2.260 por tonelada, dependendo da forma de aplicação da alíquota.

Em 2024, o Brasil exportou 1,326 milhão de toneladas de sucos para os EUA, gerando US$ 1,193 bilhão, sendo o suco de laranja o principal item. O setor teme que a medida afete não apenas os exportadores brasileiros, mas também a indústria de sucos dos próprios Estados Unidos, que depende do Brasil como principal fornecedor e emprega milhares de pessoas.

“Além dos impactos econômicos imediatos, a decisão tensiona a agenda diplomática e exige respostas estratégicas para diversificação de mercados e defesa dos interesses do Brasil no comércio internacional. O cenário demanda mobilização coordenada do governo e do setor privado para minimizar os efeitos adversos e buscar alternativas de negociação e cooperação internacional, protegendo a sustentabilidade das cadeias produtivas brasileiras e sua inserção global”, finaliza o analista.

 
Fonte: Globo Rural
Seção: Agro, Máquinas & Equipamentos
Publicação: 11/07/2025

Veja os produtos mais vendidos do Brasil para os EUA em 2025

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou hoje uma tarifa de 50% sobre todos os produtos importados do Brasil. Desde que assumiu o cargo e passou a ameaçar ourtos países com tarifas, Trump alega que os EUA são deficitários nas relações comerciais com várias nações.

Com o Brasil, no entanto, como lembrou a CNI (Confederação Nacional da Indústria e várias outras entidades, os EUA mantêm superávit há mais de 15 anos.

“Somente na última década, o superávit norte-americano foi de US$ 91,6 bilhões no comércio de bens. Incluindo o comércio de serviços, o superávit americano atinge US$ 256,9 bilhões. Entre as principais economias do mundo, o Brasil é um dos poucos países com superávit a favor dos EUA”, informou a CNI.

A nova tarifa, que começa a valer a partir de 1º de agosto, deve atingir setores estratégicos da economia nacional e pode afetar diretamente itens como petróleo, aço, café e carne bovina, justamente os que lideram as exportações do Brasil para os Estados Unidos.

Um levantamento feito pelo g1, com base em dados públicos de comércio exterior, revela os principais produtos brasileiros exportados para os Estados Unidos entre janeiro e junho de 2025.

Veja o ranking dos produtos:

Óleos brutos de petróleo ou de minerais betuminosos — US$ 2,37 bilhões
Produtos semimanufaturados de ferro ou aço (baixo carbono) — US$ 1,49 bilhão
Café não torrado, não descafeinado — US$ 1,16 bilhão
Carnes bovinas desossadas e congeladas — US$ 737,8 milhões
Ferro-gusa (ferro fundido bruto não ligado) — US$ 683,6 milhões
Celulose (pasta química de madeira não conífera) — US$ 668,6 milhões
Óleos combustíveis e preparações de petróleo — US$ 610,2 milhões
 
Fonte: Valor
Seção: Indústria & Economia
Publicação: 10/07/2025