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Construção civil não tem incentivos para instalar energia solar em empreendimentos

Mesmo sem incentivos a energia solar avança, porém a população de baixa renda está longe de ter acesso a essa energia limpa, que pode trazer economia para essas famílias. As construtoras até querem investir nas placas fotovoltaicas para os novos empreendimentos, mas há dificuldades como espaço físico, custos e falta de incentivos.

O professor de engenharia elétrica do IMT (Instituto Mauá de Tecnologia), Edval Delbone, acha necessária a criação de incentivos para os empreendimentos imobiliários, residenciais, comerciais e industriais por parte das prefeituras. “É uma energia limpa, renovável, que ajuda na diminuição do gás carbônico na atmosfera, o grande objetivo mundial, a única ressalva é se o dinheiro para incentivar essa energia solar tiver vindo daquelas pessoas que não podem tê-la, dos impostos dos contribuintes que não podem ter a energia fotovoltaica estarem contribuindo para beneficiar outros segmentos, mas tirando isso acho importante estimular porque temos que ter cidades mais sustentáveis”, observa.

Segundo Delbone, qualquer empreendimento habitacional pode ter placas para a captação da energia solar, mas isso não é viável na maioria dos empreendimentos verticalizados por conta da área menor a ser aproveitada para a instalação das placas fotovoltaicas. O professor diz que os edifícios têm poucas áreas comuns e as garagens ficam no subsolo, com isso a única área comum fica no teto dos edifícios e é uma área muito pequena para comportar placas solares para todos os moradores.

“Estão estudando o uso de placas, como um filme, que fica no vidro das janelas dos prédios comerciais, mas ainda se traz baixa eficiência e preço muito alto. Futuramente isso pode ser alternativa, mas agora ainda não por ter baixa eficiência e ainda um preço elevado”, detalha o engenheiro elétrico da Mauá.

Retorno financeiro não é imediato

Como retorno financeiro, através de watts/hora de energia gerada, Delbone aponta que nos grandes empreendimentos industriais, com grandes telhados, o retorno financeiro do investimento em placas solares não é mais rápido do que o realizado em áreas menores, como se imagina. “O telhado é grande, mas também o investimento é maior, então se investe mais para gerar mais, mas o retorno do investimento acaba sendo em igual período.

O professor do IMT diz que o uso da energia solar se populariza no Brasil, mas ainda as populações de baixa renda ainda vão demorar um bom tempo para ter acesso a essa tecnologia. Conta que quando a energia solar começou a crescer no Brasil, em meados de 2013, havia poucas usinas solares, tinha meio gigawatt, hoje chega a 40 gigawatts, então quando passa a ter mais adesão, os preços começam a baratear as placas, inversores e todos os equipamentos envolvidos na usina solar.

“Esse preço só não caiu mais por causa da cotação do dólar, já que a maioria dos equipamentos são importados. Mesmo com o dólar subindo o preço para o consumidor caiu por causa da produção em grande escala. Hoje a classe média já tem acesso, a classe média baixa alguns já têm acesso, mas o consumidor de baixa renda ainda não tem condições de ter energia solar e acredito que isso vá demorar bastante tempo”, completa.

Potencial construtivo

Para o diretor técnico da construtora MBigucci, Milton Bigucci Júnior, não há entraves para a implantação de sistemas solares nos novos empreendimentos, mas também não há incentivos. “Se há alguma forma de incentivo eu desconheço. Na Capital, existe uma coisa que se chama cota ambiental, são uma série de conceitos que, se a construtora atender, ganha um percentual construtivo maior. Se, por exemplo, eu implantar jardim permeável ou uma caixa coletora de água de chuva, eu posso ganhar mais potencial construtivo, a cada item que a gente incorpora eu fico autorizado a construir mais. O mesmo valeria para a energia solar. Isso poderia ter aqui no ABC também”, sugere.

A MBigucci, que além de condomínios residenciais, construiu dois centros logísticos, em Diadema e Santo André, já implantou placas fotovoltaicas para aproveitar a grande área de telhado destes imóveis. “No MBigucci Business Park de Diadema, a instalação foi concluída há alguns meses, é uma usina solar que já traz retorno, mas a expectativa de retorno do investimento é de três a quatro anos”, diz Bigucci Júnior. A energia gerada por essa usina é levada para a rede da Enel e retorna para o empreendimento como desconto na conta de luz.

O diretor da MBigucci diz que o mercado vê muito bem iniciativas relacionadas ao cuidado com o meio ambiente, mas a conta ainda não fecha para os empreendimentos residenciais. Conta que estudo interno mostrou que implantação nos imóveis residenciais ainda não é interessante, por causa da escassez de áreas para as placas solares, e colocar em uma área reduzida não traria efeito.

“A gente fala de um retorno na conta de energia de uma porcentagem da conta de luz das áreas comuns, o que é pequeno. Esse é um apelo de marketing válido, mas ainda não é tão relevante como a vaga para carro elétrico, que hoje já é uma realidade nos novos empreendimentos”, completa Milton Bigucci Júnior.

Marcus Santaguita, presidente da construtora Jacy e do Grupo Motiró Negócios Imobiliários, considera que a energia solar é uma oportunidade de negócio e um bom atrativo para os novos empreendimentos.

Argumento de venda

Nos últimos anos houve um aumento no número de empreendimentos que estão sendo entregues com o sistema de placas fotovoltaicas para captação de energia solar. Santaguita considera um grande benefício para o futuro condomínio, pois o sistema consegue abastecer parcialmente e, em alguns casos, totalmente o consumo de energia elétrica das áreas comuns. “Inclusive esse é um item usado como argumento de venda tendo uma ótima aceitação do público por ser sustentável e por trazer economia. Pode ser um item que leve o consumidor a optar entre um empreendimento que tenha o sistema em detrimento de outro que não tenha”, aponta.

Santaguita cita as dificuldades que ainda emperram o uso maior dos sistemas de energia solar pelos empreendimentos. O sistema normalmente é instalado no topo dos prédios, fica limitado à área de laje ou de telhado existente. A depender da área de laje, o sistema pode suprir a totalidade do consumo das áreas comuns, embora seja normal que atenda parcialmente.

“O que vejo como dificultador para instalação é o custo do sistema, que dependendo do padrão do empreendimento pode não ser viável a implantação. Em muitos casos em que isso ocorre, as construtoras deixam toda a infraestrutura pronta para futura instalação do sistema pelo condomínio”, diz.

Tributação invés de estímulo

Apesar de acreditar na energia solar como item de valor nos novos empreendimentos, Santaguita lamenta a falta de incentivo dos governos. “Em se falando de poder público, o incentivo é zero, aliás pelo contrário existem projetos de lei para tributar a energia gerada. Isso é um absurdo, pois ao invés de o governo incentivar o tipo de iniciativa ele acaba inibindo com eventual tributação”, completa.

Julio Diaz Cabricano, que dirige a Suporte Engenharia e preside a Acigabc (Associação das Construtoras e Imobiliárias do Grande ABC), também considera que a prática de compensações para quem investir em itens sustentáveis nas obras, adotada na Capital, é positiva e poderia também ocorrer no ABC.

“Só São Bernardo ficou de apresentar isso no Plano Diretor, mas ainda nada foi feito. Eu vejo isso como uma necessidade, não quer dizer que todas as construtoras vão implantar porque ainda é um custo elevado, mas muitas já o fazem e em alguns casos não instalam, mas já deixam toda a infraestrutura pronta para que, se o condomínio quiser fazer, já uma grande parte já está pronta”, diz o presidente da Acigabc.

Da mesma forma que a discussão sobre as vagas para carros elétricos em condomínios, o que hoje já é uma realidade em muitos empreendimentos e cuja regulamentação ainda está em discussão, o uso da energia solar também é uma tendência, segundo a avaliação de Cabricano. “É uma realidade e vejo como uma necessidade, um importante item de marketing para a obra. Vejo que já está acontecendo nos empreendimentos mais luxuosos, nos mais populares é mais difícil acontecer. Eu avalio que, mesmo que se implante em áreas pequenas, tudo o que puder contribuir para diminuir a conta de energia será positivo”, completa.

Prefeituras

As prefeituras da região não informaram sobre programas de incentivo para as construtoras entregarem os novos empreendimentos já com com as placas solares, mas relataram o uso já em empreendimentos populares, caso de São Bernardo, e em equipamentos públicos.

São Bernardo iniciou a utilização de tecnologia de energia fotovoltaica em empreendimentos habitacionais. O primeiro projeto a incluir sistema de iluminação com esta tecnologia é o Condomínio Silvina Audi. O sistema atenderá áreas comuns do condomínio, que possui dois prédios e um total de 196 apartamentos, segundo relata o município.

Ainda de acordo com a administração, São Bernardo foi contemplado em projeto de eficiência energética da Enel para modernizar o Hospital de Clínicas Municipal José Alencar, no Grande Alvarenga. Em notas, diz que iniciativa, com investimento de R$ 4,49 milhões totalmente financiado pela concessionária, prevê a troca dos chillers (sistema de refrigeração) por equipamentos de alta eficiência e a implantação de sistema de microgeração solar fotovoltaica de 62,7 kWp, gerando economia de cerca de 30% no consumo atual, equivalente a 2.061.400 kWh por ano.

Santo André tem quatro usinas

Santo André apostou na energia solar ao instalar usinas em terrenos e em um prédio público. O município informa que realizou a implantação de quatro usinas fotovoltaicas (uma no Jardim Las Vegas, uma na avenida dos Estados e duas no bairro Cidade São Jorge), todas em operação no momento, sendo a mais recente (UPES IV) entregue em 6 de setembro de 2025. Ao total, foram instalados 8.820 painéis solares, investimento de aproximadamente R$ 41.812.483,68. Além da implantação das quatro usinas, a Prefeitura conta com um equipamento da Educação (o Cesa Parque Erasmo Assunção) e um outro em fase de aprovação dentro do programa Procel de conservação energética. A ampliação de investimento é estudada, devido ao alto valor a ser investido, disponibilidade de área para implantação e demanda para as compensações, completa a nota.

Santo André informa, ainda, que só um equipamento público municipal já conta com energia fotovoltaica, mas não especifica qual imóvel é esse. Esse equipamento possui o sistema de geração de energia por meio de placas solares, onde a energia é disponibilizada na rede no sistema “on grid” e compensada na própria unidade. A média de produção mensal é de 2.313 kwh/mês.

O plano de governo em Rio Grande da Serra já prevê o uso das placas solares com a instalação de sistemas solares em prédios públicos e a criação de programas e incentivos para que a população e novos empreendimentos também adotem essa tecnologia. Além disso, estão em andamento estudos de viabilidade para a aquisição de energia de fazendas solares, medida que pode resultar em até 20% de redução nas despesas com energia elétrica, sem necessidade de investimentos diretos, beneficiando o município, os empreendedores e os cofres públicos. Essas iniciativas encontram-se em fase de planejamento e de estabelecimento de parcerias, integrando as prioridades da administração e com previsão de implantação até o final do mandato, informa o município em nota.

A Prefeitura de Diadema, por outro lado, não tem apostado ainda nessa tecnologia. São Caetano, Mauá e Ribeirão Pires não responderam.

 
Fonte: Repórter Diário
Seção: Construção, Obras & Infraestrutura
Publicação: 22/09/2025

 

Empresas afetadas por tarifaço podem pedir crédito do Brasil Soberano

Empresas exportadoras afetadas pelo tarifaço imposto pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, já podem se habilitar a receber recursos do plano Brasil Soberano, que chegam a R$ 40 bilhões.

O anúncio foi feito nesta quinta-feira (18) pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), banco de fomento ligado ao Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic).

Ao todo, exportadoras que sofrem com a barreira comercial imposta pelos Estados Unidos terão acesso a R$ 40 bilhões com juros subsidiados:

R$ 30 bilhões do Fundo Garantidor de Exportações (FGE)
R$ 10 bilhões de recursos do próprio BNDES.
Os recursos são para financiamentos de capital de giro (contas do dia a dia, como salário e pagamento de fornecedores), investimentos em adaptação da atividade produtiva, compra de máquinas e equipamentos e busca de novos mercados.
Ajuda a exportadores

O plano Brasil Soberano foi lançado em 13 de agosto e consiste em ajuda do governo, com empréstimos para empresas que exportam para os Estados Unidos produtos que entraram na lista de taxação de até 50%.

O presidente do BNDES, Aloizio Mercadante, frisa que a concessão do crédito é condicionada à manutenção de empregos por parte dos empresários.

“O BNDES vai socorrer todas as empresas, e a contrapartida é manter os empregos para a economia continuar crescendo, e o país não ser prejudicado por essas medidas autoritárias, unilaterais e injustificadas.”

O movimento de ajuda é semelhante ao que o banco de fomento operou em 2024, após os temporais que alagaram grande parte do Rio Grande do Sul. Na ocasião, o banco contribuiu com R$ 29 bilhões. 

Quem pode acessar

Poderão acessar a parte dos R$ 30 bilhões empresas de todos os portes e com pelo menos 5% do faturamento bruto total, no período de julho de 2024 a julho de 2025, composto por produto na lista de tarifação.

Já os R$ 10 bilhões em recursos do BNDES podem ser acessados por empresas com qualquer nível de impacto no faturamento bruto.

Como acessar

O primeiro passo para acessar os recursos é consultar se a empresa é elegível para o plano de socorro. A consulta pode ser feita no site do BNDES.

Os interessados precisarão se autenticar utilizando a plataforma GOV.BR, exclusivamente por meio do certificado digital da empresa.

Caso o sistema indique que a empresa é apta ao crédito, a recomendação é entrar em contato com o banco com o qual já tem relacionamento. Grandes empresas podem procurar diretamente o BNDES.

Efeitos do tarifaço

Um levantamento da Câmara Americana de Comércio para o Brasil (Amcham Brasil), entidade sem fins lucrativos que representa empresas que atuam no comércio entre os dois países, estima que as exportações de produtos afetados pelo tarifaço americano caíram 22,4% em agosto na comparação com o mesmo mês de 2024. 

Os Estados Unidos são o segundo principal parceiro comercial do Brasil, perdendo apenas para a China.

De acordo com o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, o tarifaço de 50% incide em cerca de um terço (35,9%) das exportações brasileiras para os Estados Unidos.

O governo de Donald Trump assinou uma ordem executiva que estipulou a cobrança de taxas de até 50% a partir de 6 de agosto, mas deixou cerca de 700 produtos em uma lista de exceções. Entre eles estão suco e polpa de laranja, combustíveis, minérios, fertilizantes e aeronaves civis, incluindo motores, peças e componentes. Também ficaram de fora produtos como polpa de madeira, celulose, metais preciosos, energia e produtos energéticos.

Trump alega que os americanos têm déficit comercial (compram mais do que vendem) com o Brasil – o que é desmentido por números oficiais de ambos os países.

O presidente americano usou como justificativa o tratamento dado pelo Brasil ao ex-presidente Jair Bolsonaro, que considera ser perseguido. Bolsonaro foi condenado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) por tentativa de golpe de Estado, em julgamento que terminou na semana passada. 

 
Fonte: Agência Brasil
Seção: Indústria & Economia
Publicação: 19/09/2025

 

Porque desmontar e reciclar carros será a nova aposta das montadoras?

O avanço da economia circular no setor automobilístico está ganhando destaque na América do Sul, com um foco particular no Brasil. Em um movimento inovador, a Stellantis inaugurou em Osasco (SP) o Circular Autopeças, o primeiro centro de desmontagem e reciclagem veicular da montadora na região. Este empreendimento tem um papel crucial na estratégia da empresa de colocar a sustentabilidade no centro de suas operações. A presença de executivos de alto escalão, como Emanuele Cappellano, sinaliza a importância deste novo passo para a companhia na região.

A economia circular ainda é uma novidade no setor automobilístico sul-americano. De acordo com Laurence Hansen, vice-presidente sênior global de Economia Circular da Stellantis, a América do Sul está atrasada nesse quesito. No Brasil, por exemplo, apenas 1,5% dos veículos que chegam ao fim de sua vida útil têm seus componentes reciclados de alguma forma. Esse número contrasta bastante com países como o Japão, que já reciclam mais de 8% dos componentes de seus veículos. Na Europa, a meta é que, até o final da década, 85% das partes dos veículos inutilizados sejam recicladas.

O Potencial do Mercado Brasileiro

Há um grande incentivo para que a indústria automobilística no Brasil avance em direção à sustentabilidade. Laurence Hansen destacou que o mercado brasileiro tem um potencial significativo, não apenas do ponto de vista ambiental, mas também como oportunidade de negócios. Estima-se que esse movimento possa gerar um mercado de bilhões de reais. A Stellantis não está sozinha nessa iniciativa; outras grandes montadoras, como a Toyota e a Volvo, também manifestaram interesse em investir em centros de reciclagem no país. Esse movimento é impulsionado, em parte, pelo Programa Mover do governo federal, que incentiva a reciclabilidade como critério para subsídios fiscais.

Quais são os Quatro Erres da Stellantis?

A estratégia da Stellantis se baseia em quatro pilares de sustentabilidade, conhecidos como os “quatro erres”: Reparar, Reciclar, Reutilizar e Remanufaturar. Nos mercados da Europa e Estados Unidos, a empresa já alcançou um estágio avançado no desenvolvimento dessas áreas. No Brasil, o foco inicial será na reciclagem e na remanufatura. A escolha do mercado brasileiro neste momento se deve ao seu potencial de crescimento e à rentabilidade que a economia circular pode oferecer, como enfatizou Hansen.

Impacto das Iniciativas de Reciclagem no Setor Automobilístico

Além dos benefícios ambientais evidentes, as iniciativas de reciclagem no setor automobilístico brasileiro podem trazer diversos impactos positivos. Os investimentos em infraestrutura para reciclagem e remanufatura não apenas atendem a uma demanda crescente por práticas sustentáveis, mas também criam empregos e estimulam a economia local. O enfoque em sustentabilidade também poderá haver um reflexo positivo na reputação das empresas envolvidas, aumentando seu apelo aos consumidores cada vez mais conscientes sobre questões ambientais.

Desafios e Perspectivas Futuras

A transição para um modelo de economia circular no Brasil enfrenta desafios significativos, incluindo a necessidade de desenvolver uma infraestrutura adequada e superar a resistência cultural a práticas de reciclagem. No entanto, com o apoio do governo e o engajamento de grandes indústrias, há uma perspectiva otimista para o futuro. O sucesso dessas iniciativas pode posicionar o Brasil como um líder regional em práticas sustentáveis no setor automobilístico, incentivando outras indústrias a adotarem abordagens similares.

 
Fonte: BM&C News
Seção: Automobilística & Autopeças
Publicação: 18/09/2025

 

Importações de aço laminado sobem 29,7% entre janeiro e agosto

As importações de aço laminado em agosto deste ano totalizaram 393 mil toneladas, marcando um recuo de 20,3% em relação a igual período do último ano, de acordo com dados do Instituto Aço Brasil (IABr). Apesar da redução, no acumulado de 2025 desde janeiro, os desembarques do produto siderúrgico cresceram 29,7%, para 4,1 milhões de toneladas.

Quanto ao total de aço importado, o que inclui semiacabados para vendas, o volume chegou a 491 mil toneladas no mês, representando uma queda anual de 24%. Novamente, a despeito da baixa, o montante no ano subiu 16,5%, atingindo 4,6 milhões de toneladas – a China, acusada pelo setor siderúrgico de concorrência desleal, respondeu por 61,3% dos envios.

Há cerca de três semanas, o Aço Brasil revisou as estimativas para 2025. Em novembro de 2024, a previsão era de que as importações de aço laminado cresceriam 11,5%, totalizando 5,3 milhões de toneladas. No entanto, as compras se intensificaram desde então, e o instituto agora projeta uma alta de 32,2%, para o patamar de 6,3 milhões de toneladas.

É válido lembrar que a invasão de aço, sobretudo de origem chinesa, tem gerado, já há algum tempo, consequências negativas, como paralisação de operações, demissões e postergação de investimentos. Em razão da crise duradoura, o governo brasileiro implementou uma medida de defesa comercial em junho do ano passado, que foi renovada em junho deste ano com algumas melhorias, porém, os efeitos não surtiram como previstos.

Diante do cenário desafiador, grandes players do setor tem se movimentado. A Gerdau, por exemplo, demitiu mais de 1.500 pessoas e decidiu reduzir o nível de aportes no Brasil a partir de 2026. A ArcelorMittal, por sua vez, diz que não fez movimento direto de desligamentos, mas condicionou o valor de novas inversões no País à evolução das políticas de defesa comercial. Enquanto isso, a Usinas Siderúrgicas de Minas Gerais (Usiminas) não descartou diminuir o quadro de funcionários e já ameaçou fazer cortes nos investimentos.

Nesse sentido, um levantamento do Aço Brasil indicou que se nada melhorar e a capacidade instalada da siderurgia brasileira cair dos atuais 66%, para 40%, mais de 37 mil colaboradores podem perder os empregos. A entidade também disse que, devido à situação crítica, a indústria do aço vai revisar para baixo a projeção de investimentos para o Brasil para o período de 2025-2029, antes estimada em cerca de R$ 100 bilhões para 2024-2029.

Produção de aço bruto diminui no Brasil e em Minas Gerais

Outro dado negativo da siderurgia nacional foi o volume de aço bruto produzido. Conforme os dados do instituto, no oitavo mês de 2025, foram fabricadas 2,9 milhões de toneladas no Brasil inteiro, queda de 4,6% ante igual período de 2024. No acumulado do ano, o montante chegou a 22,2 milhões de toneladas, o que representa um decréscimo anual de 1,5%.

Em Minas Gerais, principal produtor siderúrgico do País, a produção atingiu 870 mil toneladas em agosto, totalizando 6,7 milhões de toneladas nos primeiros oito meses do ano. Os volumes produzidos no Estado representam baixas de 5,8% e 0,8%, respectivamente.

Vendas internas, exportações e consumo aparente

Ainda segundo o Aço Brasil, as vendas internas de aço caíram 6,9% em agosto frente a igual intervalo do último ano, para 1,8 milhão de toneladas, mas subiu 0,6% no acumulado anual, para 14,2 milhões de toneladas. Enquanto isso, as exportações cresceram 4% no mês, para 861 mil toneladas, e 1,9% no ano, para 7,1 milhões de toneladas.

Já o consumo aparente recuou 11,3% na primeira base de comparação, para 2,2 milhões de toneladas, e aumentou 5,3% na segunda, para 18,2 milhões de toneladas – impulsionado pelas importações. A entidade não disponibiliza o recorte estadual desses dados.


Fonte: Diário do Comércio
Seção: Siderurgia & Mineração
Publicação: 17/09/2025

Produção brasileira de aço cai 1,5% entre janeiro e agosto de 2025, mostra Aço Brasil

A produção brasileira de aço bruto entre janeiro e agosto de 2025 totalizou 22,2 milhões de toneladas, uma queda de 1,5% frente a igual período de 2024, quando foram produzidas 22,5 milhões de toneladas. Os dados foram divulgados nesta segunda-feira (15) pelo Instituto Aço Brasil.

Na mesma comparação, as importações de aço cresceram 16,5%, para 4,6 milhões de toneladas, contra 3,9 milhões nos oito primeiros meses do ano passado.

O Aço Brasil informou ainda que as vendas internas atingiram 14,2 milhões de toneladas, com leve alta de 0,6% frente às 14 milhões de toneladas do período janeiro-agosto do ano passado. As exportações avançaram 1,9% na mesma comparação, totalizando 7,1 milhões de toneladas.

Na comparação de agosto de 2025 com agosto de 2024, a produção de aço bruto foi de 2,9 milhões de toneladas, queda de 4,6%; as vendas internas somaram 1,8 milhão de toneladas, recuo de 6,9%; as importações caíram 24%, fechando em 491 mil toneladas; e as exportações foram de 861 mil toneladas, crescimento de 4%.

 
Fonte: Valor
Seção: Siderurgia & Mineração
Publicação: 16/09/2025

 

Brasil perde 1,2 milhão de caminhoneiros em 10 anos

 

O número de motoristas profissionais no Brasil, aqueles que tem a Carteira Nacional de Habilitação nas categorias C, D ou E, tem caído significativamente ao longo dos anos.

De acordo com um levantamento feito pela Ilos com base em dados do Senatran, em 2015 o número de motoristas profissionais no Brasil era de 5,6 milhões. Em 2025, esse número está em 4,4 milhões de motoristas. Levando em consideração a queda total no período, a redução é de 22%, ou 1,2 milhão de profissionais.

Para a Ilos, “A redução do número de motoristas de caminhão disponíveis pode ter impacto na oferta de serviços de transporte rodoviário de carga, que está diretamente relacionada à quantidade de veículos e à disponibilidade de condutores. Para as indústrias, a restrição na oferta de transportes pode resultar no aumento dos preços dos fretes e impactar a eficiência da cadeia logística.”

A explicação para esse movimento se dá por alguns fatores como envelhecimento da mão de obra, com idade média em cerca de 45 anos. Isso mostra que existem mais trabalhadores do setor próximos de se aposentar do que novatos começando na profissão.

Além disso, as conhecidas dificuldades da profissão, como tempo longe de casa, falta de infraestrutura nas rodovias, locais de descanso e alimentação adequada, fazem com que muitos profissionais procurem outras profissões, abandonando o volante e desistindo da CNH profissional.

Apesar da queda, o número total de motoristas profissionais ainda é maior do que a frota circulante de caminhões no país.

O painel RNTRC em Números, uma divulgação mensal dos dados relativos a transportadores e seus veículos cadastrados no Registro Nacional de Transportadores Rodoviários de Cargas (RNTRC) da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), mostra que a frota total de caminhões no país é de 2,76 milhões de veículos. Ou seja, existem 1,59 motoristas para cada caminhão que atua no transporte de cargas.

Porém, os dados mostram uma tendência perigosa. Em muitos países, o número de motoristas profissionais disponíveis está cada vez mais próximo do número de caminhões circulando, e isso leva a grandes problemas de escassez de profissionais, com impactos diretos à cadeia logística, aumento os custos de produtos e serviços, que, direta ou indiretamente, dependem do transporte rodoviário de cargas para funcionarem.

 
Fonte: Grandes Construções
Seção: Indústria & Economia
Publicação: 15/09/2025