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A decisão de Trump sobre aço, alumínio e cobre: o real impacto nas siderúrgicas e mineradoras brasileiras

As ações das siderúrgicas têm queda nesta quarta-feira, 3, devolvendo parte dos ganhos na terça, 2, quando a Usiminas (USIM5) subiu 8,6%, a CSN (CSNA3) teve alta de 8,9% e a Gerdau (GGBR4) valorização de 6,5%.  

Para a Genial Investimentos o mercado precificou “alívio e desescalada”, não uma queda real da tarifa que pesa sobre o aço brasileiro. 

O presidente norte-americano Donald Trump assinou em 1° de junho uma proclamação que ajusta a Seção 232 sobre aço, alumínio e cobre. A medida reduz a tarifa de alguns derivados (equipamento agrícola e de climatização caem de 25% para 15%), cria uma alíquota de 10% para bens de capital com pelo menos 85% de aço ou alumínio fundido nos Estados Unidos e acrescenta dois nichos à faixa de 25% (racks de aço e chapas litográficas de alumínio). A base de 50% sobre aço e alumínio primários não mudou. 

Para o analista Luca Vello a notícia que fez as ações das siderúrgicas e mineradoras (Vale e CSN Mineração) subir com força na terça-feira, embora o mercado a veja como positiva, é na prática “bastante simbólica”. 

Na avaliação da casa, o corte atinge equipamentos acabados que nenhuma das cinco companhias exporta. 

Ainda segundo a Genial, o risco real continua no desvio de importados. Com os Estados Unidos fechados a 50%, o aço asiático busca mercados abertos. A penetração de importados no Brasil já alcançou 27% no primeiro trimestre (1T26), pressionando preço e volume da Usiminas e CSN.

No entanto, Luca ressalta que a Vale e a CSN Mineração têm lastro melhor, já que na Seção 301 anunciada no mesmo dia (leia aqui), minérios metálicos ficaram isentos.

Para o analista, o que vai definir o resultado das siderúrgicas nos próximos trimestres é a intensidade do desvio de importados sobre os planos e a resposta da defesa comercial, não a Seção 232. 

A avaliação é que a Gerdau segue do lado favorável (a Gerdau produz longos dentro dos EUA e ganha com a proteção); a Usiminas é a mais sensível ao desvio de importados, por ser produtora de planos voltada ao mercado interno; e a CSN combina exposição moderada com sensibilidade financeira.



Fonte: Finance News
Seção: Siderurgia & Mineração
Publicação: 05/06/2026

Crise global do aço agrava-se com excesso de oferta em níveis alarmantes, alerta OCDE

A indústria siderúrgica mundial enfrenta uma crise crescente, com produção subsidiada e excesso de capacidade a distorcerem os mercados, alerta a OCDE. A produção apoiada pelo Estado, sobretudo na China, aumenta a pressão sobre produtores na Europa e noutras economias da OCDE.

Capacidade siderúrgica mundial continua a crescer apesar da fraca procura, o que ameaça pressionar os preços em baixa e distorcer a concorrência.

O aço é um material essencial para uma vasta gama de setores, da construção e indústria transformadora aos veículos elétricos e centros de dados.

A OCDE afirma (fonte em inglês) que os subsídios públicos são um dos principais motores do excesso de capacidade a nível mundial, sendo que grande parte do aumento da capacidade siderúrgica nas últimas duas décadas ocorreu fora dos países da OCDE, muitas vezes com apoio estatal.

Em 2024, a empresa siderúrgica chinesa mediana recebeu subsídios equivalentes a 15 vezes os concedidos a produtores de outras regiões, em proporção ao total de ativos, de acordo com a OCDE.

Ao mesmo tempo, os produtores siderúrgicos chineses exportaram um recorde de 131 milhões de toneladas de aço em 2025, mais 153% do que em 2020 e um volume superior à produção total de aço da União Europeia nesse ano.

O alerta surge numa altura em que a OCDE prevê que o excesso de capacidade siderúrgica mundial suba de 640 milhões de toneladas em 2025 para 745 milhões de toneladas até 2028, já que a capacidade de produção continua a crescer muito mais depressa do que a procura.

Embora se espere que a procura global de aço aumente apenas 34 milhões de toneladas entre 2026 e 2028, os produtores planeiam acrescentar até 139 milhões de toneladas de nova capacidade no mesmo período.

Prevê-se que a China tenha um papel central nessa expansão, com planos para adicionar até 38,6 milhões de toneladas de capacidade de produção de aço até 2028, o maior aumento previsto em qualquer país.

Se esses projetos avançarem, a OCDE indica que o excesso de capacidade mundial ultrapassará em quase 320 milhões de toneladas a atual produção anual de aço de todos os países da OCDE, o que evidencia a dimensão do desequilíbrio que o setor enfrenta.

Responsáveis políticos receiam que um excesso de capacidade persistente possa comprometer a rentabilidade e a viabilidade a longo prazo das indústrias siderúrgicas nacionais, aumentando a dependência de importações de um material considerado estratégico para a construção, a defesa, as infraestruturas energéticas e a indústria transformadora.

Durante a reunião do Conselho Ministerial da OCDE, o secretário-geral da organização, Mathias Cormann, afirmou: “É preciso atacar as causas profundas, incluindo subsídios nocivos e outras práticas que distorcem o mercado. Isso implica uma cooperação internacional mais forte e condições de concorrência equitativas para os produtores de aço em todo o mundo.”

A OCDE encontrou igualmente indícios de que alguns exportadores poderão estar a contornar barreiras comerciais ao enviar aço semiacabado para o Sudeste Asiático para posterior transformação e reexportação para mercados da OCDE. Um aumento de 300% das exportações chinesas de aço semiacabado para a região aponta para uma possível via de evasão a tarifas e medidas anti-dumping.

Custos da energia e tensões comerciais agravam pressão sobre o setor

Ao mesmo tempo, o setor enfrenta também a subida dos custos da energia associada à guerra no Irão. A energia pode representar até 40% dos custos de produção de aço, tornando a indústria particularmente vulnerável a preços mais elevados.

O relatório destaca ainda a crescente pressão sobre o aprovisionamento de matérias-primas. Nenhum país produtor de aço é totalmente autossuficiente nos insumos necessários à produção, enquanto as restrições às exportações de materiais essenciais estão a aumentar em todo o mundo. Atualmente, 42 países limitam a exportação de sucata de aço, uma matéria-prima crucial para a produção em fornos de arco elétrico.

A Europa está particularmente exposta a estas pressões. Os produtores de aço na região enfrentam, em regra, custos laborais e energéticos mais elevados, bem como normas ambientais mais rigorosas do que muitos concorrentes internacionais.

Como consequência, os produtores europeus têm muitas vezes menos margem para suportar períodos prolongados de preços baixos do que rivais que beneficiam de custos mais reduzidos ou de um apoio público mais forte.

“Se as tendências atuais continuarem, a viabilidade a longo prazo do setor e a segurança económica de muitos países ficarão comprometidas”, advertiu a OCDE.

 
Fonte: EuroNews
Seção: Siderurgia & Mineração
Publicação: 05/06/2026

Aço ficou de fora de novas tarifas de Trump: Aço brasileiro é pressionado por novo tarifaço apesar de escapar da tarifa de 25%

O aço brasileiro ficou de fora da proposta americana de impor tarifa de 25%sobre parte das exportações brasileiras, divulgada nesta terça-feira (2). Produtos como aço, alumínio e outros metais são enquadrados em um dispositivo separado, a Seção 232, que trata essa classe de produtos como tema de segurança nacional.

Ficar fora da lista, no entanto, não significa ficar fora do impacto. Gerdau, Usiminas e CSN podem enfrentar riscos nos próximos trimestres, diante de pressão de custos, concorrência importada e um ambiente diplomático mais difícil para negociações com os Estados Unidos.

O primeiro canal de pressão passa pela macroeconomia brasileira. Uma tarifa de 25% sobre produtos do agronegócio e manufaturados tende a reduzir a receita de exportação do país, desacelerar o crescimento e comprimir a demanda por aço em construção civil, infraestrutura e bens de capital, setores que respondem por parcela relevante do consumo doméstico de aço no Brasil.

O agravante é que o mercado interno já estava fragilizado antes da nova tensão comercial. A penetração de importações de aço longo saltou de 9% para 16% entre fevereiro e março de 2026, enquanto as margens Ebitda das siderúrgicas brasileiras seguem abaixo de 10%.

Esse é um patamar que analistas do setor não veem se alterando de forma sustentável no curto prazo, mesmo após os reajustes de preço anunciados para o vergalhão em abril e maio. A demanda ainda não sustenta a implementação plena desses aumentos.

A pressão tarifária sobre outros setores da economia brasileira reduz ainda mais o espaço para que essa recuperação ganhe consistência.

Cadeia automotiva é o flanco mais sensível

O segundo canal de pressão é mais específico e atinge um ponto que o setor siderúrgico já monitorava com atenção. O segmento automotivo americano depende de peças e componentes fabricados no Brasil, e esses itens figuram entre os produtos que passam a enfrentar a tarifa de 25% proposta pela Seção 301.

A medida pode desorganizar cadeias de fornecimento que abastecem diretamente montadoras instaladas nos Estados Unidos.

A ruptura nessa cadeia afeta a produção de aços especiais, insumo para o segmento automotivo americano, em um momento em que relatórios recentes ao mercado já sinalizavam que o setor automotivo representava a dinâmica mais difícil dentro das operações siderúrgicas na América do Norte.

A proposta americana adiciona uma nova variável a esse quadro. A pressão deixa de vir apenas da demanda final e passa a alcançar também o fornecimento de peças que organiza a produção das próprias montadoras.

Diplomacia envenenada nas negociações de cotas

O terceiro canal é o mais silencioso e, possivelmente, o de consequências mais duradouras. A Seção 232, que regula o aço, prevê a possibilidade de negociação de cotas e isenções bilaterais.

Em 2018, no primeiro governo Trump, o Brasil conseguiu fechar um acordo desse tipo, garantindo acesso sem tarifa para até 3,5 milhões de toneladas de aço semiacabado por ano. O volume representa mais de 60% da necessidade americana de aço semiacabado.

Hoje, porém, o Brasil acumula frentes de acusação abertas pelos Estados Unidos em um único documento, que vão de censura digital e corrupção a desmatamento ilegal.

Tentar abrir uma negociação de isenção tarifária para o aço nesse ambiente é uma tarefa mais complexa do que foi em 2018. A Seção 301 não toca o aço diretamente, mas contamina a mesa onde qualquer acordo sobre o setor precisaria ser negociado.

Essa deterioração estreita a margem diplomática justamente no momento em que o setor mais precisaria dela.

Capital chinês já encontrou a janela aberta

Enquanto o Brasil administra esse ambiente, um movimento silencioso avança em suas fronteiras. Um grupo empresarial ligado às províncias de Zhejiang e Fujian, na China, está construindo uma planta de cerca de 200 mil toneladas por ano de vergalhão e fio-máquina em Yguazú, no Paraguai.

O projeto, sob o nome Acereste, deve direcionar cerca de 70% da produção ao mercado brasileiro. Representantes comerciais do grupo já percorrem distribuidores em São Paulo e no Paraná para prospectar contratos de fornecimento antes mesmo da inauguração, prevista para junho deste ano.

- Vergalhão e fio-máquina são produtos de aço longo usados principalmente na construção civil. O segmento de aço longo é hoje o único sem cobertura ativa de medidas antidumping no Brasil, o que o torna o ponto de entrada natural para importações de origem chinesa.

O movimento é uma resposta ao fechamento parcial do mercado de aço plano pelas medidas antidumping implementadas em fevereiro de 2026, que reduziram a penetração do aço plano importado de 33% para 23% em março.

Com isso, o capital chinês migra para onde a porta ainda está aberta, e o faz de dentro do Mercosul, com uma fábrica paraguaia que formalmente não está sujeita às mesmas barreiras.

A escala da Acereste ainda é pequena, mas o modelo, se demonstrar viabilidade comercial, pode ser replicado com rapidez. O canal com distribuidores brasileiros já está sendo construído antes da primeira tonelada sair da linha de produção.

Um relatório do Bradesco de junho de 2025 estimou que a tarifa de 50% imposta pela Seção 232 sobre o aço estrangeiro nos Estados Unidos, vigente desde 4 de junho daquele ano, já era capaz de derrubar as exportações brasileiras do metal em 11%.

Isso equivaleria a 1,6 milhão de toneladas a menos e perda de US$ 1,5 bilhão em receitas. A nova proposta tarifária não entra nessa conta, mas aprofunda o isolamento do Brasil em uma negociação que já estava complicada.

O setor passa a administrar pressões simultâneas por diferentes frentes, sem alívio claro no horizonte próximo.

 
Fonte: Times Brasil
Seção: Siderurgia & Mineração
Publicação: 03/06/2026

 

EUA reformulam tarifas sobre metais e ampliam incentivos para uso de aço e alumínio produzidos no país

O governo dos Estados Unidos promoveu uma nova reformulação em sua política tarifária para produtos relacionados ao aço, alumínio e cobre, reforçando a estratégia de fortalecimento da indústria nacional e de estímulo à produção doméstica de metais. O presidente Donald Trump assinou uma proclamação que altera as tarifas aplicadas a determinados equipamentos agrícolas, máquinas industriais e bens de capital, criando incentivos para fabricantes que utilizem insumos produzidos em território norte-americano.

As mudanças passam a valer a partir de 8 de junho de 2026 e permanecerão em vigor até 31 de dezembro de 2027. Segundo a Casa Branca, o objetivo é incentivar investimentos industriais de curto prazo, reduzir custos em setores considerados estratégicos e ampliar a demanda por aço e alumínio fabricados nos Estados Unidos.

Uma das principais alterações envolve os equipamentos agrícolas. A tarifa aplicada a determinadas categorias de máquinas que contêm quantidades significativas de aço, alumínio e cobre foi reduzida de 25% para 15%. A medida beneficia produtos utilizados amplamente no setor agropecuário, reduzindo os custos de importação para agricultores e empresas que dependem desses equipamentos para suas operações.

Além do segmento agrícola, a nova política também contempla equipamentos industriais móveis. Máquinas como tratores de esteira, conhecidos como bulldozers, empilhadeiras e outros equipamentos utilizados nos setores de construção civil, logística e indústria passam a contar com uma tarifa de 15% quando importados de países que possuam acordos comerciais qualificados com os Estados Unidos.

O aspecto mais estratégico da nova estrutura tarifária está na criação de um mecanismo que recompensa empresas que utilizam matéria-prima norte-americana. Fabricantes estrangeiros poderão acessar uma tarifa reduzida de apenas 10% caso seus equipamentos de capital contenham pelo menos 85% de aço ou alumínio fundido, processado e produzido nos Estados Unidos. Na prática, a medida cria um incentivo econômico para que empresas internacionais aumentem a aquisição de metais provenientes de siderúrgicas e indústrias norte-americanas.

A Casa Branca afirma que a iniciativa busca fortalecer a base industrial do país por meio de uma combinação entre proteção comercial e estímulos ao investimento. Em vez de apenas impor tarifas mais elevadas às importações, a nova política procura direcionar as cadeias globais de suprimento para favorecer fornecedores instalados nos Estados Unidos.

Paralelamente, o governo também promoveu mudanças na aplicação das tarifas previstas na chamada Seção 232, mecanismo utilizado para proteger setores considerados estratégicos para a segurança nacional. A principal alteração está na forma de cálculo do imposto. A taxação passa a incidir sobre o valor aduaneiro total do produto acabado importado, e não apenas sobre o valor ou peso do metal incorporado ao bem.

Com a nova regra, produtos manufaturados que possuam mais de 15% de sua composição em aço, alumínio ou cobre passam a ser tributados em 25% sobre o valor integral da importação. Já os produtos que contenham menos de 15% desses metais ficam isentos dessa cobrança específica.

Outra exceção prevista beneficia produtos fabricados no exterior com utilização de aço, alumínio ou cobre produzidos nos Estados Unidos ou no Reino Unido. Nesses casos, a tarifa aplicada poderá ser reduzida para 10%, ampliando ainda mais o estímulo à utilização de matérias-primas provenientes de países considerados estratégicos para a política industrial norte-americana.

Apesar da flexibilização para alguns equipamentos e produtos manufaturados, a proteção sobre os metais básicos permanece elevada. Produtos compostos quase integralmente por aço ou alumínio continuam sujeitos à tarifa de 50%, preservando a política de proteção à indústria metalúrgica doméstica.

As novas regras devem produzir impactos relevantes para fabricantes, importadores e compradores de máquinas agrícolas, equipamentos industriais e bens de capital. Empresas que exportam para os Estados Unidos poderão ser obrigadas a revisar suas estratégias de fornecimento de matérias-primas para se enquadrarem nas faixas tarifárias mais favoráveis. Ao mesmo tempo, produtores norte-americanos de aço e alumínio tendem a se beneficiar de uma possível ampliação da demanda por seus produtos.

Especialistas avaliam que a medida reforça a crescente integração entre política comercial e política industrial nos Estados Unidos. Ao atrelar benefícios tarifários ao uso de insumos nacionais, o governo busca estimular investimentos, fortalecer cadeias produtivas domésticas e reduzir a dependência de fornecedores estrangeiros em setores considerados estratégicos para a economia.

Com validade até o final de 2027, a nova estrutura cria uma janela para que empresas adaptem suas cadeias de suprimento e estratégias produtivas. O sucesso da iniciativa dependerá da capacidade dos fabricantes de absorver as mudanças e da resposta da indústria norte-americana à expectativa de aumento da demanda por aço, alumínio e equipamentos produzidos no país.

 
Fonte: Infomet
Seção: Siderurgia & Mineração
Publicação: 02/06/2026

Jogo de espiões? Serviço secreto brasileiro coloca terras raras no radar

O segmento de terras raras no Brasil entrou no radar do serviço secreto brasileiro à medida que vem ganhando importância na agenda geopolítica internacional.

O Brasil conta com o segundo maior volume de reservas de terras raras do mundo, tornando-se um potencial candidato a ajudar outros países a reduzir sua dependência da China, atualmente detentora do maior volume de reservas e também da maior produção do segmento. 

Os minerais são considerados cruciais para abastecer os setores de defesa, tecnologia, entre outros.

Recentemente, a Agência Brasileira de Inteligência (Abin), equivalente ao serviço secreto de outros países, promoveu o 1º Encontro Interestadual do Sistema Brasileiro de Inteligência com o objetivo de promover a integração entre os órgãos das comunidades de inteligência dos estados de Goiás, Minas Gerais e Bahia na temática das terras raras.

Esses estados atualmente concentram os maiores volumes de reservas de terras raras no país.

"É essencial conhecer as oportunidades oferecidas pela exploração das terras raras no Brasil, considerando o seu papel estratégico na transição energética e como vetor do desenvolvimento tecnológico no país, considerando também os impactos socioambientais junto às populações diretamente afetadas", disse o superintendente da Abin em Goiás, Raimundo Seixas, em um comunicado.

Recentemente, uma negociação envolvendo um projeto no estado de terras raras em Goiás chamou atenção internacional.

Em abril, a USA Rare Earth anunciou um acordo para comprar o controle da mineradora Serra Verde e também garantiu um contrato de offtake de 15 anos, por US$2,8 bilhões (bi). Com a operação, a empresa passará a deter 100% da Serra Verde, proprietária da mina e da planta de processamento de terras raras Pela Ema, em Goiás.

Pouco tempo depois do anúncio do acordo, a autoridade antitruste do Brasil, o Cade, abriu uma investigação para avaliar os detalhes da aquisição. Embora a USAR não tenha presença no Brasil, a autoridade decidiu abrir investigação para avaliar se o contrato de offtake de 15 anos pode ferir regras de competição.

Além disso, o governo brasileiro, sob a liderança do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, tem reforçado que o país está atento aos aspectos de soberania e, embora esteja aberto a investimentos estrangeiros, busca acompanhar de perto os negócios envolvendo terras raras diante da forte demanda pelos insumos do setor para as áreas de defesa e tecnologia.

Nos últimos dias, o elemento da soberania ganhou relevância após a administração do presidente Donald Trump designar duas facções criminosasno Brasil como organizações terroristas, o que no futuro pode gerar sanções ao país por parte do governo dos Estados Unidos. O governo brasileiro viu na medida uma forma de os Estados Unidos influenciarem assuntos domésticos do Brasil e também buscarem influência no processo eleitoral do país.

Em outubro, o Brasil terá eleições, inclusive para presidente, e Lula é candidato à reeleição. Segundo pesquisas, o senador Flávio Bolsonaro é o principal opositor de Lula até o momento. Filho do ex-presidente Jair Bolsonaro, Flávio Bolsonaro apoiou a decisão de Trump de classificar organizações criminosas brasileiras como terroristas, buscando desgastar a imagem do atual governo na área de segurança pública.

Enquanto isso, no segmento de terras raras, questões de inteligência extrapolam as fronteiras do Brasil.

Recentemente, a MP Materials, empresa do segmento de terras raras dos Estados Unidos, entrou com uma ação judicial contra a USAR alegando que a rival roubou segredos tecnológicos, segundo a imprensa local.

Em meio ao envolvimento dos serviços de inteligência, questões geopolíticas e alegações de roubo de tecnologia, o Congresso brasileiro também está atualmente debruçado sobre um projeto de lei para regulamentar os segmentos de minerais críticos, incluindo terras raras.

Como parte do projeto de lei, agora em análise no Senado após aprovação na Câmara dos Deputados, o Congresso avalia uma regulação que, entre outros pontos, criaria uma comissão formada majoritariamente por membros do governo com poder para avaliar e vetar operações no setor.

A regulação também traz mecanismos para ajudar a fomentar o financiamento do setor, mas participantes do mercado apontam preocupações em relação à maior supervisão governamental.

"Há alguns aspectos [no projeto de lei em discussão] que podem gerar preocupações, especialmente em relação aos mecanismos de supervisão que o governo pretende estabelecer sobre os ativos e, possivelmente, sobre os contratos de offtake," disse à BNamericas Rafael Moreno, CEO da empresa australiana Viridis Mining and Minerals.

A Viridis é proprietária do projeto de terras raras Colossus, de US$360 milhões, em Minas Gerais, e recentemente inaugurou um centro de pesquisa e processamento como parte do projeto.

"As autoridades precisam ter cuidado para não levar isso longe demais. Projetos como o nosso ainda precisam de flexibilidade para obter financiamento atrativo e captar recursos via participação acionária e isso inclui liberdade para definir onde a produção será comercializada por meio de contratos de offtake. Se o governo conseguir manter o equilíbrio adequado, acredito que o projeto de lei poderá ser positivo de forma geral," disse Moreno.

 
Fonte: BN Americas
Seção: Siderurgia & Mineração
Publicação: 02/06/2026

 

Japão lançará investigação antidumping sobre materiais de aço importados da China, da Coreia do Sul e de Taiwan

O governo do Japão afirma que lançará uma investigação sobre se alguns produtos siderúrgicos da China, da Coreia do Sul e de Taiwan são importados a preços injustamente baixos, prejudicando os concorrentes japoneses. 

Na segunda-feira, o Ministério da Economia, Comércio e Indústria e o Ministério das Finanças anunciaram que investigarão bobinas, chapas e tiras de aço laminadas a quente, bem como bobinas, chapas e tiras de aço laminadas a frio, originárias dos três lugares. 

Materiais de aço laminados a quente e itens laminados a frio processados a partir deles são amplamente empregados em automóveis, materiais de construção e aparelhos eletrônicos, entre outros. 

Grandes companhias siderúrgicas japonesas, incluindo a Nippon Steel e a JFE Steel, solicitaram ao governo, em fevereiro, que impusesse um imposto antidumping sobre produtos da China e de outros lugares. Elas disseram que os materiais haviam sido importados a preços injustamente baixos. 

As pastas perguntarão aos exportadores asiáticos a respeito das diferenças entre os preços internos e de exportação. Para empresas japonesas, as autoridades perguntarão sobre as mudanças na produção dos mesmos tipos de produtos. 

Os ministérios decidirão dentro de um ano se devem impor direitos antidumping. 

O Japão vem conduzindo duas investigações antidumping desde o ano passado. Com as novas investigações, esse número passa para quatro. 

A Federação Japonesa de Ferro e Aço argumenta que grandes volumes de materiais siderúrgicos têm deixado a China a preços baixos devido ao declínio na demanda doméstica decorrente de uma queda no mercado imobiliário.

 
Fonte: NHK World
Seção: Siderurgia & Mineração
Publicação: 02/06/2026