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Siderúrgicas anunciam aumento nos preços do aço em outubro

As principais siderúrgicas do país — CSN, ArcelorMittal e Gerdau — anunciaram reajustes no preço do aço a partir de outubro. Os aumentos serão de 7,5% a 8% para bobinas a quente e de 3,5% a 4% para os demais produtos, informou o Instituto Nacional dos Distribuidores de Aço (Inda). A pressão de custos foi apontada como o principal fator para os reajustes. Segundo o presidente executivo da entidade, Carlos Jorge Loureiro, a Usiminas também deve seguir o movimento.

O anúncio ocorre em um cenário de retração no mercado interno. Em agosto, as vendas de aços planos caíram 3,6% em relação ao mesmo período de 2024, somando 337,4 mil toneladas. Na comparação com julho, a baixa foi de 2,4%. No acumulado do ano, de janeiro a agosto, o recuo é de 0,1%, com 2,6 milhões de toneladas comercializadas.

As compras também tiveram forte queda no mês: 12,3% em relação a julho e 11% na comparação anual, totalizando 327,6 mil toneladas. De janeiro a agosto, a redução foi de 0,4%, para 2,7 milhões de toneladas.

O estoque de agosto fechou em 1,08 milhão de toneladas, queda de 0,9% frente a julho, o que representa um giro de 3,2 meses — considerado elevado pelo Inda.

As importações recuaram 5,7% em relação a julho e 16,2% frente a agosto do ano passado, para 241,4 mil toneladas. Mesmo assim, os laminados a quente foram destaque de alta no acumulado do ano, com a China se mantendo como principal origem do produto.

Já as exportações seguem fracas: foram 41 mil toneladas em agosto, principalmente destinadas à Argentina, com destaque para embarques da Usiminas.

Apesar do cenário de retração, a expectativa do setor é de leve recuperação em setembro, com previsão de alta de 5% nas compras e vendas em relação a agosto. Para o acumulado até setembro, o Inda projeta avanço de 0,8% nas vendas.

A entidade também acompanha o mercado internacional. Loureiro disse esperar que o preço do minério de ferro encerre 2025 entre US$ 100 e US$ 105 por tonelada — patamar semelhante ao atual.

 
Fonte: Infomet
Seção: Siderurgia & Mineração
Publicação: 29/09/2025

 

Tarifas geram contra-ataques e redesenham o mapa global do comércio de aço

À medida que as políticas comerciais de Donald Trump desferem um golpe devastador nas siderúrgicas de todo o mundo, países como México, Canadá e Brasil revidam - mas os Estados Unidos não são seu único alvo.

Embora as três nações tentem negociar com o governo Trump para reduzir as tarifas de até 50% impostas em junho sobre o aço importado para os EUA, elas também estão concentradas em aumentar a demanda local para compensar a queda nas exportações.

Isso significa bloquear a crescente onda de oferta chinesa barata que ameaça empurrar os produtores locais para fora de seus mercados domésticos.

O México anunciou um plano este mês para aumentar as tarifas sobre produtos da China, inclusive aço, para até 50%.

O Canadá também implementou medidas protecionistas e, no Brasil, os produtores de aço estão pedindo ao governo que imponha mais barreiras comerciais à oferta estrangeira.

Juntos, os três países foram responsáveis por 38% das importações americanas da liga em julho e cerca de metade no ano passado.

“Precisamos de medidas de defesa comercial rápidas e eficazes”, disse Marco Polo de Mello Lopes, chefe do grupo industrial Instituto Aco Brasil, em uma conferência no mês passado.

O aço chinês responde atualmente por 65% do mercado brasileiro de importação, acrescentou. “O grande desafio é recuperar o terço do mercado que perdemos para as importações predatórias.”

A China iniciou uma investigação de barreira comercial e de investimento sobre as medidas do México na quinta-feira (25), de acordo com uma declaração do Ministério do Comércio da China. Espera-se que a investigação termine dentro de seis meses, embora possa ser prorrogada por até três meses.

As medidas para interromper as importações de aço chinês podem ajudar a posição de negociação dos três países com os EUA.

As tarifas de Trump sobre os vizinhos dos EUA nas Américas ocorrem no momento em que seu governo trava uma guerra comercial mais ampla contra a segunda maior economia do mundo, visando, em parte, conter o fluxo de produtos chineses baratos para países de todo o mundo.

O aço chinês foi responsável por mais da metade do mercado global de aço no ano passado, de acordo com dados da World Steel Association.

Mas a mudança em direção a um maior protecionismo nas Américas - uma reversão de décadas de globalização e laços transfronteiriços estreitos na região - pode não convencer Trump a ceder.

Embora alguns países tenham conseguido reduções de tarifas e isenções para determinados produtos, o presidente dos EUA considerou as tarifas sobre o aço essenciais para proteger a segurança nacional e aumentar a produção doméstica da liga metálica.

Suas políticas comerciais estão fortalecendo o setor siderúrgico nos Estados Unidos, ao mesmo tempo em que atingem os produtores no exterior, remodelando as cadeias de suprimentos à medida que as empresas se esforçam para evitar pesadas taxas sobre insumos e exportações.

Um porta-voz do Office of the US Trade Representative não respondeu aos pedidos de comentários.

Desde que Trump anunciou as tarifas sobre o aço, os volumes enviados do Canadá e do Brasil para os EUA despencaram. As importações dos EUA provenientes desses países caíram 45% e 27%, respectivamente, em julho em relação ao ano anterior, segundo dados do US Census Bureau.

O México ainda não sentiu o impacto total dos impostos devido aos estoques, com o aço enviado para os EUA aumentando 50% em julho.

Ainda assim, os danos nos setores do México, Canadá e Brasil já foram generalizados.

A Algoma Steel Group, que opera uma grande usina em Ontário, está interrompendo os embarques de aço para os EUA, disse o principal executivo da empresa à Bloomberg News.

A operadora ferroviária Canadian Pacific Kansas City também foi forçada a interromper seus embarques transfronteiriços de aço, que representam 41% de sua receita em metais, minerais e produtos de consumo.

E a brasileira Gerdau cancelou seus planos de investir cerca de US$ 600 milhões em uma nova usina siderúrgica no México.

Embora alguns consumidores de aço dos EUA estejam recorrendo aos estoques para amenizar o golpe da redução da oferta ou tenham sido protegidos por contratos assinados antes das tarifas, o próximo ano poderá ser mais difícil à medida que os produtos armazenados se esgotarem e o aço estrangeiro se tornar muito caro.

No primeiro semestre do ano, cerca de US$ 750 milhões em projetos foram cancelados pelas sete maiores empresas siderúrgicas do México e pelo menos 4.000 empregos diretos foram perdidos, disse uma pessoa com conhecimento do assunto à Bloomberg News, que pediu anonimato porque a informação não é pública.

A demanda de aço do México caiu 8,1% nesse período, segundo dados da Câmara Nacional da Indústria de Ferro e Aço, conhecida como Canacero.

A associação siderúrgica saudou os esforços do governo mexicano para restringir o aço chinês com tarifas mais altas. “É essencial ter medidas que defendam a produção mexicana, promovam a competitividade e protejam o emprego”, disse a Canacero em um comunicado de setembro.

 

Embora a tarifa principal sobre o aço seja de 50%, na verdade os países têm uma taxa efetiva menor. Para o ferro e o aço, em julho, ela está abaixo de 30% para o Canadá, México e Brasil, de acordo com dados compilados pela Bloomberg News, que são calculados para incluir isenções negociadas.

O México e o Canadá estão relativamente protegidos graças a uma isenção para o metal que é “derretido e derramado” nos EUA, bem como isenções de outras tarifas sobre o conteúdo não metálico desses produtos, de acordo com a Bloomberg Economics.

Os EUA continuam sendo um importador líquido de aço e precisarão continuar comprando aço estrangeiro, a menos que a indústria nacional se expanda em grande escala. O destino final das tarifas de Trump, entretanto, permanece incerto depois que a Suprema Corte concordou em ouvir argumentos sobre a legalidade das tarifas.

Mas, no curto prazo, as medidas protecionistas voltadas para a China estão se proliferando à medida que as siderúrgicas das Américas se ressentem dos impostos de Trump.

Além dos aumentos das tarifas do México sobre o aço chinês, seu governo está investigando usinas siderúrgicas fantasmas, operações que existem apenas no papel na Ásia e servem de cobertura para as importações estrangeiras, uma vez que os proprietários tentam escapar das tarifas ou sanções.

O governo já interrompeu as importações de mais de mil dessas usinas siderúrgicas falsas, das quais 40% estavam ligadas à China, 10% à Índia e 6% ao Irã, disse Luis Rosendo Gutiérrez Romano, vice-ministro da economia do México para o comércio, em uma entrevista em agosto.

O Canadá impôs tarifas de 25% sobre o aço chinês e, em julho, reforçou suas cotas tarifárias - que impõem tarifas mais altas sobre valores acima de um determinado nível - para limitar ainda mais as importações de países parceiros não americanos.

O governo também acrescentou uma sobretaxa de 25% sobre os produtos siderúrgicos de qualquer país, exceto os EUA, que contenham aço derretido e derramado na China.

As empresas contratadas pelo governo canadense também serão obrigadas a adquirir aço de produtores nacionais, à medida que o país aumenta seus gastos militares, de infraestrutura e de habitação.

Ainda assim, muitas siderúrgicas canadenses terão que se voltar para novas áreas de fabricação - o Canadá não é um produtor de vigas, por exemplo, e tem capacidade demais em bobinas de aço usadas em diversos produtos, como carros.

O governo canadense apresentou apoio financeiro, como uma iniciativa de C$1 bilhão ($727 milhões) para ajudar as siderúrgicas com projetos de investimento, e o Canadá está examinando medidas adicionais, disse a Ministra da Indústria, Melanie Joly, à Bloomberg News no mês passado.

Ela também destacou o acordo entre a Swebor Stal Svenska da Suécia e a fabricante canadense de veículos blindados Roshel para produzir aço de grau balístico em uma nova instalação.

O Brasil, por sua vez, está investigando se são necessárias tarifas antidumping sobre as importações de 25 tipos de produtos de aço da China. O governo implementou um sistema de cotas tarifárias para limitar as importações de alguns produtos siderúrgicos e apoiar as usinas siderúrgicas locais - uma medida que a indústria considera ineficaz.

Em um discurso no final de julho, Zhao Minge, presidente da China Iron & Steel Association, alertou sobre possíveis medidas protecionistas de países inundados pelo aço chinês. A exportação em larga escala de “produtos de aço primário de baixo valor agregado” não se alinha com as políticas de exportação da China, disse ele.

Se os principais importadores de aço dos EUA descobrirem que “suas remessas para os EUA estão bloqueadas, então, para equilibrar a oferta e a demanda domésticas de aço, eles reduzirão as importações da China”, disse ele.

No entanto, as medidas protecionistas podem não ser suficientes para mudar o rumo das siderúrgicas nas Américas, segundo alguns analistas e executivos do setor. No Canadá, o comércio transfronteiriço de aço foi efetivamente interrompido e o setor disse ter cortado cerca de 1.000 empregos.

A Algoma, uma das maiores produtoras de aço do Canadá, está se desfazendo de seus negócios nos EUA com base no pressuposto de que as tarifas de Trump serão aplicadas no curto e médio prazo, disse o CEO Michael Garcia em uma entrevista no início deste mês.

A empresa está em “discussões muito avançadas” com o governo canadense para obter um empréstimo federal de C$500 milhões para conter as perdas crescentes, acrescentou.

“Descobrimos que é impossível manter nossos negócios nos EUA”, que representam cerca de 60% da carteira da Algoma, disse ele.

O mercado canadense está enfrentando um excesso de oferta estrangeira, que responde por cerca de 65% do aço vendido no país, disse Garcia. A Algoma está tentando substituir o máximo possível dos negócios nos EUA “por negócios domésticos, mas estamos achando isso muito, muito desafiador, dada a dinâmica do mercado canadense”, disse ele.

O Brasil também está sob pressão significativa, já que as tarifas dos EUA levam a China a redirecionar seus suprimentos. A fabricante multinacional de aço ArcelorMittal, sediada em Luxemburgo, poderia adiar seus planos para uma nova fábrica planejada no Brasil, de acordo com o chefe de suas operações no país, Jorge Oliveira.

“O risco de investimento existe e, se as importações continuarem aumentando, poderemos adiar”, disse ele em uma entrevista no final do mês passado.

A reorganização do comércio global também forçou a ArcelorMittal a interromper as exportações de 400 mil toneladas de placas de aço fabricadas no Brasil para o Canadá, que agora não pode reexportar para os EUA, disse Oliveira.

O presidente da Gerdau, Andre Gerdau Johannpeter, alertou em uma conferência em São Paulo, em agosto, que o setor siderúrgico brasileiro está próximo a um ponto de ruptura, com qualquer queda adicional na capacidade dos atuais 66% podendo ameaçar os empregos. “A grande questão é onde estarão os empregos - na China ou no Brasil?”, disse ele.

Vale lembrar que o confronto político entre o Brasil e Trump em relação ao tratamento dado ao seu aliado Jair Bolsonaro foi um duro golpe para a tentativa do Brasil de fechar um acordo bilateral sobre tarifas de aço.

Desde que Trump impôs tarifas de 50% sobre produtos brasileiros, os canais diplomáticos entre os dois países ficaram em silêncio - e as conversas só serão retomadas quando as tensões diminuírem, disse Lopes, diretor do Instituto Aço Brasil.

Barry Zekelman, o bilionário CEO da Zekelman Industries , disse em uma entrevista no mês passado que as siderúrgicas canadenses não sobreviverão a menos que as políticas comerciais dos EUA mudem. Sua empresa, fabricante de tubos de aço com sede em Chicago, tem uma fábrica de tubos em Ontário e possui uma participação na Algoma.

As usinas canadenses “não podem sobreviver com as tarifas que estão pagando”, disse ele. “Elas vão fechar as portas se isso continuar.”

 
Fonte: Bloomberg News
Seção: Siderurgia & Mineração
Publicação: 29/09/2025

 

Brasil, México e Canadá reagem e montam estratégia contra a invasão do aço chinês

Enquanto as políticas comerciais do presidente americano Donald Trump representam um golpe para os produtores de aço no mundo todo, países como Brasil, México, e Canadá estão reagindo. Mas os Estados Unidos não são o único alvo.

Embora as três nações busquem negociar com o governo Trump a redução das tarifas de até 50% impostas em junho sobre o aço importado pelos EUA, os países também estão focados em impulsionar a demanda local para compensar a queda das exportações.

Isso significa bloquear a crescente enxurrada de aço chinês barato, que ameaça expulsar os produtores locais de seus mercados internos.

O México anunciou um plano neste mês para elevar as tarifas sobre produtos da China, incluindo o aço, em até 50%.

O Canadá também implementou medidas protecionistas.

E, no Brasil, os produtores de aço estão pedindo ao governo que imponha mais barreiras comerciais à oferta estrangeira.

Juntos, os três países foram responsáveis por 38% das importações dos EUA de aço em julho e cerca de metade no ano passado.

“Precisamos de celeridade e efetividade na aplicação de medidas de defesa comercial”, disse Marco Polo de Mello Lopes, presidente do Instituto Aço Brasil.

O aço chinês agora representa cerca de 65% das importações brasileiras do material. “Nossa missão é recuperar esse um terço do mercado que perdemos por conta de importações predatórias.”

As medidas para interromper as importações de aço chinês podem ajudar a posição de negociação dos três países com os EUA.

As tarifas de Trump sobre os vizinhos dos EUA ocorrem no momento em que seu governo trava uma guerra comercial mais ampla contra a segunda maior economia do mundo, com o objetivo, em parte, de conter o fluxo de produtos chineses baratos para países ao redor do mundo.

O aço chinês representou mais da metade do mercado global de aço no ano passado, de acordo com dados da Associação Mundial do Aço.

Um porta-voz do Escritório do Representante Comercial dos EUA não respondeu aos pedidos de comentário.

Volumes de aço para os EUA despencaram

Desde que Trump anunciou as tarifas sobre o aço, os volumes enviados do Canadá e do Brasil para os EUA despencaram. As importações dos EUA destes países caíram 45% e 27%, respectivamente, em julho, em comparação com o ano anterior, mostram dados do Census Bureau dos EUA.

O México ainda não sentiu o impacto total da taxação devido aos estoques, com as exportações de aço aos EUA em alta de 50% em julho.

Ainda assim, os danos às indústrias no México, Canadá e Brasil já se espalharam.

No Brasil, a Gerdau cancelou os planos de investir cerca de US$ 600 milhões em uma nova siderúrgica no México. A Algoma Steel Group, que opera uma grande usina de Ontario, no Canadá, está interrompendo os embarques de aço para os EUA, disse o principal executivo da empresa à Bloomberg News. 

Embora a tarifa de referência sobre o aço seja de 50%, os países enfrentam, na realidade, uma alíquota efetiva mais baixa.

Em julho, a taxa para o ferro e o aço ficou abaixo de 30% para o Canadá, México e Brasil, segundo dados compilados pela Bloomberg, que incluem isenções negociadas.

México e Canadá estão relativamente protegidos graças a uma exceção para o metal que é “fundido e moldado” nos EUA, bem como isenções de outras tarifas sobre o conteúdo não metálico destes produtos, de acordo com a Bloomberg Economics.

Os EUA continuam importando aço e precisarão continuar comprando no estrangeiro, a menos que a indústria nacional se expanda em grande escala. O destino final das tarifas de Trump, por sua vez, permanece incerto, depois que a Suprema Corte concordou em ouvir argumentos sobre a legalidade das tarifas.

Mas, no curto prazo, medidas protecionistas voltadas à China estão proliferando, à medida que as siderúrgicas das Américas sofrem com as tarifas de Trump.

Além dos aumentos de tarifas do México sobre o aço chinês, o governo investiga siderúrgicas fantasmas, operações que existem apenas no papel na Ásia e servem de fachada para importações, já que os proprietários buscam escapar de tarifas ou sanções.

O Canadá aplicou tarifas de 25% ao aço chinês e, em julho, reforçou suas cotas tarifárias — que impõem taxas mais altas sobre quantidades acima de um determinado nível — para limitar ainda mais as importações de países fora dos EUA. O governo também adicionou uma sobretaxa de 25% sobre produtos de aço de qualquer país, exceto os EUA, que contenham aço fundido e moldado na China.

O Brasil, por sua vez, está investigando se são necessárias tarifas antidumping sobre as importações de 25 tipos de produtos com aço da China. O governo implementou um sistema de cotas tarifárias para limitar as importações de alguns produtos e apoiar as siderúrgicas locais — uma medida que a indústria considera ineficaz.

Num discurso no final de julho, Zhao Minge, CEO da Associação Chinesa de Ferro e Aço, alertou sobre potenciais medidas protecionistas de países inundados com aço chinês. A exportação em larga escala de “produtos de aço primário de baixo valor agregado” não se alinha com as políticas de exportação da China, afirmou.

O Brasil está sob pressão significativa, já que as tarifas dos EUA levam a China a redirecionar sua oferta. A multinacional siderúrgica sediada em Luxemburgo ArcelorMittal pode atrasar seus planos para uma nova fábrica no Brasil, de acordo com o presidente da empresa no Brasil, Jorge Oliveira. “É um projeto que corre o risco de adiamento se o nível de importação continuar crescente”, disse ele em entrevista no final do mês passado.

A reorganização comercial global também forçou a ArcelorMittal a interromper as exportações de 400.000 toneladas de placas de aço feitas no Brasil para o Canadá, que agora não pode reexportar para os EUA, disse Oliveira.

Gerdau

Em agosto, durante uma conferência em São Paulo, o presidente do conselho de administração da Gerdau, André Gerdau Johannpeter, alertou que o setor siderúrgico brasileiro está se aproximando de um ponto de ruptura, com qualquer queda adicional na utilização da capacidade, abaixo dos atuais 66%, provavelmente ameaçando empregos. “O grande debate é onde vão ficar os empregos — na China ou no Brasil?”, afirmou.

Um choque político entre o Brasil e Trump sobre o tratamento dado ao seu aliado Jair Bolsonaro desferiu um golpe na tentativa do Brasil de chegar a um acordo bilateral sobre as tarifas ao aço. Desde que Trump impôs taxas de 50% sobre produtos brasileiros, os canais diplomáticos entre os dois países se silenciaram — e as negociações só serão retomadas quando as tensões diminuírem, disse Lopes, do Instituto Aço Brasil.

No mês passado, Barry Zekelman, CEO da Zekelman Industries, disse que as siderúrgicas canadenses não sobreviverão a menos que as políticas comerciais dos EUA mudem. Sua empresa, fabricante de tubos de aço com sede em Chicago, possui uma fábrica de tubos em Ontário, Canadá. “As usinas canadenses “não conseguem sobreviver com os impostos que estão pagando”, disse. “Elas vão falir se isso continuar.”

 
Fonte: Investnews
Seção: Siderurgia & Mineração
Publicação: 26/09/2025

 

Indústria se une após conflitos sobre aço importado

A disputa em torno do aço importado entre siderúrgicas e indústrias consumidoras no Brasil ganhou novos contornos. Se antes fabricantes de automóveis e máquinas e equipamentos se posicionavam contra tarifas, interessados em insumos mais baratos, agora esses mesmos setores começam a rever o discurso.

O motivo: o país asiático deixou de exportar apenas insumos básicos e passou a avançar também com produtos de maior valor agregado, competindo diretamente com montadoras, fornecedores de máquinas e equipamentos, entre outras indústrias locais.

A renovação do sistema de cotas de importação de aço, prorrogada até 2026, dividiu o debate sobre a política comercial. De um lado, as siderúrgicas avaliam que as cotas são insuficientes para conter o avanço de importações a preços reduzidos, especialmente da China. De outro, os grandes consumidores de aço sabem que barreiras encarecem a indústria nacional.

Para Antônio Sérgio Martins Mello, diretor de relações institucionais da Stellantis e vice-presidente da Anfavea, entidade que representa as montadoras, o ponto central é a discussão da competitividade e a cadeia produtiva precisa estar unida. “Para que a gente venda o carro a preços competitivos, precisamos ter insumos competitivos. Nesta discussão, não estamos defendendo redução de tarifa de aço. Isso não está nos planos. É o momento de unir forças”, diz.

A declaração, feita durante o congresso Aço Brasil 2025, marca uma inflexão: o setor automotivo, que antes resistia a tarifas sobre o aço importado, hoje evita falar em redução de impostos e defende estabilidade na cadeia produtiva, reflexo da entrada massiva de carros chineses no mercado brasileiro.

Na indústria de máquinas, o dilema é ainda mais evidente. O aço representa cerca de 40% do custo de produção, segundo Claudio Brizon, diretor da CNH Industrial. O setor depende de insumos acessíveis para competir globalmente, mas, segundo dados da Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq), a entrada de equipamentos prontos da China deve superar US$ 10 bilhões em 2025.

José Velloso, presidente da entidade, alerta. “Além disso, temos uma competição desleal com produtos chineses porque a China dá subsídios, financiamento barato, o Estado intervém no câmbio, fazem financiamento a fundo perdido para exportadores”.

A MRV, maior incorporadora do país, traz nuances adicionais. Para o CEO Eduardo Fischer, embora o sistema de cota-tarifa encareça os custos da construção civil, é preciso garantir a sobrevivência da indústria nacional para evitar uma dependência asiática e eventuais problemas futuros. “Temos de equilibrar a equação de como manter a indústria nacional competitiva sem destruí-la e sem que ela cobre além do que deveria”.

A construção civil, um dos maiores consumidores de aços longos, não sofre concorrência direta da China em seus mercados finais, mas teme instabilidade de fornecimento no longo prazo.

O reposicionamento desses setores não é isolado. A China tem excesso de capacidade estrutural na produção de itens ligados à siderurgia, máquinas, automóveis, eletroeletrônicos, energia, entre outros. Com barreiras cada vez mais duras dos Estados Unidos e União Europeia, exportadores redirecionam seu excedente para países mais abertos, como o Brasil.

Esse movimento já provocou um salto das importações: o país pode encerrar o ano com mais de 6,2 milhões de toneladas de aço importadas, o equivalente a 30% das vendas internas de laminados.

No setor automotivo, carros fabricados na China já representam 7,8% do mercado brasileiro, segundo dados de emplacamento de agosto. A BYD ultrapassou a Honda no ranking de marcas mais vendidas em 2025. No setor de máquinas e equipamentos, os importados respondem por quase metade do mercado.

O governo brasileiro tenta administrar interesses contraditórios. Renovou até maio de 2026 o sistema de cotas, aplicando tarifa de 25% sobre o aço importado acima do limite e ampliando de 19 para 23 os produtos abrangidos. Também abriu a maior investigação antidumping da história, cobrindo 25 itens vindos da China.

Mas há freios políticos: a China é o maior parceiro comercial do Brasil, comprando commodities agrícolas e minerais, além de ser aliada no grupo dos Brics. Endurecer contra Pequim poderia gerar retaliações. Ao mesmo tempo, os EUA, um dos principais destinos do aço brasileiro, mantêm tarifas elevadas, obrigando o país a equilibrar seus movimentos diplomáticos.

Para especialistas, o Brasil dispõe de instrumentos para proteger sua indústria sem se indispor diretamente com a China, mas a margem de manobra é estreita. A resposta passa por calibrar medidas defensivas com políticas industriais que mantenham a China como parceira, preservando a sustentabilidade da indústria local.

Para Márcio Sette Fortes, professor de Relações Internacionais do Ibmec RJ, a pressão chinesa é resultado da contração das exportações para os EUA. De um lado, a China elevou o valor agregado de seus produtos. De outro, redirecionou exportações para regiões mais abertas, como América Latina. “Pode-se citar os direitos antidumping e as medidas compensatórias para casos de competição desleal, e as medidas de salvaguarda, quando as importações de um bem aumentaram em volume, comparativamente à produção do similar nacional, a ponto de gerar prejuízo”.

Rodrigo Scolaro, economista da plataforma de inteligência GEP Brasil, lembra que a demanda interna de aço na China não está aquecida, o que leva a maior exportação. Havia perspectiva de corte na produção em um cenário deflacionário, somado ao aumento de barreiras alfandegárias, mas isso ainda não se confirmou.

 

 
Fonte: Valor
Seção: Siderurgia & Mineração
Publicação: 25/09/2025

Produção mundial de aço tem ligeira alta de 0,3% em agosto

A worldsteel divulgou que a produção mundial de aço bruto alcançou 145,3 milhões de toneladas em agosto de 2025, um aumento de 0,3% em relação ao mesmo mês do último ano. A Ásia e a Oceania produziram 107,7 milhões de toneladas em agosto, 0,4% a mais sobre agosto de 2024. Apenas a China produziu 77,4 milhões de toneladas, um recuo de 0,7% na comparação com agosto do ano passado, enquanto a Índia produziu 14,1 milhões de toneladas no mês, um incremento de 13,2% sobre o mesmo mês do último ano. Japão e Coreia do Sul produziram 6,6 milhões t e 5,2 milhões de toneladas de aço bruto em agosto, respectivamente, com recuos de 3,4% e 6,1% na comparação com o mesmo mês de 2024.

Os países do Bloco Europeu produziram 8,8 milhões de toneladas de aço em agosto de 2023, ou 2,8% a menos que no mesmo mês de 2024. A Alemanha produziu 10,5% a menos e somou 2,6 milhões de toneladas de aço sobre agosto de 2024. Países europeus, como Bósnia-Herzegovina, Macedônia, Noruega, Sérvia, Turquia e Reino Unido, produziram 3,7 milhões de toneladas e cresceram 2,1%, na comparação com agosto de 2024. A Turquia viu a produção aumentar 7,9%, para 3,4 milhões de toneladas em agosto de 2025. A África – Egito, Líbia e África do Sul – produziu 1,8 milhão de toneladas de aço bruto em agosto, 3,8% inferior na comparação com agosto do último ano. Já os países da CIS produziram 6,7 milhões de toneladas, 4,9% a menos, com destaque para a Rússia, que teve um volume de produção estimado de 5,5 milhões de toneladas, o que representa decréscimo de 4,6% sobre agosto de 2024.

Os países do Oriente Médio - Irã, Catar, Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos – registraram produção de 3,8 milhões de toneladas de aço bruto e cresceram 21,5% na comparação com agosto de 2024. O Irã produziu 1,6 milhões de toneladas, 17,9% superior no mês.

A produção na América do Norte aumentou 1,6% em agosto de 2025, somando 9,1 milhões de toneladas. Apenas os Estados Unidos produziram 7,2 milhões de toneladas, 3,2% a mais ao volume de agosto de 2024, enquanto a produção na América do Sul alcançou 3,6 milhões de toneladas, 5% a menos do que em agosto de 2024. O Brasil produziu 2,9 milhões de toneladas e registrou 4,6% a menos do que em agosto do último ano. No acumulado do ano até agosto, a produção mundial de aço bruto somou 1,230 bilhão de toneladas, o que representa uma queda de 1,7% em relação ao mesmo período de 2024.

 
Fonte: Brasil Mineral
Seção: Siderurgia & Mineração
Publicação: 25/09/2025

 

Encontro entre Lula e Trump reforça importância da retomada das negociações, avalia presidente da CNI

A Confederação Nacional da Indústria (CNI) recebeu com entusiasmo o anúncio do presidente americano Donald Trump, feito na Assembleia Geral da ONU, de que se reunirá com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva na próxima semana. Para a entidade, a retomada do diálogo em alto nível é fundamental para reaproximar Brasil e Estados Unidos em um momento de tensões comerciais e tarifas elevadas sobre produtos brasileiros.

O presidente da CNI, Ricardo Alban, avalia que a sinalização de Trump abre caminho importante para negociações que podem aliviar o impacto das sobretaxas. “A fala do presidente Trump, sinalizando uma abertura para o diálogo com o presidente Lula, aumenta a esperança para que os dois governos iniciem uma mesa de negociação para rediscutir as pesadas tarifas impostas pelos Estados Unidos. Sabemos que não é uma tarefa fácil, mas temos confiança de que, por meio da conversa e da diplomacia, o Brasil conseguirá reverter esse cenário. Afinal, Brasil e Estados Unidos mantêm uma relação propositiva de mais de 200 anos, com economias complementares”, destacou.

A importância do comércio bilateral reforça a urgência da aproximação: em 2024, as exportações brasileiras para os EUA alcançaram US$ 40,4 bilhões, alta de 9,4% em relação ao ano anterior, enquanto as importações somaram US$ 40,7 bilhões, crescimento de 7,1%. Mais de 80% das vendas brasileiras aos EUA têm origem na indústria de transformação, especialmente nos segmentos de aço, alumínio, veículos e autopeças — justamente os mais afetados pelas tarifas adicionais.

No início de setembro, a CNI coordenou uma missão empresarial a Washington, reunindo cerca de 130 empresários de diversos setores, além de encontros com autoridades do governo e do parlamento norte-americano. O objetivo foi contribuir para a abertura de canais de negociação e reforçar, com argumentos técnicos, as vantagens mútuas de uma parceria econômica mais equilibrada.

“Essa reunião entre os presidentes pode representar uma oportunidade de reaproximação estratégica, capaz de reduzir barreiras, ampliar a cooperação em áreas de inovação e sustentabilidade e reforçar a segurança jurídica para investimentos de longo prazo. O comércio bilateral é vital para a competitividade da indústria brasileira e só pode avançar com base no diálogo e na construção de soluções negociadas”, concluiu Alban.

Fonte: CNI
Seção: Indústria & Economia
Publicação: 24/09/2025