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Fabricantes equilibram leis e demandas do mercado na produção de motores

Os custos, a produtividade e a economia de combustível são as principais preocupações dos produtores na hora de escolher uma máquina agrícola. Essa percepção é compartilhada pelas fabricantes dos motores empregados nesses equipamentos. Mas as legislações ambientais adicionam um componente à tomada de decisão: a redução nas emissões de poluentes.

A legislação MAR-1, em vigor desde 2017 para todos os motores com potência igual ou superior a 101 cv, e desde 2019 para os modelos com potência igual ou superior 25 cv, trouxe modificações nos motores, além da exigência de utilização de diesel com teor de enxofre reduzido. Foram definidos limites para emissões de monóxido de carbono (CO), hidrocarbonetos (HC), óxidos de nitrogênio (NOx) e material particulado (MP). Para atender às especificações, a indústria precisou investir em tecnologias como o controle eletrônico de injeção, a recirculação de gás de escapamento (EGR) e a redução catalítica seletiva.

Essas tecnologias ajudam a controlar e reduzir a quantidade de poluentes liberados pelos motores, garantindo que eles atendam aos padrões ambientais estabelecidos pela MAR-1.

Enquanto isso, as empresas se equilibram entre o cumprimento das legislações e a entrega de performance ao produtor rural. O portal Máquinas e Inovações Agrícolas conversou com representantes de fabricantes de motores que explicaram a importância do produto no rendimento das operações, e as medidas a serem adotadas para que a maior eficiência possível seja atingida no campo.

Além de acarretar um aumento do preço dos motores, as adequações, em alguns casos, podem representar uma redução da performance dos motores, na comparação com aqueles sem os controles de emissões. Segundo o CEO da Mahindra Brasil, Jak Torretta, “por incrível que pareça” para se reduzir as emissões de poluentes, o motor fica menos eficiente. “O motor acaba consumindo mais combustível. É bem difícil de entender, mas essa é a realidade: um motor MAR-1 consome mais do que um sem o controle de emissões”, ele ressalta, porém, que no Tier 4 – legislação dos Estados Unidos, com limites ainda menores –, em função de haver pós-tratamento de gases, a eficiência é melhorada.

As fabricantes trabalham para compensar esse ajuste sem prejuízo ao agricultor. Isso significa um incremento tecnológico e, portanto, financeiro. O tema da sustentabilidade é inevitável, mas o encarecimento das máquinas ainda encontra resistência do produtor.

“Pergunte ao agricultor se ele quer pagar mais. Ele quer um motor simples, ele não quer ter dor de cabeça, ele quer que seja o mais barato possível. E os controles de emissões vão justamente no oposto do que ele quer, mas é uma necessidade. Precisamos trabalhar esse ponto: vamos reduzir emissões, mas um custo será agregado a todas as máquinas”, pontuou Torretta.

Mesmo que parte da elevação seja repassada ao consumidor final, os custos de produção costumam frear os investimentos por parte do agricultor. E o setor de máquinas é um dos que mais sente essa resistência. A frota brasileira ainda é considerada bastante defasada, apesar das inovações apresentadas pelas montadoras.

Ainda assim, Torreta vê uma demanda por essas novidades. O gerente de pós-tratamento e certificação técnica da FPT América Latina, Gustavo Teixeira, concorda e observa que os clientes – especialmente de máquinas maiores, nas quais as novas tecnologias de controle de emissões são inevitáveis – experimentam os equipamentos e “tornam-se defensores das inovações” devido aos ganhos em produtividade.

“Existe um paradigma por parte do usuário, principalmente de tratores e máquinas menores, que busca soluções mais práticas, de reparação mais fácil, de manutenção mais fácil para o dia a dia. Mas aqueles que têm a possibilidade de testar um trator mais recente, um trator nosso, por exemplo, que traz um certo conteúdo de inovação, ficam muito surpresos, porque veem produtividade, o consumo de combustível, a facilidade de operação. Aqueles que têm oportunidade, eles viram os grandes defensores e passam até a influenciar outros colegas nas associações, nas cooperativas”, ponderou.

Para o gerente de engenharia de produto da MWM, Jorge de Araújo, esse diálogo com o cliente é importante para que ele compreenda a importância do equilíbrio entre custo, sustentabilidade e desempenho ao longo do ciclo de vida do motor. “Estamos muito próximos do produtor, entendendo suas necessidades na hora de desenvolver novos produtos. Lógico que o custo de aquisição é muito importante, mas o mais importante é quanto o motor vai custar no ciclo de vida da operação. Mesmo com custo maior, você consegue provar ao produtor que o consumo de combustível é menor, que a disponibilidade da máquina será maior, que o custo de manutenção será menor, que o produtor terá uma série de informações. O valor se paga durante o ciclo de vida”, defendeu.

A durabilidade pode variar conforme a aplicação de cada máquina em operações específicas, mas ele comemora que há motores da empresa fabricados na década de 1970 ainda em funcionamento no campo. “Já produzimos mais de 4,5 milhões de motores que foram a campo. Hoje, 2,5 milhões ainda estão rodando. É possível estender a vida do motor trocando poucas peças”, além disso, os demais componentes da máquina além do motor também influenciam na durabilidade. Tornando difícil um cálculo preciso.

Além da longevidade dos motores, uma preocupação é o tempo ocioso da máquina. Especialmente para as máquinas sazonais, como as colhedoras, mas não se limitando a elas, os produtores buscam equipamentos que exijam a menor frequência possível de manutenções e intervenções. Por isso, além de componentes mais duráveis nos motores, a tecnologia empregada na otimização da máquina como um todo é fundamental.

Para Teixeira, da FPT, o plano de manutenção do motor deve beneficiar a produtividade. Por isso, ele concorda que o investimento em tecnologia resulta em um melhor monitoramento da performance do equipamento, tanto em consumo de combustível, como no desgaste de peças “também são benefícios atrelados à redução de emissões”. Ele salienta que os clientes mais capitalizados têm a vantagem de, pagando “um pouco mais”, terem intervalos de troca de óleo e de revisões mais espaçados, “para que possam parar menos durante aqueles dias críticos”.

Araújo, da MWM, ilustrou: “quando entrei na empresa, vendíamos motores cuja troca de óleo era a cada 100 horas. Isso avançou para 250 horas. Hoje já estamos em 500 horas. Temos equipamentos que recebem manutenção a cada mil horas. Quanto mais isso aumenta, menor é o nível de emissões. Assim como o motor consome combustível, ele consome menos óleo, através de um filtro mais eficiente. Há uma série de parâmetros a serem analisados”, disse.

O emprego apropriado de cada máquina também gera economia. Torretta, da Mahindra, observa que pequenos produtores tendem a usar tratores para diversas tarefas na operação, enquanto médios e grandes produtores têm equipamentos específicos para cada uma delas, o que resulta em menor desgaste.

Performance

O gerente da FPT defende que a evolução no controle de emissões, com sensores, turbocompressores e sistemas de injeção acarreta ganhos de produtividade. “A questão do atingimento das emissões é um desafio para os fabricantes. Especialmente naqueles casos em que há uso de EGR interno, por exemplo, ou seja, algo já no próprio motor, na regulagem do motor, acabamos abrindo mão, sim, de um percentual da performance para que se consiga tratar as emissões. O que acontece é que fazemos de maneira controlada, para que o cliente receba já no lançamento do motor uma entrega um pouco maior exatamente para compensar aquela diferença que ele vai ter devido ao controle de emissões. Isso para que se consiga atender emissões sem ter na mão ou no pé do operador aquela sensação de que a máquina não está entregando a mesma coisa que a anterior”, garantiu.

Araújo, da MWM, vai na mesma linha. Segundo ele, a legislação de emissões só traz benefícios. “Ela faz o engenheiro pensar em qual é a melhor solução a ser aplicada, cria a necessidade de se buscar novas tecnologias, que farão com que o motor tenha um melhor nível de emissões e um menor consumo de combustível. Hoje os motores consomem muito menos combustível do que 20 anos atrás”, celebrou, ressaltando que isso é resultado de pesquisa e desenvolvimento, adequando cada tipo de motor a cada tipo de máquina e operação.

Conforme o engenheiro-chefe de produtos da Cummins, Cristiano Zia, quanto menor o nível de emissões permitido na norma, mais tecnologia precisa ser investida, independente do combustível utilizado.

“Dependendo do nível de emissões é preciso fazer melhorias, às vezes, de eletrônica no motor, ou de software, de gerenciamento de injeção, coisas do tipo. A fabricante agrega componentes dentro desse sistema da máquina para atender à legislação. O produtor agrícola vai ter um custo maior de manutenção, por exemplo. Isso é inevitável, porque tem mais itens necessários ali”, ele garante que não há prejuízo em termos de potência.

“Às vezes a gente até aumenta o nível de potência e torque que esses motores podem entregar, porque eles têm esses artifícios de pós-tratamento, por exemplo. Não é só o motor que controla emissões, agora se tem um outro parceiro, vamos dizer assim, que ajuda nessa batalha. Isso resulta em diversidade de potência, abre o leque de opções, no âmbito técnico”, ilustrou.

Entregas

Teixeira, da FPT Industrial, explica que quanto mais se aumenta a entrega, seja de torque, potência ou a produtividade da máquina, maior a demanda por componentes adicionais. “O arrefecimento precisa ser melhorado, precisa ser mais eficiente, os radiadores começam a ser maiores, as bombas, maiores”, explicou.

“Muitas vezes, conforme a legislação de emissões, os motores menores se enquadram apenas com EGR interno; a recirculação dos gases do próprio motor é capaz de trazer as emissões para os limites da legislação, com sistemas mecânicos, mais baratos. Enquanto isso, quando se aumenta os motores, surge a necessidade de catalisadores mais aprimorados, com mais sensores. Há muito mais tecnologia embarcada. É inevitável que o custo da aquisição fique um pouco mais alto. Mas é muito proporcional a entrega que você vai ter. Os grandes produtores apostam nisso, investem na máquina de maior valor pois o ganho é muito grande. Ao passo que o produtor menor, obviamente, fica mais sensível, por isso as soluções são mais compatíveis com aquela necessidade dele”, completa Teixeira.

O CEO da Mahindra, Jak Torretta, vê um movimento de fabricantes que decidem por utilizar apenas motores com injeção eletrônica, antecipando as novas legislações de emissões. A Mahindra, no entanto, opta por trabalhar com motores de injeção mecânica, “que são mais baratos, mais simples, e têm manutenção mais fácil”.

Todos os tratores de 25 cv a 110 cv da marca têm motores com injeção mecânica. “Não existe a necessidade de você colocar injeção eletrônica. E a injeção eletrônica só encarece o produto para o usuário final. Além do que, são sistemas eletrônicos e a gente sabe como é: trabalhando num ambiente hostil como é o dia a dia na agricultura, com o calor, a umidade e a poeira, é complicado você trabalhar com eletrônica, porque você depende muito de sensores em meio a tudo isso”, justificou.

O usuário final demanda um equilíbrio entre alguns fatores. “No motor agrícola é muito importante o nível de torque, geralmente são motores de torque alto mesmo que não tenham uma potência tão alta. A disponibilidade de torque e a capacidade de recuperação do torque é fundamental quando, por exemplo, a máquina se depara com um solo mais compactado. O motor tende a baixar de rotação, vai ter que fazer mais força. E o motor com uma capacidade de reação melhor é importante para o agricultor”, conforme Torretta, essa alta reserva de torque é importante em função do desempenho da máquina, pois reflete na economia do combustível.

“Tem que haver um compromisso entre o nível de reserva de torque necessário para determinada máquina e o consumo que ela está exigindo”, é aí, segundo ele, que está a diferença entre cada marca, em função de tecnologia e de integração do motor com a transmissão. “Para disponibilizar os 80 cavalos de potência, quanto estou gastando de combustível?”, questionou.

Cristiano Zia, da Cummins, lembra que o motor a diesel é o que tem melhor custo-benefício, dada a tecnologia disponível atualmente. “O motor tem o papel de mover as máquinas. E os movidos a diesel tem essa vantagem: garantem maior robustez e durabilidade, fazendo com que elas estejam disponíveis para o trabalho”, considerou.

Combustíveis

Os combustíveis desempenham um papel crucial no desempenho e na sustentabilidade das máquinas agrícolas. Atualmente, o diesel continua sendo o mais utilizado, com estimativas indicando que de 80% a 90% da frota agrícola brasileira é movida por ele. No entanto, o mercado está começando a explorar alternativas, como o biometano e o etanol, embora o setor ainda enfrente desafios significativos para aumentar a disponibilidade de biocombustíveis.

O diesel é amplamente utilizado, mas apresenta desafios significativos. A qualidade do combustível e o armazenamento adequado são preocupações constantes para os fabricantes, especialmente considerando a mistura de 14% de biodiesel no diesel. O alto teor de enxofre presente no combustível, combinado com a água gerada por um processo químico no biocombustível, resulta em ácido sulfúrico, que causa corrosão nas partes do motor. O uso de materiais e práticas para minimizar esses problemas acaba aumentando os custos.

Jak Torretta, da Mahindra, lembra que, “quando a água entra no sistema de injeção, é um desastre”. A Petrobras enfrenta um desafio significativo para reduzir os níveis de enxofre e outras impurezas, o que demanda um investimento considerável. Isso é frequentemente tratado de perto pelas fabricantes dos sistemas de injeção.

A adoção de combustíveis alternativos como o biometano e o etanol ainda está em fase de desenvolvimento, e o crescimento desses biocombustíveis no setor agrícola é esperado, mas esbarra em limitações de infraestrutura e políticas públicas.

O engenheiro-chefe de produtos da Cummins, Cristiano Zia, aponta que o mercado brasileiro ainda é lento na adoção de combustíveis alternativos devido à infraestrutura limitada para motores a hidrogênio verde ou elétricos.

A implementação de motores a hidrogênio verde está em fase experimental e enfrenta desafios relacionados à produção e infraestrutura. Jak Torretta observa que não se trata de um problema comercial. “Até porque a própria produção do hidrogênio para o usuário ainda não existe. É preciso fazer ainda muito investimento em plantas para a produção do hidrogênio. Mas é uma possibilidade. Tudo indica que o Brasil vai ser um dos líderes nessa produção do hidrogênio verde.”

Fonte: Portal Máquinas Agrícolas
Seção: Agro, Máquinas & Equipamentos
Publicação: 03/09/2024

 

Argentina baixa impostos de importação e pode beneficiar Brasil

O Ministro da Economia da Argentina, Luis Caputo, anunciou que a partir de segunda-feira, 2 de setembro, o imposto chamado "PAIS" (Por una Argentina Inclusiva y Solidaria") será reduzido. Trata-se de um imposto criado pelo então presidente Alberto Fernández quando assumiu o cargo em dezembro de 2019 e que o atual presidente Javier Milei aumentou quando assumiu o cargo em dezembro de 2023.

A alíquota do PAIS hoje tem um impacto de 17,5% e, a partir de segunda-feira, cairá para 7,5%.

Esse imposto se aplica às importações feitas com o chamado "dólar oficial" vendido pelo Banco Central de lá. O imposto não afeta outros dólares financeiros, que nunca pagaram esse imposto. Também não haverá mudanças no chamado "dólar turismo", que continuará pagando o PAIS de 17,5%.

No setor automotivo, a redução do imposto afetará tanto as peças quanto os carros que entram na Argentina com dólares do Banco Central. Com isso, modelos fabricados no Brasil e oferecidos por lá poderão ficar mais em conta para os argentinos. Da mesma forma, a redução das tarifas para a importação de peças também pode afetar o bolso dos brasileiros. Como grande parte das picapes médias oferecidas aqui são feitas na Argentina, a redução da tributação pode deixar os carros que são importados de lá mais baratos.

Os preços cairão na Argentina?

No mercado automotivo, não são esperadas grandes mudanças no grupo de importadores privados, que há algum tempo operam com dólares financeiros ou próprios, também conhecidos como "dólar Frank Sinatra". Por outro lado, tornará a importação de automóveis mais barata para as montadoras associadas à Adefa, que reúne as fabricantes locais daquele país. Em sua maioria, utilizam o dólar do Banco Central para essas operações.

A redução também deve ter impacto no custo de produção dos carros argentinos. Lembremos que, em média, os veículos de lá têm entre 50% e 90% de suas peças importadas (varia muito de acordo com a fábrica e o modelo). Esses componentes são pagos com dólares oficiais do Banco Central, que agora pagarão uma redução de 10 pontos na alíquota do PAIS.

As montadoras e concessionárias consultadas por nossos colegas do Motor1.com Argentina sobre as mudanças nos preços devido à redução do imposto PAIS relutaram em falar sobre grandes reduções no valor do 0km: "Com a inflação parecendo ter se estabilizado em 4% ao mês, é muito provável que em setembro os preços não caiam muito, mas que não haja grandes aumentos. O mercado ainda está trabalhando com grandes descontos, embora não esteja descartada a possibilidade de algumas empresas promoverem bônus para mostrar seu apoio à medida do governo. Em resumo, Caputo e Milei estão fazendo o que estamos pedindo há meses: impostos mais baixos". 

O ministro Caputo se comprometeu a eliminar completamente o imposto PAIS até o final do ano. Na prática, a medida que seria tomada seria não renovar sua validade para 2025 e deixar a regulamentação atual expirar em 31 de dezembro.

Em resumo, a redução do imposto PAIS é analisada no mercado automotivo como um sinal positivo do governo. Se isso reduzirá o preço dos carros é outra questão: "Hoje o preço é definido pela demanda e não pela oferta", explicou o diretor de vendas de uma montadora. "Desde janeiro, ficou demonstrado que o poder do consumidor, ao validar ou não um aumento excessivo no preço do 0km, tem um impacto muito maior no mercado do que qualquer medida ou incentivo governamental", acrescentou.

Portanto, o conselho mais sólido para o consumidor continua sendo o mesmo: "Se parecer caro, não compre".

Fonte: Motor 1
Seção: Automobilística & Autopeças
Publicação: 02/09/2024

 

Envelhecimento da mão de obra é desafio para a construção

A mão de obra é motivo de preocupação para a maioria dos empresários da construção civil. Atualmente, o número de entrantes para trabalhar no setor é muito pequeno em relação ao que era no passado. Há um envelhecimento na idade média de ajudantes, carpinteiros, mestres de obra e engenheiros.

Não que esse seja um problema que atinge apenas a indústria da construção, é uma realidade nacional presente em todos os setores, incluindo comércio, serviços e agricultura.

Com base nos dados da Rais - Relação Anual de Informações Sociais -, fica evidente que a construção civil não está atraindo tantos jovens para trabalharem nos canteiros de obra como no passado.

De 2015 a 2022 houve redução de 9,33% no número de empregados com carteira assinada com idade até 39 anos. Já o número de trabalhadores com 40 anos ou mais subiu 13,99% no mesmo período, no Espírito Santo.

Essa realidade não é constatada apenas na indústria da construção capixaba. Dados do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) mostram que a idade média dos trabalhadores em obras no Brasil era de 37,4 anos em 2012. Em 2023, esse número subiu para 41,2 anos.

Diferentes fatores explicam esse envelhecimento da mão de obra, dentre eles, o aumento da expectativa de vida no Brasil. Em 2012, a expectativa de vida era de 74,8 anos. Em 2023, esse número subiu para 77,3 anos. Isso significa que as pessoas estão vivendo mais tempo e, consequentemente, trabalhando por mais tempo.

Outro fator é a diminuição da natalidade. A taxa de natalidade no Brasil vem diminuindo nos últimos anos. Em 2012, a taxa de natalidade era de 2,0 filhos por mulher. Em 2023, esse número caiu para 1,7 filhos por mulher. Isso significa que há menos jovens no mercado de trabalho, o que contribui para o aumento da idade média dos trabalhadores.

A formalização do mercado de trabalho também pode ser considerada um fator para que o público 40 mais esteja mais presente nas obras. O mercado de trabalho brasileiro vem se formalizando nos últimos anos.

Isso significa que mais trabalhadores estão registrados em carteira, o que lhes dá acesso a direitos como aposentadoria e seguro-desemprego. Isso faz com que os trabalhadores permaneçam no mercado de trabalho por mais tempo.

A questão é como fazer com que o setor seja atrativo para a mão de obra mais jovem. Tudo aponta para a tecnologia. Ela é o caminho para que a indústria aumente a produtividade e o bem-estar dos trabalhadores, para que volte a motivar pessoas em início de vida ativa profissionalmente.

A construção civil do futuro exigirá uma abordagem inovadora e colaborativa, onde a valorização do trabalho humano e a adoção de práticas sustentáveis sejam fundamentais para o sucesso do setor. O setor enfrenta uma nova era, onde a criatividade e a ousadia são essenciais para superar os desafios e construir um futuro mais resiliente e eficiente.

Fonte: A Gazeta
Seção: Construção, Obras & Infraestrutura
Publicação: 30/08/2024

 

Fabricantes miram em máquinas mais resistentes e suporte técnico a agricultores após eventos climáticos

Bens caros e de altíssimo investimento para os agricultores, as máquinas agrícolas também ficaram suscetíveis aos danos causados pela enchente no Rio Grande do Sul, ampliando consideravelmente os prejuízos no campo. Antecipando-se a eventos climáticos que tendem a ser cada vez mais frequentes, fabricantes e concessionárias de maquinários começam a se preparar para o novo cenáriooferecendo implementos mais resistentes e prestando maior suporte técnico aos produtores.

Nas grandes montadoras, onde a alta tecnologia embarcada é realidade, os equipamentos modernos priorizam não só o conforto dos operadores e a maior produtividade, mas também a inteligência para a resolução de problemas nas máquinas.

Lucas Zanetti, gerente de marketing de produto da Massey Ferguson, diz que a fabricante vem apostando em iniciativas para ajudar o produtor a evitar danos não só nas condições climáticas adversas, mas também nas situações comuns do dia a dia do campo. Para isso, a marca investe em máquinas e soluções cada vez mais simples.

— Simples no sentido tanto de operação e regulagemquanto no diagnóstico de problemas e na manutenção. Uma manutenção fácil, de menor custo, que é importante principalmente nesses momentos, e confiáveis no sentido de robustez e entrega de produtos resistentes às condições adversas — explica Zanetti.

Na Expointer, os modelos robustos apresentados pelas marcas “escondem” a tecnologia embarcada. Os desenhos são projetados justamente para proteger e fazer com que os componentes sensíveis fiquem blindados dentro do maquinário. A resistência é fundamental para que qualquer dano, seja por água, poeira ou sol, não comprometa o funcionamento dos itens.

Zanetti lembra que as máquinas cada vez mais têm tido incorporação de tecnologia, o que remete a mais componentes eletrônicos. Por isso, é fundamental que esses itens estejam bem posicionados aos conectores e cabeamentos, a fim de resistirem o máximo possível às intempéries. Da mesma forma, a parte eletrônica ajuda no diagnóstico das avarias, com tecnologias como, por exemplo, a telemetria, que permite visualizar uma possível falha antes de ligar a máquina.

— Conseguimos detectar qualquer tipo de falha antes que possa ser uma falha maior ainda. A ferramenta eletrônica visa a ajudar bastante nesse sentido — completa o gerente da Massey.

Assistência no reparo

Além das perdas em terras e em produção, muitos agricultores viram máquinas robustas como colheitadeiras e tratores serem arrastados pela força da água. O reparo correto dos implementos foi fundamental para evitar a perda total dos motores agrícolas.

Para atender emergencialmente aos agricultores atingidos, as concessionárias passaram a oferecer suporte técnico aos produtores, com instruções específicas de reparo para as máquinas danificadas pelo lodo e pela água.

De acordo com as fabricantes, a manutenção inicial das máquinas que ficaram submersas é fundamental para garantir a funcionalidade dos equipamentos. Gigantes como John Deere passaram a oferecer assistência, inclusive remota, para orientar os clientes sobre as maneiras adequadas para a recuperação das máquinas.

— Adaptamos o suporte às necessidades dos clientes da região sul. Desde mapear os parques de máquinas do Estado e entender onde estavam as áreas mais afetadas a oferecer condições financeiras de revisão das máquinas — destacou Cibele Romão, gerente de suporte ao cliente e pós-vendas da John Deere para a região sul.

A Massey disponibilizou um guia de orientações básicas para a manutenção inicial dos maquinários afetados. Procedimentos e cuidados especiais como verificação da parte elétrica e mecânica antes de ligar a máquina são alguns dos passos recomendados, seguidos de limpeza para remoção da lama e, então, o planejamento da manutenção.

Enchente respinga nas compras

O dano financeiro deixado pela enchente impacta no bolso dos agricultores, em grande parte descapitalizados para investimentos de grande porte, como a renovação da frota. Diante do cenário, as marcas vieram para a Expointer com expectativas de vendas mais comedidas nesta edição. O Sindicato das Indústrias de Máquinas e Implementos Agrícolas do Rio Grande do Sul (Simers) ainda não divulga um balanço parcial das vendas, mas o movimento entre os estandes é de bastante procura.

Nesta quinta-feira (29), os espaços estavam lotados de público. CEO da SLC Máquinas, Anderson Strada diz que existia uma apreensão grande antes da feira em relação à disposição dos agricultores para consumir. As intenções de compra, no entanto, estão melhores do que o esperado:

— Para nossa surpresa, o volume de clientes que vem para prospectar negócios está além das expectativas. Existe a incerteza com o que de fato se concretiza, claro, mas o produtor está olhando com ideia de se reposicionar frente ao que aconteceu.

O segmento industrial costuma ser motor de faturamento na exposição. Em 2023, foram R$ 7,3 bilhões em negócios sinalizados pela venda de máquinas e implementos.

As perspectivas de recuperação de mercado estão no horizonte das empresas. A expectativa é de que o decorrer do segundo semestre prepare para um próximo ano de maior arrancada, com leve crescimento de vendas diante das projeções de La Niña menos severo e de custo de produção menor ao produtor, diz o gerente da Massey.

Fonte: GaúchaZH
Seção: Agro, Máquinas & Equipamentos
Publicação: 30/08/2024

 

Descarbonização da indústria vai demandar R$ 40 bilhões até 2050

A transição para o uso de fontes de energia renováveis, a aplicação de tecnologia para tornar os processos produtivos mais eficientes e a pesquisa e o desenvolvimento (P&D) com foco em produtos de menor impacto estão entre as soluções que vêm sendo aplicadas na indústria brasileira numa jornada rumo à economia de baixo carbono. O processo de descarbonização do setor demandará cerca de R$ 40 bilhões até 2050, ano em que o país deverá cumprir a meta assumida no Acordo de Paris de zerar emissões líquidas de gases de efeito estufa, segundo projeção da Confederação Nacional da Indústria (CNI).

Considerando a produção e o consumo de energia, o setor contribui com mais de 30% das emissões globais de gases de efeito estufa (GEE). A McKinsey estima que a transição para uma economia de baixo carbono exigirá um investimento de US$ 275 trilhões nos próximos 30 anos, o que equivale a cerca de 7,5% do PIB global anual. É um cálculo similar ao da Climate Policy Initiative (CPI), de US$ 266 trilhões.

Alcançar a meta de emissões líquidas zero depende de um conjunto de avanços. Em relatório sobre o percurso até o carbono zero para a indústria, o Fórum Econômico Mundial elenca as cinco áreas-chave que vão determinar a rota de descarbonização: tecnologia, infraestrutura, demanda por energia sustentável, políticas públicas e acesso a capital.

"Neoindustrialização descarbonizada pode aumentar participação da indústria no PIB”
— Rosana Santos

Uma das empresas da Solvay, multinacional belga de químicos, a Rhodia no Brasil tem liderado os avanços do grupo para descarbonização. A meta é que toda a produção brasileira seja neutra em carbono até 2030. A fábrica da empresa em Paulínia (SP) atingiu 95% da meta. O desafio está em reduzir os 5% restantes e fazer o mesmo com outras unidades sediadas no Brasil. A empresa adotou medidas como compra de energia sustentável, uso de biomassa, redução da demanda por gás natural, aplicação de processos para melhoria da eficiência e uso de uma tecnologia de purificação dos gases, além da compra de créditos de carbono. Em outra frente, investe em média de 2% a 3% do faturamento em pesquisa, desenvolvimento e inovação.

“Temos um custo com esses projetos. Mas não vai existir química do futuro sem química verde. Então, é um investimento para se antecipar ao momento em que o mercado [de baixo carbono] estará precificado. Será um diferencial competitivo”, avalia a presidente do Grupo Solvay-Rhodia para a América Latina, Daniela Manique. Segundo ela, a linha de químicos sustentáveis da Rhodia tem no mercado internacional a principal via de faturamento. Um dos entraves para aumentar a penetração destas alternativas no setor no Brasil, como a de um fenol verde, que já foi criado, é o alto valor agregado.

Na descarbonização, uma das principais vantagens competitivas do Brasil é ter uma matriz energética mais limpa que as de outras economias, enquanto alguns dos grandes gargalos são o espaço fiscal e o capital disponível no país para financiar a transição verde, diz Rosana Santos, diretora-executiva do Instituto E+ Transição Energética. “É preciso tomar a decisão de que essa será nossa diretriz de crescimento. Uma neoindustrialização descarbonizada, que possa abocanhar uma parte do mercado recém-nascido de produtos verdes, pode implicar em aumento da participação da indústria no PIB brasileiro e na criação de empregos de maior qualidade, o que vai puxar a economia.”

Para ela, o Brasil tem uma oportunidade de “passar a ser enxergado como um provedor de produtos industrializados de menores emissões”, o que “agrega valor à nossa produção”. Os riscos do país não adaptar sua produção para o baixo carbono incluem a perda de acesso a mercados internacionais e o aumento da desindustrialização. Em determinados segmentos industriais, o país já é visto como referência em produtos com pegada de carbono menor que a de concorrentes. É o caso de parte da cadeia de aço. No país, essa indústria responde por 4% das emissões de gases, valor inferior à média de 7% nas emissões da produção mundial de aço.

Maior empresa brasileira produtora de aço, a Gerdau tem hoje 70% de sua produção de aço com origem na reciclagem de sucata, enquanto correntes de outros países em geral usam 30%, segundo Cenira Nunes, gerente geral de meio ambiente da Gerdau. Cada tonelada de sucata reciclada evita a emissão de 1,5 tonelada de CO2, calcula ela.

Para reduzir o nível de emissões na produção, a Gerdau também trabalha com alternativas para substituição de carvão mineral nos altos-fornos. Uma delas é o uso de biomassa de eucalipto e casca de serragem como combustível. Um passo, no futuro, será o de transformar os altos-fornos em reatores de redução direta, que poderiam ser alimentados por hidrogênio. “A gente estuda como fazer a troca dos equipamentos para então chegar ao uso de hidrogênio. Tudo isso envolve pesquisa e desenvolvimento. Usar o hidrogênio não é algo trivial. Tem uma série de questões de segurança que precisam ser medidas”, diz.

O primeiro passo para descarbonizar passa pelo mapeamento das emissões em cada indústria, o que exige identificar, quantificar e classificar as fontes de GEE no escopo 1 (emissões diretas da empresa), no escopo 2 (emissões indiretas associadas à energia comprada), e no escopo 3 (outras emissões indiretas, como as da cadeia de suprimentos).

A Randoncorp, multinacional brasileira que trabalha com a manufatura de implementos rodoviários, autopeças, e veículos comerciais, começou em 2020 a fazer o inventário das emissões da companhia nos escopos 1 e 2, com a meta definida de reduzir em 40% as emissões nessas fases. Para isso, o grupo tem investido em plantas de energia solar, na substituição de equipamentos movidos a combustíveis fósseis por eletrificados e na substituição de gás natural por biomassa.

A empresa também começou, há dois anos, a fazer a medição da pegada de carbono de produtos para desenvolver alternativas, com a troca de matérias-primas que tivessem impacto menor. “Temos uma estratégia muito clara de substituir materiais metálicos pesados para materiais mais leves”, conta Anderson Pontalti, coordenador do comitê ESG da Randoncorp.

A descarbonização é um desafio maior para companhias do setor que são de menor porte. “As grandes empresas já entenderam que sustentabilidade é fator de competitividade. Para as micro e pequenas, a gente precisa pensar em uma forma de induzir a transição, até porque elas estão preocupadas com fluxo de caixa, com manter o negócio no mês seguinte. É um trabalho que precisa ser estimulado”, afirma o superintendente de meio ambiente e Sustentabilidade da CNI, Davi Bomtempo.

Fonte: Valor
Seção: Indústria & Economia
Publicação: 29/08/2024

 

CSN esclarece sobre investigação antidumping pelo DECOM

Sobre a nota “Entidades reagem a processo antidumping da CSN", publicada em 26 de agosto, pela Brasil Mineral, o Grupo CSN afirma que as informações estão equivocadas e induzem ao erro ao indicar que o objetivo do processo é uma elevação nas alíquotas de importação geral, quando, na verdade, o que está em pauta é uma investigação antidumping conduzida pelo Departamento de Defesa Comercial (DECOM), seguindo uma metodologia estritamente técnica, a fim de corrigir distorções causadas por importações a preços desleais.

A CSN lembra ainda que a concorrência predatória de produtos estrangeiros vendidos abaixo do custo de produção é uma preocupação global para garantir a sobrevivência das economias domésticas em todos os países. “É notório que mundialmente mecanismos de defesa comercial, como o antidumping, já estejam em curso em outros países para conter o avanço dessa prática desleal”.

A CSN afirma, ainda, que a investigação conduzida pelo DECOM está focada exclusivamente nas importações da China, pois uma combinação de queda acentuada de consumo em importantes segmentos chineses, como o imobiliário e a construção civil, tem gerado excedentes vultuosos em sua produção que precisam ser escoados a qualquer preço, literalmente. Assim, é importante frisar que, caso a medida seja aplicada, esta afetará apenas as importações de folhas metálicas chinesas, não impactando as importações de outros países.

“Além disso, também é essencial esclarecer que a investigação mencionada não diz respeito a um aumento de imposto de importação de folhas de aço. A tarifa atual de importação para folhas metálicas permanece em 10,8% e não haverá alteração nesse percentual. Portanto, o poder de compra do povo brasileiro não será afetado, tampouco haverá impacto na inflação, diferentemente do que foi sugerido. Ou seja, não haverá impactos na competitividade ou nos empregos das empresas produtoras de latas de aço. Na verdade, a defesa do país contra ações antidumping tem o efeito inverso: proteger os empregos e a indústria nacional contra a concorrência desleal”, finaliza a nota da CSN.

Fonte: Brasil Mineral
Seção: Siderurgia & Mineração
Publicação: 29/08/2024