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Tarifaço dos EUA derruba exportações brasileiras ao menor nível em três décadas

As exportações brasileiras para os Estados Unidos atingiram o menor nível de participação na pauta exportadora nacional em aproximadamente 30 anos, consolidando um movimento de perda de espaço do mercado norte-americano que se intensificou após a adoção de novas barreiras comerciais pelo governo dos Estados Unidos.

O chamado "tarifaço" promovido pela administração norte-americana provocou uma redução significativa nas vendas de produtos brasileiros para aquele país, afetando especialmente segmentos industriais com forte presença no comércio bilateral. A retração ocorre em um momento de reorganização das cadeias globais de suprimentos e de aumento das tensões comerciais entre grandes economias.

Dados recentes mostram que a participação dos Estados Unidos como destino das exportações brasileiras caiu para pouco mais de 10% do total embarcado pelo país, percentual que representa um dos menores níveis já registrados desde o início dos anos 1990. No começo dos anos 2000, os norte-americanos absorviam cerca de um quarto das exportações brasileiras.

O movimento ganhou força após a implementação das tarifas adicionais impostas pelo governo norte-americano sobre diversos produtos brasileiros. Embora parte dessas medidas tenha sido flexibilizada posteriormente, uma parcela relevante das exportações continua sujeita a sobretaxas e restrições comerciais.

Os efeitos foram particularmente sentidos por setores ligados à indústria de transformação. Produtos como aço, ferro, máquinas e equipamentos, componentes industriais, produtos manufaturados e bens de maior valor agregado enfrentaram dificuldades para manter competitividade no mercado norte-americano diante do aumento dos custos de acesso ao país.

Para a indústria brasileira, o impacto vai além da simples redução das exportações. Os Estados Unidos historicamente representam um mercado importante para produtos industrializados, diferentemente de outros destinos que concentram compras de commodities agrícolas e minerais. Isso significa que a perda de participação naquele mercado afeta segmentos com maior geração de valor agregado, tecnologia e empregos qualificados.

Entre os setores mais afetados estão siderurgia, metalurgia, máquinas e equipamentos, móveis, madeira processada, couro, calçados e componentes industriais. Em algumas regiões do país, especialmente no Sul e no Sudeste, a dependência das vendas para os Estados Unidos tornou os impactos ainda mais visíveis. Minas Gerais, por exemplo, registrou forte retração nas exportações para o mercado norte-americano após a entrada em vigor das novas tarifas.

Apesar das dificuldades, o desempenho geral da balança comercial brasileira permaneceu positivo graças ao fortalecimento das exportações para outros mercados. A China ampliou sua participação como principal parceiro comercial do Brasil, enquanto Índia, países do Oriente Médio e diversas economias da América Latina aumentaram suas compras de produtos brasileiros.

Essa diversificação vem sendo apontada por especialistas como um dos principais fatores que impediram um impacto ainda maior sobre o comércio exterior brasileiro. O redirecionamento de parte das exportações para mercados alternativos permitiu compensar parcialmente as perdas registradas nos Estados Unidos.

Ainda assim, economistas alertam que substituir integralmente o mercado norte-americano não é uma tarefa simples. Além do elevado volume de importações dos Estados Unidos, o país possui demanda relevante por produtos industrializados brasileiros, característica que nem sempre se repete em outros parceiros comerciais.

O episódio também reacende o debate sobre a necessidade de ampliar acordos comerciais e fortalecer a competitividade da indústria nacional. Para representantes do setor produtivo, a combinação entre barreiras externas, custos internos elevados e desafios logísticos continua limitando a capacidade de expansão das exportações manufaturadas brasileiras.

No médio prazo, a expectativa é que empresas brasileiras intensifiquem estratégias de diversificação geográfica e busquem novos mercados para reduzir a dependência de destinos específicos. Ao mesmo tempo, a continuidade das negociações diplomáticas entre Brasília e Washington será acompanhada de perto por setores que ainda enxergam os Estados Unidos como um mercado estratégico para seus produtos.

O recuo das exportações para os EUA ao menor nível em três décadas simboliza uma mudança relevante no mapa comercial brasileiro. Mais do que um reflexo das disputas tarifárias recentes, o fenômeno evidencia a transformação das relações econômicas globais e o desafio de manter a competitividade da indústria nacional em um ambiente de crescente protecionismo e concorrência internacional.

 
Fonte: Infomet
Seção: Indústria & Economia
Publicação: 22/06/2026

 

Produção de aço cai 1,9% até maio; confiança do setor atinge mínima do ano

A produção brasileira de aço bruto caiu 1,9% nos cinco primeiros meses de 2026, totalizando 13,4 milhões de toneladas, na comparação com o mesmo período do ano passado.

Os dados foram divulgados nesta sexta-feira (19) pelo Instituto Aço Brasil e mostram um setor ainda pressionado por um ambiente de demanda mais fraca e incertezas sobre a recuperação da atividade industrial.

Entre janeiro e maio, as vendas internas cresceram 0,9%, para 8,7 milhões de toneladas, enquanto as exportações avançaram 7,8%, alcançando 4,4 milhões de toneladas. As importações, por sua vez, recuaram 17%, para 2,4 milhões de toneladas.

O consumo aparente de aço somou 10,8 milhões de toneladas no período, queda de 4,1% frente aos primeiros cinco meses de 2025. Segundo o instituto, o resultado foi influenciado principalmente pela redução das importações. O consumo aparente é um indicador que mede a oferta de aço disponível para o mercado brasileiro, calculado pela soma da produção nacional com as importações, descontadas as exportações.

Na comparação apenas do mês de maio com igual período do ano passado, os números mostram um cenário misto. A produção de aço bruto avançou 2,4%, chegando a 2,8 milhões de toneladas, enquanto as vendas internas cresceram 1,3%, para 1,8 milhão de toneladas. Por outro lado, o consumo aparente registrou forte retração de 14,1%, totalizando 2,1 milhões de toneladas. As exportações caíram 35%, para 645 mil toneladas, e as importações recuaram 55,4%, para 312 mil toneladas.

A queda expressiva das importações ocorre em um momento em que a indústria siderúrgica brasileira tenta reduzir a pressão exercida pelo aço estrangeiro sobre o mercado doméstico.

Ao longo dos últimos meses, o governo ampliou mecanismos de defesa comercial e renovou medidas de proteção contra produtos importados, demanda antiga das siderúrgicas nacionais.

O setor vinha alertando que os efeitos dessas medidas só começariam a aparecer de forma mais clara ao longo de 2026.

Os dados de maio são vistos como um possível sinal inicial dessa desaceleração dos fluxos de importação, embora os empresários ainda mantenham cautela diante das incertezas do cenário econômico global.

Essa cautela aparece também nos indicadores de percepção dos executivos.

O Indicador de Confiança da Indústria do Aço caiu para 47,8 pontos em junho, recuo de 12,1 pontos em relação a maio. Com isso, o índice voltou a ficar abaixo da linha de 50 pontos, que separa confiança de falta de confiança, atingindo o menor nível registrado neste ano.

A queda das importações sugere que as medidas de defesa comercial começam a produzir efeito, mas ainda não foram suficientes para melhorar a confiança da indústria.

O setor segue pressionado por um cenário global de excesso de capacidade, sobretudo na China, demanda mundial fraca e competição internacional intensa. No Brasil, a retração do consumo aparente indica que o problema não está apenas na entrada de aço estrangeiro, mas também na fraqueza da demanda doméstica, em um ambiente ainda marcado por juros elevados e incerteza sobre a recuperação de setores consumidores, como construção, máquinas e equipamentos.

 
Fonte: CNN
Seção: Siderurgia & Mineração
Publicação: 22/06/2026

 

Brasil tem a segunda maior reserva de terras raras do mundo, mas desafio é transformar riqueza mineral em indústria

O Brasil detém a segunda maior reserva de terras raras do planeta, atrás apenas da China, e concentra cerca de 23,1% dos recursos globais já mapeados desses minerais estratégicos, segundo estudo elaborado pelo Centro Brasileiro de Relações Internacionais (Cebri) e divulgado nesta sexta-feira pelo Ministério de Minas e Energia (MME).

Em meio à disputa internacional por insumos essenciais para veículos elétricos, turbinas eólicas, inteligência artificial e equipamentos de defesa, o país aparece como um dos principais candidatos a reduzir a dependência mundial da China. Mas especialistas alertam que a abundância geológica, por si só, não garante protagonismo econômico, de acordo com o relatório.

As terras raras são um grupo de 17 elementos químicos utilizados em tecnologias consideradas críticas para a transição energética e a digitalização da economia. Entre eles, neodímio, praseodímio, disprósio e térbio ganharam relevância por serem componentes fundamentais dos ímãs permanentes usados em motores de veículos elétricos, turbinas eólicas, robôs industriais e sistemas militares avançados.

Oportunidade criada pela disputa global

O interesse internacional pelas reservas brasileiras cresce em um momento de reconfiguração das cadeias globais de suprimentos.

Segundo o relatório, a China responde por cerca de 70% da produção mundial de terras raras e domina praticamente todas as etapas de processamento e refino desses materiais. No segmento de ímãs permanentes, a participação chinesa chega a 94%, o que levou Estados Unidos, Europa e outros países a buscarem fornecedores alternativos considerados mais confiáveis geopoliticamente.

Nesse contexto, o Brasil passou a atrair investimentos e parcerias internacionais. O estudo destaca que o número de novos alvarás de pesquisa para terras raras e monazita cresceu 291% entre 2023 e 2024. Também cita investimentos anunciados de aproximadamente R$ 13,2 bilhões em projetos ligados ao setor.

Atualmente, apenas a Mineração Serra Verde, em Goiás, produz terras raras em escala comercial no país. Outras empresas, como Meteoric e Viridis, avançam em projetos que ainda estão em fase de desenvolvimento.

O gargalo está fora da mina

Embora o Brasil possua uma posição privilegiada em recursos minerais, o relatório conclui que o principal desafio está além da extração.

A cadeia de valor das terras raras é dividida em três etapas. A primeira, conhecida como upstream, envolve mineração e beneficiamento do minério. A segunda, chamada de midstream, inclui separação, purificação e refino dos elementos. Já a terceira, ou downstream, abrange a fabricação de ligas metálicas, ímãs permanentes e produtos industriais de maior valor agregado.

O diagnóstico mostra que o Brasil já possui projetos competitivos na etapa de mineração, especialmente em depósitos de argilas de adsorção iônica localizados em Goiás e Minas Gerais. No entanto, ainda depende do exterior nas fases mais sofisticadas da cadeia, justamente aquelas que concentram maior geração de valor econômico e tecnológico.

“O desafio central brasileiro não está somente em identificar jazidas e ampliar a produção mineral, mas também em desenvolver capacidade nacional de processamento, transformação industrial, inovação e inserção em segmentos de maior valor agregado”, afirma o estudo.

Evitar ser exportador de matéria-prima

O documento recomenda que o país evite repetir o modelo de exportação de commodities com baixo grau de industrialização.

Em vez de tentar internalizar toda a cadeia produtiva de uma só vez, os autores defendem uma estratégia gradual de adensamento industrial, com foco inicial na expansão da capacidade de separação e refino, considerada hoje o principal gargalo global do setor.

A proposta inclui medidas para reduzir riscos regulatórios, ampliar financiamentos, incentivar inovação e criar condições para que o país avance futuramente na produção de metais, ligas e ímãs permanentes. Entre as metas de longo prazo estão a formação de uma cadeia integrada entre mina, refino, metalurgia e fabricação de componentes avançados.

Para os autores, a oportunidade é rara não apenas do ponto de vista mineral, mas também geopolítico.

“A conclusão central é que o Brasil possui uma oportunidade histórica de se tornar ator estratégico nas cadeias globais de minerais críticos”, afirma o relatório.

 
Fonte: Money Times
Seção: Siderurgia & Mineração
Publicação: 22/06/2026

 

Queda nas importações de aço já reflete antidumping, mas dimensão é dúvida

Os dados da indústria brasileirade aço no mês de abril chamaram atenção quanto à queda nas importações, após um 2025 de entradas recorde. No quarto mês deste ano, a aquisição no exterior somou 363 mil toneladas, volume que representa um recuo de 33% na comparação anual e de cerca de 40% frente a março. A leitura do mercado é que a redução reflete os efeitos das medidas antidumping adotadas pelo governo federal, mas a dimensão desse movimento considerado positivo, para os próximos meses, ainda é incerta.

Para Daniel Sasson, analista de commodities do Itaú BBA, o movimento reflete os efeitos das iniciativas de proteção comercial, sobretudo em aço plano. “Depois de um primeiro trimestre mais forte, com antecipação de volumes, abril mostrou uma inflexão clara: a penetração do importado caiu de forma relevante e voltou para níveis mais próximos da média histórica. Em aços longos, o movimento também foi expressivo”, afirmou ao Valor.

Em relatórios, a instituição financeira já vinha destacando que a diminuição das exportações de países asiáticos (China e Coreia do Sul) estava aparecendo nos dados portuários desses países, e que a tendência era que isso se refletisse no Brasil com uma defasagem de três a quatro meses.

Neste contexto, ainda para o analista, a visão é que o decréscimo se apresente mais como uma tendência do que como um evento pontual. “O ponto principal aqui é que os dados de exportação de países como China e Coreia do Sul já sugeriam desaceleração dos embarques para o Brasil, e esse efeito costuma aparecer com alguma defasagem nas estatísticas locais. Esse ‘vácuo’ de produto importado chegando pode abrir espaço para reajustes de preço no mercado brasileiro e deixar o ambiente da indústria mais saudável ao longo dos próximos trimestres”, completou.

A visão foi referendada por empresas do próprio setor durante as teleconferências referentes aos resultados obtidos no primeiro trimestre. “No segundo e no terceiro trimestre, nós vamos ter, com certeza, uma demanda muito interessante por conta dessa queda brutal na importação. A China não chega mais no Brasil. Com as medidas que foram aplicadas corretamente pelo governo, de defesa comercial e de isonomia competitiva, não há a mínima possibilidade de chegar da China”, afirmou ainda em março o diretor executivo comercial da Companhia Siderúrgica Nacional (CSN), Luis Fernando Martinez.

O presidente-executivo do Instituto Aço Brasil, Marco Polo Lopes, por sua vez, vê a situação com mais cautela. “A expectativa é que as importações realmente caiam, mas não nessa intensidade. Nós vamos aguardar para ver o mês de maio, porque pode ter ocorrido algum grau de antecipação nas importações”, ponderou.

Ele avalia que, apesar das medidas tomadas, é preciso fazer um monitoramento para que os importadores não usem outros códigos de identificação, o chamado NCM (Nomenclatura Comum do Mercosul), como alternativa para driblar as taxas aplicadas, para além de processos de antidumping ainda em andamento.

Os possíveis “dribles” dos importadores foram citados pela própria CSN na mesma teleconferência. “Ainda na questão de defesa comercial, a gente tem conversado muito sobre o cuidado com a questão de circunvenção, de desvio de comércio e de mudanças de NCMs para poder eventualmente reclassificar um item e não trazer com a tarifa”, afirmou o executivo da empresa em referência ao diálogo que vem sendo travado com o ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic), Márcio Elias Rosa.

De todo modo, a notícia é boa para o setor que, segundo Marco Polo, continua com a prioridade absoluta em retomar o mercado interno “sequestrado pelas importações predatórias em 2025”.

Neste contexto, ele aposta ainda em novas medidas nesta frente, como a extensão das iniciativas de proteção aos itens laminados a quente ainda este ano para além do reforço já realizado no fim de maio, quando a Câmara de Comércio Exterior (Camex), órgão do Mdic, estendeu a alíquota de 25% de Imposto de Importação para 23 tipos de aço. Anteriormente, eram 19 tipos atingidos pela taxação.

 
Fonte: Valor
Seção: Siderurgia & Mineração
Publicação: 12/06/2026

 

EUA devolvem US$ 22 bilhões em tarifas após decisão da Suprema Corte

Em maio, o Tesouro dos Estados Unidos devolveu quase US$ 22 bilhões em tarifas arrecadadas com importadores, na primeira leva de reembolsos desde que a Suprema Corte derrubou uma parte importante da política comercial do presidente Donald Trump.

O valor devolvido foi próximo ao montante arrecadado com tarifas no mês, segundo comunicado divulgado pelo Tesouro nesta quarta-feira (10). Na prática, isso significa que os reembolsos anularam quase totalmente a receita obtida com tarifas.

O governo começou a processar os reembolsos em abril, depois que a Suprema Corte decidiu que Trump não tinha autoridade para impor tarifas com base na Lei de Poderes Econômicos de Emergência Internacional (IEEPA, na sigla em inglês).

Ainda assim, o alcance final dos reembolsos segue incerto, já que o governo recorreu da decisão judicial que determinava a devolução dos US$ 166 bilhões arrecadados sob essa autoridade.

Como resultado, a receita líquida obtida com tarifas alfandegárias ficou levemente negativa em maio, em cerca de US$ 42 milhões. Foi a primeira vez que isso ocorreu desde pelo menos 2015, segundo dados do Tesouro compilados pela Bloomberg.

Questionado sobre o caso durante uma audiência no Congresso na semana passada, o secretário do Tesouro, Scott Bessent, afirmou que os recursos seriam devolvidos às empresas que importaram os produtos tarifados.

No quadro geral das contas públicas, o déficit fiscal dos EUA caiu para US$ 1,25 trilhão nos primeiros oito meses do ano fiscal, uma redução de 9% em relação ao mesmo período do ano anterior.

 
Fonte: InvestNews
Seção: Indústria & Economia
Publicação: 11/06/2026

O que o Brasil mais compra e vende para a China? Comércio bateu recorde de US$ 171 bi em 2025

A China é, há mais de 15 anos, o principal parceiro comercial do Brasil, uma relação que movimentou um recorde de US$ 171 bilhões em 2025, segundo o Conselho Empresarial Brasil-China (CEBC), após atingir US$ 158 bilhõesbilhões em 2024. Entender o que move essa balança comercial, cujo volume é mais que o dobro do registrado com os Estados Unidos, é fundamental para decifrar a dependência mútua e os rumos da economia brasileira.

De um lado, o Brasil funciona como um grande fornecedor de matérias-primas essenciais para alimentar a população e a indústria chinesa. Do outro, a China abastece o mercado brasileiro com uma vasta gama de produtos industrializados e tecnologia. Essa troca, embora lucrativa para o Brasil, revela um padrão claro: exportamos commodities de baixo valor agregado e importamos bens de alto valor agregado.

O que o Brasil vende para a China

A pauta de exportações brasileiras para o gigante asiático, que totalizou US$ 100 bilhões em 2025, é altamente concentrada em poucos produtos. Três itens sozinhos representam a maior parte do que é enviado para lá, evidenciando a força do agronegócio e da mineração nacional.

Soja: É a estrela absoluta das exportações. Apenas em 2024, o Brasil exportou 74,65 milhões de toneladas do grão para a China, movimentando US$ 36,48 bilhões. O produto é fundamental para a produção de ração animal que sustenta a indústria de carnes chinesa.
Minério de ferro: Essencial para a produção de aço, o minério extraído no Brasil alimenta a construção civil e a indústria manufatureira chinesa.
Petróleo bruto: Para manter sua economia funcionando, a China é uma grande consumidora de energia, e o petróleo brasileiro ajuda a suprir essa demanda crescente.
Carne bovina: O Brasil é um dos maiores fornecedores de carne para o mercado chinês, que tem aumentado o consumo da proteína nos últimos anos.
O que o Brasil compra da China

Enquanto as vendas são concentradas, as compras são muito mais diversificadas, incluindo itens de maior tecnologia e capacidade industrial. Nos últimos anos, novas categorias ganharam destaque.

Veículos elétricos e híbridos: Essa categoria se tornou uma das mais importantes. Marcas como a BYD, que liderou com 61,2% do mercado brasileiro de elétricos em 2024, impulsionam essas importações.
Equipamentos de telecomunicações: Celulares, roteadores, antenas e componentes eletrônicos continuam sendo uma categoria principal de importação.
Máquinas e equipamentos elétricos: Inclui desde peças para a indústria automobilística até eletrodomésticos e ferramentas.
Plataformas de petróleo: Compras de grande valor, como a aquisição de plataformas no valor de US$ 2,7 bilhões no início de 2025, impactam significativamente a balança.
Produtos químicos e farmacêuticos: A China consolida-se como a principal fornecedora do Brasil nesse segmento. O grande destaque recente foi o ano de 2025, quando o país asiático ultrapassou a Rússia pela primeira vez para se tornar o maior exportador de fertilizantes.
Essa dinâmica comercial resulta em um superávit para o Brasil. Em 2025, as exportações de US$ 100 bilhões superaram as importações de US$ 70,9 bilhões, gerando um saldo positivo de aproximadamente US$ 29 bilhões. No entanto, a relação acende um alerta sobre a dependência de commodities e de componentes chineses, mostrando a complexidade de uma das parcerias econômicas mais importantes do mundo para o futuro do país.

 
Fonte: Estado de Minas
Seção: Indústria & Economia
Publicação: 11/06/2026