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2 mil toneladas de aço e sem vigas: como a Havan ergue o maior galpão da América Latina de R$ 250 milhões

O sistema autoportante é a operação que chama atenção na obra de R$ 250 milhões de ampliação do Centro de Distribuição da Havan, em Barra Velha, Litoral Norte de SC. O espaço é considerado o maior da América Latina com 200 mil metros quadrados. O novo galpão vai somar 50 mil metros quadrados na estrutura.

Imagens divulgadas pelo empresário Luciano Hang revelaram como está ficando o novo armazém. A tecnologia consiste em construir o galpão sem vigas de apoio, ou seja, o que apoia a estrutura são as próprias prateleiras que armazenam os produtos. Um elevador de 40 mil espaços para paletes e uma estrutura de 2 mil toneladas de aço também será instalado no local.

Sistema autoportante agiliza a construção e otimiza espaço do galpão no centro de distribuição da Havan

Conforme explicação da Longa Industrial, empresa siderúrgica que atua há mais de 60 anos no Brasil, a técnica é desenvolvida para edificação do armazém e reduz significativamente o uso de alvenaria na obra.

A própria estrutura de armazenagem vai sustentar os fechamentos laterais e a cobertura do galpão. Estas estruturas são pré-fabricadas e instalas em obra, em cima do piso já existente. Uma das grandes vantagens é que as prateleiras otimizam ao máximo o espaço, já que eliminam colunas.

Outro motivo pela escolha da técnica é agilizar a construção e manter o canteiro de obra mais limpa, o que pode gerar menos custos em relação aos métodos tradicionais.

No caso da Havan, os pilares construídos tem 35 metros de altura, com o elevador automatizado que será equipado no local, para movimentar as mercadorias.

CDH de Barra Velha consegue separar até 20 mil caixas por hora

O centro de distribuição da  Havan tem o tamanho de cerca de 28 campos de futebol. A unidade é responsável por fazer a distribuição dos produtos vendidos nas 190 megalojas de todo o Brasil.

Segundo a empresa, o espaço usa estrutura de ponta para atender toda a rede. As instalações contam com sistemas automatizados de última geração, incluindo maquinários capazes de separar até 20 mil caixas por hora, o que garante maior agilidade e precisão nas entregas. 

São sete quilômetros de esteira e três transelevadores. Na unidade, atuam cerca de 1.500 mil trabalhadores. O Centro de Distribuição foi inaugurado em Barra Velha em 2010. Ainda não há previsão de entrega da obra que amplia a estrutura.

 
Fonte: NSC Total
Seção: Construção, Obras & Infraestrutura
Publicação: 21/07/2026

 

Defesa comercial começa a redesenhar o mercado brasileiro de aço

Durante os últimos dois anos, a principal preocupação da siderurgia brasileira esteve concentrada no avanço das importações de aço, especialmente de produtos asiáticos vendidos a preços considerados desleais pelo setor. A resposta veio por meio da ampliação dos instrumentos de defesa comercial, com a adoção de cotas tarifárias e a aplicação de medidas antidumping sobre diferentes categorias de produtos siderúrgicos.

Os números do primeiro semestre de 2026 mostram que essas medidas começam a produzir efeitos.

As importações brasileiras de aço recuaram 17,6% entre janeiro e junho, totalizando 2,9 milhões de toneladas, segundo dados divulgados pelo Instituto Aço Brasil. A retração representa a primeira redução significativa após um longo período de crescimento das compras externas e sinaliza uma mudança importante na dinâmica competitiva do mercado nacional.

A diminuição das importações, entretanto, não elimina os desafios da indústria.

Mesmo diante da menor entrada de aço estrangeiro, produção, vendas internas e consumo aparente continuaram registrando retração no semestre, indicando que o principal obstáculo da siderurgia brasileira deixou de ser apenas a concorrência externa e passou a envolver também o ritmo da atividade econômica doméstica.

Defesa comercial começa a alterar o fluxo das importações

A redução das compras externas ocorre após o fortalecimento dos instrumentos de proteção comercial adotados pelo governo brasileiro.

O sistema de cotas tarifárias, renovado recentemente para o biênio 2026-2027, continua abrangendo 19 categorias de produtos siderúrgicos. Dentro dos limites estabelecidos, permanece a tarifa regular de importação. Acima desse volume, passa a incidir uma alíquota de 25%.

Paralelamente, novas medidas antidumping foram implementadas ou prorrogadas sobre diferentes produtos provenientes principalmente da China e da Índia, incluindo aços pré-pintados, laminados planos a frio e materiais revestidos.

Essas iniciativas vinham sendo defendidas pelo setor siderúrgico como instrumentos necessários para reduzir distorções competitivas provocadas pelo excesso de oferta internacional, especialmente em um ambiente marcado pelo avanço das exportações chinesas.

Os números do semestre sugerem que esse conjunto de medidas começa a modificar o comportamento das importações.

O mercado muda, mas a demanda ainda não reage

A redução da concorrência externa, por si só, não foi suficiente para impulsionar a atividade da indústria nacional.

A produção brasileira de aço bruto recuou 1,5% no primeiro semestre, totalizando 16,3 milhões de toneladas.

As vendas internas permaneceram praticamente estáveis, com leve retração de 0,2%, enquanto o consumo aparente apresentou queda mais expressiva, de 5,3%.

Os indicadores revelam que a desaceleração da demanda doméstica continua limitando uma recuperação mais consistente do setor.

Em outras palavras, a defesa comercial contribui para reduzir a pressão competitiva das importações, mas não substitui o crescimento da atividade econômica como principal motor da indústria siderúrgica.

Essa mudança altera a natureza do desafio enfrentado pelas empresas.

Antes, a preocupação estava concentrada na perda de mercado para produtos importados.

Agora, o foco passa a ser a recuperação do consumo nacional.

Junho mostra que a volatilidade permanece elevada

Apesar da queda acumulada no semestre, os dados de junho revelam que o mercado continua sujeito a oscilações importantes.

As importações cresceram mais de 50% em relação ao mês anterior, embora permaneçam abaixo do volume registrado em junho do ano passado.

Esse comportamento indica que os fluxos internacionais continuam bastante sensíveis às condições de oferta, demanda e preços praticados no mercado global.

Para a indústria, isso significa que a defesa comercial reduz parte das distorções, mas não elimina completamente a volatilidade das importações.

Exportações ajudam a equilibrar a atividade

Enquanto o mercado interno permanece moderado, as exportações continuam exercendo papel importante na sustentação da produção.

Os embarques brasileiros cresceram 3,1% no primeiro semestre e alcançaram 5,3 milhões de toneladas.

A ampliação das vendas externas demonstra que parte das siderúrgicas busca compensar o desempenho mais fraco do mercado doméstico por meio de maior presença internacional.

Esse movimento ganha relevância em um cenário no qual diferentes regiões do mundo passam por reorganização das cadeias de fornecimento de aço.

O mercado internacional também busca novo equilíbrio

As mudanças observadas no Brasil ocorrem paralelamente a uma reorganização do mercado internacional.

No segmento de placas de aço, principal produto semielaborado exportado pelo país, produtores relatam melhora gradual da demanda para embarques previstos para o último trimestre do ano.

Ao mesmo tempo, o mercado internacional passa por um processo de estabilização após meses de elevada volatilidade.

A procura por placas brasileiras cresce principalmente entre siderúrgicas instaladas na Europa, enquanto fabricantes continuam enfrentando forte concorrência de fornecedores asiáticos.

Esse ambiente favorece um equilíbrio mais consistente entre oferta e demanda, reduzindo a pressão observada no início do ano.

Na América Latina, o mercado de bobinas laminadas a quente também entrou em uma fase de estabilização após um período de valorização.

Embora os preços internacionais tenham perdido parte do impulso recente, produtores avaliam que o mercado começa a encontrar níveis mais sustentáveis para as negociações.

Esse cenário tende a oferecer maior previsibilidade para exportadores brasileiros.

Confiança da indústria continua abaixo do nível considerado positivo

Apesar da melhora no ambiente competitivo proporcionada pela defesa comercial, o setor ainda demonstra cautela quanto aos próximos meses.

O Indicador de Confiança da Indústria do Aço encerrou julho em 45,6 pontos, permanecendo pelo segundo mês consecutivo abaixo da linha dos 50 pontos, nível que separa percepções positivas e negativas sobre o ambiente de negócios.

A permanência do indicador em terreno pessimista mostra que os executivos do setor ainda enxergam limitações importantes para uma recuperação mais robusta da atividade.

Entre os fatores monitorados permanecem a evolução da demanda doméstica, o comportamento das importações, os investimentos industriais e o cenário internacional.

O setor entra em uma nova etapa

Os resultados do primeiro semestre sugerem que a siderurgia brasileira começa a deixar para trás um período marcado exclusivamente pela preocupação com o crescimento das importações.

As medidas de defesa comercial parecem ter reduzido parte da pressão exercida pelos produtos estrangeiros.

Entretanto, novos desafios passam a ocupar o centro das decisões empresariais.

O principal deles consiste em ampliar a utilização da capacidade instalada em um ambiente de consumo doméstico ainda moderado e crescimento econômico desigual.

Nesse contexto, competitividade, produtividade e expansão das exportações passam a ganhar peso crescente na estratégia das empresas.

Perspectivas

A queda das importações representa um marco importante para a siderurgia brasileira, mas não encerra os desafios do setor.

Depois de um longo período dedicado à defesa comercial, a indústria passa a enfrentar uma nova etapa, na qual a recuperação dependerá cada vez mais do fortalecimento da demanda interna, da expansão dos investimentos e da capacidade de ampliar sua inserção internacional.

Ao mesmo tempo, os sinais de estabilização observados no mercado global de placas de aço e de outros produtos siderúrgicos indicam que a oferta mundial começa a encontrar um novo ponto de equilíbrio após anos de forte volatilidade.

Para a indústria brasileira, essa combinação cria uma oportunidade relevante. Com menor pressão das importações e um ambiente internacional mais previsível, o foco tende a migrar da proteção do mercado para o aumento da competitividade, da produtividade e da agregação de valor, elementos que serão decisivos para consolidar uma nova fase de desenvolvimento da siderurgia nacional.

 
Fonte: Infomet
Seção: Siderurgia & Mineração
Publicação: 20/07/2026

 

Importações de aço caem 17,6% no 1° semestre com medidas antidumping

As importações brasileiras de produtos de aço caíram 17,6% no primeiro semestre de 2026, na comparação com o mesmo período do ano passado, e somaram 2,9 milhões de toneladas, segundo dados divulgados nesta sexta-feira (17) pelo Instituto Aço Brasil.

A retração ocorre em meio ao reforço das medidas de defesa comercial adotadas pelo governo para conter o avanço de produtos siderúrgicos estrangeiros no mercado brasileiro.

O Brasil mantém um sistema de cotas tarifárias para 19 tipos de produtos siderúrgicos. Dentro dos limites estabelecidos, vale a alíquota regular de importação; acima das cotas, a tarifa sobe para 25%. O mecanismo foi renovado em junho para o período de 2026 e 2027.

O governo também aplicou e prorrogou direitos antidumping sobre diferentes produtos de aço. Entre as medidas em vigor estão sobretaxas sobre aços pré-pintados da China e da Índia e sobre laminados planos a frio e revestidos de origem chinesa.

Apesar da queda no acumulado do semestre, as importações voltaram a acelerar em junho. Foram 476 mil toneladas no mês, alta de 52,4% na comparação com maio.

A produção brasileira de aço bruto recuou 1,5% no primeiro semestre, para 16,3 milhões de toneladas. As vendas internas caíram 0,2%, para 10,5 milhões de toneladas, enquanto o consumo aparente teve retração de 5,3%, para 12,9 milhões de toneladas.

As exportações cresceram 3,1% no período e alcançaram 5,3 milhões de toneladas.

 
Fonte: CNN
Seção: Siderurgia & Mineração
Publicação: 20/07/2026

Produção de aço bruto no Brasil fica praticamente estável em junho, diz Aço Brasil

A produção da indústria siderúrgica brasileira ficou praticamente estável em junho ante o mesmo mês do ano passado (+0,1%), em 2,837 milhões de toneladas, de acordo com dados divulgados nesta sexta-feira pelo grupo Aço Brasil.

No acumulado do ano, o volume soma 16,259 milhões de toneladas, queda de 1,5% sobre o mesmo período de 2025, informou a entidade, que representa as siderúrgicas instaladas no país.

A utilização da capacidade instalada no mês passado ficou em 66,8%, de 66,7% um ano antes. Na primeira metade do ano, ficou em 63,8%, de 64,8% no mesmo período de 2025.

Em junho, as vendas no mercado interno caíram 5% ante o mesmo mês do passado, para 1,772 milhão de toneladas. No acumulado do ano, as vendas da liga no Brasil ficaram praticamente estáveis (-0,2%), em 10,460 milhões de toneladas.

As exportações caíram 14,8% em junho, para 912 mil toneladas, enquanto as importações encolheram 20,1%, para 476 mil toneladas. No primeiro semestre, as vendas ao exterior totalizaram 5,332 milhões de toneladas (+3,1%) e as importações somaram 2,904 milhões de toneladas (-17,6%). 

 
Fonte: Reuters
Seção: Siderurgia & Mineração
Publicação: 20/07/2026

Tarifa dos EUA preserva insumos estratégicos, mas amplia pressão sobre a indústria de transformação brasileira

A decisão dos Estados Unidos de aplicar uma tarifa adicional de 25% sobre produtos brasileiros, com vigência a partir de 22 de julho, inaugura uma nova etapa da disputa comercial entre os dois países. Embora o anúncio tenha sido recebido com preocupação pela indústria nacional, a lista final publicada pelo Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) revela um aspecto pouco explorado: Washington preservou justamente os produtos considerados estratégicos para o funcionamento de sua própria indústria.

Entre os itens excluídos da sobretaxa estão ferro-gusa, sucata de ferro e aço, determinados produtos siderúrgicos, além de matérias-primas como petróleo, alumínio, celulose, café, carne bovina e componentes aeronáuticos. Em contrapartida, segmentos de maior valor agregado — como máquinas industriais, máquinas agrícolas, equipamentos elétricos, ferramentas, produtos metalúrgicos transformados e diversos manufaturados — permaneceram sujeitos à nova tarifa.

A diferença evidencia uma mudança importante na política comercial americana. A prioridade deixou de ser apenas reduzir importações e passou a proteger cadeias industriais consideradas estratégicas, preservando insumos indispensáveis à produção doméstica enquanto amplia barreiras sobre bens que podem ser substituídos por fornecedores locais ou de outros países.

A decisão também reforça uma leitura geoeconômica cada vez mais presente nas relações comerciais internacionais: a disputa deixou de ocorrer apenas entre países e passou a envolver cadeias produtivas inteiras.

Ferro-gusa permanece estratégico para os Estados Unidos

Entre todas as exceções anunciadas pelo governo americano, uma das mais relevantes para a indústria brasileira é a manutenção da isenção para o ferro-gusa.

Embora seja um produto de baixo grau de transformação industrial, o ferro-gusa brasileiro ocupa posição estratégica no abastecimento das siderúrgicas americanas, especialmente das mini mills e fundições que utilizam o material como matéria-prima para produção de aço e peças fundidas.

Na avaliação do próprio USTR, a substituição desse fornecimento poderia provocar aumento de custos para a indústria americana e comprometer o abastecimento de segmentos importantes da manufatura.

Na prática, Washington reconhece que determinados insumos produzidos pelo Brasil permanecem difíceis de substituir no curto prazo.

Essa decisão confirma que o comércio bilateral continua sendo caracterizado por forte complementaridade em diversos segmentos industriais.

O impacto recai sobre produtos de maior valor agregado

Se os insumos estratégicos foram preservados, o mesmo não ocorreu com boa parte da indústria de transformação.

Pedidos apresentados por fabricantes de máquinas agrícolas, máquinas industriais, equipamentos elétricos, ferramentas, papel, calçados e diversos produtos manufaturados foram rejeitados pelo governo americano.

Mesmo com argumentos relacionados ao aumento de custos para empresas dos Estados Unidos, o USTR concluiu que esses produtos podem ser obtidos em outros mercados internacionais ou substituídos pela produção doméstica.

Essa decisão altera significativamente o perfil do impacto econômico.

Em vez de atingir principalmente commodities, a nova tarifa concentra pressão justamente sobre segmentos responsáveis pela maior agregação de valor industrial.

São setores intensivos em engenharia, transformação metalúrgica, tecnologia e mão de obra especializada.

Máquinas entram no centro da disputa

Poucos segmentos ilustram essa mudança com tanta clareza quanto a indústria de máquinas.

Nos últimos anos, fabricantes brasileiros ampliaram sua participação em nichos ligados à agricultura, construção pesada, mineração, infraestrutura e equipamentos industriais.

Esses produtos normalmente envolvem projetos específicos, certificações técnicas e elevado conteúdo tecnológico.

Ainda assim, o governo americano optou por não conceder isenção ao setor.

A decisão aumenta a pressão competitiva sobre fabricantes brasileiros justamente em um momento de reorganização das cadeias globais de bens de capital.

Além do impacto direto sobre exportações, cresce a preocupação com possíveis efeitos sobre fornecedores nacionais de fundidos, componentes mecânicos, sistemas hidráulicos, motores e estruturas metálicas.

A indústria metalmecânica sente os efeitos

Outro segmento potencialmente afetado é a indústria metalmecânica.

Produtos transformados em aço, equipamentos industriais, ferramentas e componentes metálicos passam a enfrentar condições menos competitivas no mercado americano.

Esse movimento ocorre justamente quando diferentes regiões brasileiras vinham ampliando investimentos em agregação de valor ao aço.

Projetos como a futura linha de bobinas laminadas da ArcelorMittal no Pecém, a retomada parcial da indústria naval, a expansão da fabricação de máquinas agrícolas e o fortalecimento da cadeia metalmecânica buscavam aumentar a participação brasileira em produtos industriais de maior complexidade.

A nova tarifa tende a dificultar parte desse processo.

A indústria americana também impôs limites ao protecionismo

Ao preservar determinados insumos, os Estados Unidos também demonstram que o protecionismo encontra limites impostos pela própria estrutura industrial do país.

Ferro-gusa, determinadas matérias-primas metálicas e componentes específicos continuam sendo essenciais para a competitividade da manufatura americana.

Aplicar tarifas sobre esses produtos significaria elevar custos para fabricantes instalados nos próprios Estados Unidos.

Isso reforça uma característica importante da economia contemporânea.

As cadeias industriais tornaram-se tão integradas que determinadas medidas comerciais acabam produzindo impactos simultâneos sobre importadores e exportadores.

O Brasil amplia estratégia de diversificação

A reação do governo brasileiro combina dois movimentos.

No plano jurídico, o país pretende utilizar os instrumentos previstos na Lei de Reciprocidade e retomar o tema no sistema de solução de controvérsias da Organização Mundial do Comércio.

No plano econômico, a estratégia concentra-se na diversificação de mercados, ampliando acordos comerciais e reduzindo a dependência de um único parceiro.

Nesse contexto, negociações envolvendo Mercosul-União Europeia, Associação Europeia de Livre Comércio e países asiáticos passam a ganhar importância ainda maior para a indústria brasileira.

Quanto maior a diversificação das exportações, menor tende a ser a vulnerabilidade diante de medidas unilaterais.

O desafio passa a ser agregar mais valor

O episódio também reforça um debate recorrente na política industrial brasileira.

Os produtos preservados pela tarifa pertencem, em grande parte, às primeiras etapas das cadeias produtivas.

Já os segmentos atingidos concentram justamente maior intensidade tecnológica.

Isso evidencia um desafio estratégico.

O Brasil continuará competitivo na produção de matérias-primas, mas precisará fortalecer sua capacidade de produzir bens industriais de maior valor agregado capazes de competir em diferentes mercados internacionais.

Máquinas, equipamentos, metalurgia avançada, bens de capital e manufatura especializada passam a ocupar posição ainda mais relevante dentro dessa estratégia.

Perspectivas

O novo tarifaço americano vai além de uma disputa comercial entre Brasil e Estados Unidos.

Ele confirma que a política industrial voltou ao centro das relações econômicas internacionais e que cadeias produtivas estratégicas passaram a orientar decisões comerciais antes definidas apenas por critérios tarifários.

Para a indústria brasileira, a preservação de produtos como ferro-gusa demonstra que o país continua ocupando posição relevante no fornecimento de insumos industriais globais. Ao mesmo tempo, a taxação de máquinas, equipamentos e produtos metalúrgicos reforça a necessidade de ampliar competitividade justamente nos segmentos de maior valor agregado.

Mais do que responder às novas tarifas, o desafio passa a ser consolidar uma indústria capaz de transformar aço, minério e conhecimento em produtos industriais sofisticados. A disputa comercial evidencia que a vantagem competitiva do futuro dependerá menos da exportação de matérias-primas e cada vez mais da capacidade de desenvolver cadeias industriais completas, resilientes e tecnologicamente avançadas.

 
Fonte: Infomet
Seção: Indústria & Economia
Publicação: 16/07/2026

Preços do aço iniciam julho estáveis, mas importações e estoques podem alterar trajetória no segundo semestre

Os preços dos aços comercializados no mercado spot brasileiro mantêm um cenário de estabilidade neste início de julho. As variações apuradas até o momento são pouco expressivas e indicam acomodação tanto entre os aços planos quanto nos produtos longos e na sucata ferrosa.

Apesar da baixa volatilidade observada nos índices, o mercado permanece atento a fatores que poderão mudar essa trajetória ao longo do mês e durante o segundo semestre. Entre eles estão o volume de aço importado, os níveis de estoques da distribuição, a demanda da indústria e da construção civil, o câmbio e a possibilidade de novos reajustes anunciados pelas siderúrgicas.

Aços planos apresentam pequenas quedas

Entre os aços planos, o Índice do Aço Laminado a Quente, também conhecido como BQ, registra queda de 0,14% em julho na comparação com junho. O indicador passou de 364,55 para 364,05 pontos.

O Índice do Aço Laminado a Frio, ou BF, apresenta recuo um pouco maior, de 0,20%, passando de 353,7 para 353 pontos.

Já o Índice da Chapa Grossa permaneceu estável, sem alteração entre junho e julho.

As variações inferiores a 0,2% indicam que, por enquanto, não há um movimento generalizado de redução dos preços dos aços planos. O comportamento é mais próximo de uma acomodação ou estabilidade técnica do que de uma tendência consistente de queda.

Aços longos também permanecem acomodados

O cenário é semelhante no segmento de aços longos. Os índices da barra chata e do tubo industrial redondo não apresentaram variação na comparação mensal.

O vergalhão foi o produto com a maior redução percentual entre os itens acompanhados. Seu índice recuou 0,34%, de 368 para 366,75 pontos.

Embora seja a queda mais significativa entre os produtos analisados, o percentual continua relativamente baixo e ainda não caracteriza uma mudança expressiva na formação dos preços do segmento.

O comportamento do vergalhão deverá continuar relacionado principalmente ao ritmo da construção civil, ao nível de estoques dos distribuidores e à concorrência entre fornecedores no mercado spot.

Sucata tem leve valorização

Na direção oposta, o Índice da Sucata Ferrosa apresentou pequena alta de 0,10%, passando de 101,9 para 102 pontos.

A variação também é considerada limitada. No entanto, a sucata deve permanecer no radar do mercado, uma vez que alterações mais intensas no custo da matéria-prima podem afetar a produção das usinas semi-integradas e, posteriormente, os preços dos aços longos.

Mercado spot opera sem pressão definida

Os dados mostram um mercado sem uma direção clara de preços neste começo de julho. Dos sete produtos analisados, três permaneceram estáveis, três registraram pequenas quedas e apenas a sucata apresentou leve alta.

Esse quadro reforça a percepção de estabilidade no mercado spot. Compradores não demonstram, até o momento, disposição para formar estoques de maneira agressiva, enquanto distribuidores e fornecedores procuram preservar volumes e margens em um ambiente de demanda moderada.

A estabilidade, entretanto, não significa ausência de riscos de variação durante o restante do mês.

Importações são um dos principais fatores de pressão

O comportamento das importações continua sendo um dos elementos mais importantes para a definição dos preços internos.

Em abril, as importações brasileiras de aços planos somaram 166,6 mil toneladas, queda de 43,2% em relação ao mesmo mês do ano anterior, segundo dados divulgados pelo Instituto Nacional dos Distribuidores de Aço, o INDA. No acumulado dos quatro primeiros meses do ano, porém, a redução foi de apenas 1,9%, para 1,07 milhão de toneladas.

O presidente do INDA, Carlos Loureiro, avalia que uma redução mais consistente da entrada de material estrangeiro pode criar condições para novos reajustes das siderúrgicas nacionais. A lógica é que uma oferta menor de produtos importados reduz a pressão competitiva sobre as usinas brasileiras e abre espaço para recuperação das margens.

Por outro lado, caso as importações voltem a crescer ou os produtos estrangeiros continuem chegando ao Brasil com preços competitivos, a capacidade das usinas de transferir aumentos ao mercado poderá ser limitada.

As importações foram um dos principais fatores de pressão sobre os preços e sobre o desempenho da distribuição nos últimos anos. Em 2025, as compras brasileiras de aços planos no exterior cresceram 24,1%, alcançando 3,33 milhões de toneladas.

Estoques ainda podem limitar reajustes

Outro ponto de atenção é o nível dos estoques existentes na cadeia.

Mesmo com a diminuição recente das importações, estoques elevados nos distribuidores, consumidores e portos podem retardar uma recuperação mais forte dos preços. Enquanto houver material disponível adquirido anteriormente, compradores tendem a resistir a novas tabelas e a negociar descontos no mercado spot.

Em maio, o INDA afirmou que os estoques da distribuição ainda permaneciam altos, apesar da queda das importações registrada em abril.

Esse fator ajuda a explicar por que uma eventual tentativa de reajuste das usinas não necessariamente aparece de forma imediata nos índices de preços. Entre o anúncio de um aumento e sua efetiva aplicação, há negociações, consumo dos estoques antigos e diferentes condições comerciais oferecidas a cada cliente.

Demanda deve determinar sustentação dos preços

A demanda doméstica também será decisiva para o comportamento dos preços ao longo do segundo semestre.

No início de 2026, o INDA projetou crescimento de apenas 1,5% nas vendas de aços planos pela distribuição, o que representaria o terceiro ano consecutivo de expansão limitada. A entidade esperava um desempenho mais favorável no segundo semestre do que na primeira metade do ano.

O cenário de juros elevados continua restringindo investimentos, compras de bens duráveis e novos projetos industriais. Ao mesmo tempo, segmentos como construção, máquinas, equipamentos, energia, infraestrutura e indústria automotiva podem gerar maior consumo caso apresentem aceleração nos próximos meses.

Para que eventuais reajustes se sustentem, será necessário que a procura acompanhe a redução da oferta importada. Sem uma recuperação do consumo, aumentos anunciados pelas siderúrgicas poderão ser parcialmente absorvidos por descontos e negociações comerciais.

Câmbio e custos também entram na conta

Além das importações e da demanda, o câmbio pode provocar mudanças nos preços.

Uma valorização do dólar encarece o aço estrangeiro e torna a produção nacional relativamente mais competitiva. Esse movimento tende a favorecer reajustes internos. Já um real mais valorizado reduz o custo de importação e pode aumentar novamente a concorrência com produtos provenientes da China e de outros mercados asiáticos.

Custos de matérias-primas como minério de ferro, carvão metalúrgico, energia e sucata também influenciam as decisões das usinas, embora seus efeitos nem sempre sejam repassados de maneira imediata ao consumidor.

Perspectiva para julho

Com base nos índices apurados até agora, o cenário predominante para julho é de estabilidade, com pequenas oscilações negativas em determinados produtos.

Não há, neste momento, evidências de uma queda generalizada dos preços dos aços no mercado brasileiro. Também ainda não aparece nos indicadores uma recuperação ampla capaz de sustentar aumentos expressivos.

A tendência poderá mudar caso haja uma redução mais intensa das importações, queda dos estoques e melhora da demanda. Nesse cenário, as siderúrgicas nacionais poderão encontrar condições mais favoráveis para tentar novas recomposições de preços.

Por outro lado, a permanência de estoques elevados, o consumo moderado e a concorrência entre distribuidores podem manter o mercado spot acomodado e dificultar o repasse integral de eventuais reajustes.

Assim, julho começa marcado pela estabilidade, mas com um equilíbrio ainda sensível. Pequenas alterações na oferta importada, no câmbio ou no ritmo dos pedidos poderão determinar se os preços encerrarão o mês praticamente inalterados ou se iniciarão um movimento mais claro de alta ou de baixa.

 
 
Fonte: Infomet
Seção: Siderurgia & Mineração
Publicação: 15/07/2026