Vista como urgente, venda de ativos da CSN ainda está em fase inicial
Vista como urgente, venda de ativos da CSN ainda está em fase inicial
Apesar da urgência da venda de ativos da CSN, que acumula uma dívida líquida de R$ 37,5 bilhões, os processos ainda estão em fase bem inicial. Os nomes dos bancos de investimento Morgan Stanley e Santander, para a venda da operação de cimentos, e do Citi, em conjunto com o Bradesco, para a tentativa de atrair sócios do negócio de infraestrutura, estariam bem encaminhados. No entanto, a companhia ainda segue em conversa com outras instituições, inclusive em busca de novos créditos em troca de mandatos de venda, de acordo com fontes.
A empresa teve ao menos mais duas conversas com bancos diferentes nesta semana, deixando ainda em aberto os nomes dos responsáveis por vender os ativos, em transações que podem somar entre R$ 15 bilhões e R$ 18 bilhões.
Na prática, o entendimento de bancos e fontes do setor é de que apenas a venda de controle da CSN Cimentos deve encontrar compradores com maior facilidade. Os ativos de infraestrutura têm menor apelo, até porque ainda precisa ser constituída uma holding para agrupar as partes da CSN que atuam na área, enquanto, na siderurgia, a menção feita pela companhia em teleconferência com analistas de “busca de parceiro” para o negócio ainda se mostra em processo muito inicial e tem gerado descrença na Faria Lima.
Siderurgia não passou por negociação
Apesar de informações que circularam no mercado sobre conversas da companhia com pares nacionais e internacionais, o controlador da CSN, Benjamin Steinbruch, afirmou, em nota, à Broadcast que não teve conversa alguma com possíveis compradores ou sócios nacionais ou internacionais para a venda da siderúrgica.
“Estamos em fase de avaliação da melhor estratégia”, afirmou. A companhia falou em busca de parceiros que aportem “tecnologia e equipamentos” para modernização da usina de Volta Redonda (RJ), que está com instalações obsoletas e requer capital para se atualizar tecnologicamente e se tornar competitiva.
A venda do controle de ativos é considerada o caminho mais viável para Steinbruch, dada a dificuldade do empresário em ter sócios minoritários em seus negócios. Há cerca de três anos, Steinbruch anunciou a busca de um sócio estratégico para o negócio de energia. Não avançou. Depois, em 2024, disse que estava aberto a vender uma fatia da empresa fabricante de cimento, a CSN Cimentos. Também não evoluiu.
A exceção é na CSN Mineração, companhia de minério de ferro, formada em 2016, por razões específicas: os sócios são uma trading e usinas siderúrgicas da Ásia. O grupo é liderado pela trading japonesa Itochu e inclui Posco (Coreia do Sul) e China Steel (Taiwan). As sócias têm direitos de preferência na compra da matéria-prima produzida pela CMIN, para uso em suas usinas de aço. A empresa abriu o capital na B3 em 2021.
Pressão dos bancos
Desta vez, a movimentação da CSN de apresentar um plano detalhado de venda de ativos e cogitar, pela primeira vez, perder o controle de sua operação de produção de cimentos fez parte de uma pressão mais forte dos bancos para que o empresário reduzisse de fato seu endividamento, após uma série de declarações que não haviam se traduzido em ações concretas.
Exemplo da descrença que a empresa vinha enfrentando no mercado são os recentes rebaixamentos de rating. Em novembro, a agência de classificação de risco S&P Global Ratings rebaixou os ratings da companhia de ‘AA+’ para ‘AA’ e os colocou em observação por alavancagem elevada. Ontem foi a vez da Fitch rebaixar de ‘BB’ para ‘BB-’ o rating de emissor da CSN e atribuir uma observação negativa para a nota da siderúrgica, indicando que pode ser rebaixada novamente. Segundo a classificadora, o rebaixamento reflete o endividamento total e líquido “persistentemente elevado” da CSN, o fluxo de caixa livre negativo contínuo e o alto risco de refinanciamento no nível da holding.
Outro sinal de que a confiança dos credores está abalada para com a empresa e seu controlador, é a recente exigência de alguns bancos de que o irmão do CEO e dono da companhia, Benjamin Steinbruch, participe de reuniões sobre as vendas de ativos. Ricardo Steinbruch é considerado mais pragmático e funcionaria como uma garantia de que o empresário, conhecido por evitar vender seus ativos, não adiasse os planos mais uma vez.
Questionada sobre o processo de venda dos ativos de cimentos e infraestrutura, a CSN não comentou até a publicação deste texto.
Os mandatos da CSN
Companhia quer levantar cerca de R$ 18 bi em desinvestimentos
O desinvestimento de até R$ 18 bilhões que Benjamin Steinbruch se diz disposto a fazer na CSN está movimentando os bancos de investimento. Ainda não há mandatos formais, mas Bradesco BBI e Citi devem ficar responsáveis pela venda de infraestrutura — ferrovias, portos e terminais. Esses ativos ainda precisam ser segregados em uma holding, que deve fazer venda minoritária, de até 30%.
O Morgan Stanley e o Santander são os assessores mais próximos da operação de cimentos, que pode ser uma venda integral, e ao menos três bancos avançam na disputa pelo mandato de siderurgia, cuja estratégia ainda está sendo discutida com Steinbruch. O empresário quer crédito na contrapartida, para refinanciamento e caixa de subsidiárias.
O desinvestimento tem como objetivo desalavancar a holding. Pessoas próximas à companhia admitem que Steinbruch tem dificuldade em desapegar, mas avaliam que, como o plano desta vez partiu inicialmente dele e não da pressão de credores, vai ser efetivado em algum volume.
As agências de risco podem dar um empurrãozinho para isso. Na segunda-feira, a Fitch colocou os ratings da CSN em observação negativa dado alto endividamento da companhia - a agência projeta um índice bruto fechado em 2025 de 5,9 vezes e líquido de 4,4 vezes. Já para 2026, a projeção é que subam para 6,7 e 4,2 vezes. Excluindo o segmento de mineração, a alavancagem líquida consolidada do ano passado estaria em 13,7 vezes.
A agência pondera que a CSN espera vender uma participação majoritária em cimento e uma minoritária no negócio de infraestrutura, o que ajudaria na questão de alavancagem mas pode reduzir significativamente a diversificação do portfólio - mineração e siderurgia representam a maior parte da geração de Ebitda.
Com agências de notícias (Broadcast+ e Pipeline)
Fonte: Infomet
Seção: Siderurgia & Mineração
Publicação: 04/02/2026