Tarifa de 50% sobre aço e alumínio nos EUA é mantida em 2026 e pressiona indústria brasileira

Tarifa de 50% sobre aço e alumínio nos EUA é mantida em 2026 e pressiona indústria brasileira

A tarifa de 50% sobre aço e alumínio nos EUA segue em vigor em 2026, mesmo após o governo de Donald Trump anunciar uma nova tarifa global de 15% para diversos produtos importados. A decisão mantém os setores siderúrgico e metalúrgico fora do escopo de flexibilização e preserva a aplicação da Seção 232 da legislação americana, instrumento jurídico utilizado sob o argumento de segurança nacional e reindustrialização. O impacto recai diretamente sobre exportadores relevantes, como o Brasil, segundo maior fornecedor de aço ao mercado norte-americano.

Ao excluir aço e alumínio da redução tarifária, Washington reforça a natureza estratégica da política industrial voltada à siderurgia doméstica. A manutenção da tarifa de 50% sobre aço e alumínio nos EUA consolida um eixo estrutural da política comercial americana, com implicações econômicas, jurídicas e geopolíticas.

Seção 232 consolida blindagem institucional ao setor

A tarifa de 50% sobre aço e alumínio nos EUA está ancorada na Seção 232 do Trade Expansion Act, dispositivo que autoriza o Executivo a impor restrições comerciais quando importações são consideradas ameaça à segurança nacional.

Na prática, a interpretação adotada amplia o conceito de segurança para abranger capacidade produtiva industrial estratégica. A indústria siderúrgica, essencial para defesa, infraestrutura e energia, passou a ser tratada como ativo nacional sensível.

A permanência da tarifa de 50% sobre aço e alumínio nos EUA indica que o instrumento jurídico ganhou status institucional. Mesmo diante de contestações internacionais e disputas na OMC, a medida resistiu às pressões diplomáticas e às revisões judiciais internas.

Suprema Corte revisa pacote, mas preserva aço e alumínio

A recente decisão da Suprema Corte dos Estados Unidos que derrubou trechos do novo pacote tarifário não alcançou o núcleo da política aplicada ao aço e ao alumínio. Assim, a tarifa de 50% sobre aço e alumínio nos EUA permanece integralmente válida.

Produtos como combustíveis, carne, café e celulose passaram a contar com alíquotas menores. No entanto, o aço continuou submetido à sobretaxa máxima. A leitura predominante entre analistas é que a política voltada à siderurgia possui base legal e política distinta, dificultando sua reversão judicial.

O entendimento é de que a Seção 232 concede ampla margem de discricionariedade ao Executivo, limitando o alcance de eventuais contestações na Suprema Corte.

Dimensão eleitoral fortalece a proteção à siderurgia

A indústria siderúrgica americana concentra grande parte de sua base produtiva em estados do Meio-Oeste, considerados decisivos nas eleições presidenciais. Esses “estados pêndulo” possuem forte dependência de empregos industriais.

Nesse contexto, a manutenção da tarifa de 50% sobre aço e alumínio nos EUA também responde a uma lógica política interna. A proteção ao setor é percebida como instrumento de preservação de postos de trabalho e revitalização industrial.

A estratégia de reindustrialização tem apelo significativo em regiões afetadas por décadas de deslocamento produtivo. Assim, a tarifa de 50% sobre aço e alumínio nos EUA transcende o debate comercial e se insere no centro da agenda eleitoral e econômica americana.

Brasil: impacto direto nas exportações

O Brasil é o segundo maior exportador de aço para os Estados Unidos. Ainda assim, a tarifa de 50% sobre aço e alumínio nos EUA tem restringido o avanço das vendas brasileiras.

Em 2025, as exportações de aço ao mercado americano recuaram cerca de 7%. Embora o volume seja expressivo, parcela relevante corresponde a produtos primários, com menor valor agregado.

A tarifa de 50% sobre aço e alumínio nos EUA reduz a competitividade do produto brasileiro, encarece contratos e pressiona margens, exigindo revisão de estratégias comerciais.

Balança comercial e argumento de complementaridade

O Brasil mantém déficit comercial com os Estados Unidos, dado frequentemente utilizado como argumento diplomático para contestar a necessidade da tarifa de 50% sobre aço e alumínio nos EUA aplicada ao produto brasileiro.

Entidades do setor defendem que não há prática de concorrência desleal e que o comércio bilateral é complementar. A avaliação predominante é de que eventual flexibilização dependerá mais de negociação diplomática do que de decisão judicial.

A reversão da tarifa de 50% sobre aço e alumínio nos EUA, portanto, está mais associada a diálogo político do que a disputas nos tribunais.

Cadeias produtivas e efeitos indiretos

Setores como máquinas e equipamentos têm os Estados Unidos como principal destino e podem impulsionar indiretamente a demanda por aço brasileiro caso ampliem exportações.

Ainda assim, a tarifa de 50% sobre aço e alumínio nos EUA impõe restrição estrutural. Empresas com forte exposição ao mercado americano precisam diversificar destinos ou investir em maior agregação de valor.

O impacto não se limita ao volume exportado. Ele influencia decisões de investimento, planejamento industrial e estratégias de internacionalização.

Ambiente doméstico reage com medidas defensivas

No mercado interno, 2026 apresenta cenário relativamente mais favorável ao setor siderúrgico. O governo brasileiro elevou tarifas de importação para diversos produtos siderúrgicos e ampliou medidas antidumping.

Paralelamente, a China adotou controle por cotas para exportação de cerca de 300 produtos siderúrgicos, movimento que pode aliviar a pressão sobre preços globais.

Apesar dessas variáveis, a tarifa de 50% sobre aço e alumínio nos EUA continua sendo o principal fator externo de risco para empresas brasileiras com foco no mercado americano.

Reconfiguração do comércio internacional do aço

A manutenção da tarifa de 50% sobre aço e alumínio nos EUA reforça uma tendência mais ampla de fragmentação do comércio internacional. Medidas unilaterais, justificadas por segurança nacional, vêm sendo incorporadas como instrumentos permanentes de política industrial.

Para países exportadores, o desafio passa a ser estrutural: adaptar-se a um ambiente menos previsível e mais orientado por interesses estratégicos.

A tarifa de 50% sobre aço e alumínio nos EUA simboliza essa nova fase do comércio global, na qual cadeias produtivas, política doméstica e geopolítica se entrelaçam.

Investimento e planejamento sob nova lógica tarifária

A previsibilidade regulatória é elemento central para decisões de investimento de longo prazo. Ao manter a tarifa de 50% sobre aço e alumínio nos EUA, Washington sinaliza continuidade de uma política industrial defensiva.

Para o Brasil, a resposta envolve diplomacia econômica ativa, defesa comercial consistente e fortalecimento da competitividade interna. A indústria siderúrgica brasileira opera em um cenário no qual o acesso ao maior mercado do mundo permanece condicionado a uma sobretaxa significativa.

A equação impõe cautela, mas também exige estratégia. A tarifa de 50% sobre aço e alumínio nos EUA não é apenas uma medida tarifária; é um vetor estruturante das relações comerciais bilaterais e da reorganização das cadeias globais de valor.

 
Fonte: Gazeta Mercantil
Seção: Siderurgia & Mineração
Publicação: 24/02/2026