Sobretaxa global dos EUA favorece exportações do Brasil

Sobretaxa global dos EUA favorece exportações do Brasil

A sobretaxa global aplicada pelos Estados Unidos trará um alívio financeiro imediato para diversos setores produtivos brasileiros. Segundo o novo relatório do Observatório da Amcham, a mudança na política tarifária norte-americana reduz encargos sobre US$ 14,9 bilhões em vendas externas do Brasil.

Redução da carga tributária impulsiona o comércio

A nova sobretaxa global de 10% substitui alíquotas anteriores que chegavam a 50% em determinados produtos. Essa alteração, vigente desde 24 de fevereiro, impacta diretamente 34,9% do volume total exportado pelo país para o mercado americano.

O ajuste tarifário utiliza como base a Seção 122 do Trade Act, focada em equilibrar o balanço de pagamentos dos EUA. Diferente das medidas de emergência econômica anteriores, esta norma possui caráter temporário, com validade prevista para até 150 dias.

A Amcham destaca que o cenário atual é de otimismo cauteloso. Embora o custo de exportação tenha caído para uma parcela relevante da pauta, setores como o de aço e alumínio seguem sob as regras da Seção 232, mantendo restrições por segurança nacional.

Produtos brasileiros beneficiados pela nova tarifa

A transição para a sobretaxa global permitiu que a fatia de produtos brasileiros isentos de taxas extras subisse de 37,5% para 45,6%. Entre os itens que deixaram de pagar sobretaxas ou tiveram reduções drásticas, destacam-se:

Aeronaves e partes de turbinas (isentas);
Nióbio e metais industriais;
Tratores agrícolas e máquinas;
Açúcar e café solúvel;
Madeira processada e granito.
Por outro lado, insumos fundamentais como o ferro-gusa (US$ 1,5 bilhão) e minério de ferro passam a ser tributados na faixa fixa de 10%. A simplificação da tabela ajuda no planejamento logístico, mas exige atenção das tradings brasileiras para garantir que a sobretaxa global não afete a margem de lucro.

Riscos e o futuro das negociações bilaterais

Mesmo com o alívio gerado pela sobretaxa global, o governo dos EUA sinaliza que novas investigações podem ser abertas. O monitoramento contínuo é essencial, pois instrumentos como a Seção 301 ainda podem impor barreiras específicas ao Brasil no futuro próximo.

“A redução das sobretaxas traz impacto imediato ao melhorar as condições de competitividade. No entanto, o avanço das negociações entre os governos do Brasil e dos EUA continua sendo fundamental para evitar novas restrições”, afirma Abrão Neto, presidente da Amcham Brasil.

O setor empresarial aguarda agora o encontro entre os presidentes de ambos os países. A expectativa é que o diálogo diplomático consolide essa redução da sobretaxa global em acordos permanentes de cooperação econômica e estabilidade comercial.

 
Fonte: ABC do ABC
Seção: Indústria & Economia
Publicação: 27/02/2026