Recursos naturais da Venezuela podem valer US$ 14 trilhões
Recursos naturais da Venezuela podem valer US$ 14 trilhões
Os recursos minerais e energéticos – notadamente petróleo – são apontados como um dos principais motivos que levaram o governo norte-americano a lançar ataques no país latino-americano e prender o presidente do país, Nicolás Maduro.
Figurando entre os 10 países mais ricos pelo valor de seus recursos naturais, com um valor estimado em US$ 14 trilhões, a Venezuela possui a maior reserva mundial de petróleo, estimada em 303 bilhões de barris, a oitava reserva de gás natural, com 5,69 trilhões de metros cúbicos, detém a maior reserva de ouro, calculada em 8.900 toneladas, é o número 1 no mudo em reservas de níquel (28,9 milhões de toneladas), além de deter reservas expressivas de minério de ferro (14,6 bilhões de toneladas), bauxita (320 milhões de toneladas) e recursos ainda não estimados de columbita-tantalita e cobre.
Os recursos naturais da Venezuela estão localizados em três ambientes: Faixa do Orinoco, Arco Mineiro do Orinocoe Faixa de Essequibo. A Faixa do Orinoco, no leste da Venezuela, abriga pelo menos 235 bilhões de barris de petróleo, o que a torna a maior reserva do mundo. A estatal petrolífera PDVSA tem gradualmente concentrado suas operações nessa área, apesar dos custos de produção mais elevados devido à natureza extrapesada do petróleo bruto, que exige operações de mistura ou refino para gerar tipos exportáveis. A Faixa do Orinoco também abriga diversas joint ventures com empresas estrangeiras. As sanções severas adotadas contra a Venezuela, principalmente a partir de 2019, prejudicaram a produção devido à falta de acesso a peças de reposição e diluentes, à fuga de cérebros e à necessidade de oferecer descontos aos clientes.
O Arco Mineiro do Orinoco, que abrange 12% do território venezuelano, foi designado pelo governo venezuelano como uma “zona de desenvolvimento estratégico” em 2016. A área abriga uma quantidade importante de recursos minerais, especialmente ouro. Mas as atividades de mineração têm gerado preocupações e críticas tanto por seus potenciais danos ambientais quanto por seus efeitos sobre as comunidades indígenas locais. A mineração ilegal nessa região foi tolerada pelo governo durante vários anos, numa tentativa de obter receitas com a atividade. Somente em 2023 a mineração ilegal passou a ser combatida. Esta área é considerada estratégica para a exploração de ouro, principalmente, mas também de diamantes, columbita-tantalita, níquel e elementos de terras raras. Quando criou o Arco Mineiro do Orinoco, o governo falava da possibilidade de explorar “até um milhão de quilates de diamantes, 12 mil toneladas de níquel, 35 mil toneladas de columbita-tantalita e depósitos significativos de cobre”. Porém, uma década depois, longe de se tornar um polo de desenvolvimento, o Arco Mineiro do Orinoco é considerado um perigoso foco de criminalidade, corrupção política e militar e contrabando, tudo isso em meio a um grande desastre ambiental. Não há mineração em larga escala, mas sim exploração caótica e descontrolada.
Por último está a Faixa de Essequibo, que está no centro de disputas internacionais há mais de dois séculos. A Venezuela reivindicou esse território como herança do império espanhol no início do século XIX, apenas para ver o Reino Unido tentar gradualmente expandir a fronteira oeste de sua colônia da Guiana Britânica após descobertas de ouro. A questão da fronteira com a Guiana permaneceu praticamente adormecida desde sua independência na década de 1960, mas reacendeu nos últimos anos após descobertas maciças de petróleo em alto-mar. (Com informações da publicação independente VenezuelaAnalysis).
Fonte: Brasil Mineral
Seção: Indústria & Economia
Publicação: 06/01/2026