Mercado eleva previsão de inflação para 2026 e projeta Selic a 12,25%

Mercado eleva previsão de inflação para 2026 e projeta Selic a 12,25%

A expectativa de inflação do mercado financeiro para 2026 subiu para 4,06%, segundo o boletim Focus divulgado nesta segunda-feira (5) pelo Banco Central. Esta é a primeira edição do relatório em 2026 e indica leve alta em relação à projeção anterior, que era de 4,05%.

Para 2025, os analistas reduziram a estimativa do IPCA para 4,31%. O dado oficial da inflação será divulgado na próxima sexta-feira (9), conforme o calendário do IBGE.

Em relação aos juros, os economistas projetam que a taxa Selic encerre este ano em 12,25%. A principal dúvida do mercado é o momento de início dos cortes. Inicialmente esperada para janeiro, a redução pode ficar para março, avalia o professor de economia da Universidade de Brasília (UnB), Cesar Bergo.

“Então essa demora no corte da taxa de juros vai ter impacto direto na economia, exatamente porque afeta o crédito das empresas, aumenta na despesa das famílias, então afeta o consumo e afeta também os preços como estamos vendo e a perspectiva pode ser essa. Mas em decorrência de uma possibilidade de corte da Selic, melhora o cenário econômico.”

Segundo ele, a demora na queda dos juros impacta diretamente a economia ao encarecer o crédito, aumentar as despesas das famílias e afetar o consumo. “Por outro lado, a perspectiva de corte da Selic tende a melhorar o cenário econômico”, explica.

Sobre a possibilidade de uma invasão norte-americana à Venezuela, especialistas avaliam que o impacto direto sobre o Brasil deve ser limitado, já que o comércio bilateral entre os dois países é pouco significativo. A análise é do economista Werton Oliveira, do Conselho Regional de Economia da Paraíba.

“O que a gente tem que entender mais é questão dos investidores e a questão do dólar. Porque como a gente está numa região que está sendo afetada diretamente por essa invasão, a gente pode sofrer algumas sanções por causa da proximidade com o país venezuelano. E pode ter alguma questão direta no preço das commodities,  minério, ouro, petróleo. Também pode ter a questão do fluxo de capitais com insegurança na região”.

De acordo com ele, a maior preocupação envolve a reação dos investidores e o comportamento do dólar. “A instabilidade na região pode afetar o fluxo de capitais, o câmbio e até os preços de commodities como minério, ouro e petróleo”, afirma.

Ainda segundo o boletim Focus, a projeção inicial para o crescimento da economia brasileira em 2026 é de 1,80%. Já o dólar deve encerrar o ano cotado a R$ 5,50.

 
Fonte: Diário Indústria & Comércio
Seção: Indústria & Economia
Publicação: 06/01/2026