Exportações brasileiras de placas de aço iniciam 2026 em alta com oferta restrita e demanda firme
Exportações brasileiras de placas de aço iniciam 2026 em alta com oferta restrita e demanda firme
O mercado brasileiro de exportação de placas de aço começou 2026 com um movimento consistente de valorização, impulsionado principalmente pela restrição na oferta global, ajustes estratégicos das siderúrgicas e um ambiente cambial favorável. Após um período de relativa estabilidade no final de 2025, os preços de referência voltaram a subir e atingiram, em fevereiro, o maior patamar em cerca de um ano, com avanço superior a 6% em relação aos níveis observados no encerramento do ano passado.
O principal motor desse movimento tem sido o equilíbrio mais apertado entre oferta e demanda. Produtores brasileiros vêm enfrentando limitações de disponibilidade para novos embarques, especialmente para carregamentos programados para o segundo trimestre. Em alguns casos, fontes do setor indicam que a produção destinada ao mercado externo já está praticamente comprometida, refletindo uma demanda robusta e contratos previamente firmados.
Outro fator relevante é a estratégia adotada por grandes grupos siderúrgicos com atuação global, que têm direcionado parte significativa da produção para abastecer operações próprias em outros continentes. Esse redirecionamento contribui para reduzir o volume disponível no mercado internacional, reforçando o ambiente de oferta restrita e sustentando a valorização dos preços.
No cenário cambial, a valorização do real frente à moeda norte-americana tem favorecido a sustentação de preços mais elevados nas negociações internacionais. Essa dinâmica tem permitido aos produtores brasileiros manter competitividade e ampliar margens, sem comprometer o interesse dos compradores estrangeiros.
Além disso, o Brasil tem ampliado sua presença em mercados alternativos como Europa, México e outros países da América do Sul. Essa diversificação tem sido vista como um movimento estratégico importante para reduzir riscos comerciais e garantir estabilidade nos volumes exportados, especialmente em um contexto de negociações comerciais com os Estados Unidos envolvendo tarifas de importação. O ambiente de diálogo entre autoridades dos dois países tem gerado expectativas positivas no setor, alimentando projeções de aumentos moderados adicionais ao longo das próximas semanas.
No curto prazo, os preços continuaram avançando gradualmente, registrando alta semanal próxima de 2%, acompanhada de ampliação das faixas de negociação. Alguns agentes do mercado avaliam que, diante da escassez de material disponível, eventuais ofertas poderiam alcançar níveis ainda mais elevados, reforçando o cenário de aquecimento da demanda.
Apesar da tendência de alta, o mercado pode apresentar uma breve desaceleração operacional em função do calendário de feriados no Brasil, que tradicionalmente reduz o ritmo de negociações e embarques. Ainda assim, o sentimento predominante entre produtores é de manutenção dos preços em patamares firmes, sustentados pelo forte nível de procura. Em alguns casos recentes, compradores chegaram a aceitar ofertas sem necessidade de renegociação, sinalizando confiança no mercado.
Enquanto isso, outros segmentos do aço plano na região seguem com dinâmica distinta. As exportações latino-americanas de bobinas laminadas a quente permaneceram estáveis nas últimas semanas, refletindo menor disponibilidade para novos negócios e priorização da produção de placas, cuja demanda tem se mostrado mais aquecida. Parte dos volumes destinados ao exterior já se encontra totalmente comprometida até pelo menos o início do segundo trimestre, indicando um ambiente de oferta bastante ajustado.
No cenário internacional, compradores que tradicionalmente recorrem ao Brasil passaram a considerar fornecedores alternativos, principalmente na Ásia. Ainda assim, o produto brasileiro mantém forte presença global graças à sua qualidade e à confiabilidade logística, fatores que continuam garantindo competitividade ao país.
As perspectivas para os próximos meses permanecem favoráveis. A combinação entre demanda internacional consistente, gestão estratégica da produção e ampliação de destinos comerciais reforça a expectativa de continuidade do ciclo positivo para as exportações brasileiras de placas de aço em 2026. O setor entra no ano com fundamentos sólidos e com espaço para consolidar ainda mais sua relevância no comércio siderúrgico global.
Fonte: Infomet
Seção: Siderurgia & Mineração
Publicação: 09/02/2026