Distribuição de aço começa 2026 em retração e setor prevê ano difícil com pressão das importações
Distribuição de aço começa 2026 em retração e setor prevê ano difícil com pressão das importações
O mercado brasileiro de distribuição de aço iniciou 2026 em ritmo mais fraco, com retração nas vendas e nas compras, estoques elevados e forte concorrência de produtos importados. Dados do Instituto Nacional dos Distribuidores de Aço (Inda) indicam que o setor deverá enfrentar um ano desafiador, com expectativa de crescimento modesto e forte disputa por participação no mercado interno.
Em janeiro de 2026, as vendas de aços planos pelos distribuidores independentes somaram cerca de 293,9 mil toneladas, volume 18% superior ao registrado em dezembro de 2025, mas ainda 8,2% inferior ao observado no mesmo mês do ano anterior. O desempenho confirma a continuidade de um cenário de demanda enfraquecida que já vinha sendo observado no fim de 2025.
As compras feitas pela rede de distribuição totalizaram aproximadamente 291,3 mil toneladas em janeiro, representando queda de 14,8% em relação ao mesmo período de 2025. Na comparação com dezembro, a retração foi de cerca de 2,3%. A expectativa do Inda é de que fevereiro registre novo recuo, com projeção de queda de 4% nas vendas e de 6% nas aquisições.
O desempenho mais fraco ocorre em um ambiente marcado por estoques elevados. Mesmo com ligeira redução no início do ano, o volume armazenado permanece em torno de 3,8 meses de consumo, nível considerado alto e acima da média histórica de aproximadamente 2,8 meses. Esse excesso de material disponível tende a limitar novos pedidos e pressiona as margens de distribuidores e usinas.
Além da demanda moderada, as importações continuam sendo o principal fator de pressão sobre o mercado doméstico. Em janeiro, entraram no país cerca de 225,6 mil toneladas de produtos siderúrgicos, volume 9,7% superior ao de dezembro, embora 6,6% inferior ao registrado um ano antes. O aumento das compras externas ao longo de 2025 elevou a concorrência com o aço nacional e contribuiu para a desaceleração das vendas internas.
A maior parte das importações é tradicionalmente proveniente da China, mas o cenário vem mudando com a adoção de medidas antidumping e outras ações de defesa comercial. O governo brasileiro já aplicou tarifas adicionais sobre alguns produtos chineses e analisa a ampliação das medidas para outros segmentos. Essas ações devem reduzir gradualmente a participação chinesa, mas não devem eliminar as importações, já que fornecedores de países como Coreia do Sul e Egito tendem a ocupar parte do espaço.
Como parte desse esforço para proteger a indústria nacional, o governo federal também elevou para 25% a tarifa de importação de nove códigos de produtos siderúrgicos da Nomenclatura Comum do Mercosul (NCM). A medida entrou em vigor no fim de fevereiro e permanecerá válida por 12 meses, até fevereiro de 2027, sem previsão de volumes isentos. Os produtos afetados incluem bobinas laminadas a quente decapadas, chapas, fios e aços elétricos, que representam cerca de 10% das importações brasileiras de aço.
Apesar do aumento tarifário, agentes do mercado avaliam que parte das importações poderá continuar viável por meio de regimes especiais ou estruturas logísticas específicas, o que indica que a competição com o aço estrangeiro deve permanecer relevante ao longo do ano.
Ao mesmo tempo, as usinas brasileiras tentam recompor margens pressionadas pelos preços baixos e pela concorrência externa. O setor trabalha com a perspectiva de reajustes de aproximadamente 10% nos preços domésticos, movimento que já começou a ocorrer em alguns produtos. A evolução das cotações dependerá, porém, de fatores como o nível do dólar, que influencia diretamente a competitividade do material importado.
A combinação de demanda moderada, estoques elevados e forte concorrência externa leva as entidades do setor a preverem um ano difícil. A expectativa do Inda é de crescimento de cerca de 1,5% em 2026, enquanto projeções do Instituto Aço Brasil indicam que o volume de importações pode seguir elevado, possivelmente com expansão próxima de 10%.
Nesse contexto, distribuidores e produtores nacionais devem enfrentar um cenário de competição intensa, no qual a recuperação do mercado dependerá tanto das medidas de defesa comercial quanto da retomada mais consistente da atividade industrial no país.
Fonte: Infomet
Seção: Siderurgia & Mineração
Publicação: 27/02/2026