CSN responde à CVM sobre possibilidade de venda da siderurgia

CSN responde à CVM sobre possibilidade de venda da siderurgia

A Companhia Siderúrgica Nacional (CSN) respondeu a questionamentos da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) sobre a movimentação para a venda de ativos, especialmente em relação à siderurgia. A CSN tratou como mera especulação a informação de que existem eventuais compradores e participações definidas a serem objeto de desinvestimento, uma vez que não existe avanço significativo para um projeto de desalavancagem. 


Como está listada na bolsa de valores de São Paulo, a B3, a CSN tem obrigação regulatória de informar o mercado financeiro sobre movimentos estratégicos do grupo que podem afetar o desempenho do seu negócio. As ações da companhia registram uma alta de 2,72% no pregão desta quarta-feira (28/01) e uma valorização de 25,98% no mês de janeiro



Sobre o potencial interesse de venda do segmento de siderurgia, a CSN afirmou que o fato relevante divulgado neste mês, sobre a estratégia para redução do endividamento, “foi categórico ao dizer que o estágio atual envolve a ‘avaliação de alternativas/parcerias com foco na maximização da geração de caixa no curto prazo’, sem que haja, até o momento, qualquer conclusão que enseje uma comunicação formal por parte da Companhia”.

O ofício da CVM foi enviado ao grupo de Benjamin Steinbruch na segunda-feira (26/01) relacionado a uma reportagem publicada pelo jornal Valor Econômico sobre a possibilidade de venda dos ativos de siderurgia da companhia. O jornal O TEMPO apurou com fontes do mercado que a CSN conversa com gigantes nacionais do setor e players coreanos e chineses para avaliar o interesse na compra de uma fatia ou da totalidade do seu braço siderúrgico. 


 


A busca pelos concorrentes foi feita de maneira informal e visa a desalavancagem do grupo. A CSN respondeu à CVM em comunicado divulgado ao mercado na terça-feira (27/01). A companhia argumentou que as informações constantes no noticiário “não constituem novas projeções, tampouco são informações relevantes ainda não divulgadas”, o que não gera necessidade de publicação de novo fato  relevante conforme as normas da comissão.

O plano da CSN para reduzir dívidas
A holding possui um plano de revisão estratégica de ativos para diminuir o endividamento e equacionar o capital do grupo. No fato relevante sobre a redução do endividamento, a CSN anunciou a intenção de vender ativos para arrecadar entre R$ 15 a R$ 18 bilhões neste ano.

Segundo a companhia, os movimentos estratégicos permitiriam a concentração das atividades em segmentos de maior rentabilidade, crescimento e sinergia. No caso da siderurgia, afirmam as fontes, a CSN busca vender a operação ou um parceiro comercial para o seu negócio. 


 


A estratégia de desalavancagem da CSN consiste em, dentro de um prazo de até oito anos, reduzir a relação entre dívida líquida e Ebitda (Lucros Antes de Juros, Impostos, Depreciação e Amortização) - o endividamento - para algo em torno de 1x e dobrar o próprio Ebtida.

A dívida bruta da CSN alcançou R$ 52,1 bilhões em setembro de 2025. Por conta disso, a agência de classificação de risco de crédito S&P Global Ratings (ex-Standard & Poor’s) rebaixou neste ano a classificação da CSN de BB- para B+ na escala global.

A agência avalia um possível novo rebaixamento da classificação no próximos 12 meses, se a ausência de vendas de ativos e uma piora do desempenho operacional mantiverem a alavancagem da CSN acima de 5x, enquanto a dívida de curto prazo é significativa e as saídas de caixa são substanciais, com investimentos (capex) e juros pressionando a liquidez. 


 


O cenário de piora na classificação de risco de crédito se concretizará caso a CSN não consiga realizar vendas relevantes, como parte ou a totalidade de suas operações na siderurgia. A companhia possui três plantas industriais no seu braço siderúrgico. São duas no estado do Rio de Janeiro, localizada em Volta Redonda e em Porto Real, e uma no Paraná, instalada em Araucária.

Atualmente, a S&P projeta que, na ausência da venda de ativos, a alavancagem ajustada da CSN permanecerá acima de 5x em 2026. A justificativa é de que a agência enxerga riscos para uma execução apropriada de transações expressivas como essas, o que pode postergar uma melhoria na alavancagem da companhia. 


 


Fonte: O Tempo/ Economia 
Seção: Siderurgia & Mineração
Publicação: 28/01/2026