Associação de aço dos EUA diz que Brasil também precisa proteger a própria indústria
Associação de aço dos EUA diz que Brasil também precisa proteger a própria indústria
O presidente da Associação de Fabricantes de Aço dos Estados Unidos (SMA, na sigla em inglês), Philip Bell, acredita que a relação entre governos brasileiro e americano ainda pode melhorar. Ao Valor, Bell afirmou que, mesmo com uma maior aproximação entre os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Donald Trump nos últimos meses, há espaço para avanços. Ele também observou que o Brasil precisa de mecanismos para proteger a própria indústria, em clara alusão à China.
“Trump era um grande fã de [Jair] Bolsonaro, mas as coisas mudaram. O Brasil é importante para a economia global e para a indústria de aço. É fundamental termos um relacionamento saudável. Há um enorme potencial para melhora”, disse Bell, após participar do congresso anual da Associação Latino-americana de Aço (Alacero), na Colômbia.
Questionado sobre se essa relação melhor entre os países poderia reduzir as tarifas americanas sobre o aço importado do Brasil, que ainda é taxado com 50% desde junho pela medida da Casa Branca chamada seção 232, Bell deixou a decisão para os chefes de Estado.
“Isso diz respeito a Lula e Trump, e não a mim. Acredito que o Brasil tem muito a fazer no campo de comércio exterior. Muitos na indústria brasileira [do aço], ainda que não gostem do que nós estamos fazendo, acreditam que o Brasil deveria fazer algo parecido com nossas tarifas para ajudar a indústria interna”, afirmou.
O presidente americano instituiu a seção 232 logo depois de assumir, em janeiro deste ano, inicialmente taxando os produtos em 25%. Em junho, decidiu elevar a taxa para 50%. A tarifa vale igualmente para todos os países.
Conforme Bell, a medida tem ajudado a indústria americana: “Para os produtores americanos, isso nos ajuda. Nos ajuda a conseguir mais investimentos e a ganhar fatia de mercado que havíamos perdido com a concorrência desleal do produto importado. A melhor forma de descrever o avanço é que, até agora, está tudo bem.”
O presidente da SMA reconheceu que a taxação de aço prejudicou as relações entre os Estados Unidos e outros países, tornando a geopolítica mais complicada: “Mas ainda acredito que temos que entender o que o presidente Donald Trump está tentando fazer. Ele está passando uma mensagem clara sobre o comércio exterior americano e sobre as relações com os países", disse.
"Países como a China estão tentando dominar as indústrias dos outros países e tentando derrubá-las. Sei que não é fácil, mas, em certo ponto, o Brasil deve precisar de algo como a 232 [mecanimo americano] para ajudar a levantar a indústria de aço e outros setores de manufatura”, completou.
Fonte: Valor
Seção: Siderurgia & Mineração
Publicação: 13/11/2025