Alta de tarifas sobre aço importado pode reconfigurar setor e destravar investimentos industriais

Alta de tarifas sobre aço importado pode reconfigurar setor e destravar investimentos industriais

O governo federal aprovou recentemente um aumento nas tarifas de importação de diversos produtos siderúrgicos, em uma ação que sinaliza uma mudança de rumo na política comercial voltada ao setor do aço. A decisão, tomada pelo Comitê-Executivo de Gestão (Gecex) da Câmara de Comércio Exterior (Camex), eleva alíquotas para aproximadamente 25% em um conjunto de produtos importados e impõe direitos antidumping com duração de cinco anos sobre aços pré-pintados provenientes de mercados como China e Índia, em resposta a práticas consideradas predatórias de concorrência.

Embora a medida atinja cerca de 10% do total importado, ela representa um ponto de inflexão para um segmento que vinha relatando pressões crescentes. Nos últimos anos, o volume de aço importado entrou em expansão significativa — com laminados importados crescendo 168% acima da média histórica entre 2000 e 2019 — impulsionando a participação de importados no mercado doméstico para aproximadamente 21%, bem acima dos níveis tradicionais.

A indústria argumenta que essas importações, muitas vezes ofertadas a preços muito abaixo dos praticados internamente, têm prejudicado a competitividade do parque fabril nacional, corroendo margens e desestimulando novos investimentos. Em um contexto global de excesso de capacidade produtiva, especialmente em países asiáticos, a entrada de volumes a preços muito baixos é vista por produtores locais como uma ameaça estrutural à sustentabilidade do setor.

No Espírito Santo, estado que abriga uma das maiores plantas siderúrgicas do país, essa nova postura do governo é interpretada como um fator potencial para destravar projetos de expansão que vinham sendo adiados. Há cerca de um ano, havia planos para investimentos bilionários na construção de novas linhas de laminação e galvanização, mas o excesso de importações teria desestimulado a decisão final de investimento. Com a nova política tarifária, o ambiente de negócios pode se tornar mais propício à retomada desses planos, ainda que a efetividade das medidas dependa de sua implementação e de eventuais revisões ao longo do tempo.

Especialistas apontam que as barreiras tarifárias não são inéditas no cenário internacional, com exemplos similares observados em outras regiões, como na Europa, onde mecanismos de defesa comercial têm sido acionados para proteger mercados locais diante de fluxos de importação intensos. A combinação de antidumping e tarifas elevadas vem sendo adotada por diversos países como forma de equilibrar a competição e preservar capacidade produtiva interna frente a desequilíbrios externos.

No entanto, a pergunta que permanece é se essa estratégia tarifária conseguirá, de fato, reverter o quadro de desequilíbrio estrutural. Embora possa desestimular parte das importações predatórias e melhorar a competitividade da produção doméstica, o impacto sobre os preços finais ao consumidor, a produtividade industrial e a atração de novos investimentos ainda dependerá da evolução do cenário global de comércio e da capacidade de coordenação das políticas comerciais com outros incentivos à produção.

Em suma, a elevação do imposto de importação de aço representa uma tentativa clara do governo de reforçar a indústria nacional, resguardar empregos e criar um ambiente mais estável para projetos industriais de grande porte. A medida também reflete um movimento mais amplo de ajuste da política comercial em resposta a desafios externos, como o excesso de oferta global e práticas comerciais consideradas injustas, que têm pressionado setores intensivos em capital e mão de obra no Brasil e em outras economias.

 
Fonte: Infomet
Seção: Siderurgia & Mineração
Publicação: 30/01/2026