Aço nos EUA engata trajetória de alta: preços sobem em todas as regiões em meio a oferta restrita e demanda morna

Aço nos EUA engata trajetória de alta: preços sobem em todas as regiões em meio a oferta restrita e demanda morna

Os preços dos principais produtos siderúrgicos nos Estados Unidos avançaram em novembro, em diversas regiões e categorias, em um movimento marcado por oferta reduzida, tarifas elevadas sobre importados, manutenção programada de usinas e compradores operando com estoques mínimos. Mesmo com a demanda final ainda descrita como “fraca” por diversos participantes, usinas domésticas seguem firmes nas ofertas e ampliaram a distância em relação aos valores vistos no final do terceiro trimestre.

Sul e Meio-Oeste dos EUA: HRC se aproxima de US$ 900 por tonelada

No Sul dos Estados Unidos, o hot-rolled coil (HRC) encerrou 19 de novembro orbitando US$ 880 por tonelada, com o índice semanal chegando a US$ 876,80/t, leve alta de 0,11% em uma semana. As negociações continuam escassas, mas os produtores seguem resistentes a reduzir preços, mantendo ofertas na faixa de US$ 42,50 a US$ 45,50 por cwt.

No Meio-Oeste, o HRC chegou a US$ 895/t, o maior nível em quatro meses, após uma sequência de reajustes conduzida pelas usinas. O preço diário chegou a US$ 44,75 por cwt em 19 de novembro, alta de 1,66% em relação à semana anterior. Participantes relatam um mercado com liquidez reduzida, mas com usinas alongando prazos de entrega para seis a oito semanas — e compradores limitando pedidos para evitar aumento de estoques.

A Nucor, maior produtora de aço dos EUA, elevou o preço spot do HRC pela terceira semana consecutiva, para US$ 910/t, reforçando o movimento altista no segmento.

Apesar da firmeza nas ofertas, compradores seguem cautelosos. “As pessoas têm estoque baixo e não querem aumentar muito, porque esperam demanda flat”, afirmou um distribuidor da região.

Costa Oeste: HRC sobe e ultrapassa US$ 950/t com spot paralisado

No Oeste do país, o HRC entregue em Los Angeles alcançou US$ 955/t, alta de US$ 1,58 por cwt em uma semana. A Nucor também reajustou preços em sua operação na California Steel Industries, para US$ 960/t.

O mercado spot continua praticamente congelado desde o aumento das tarifas de importação para 50%, impostas pelo governo dos EUA em junho. Com importações praticamente inexistentes, o abastecimento depende quase exclusivamente de usinas domésticas.

“Os importadores estão esperando os números internos subirem para voltar a ofertar”, disse um distribuidor da Costa Oeste. A expectativa de maior demanda ligada à construção do muro na fronteira sul e aos setores de óleo e gás pode sustentar o consumo de HRC em 2026.

Galvalume sobe pela primeira vez em oito meses, puxado por alumínio caro e novos extras

O mercado de Galvalume registrou seu primeiro aumento desde março, subindo US$ 40 por tonelada e atingindo US$ 900/t em 18 de novembro. A alta foi impulsionada por:

aumento das ofertas das usinas,
reajuste dos extras de revestimento (coating weight extras),
forte escalada dos prêmios do alumínio — que aumentaram quase 290% desde janeiro.
As negociações spot para novembro e dezembro já estão encerradas, e o mercado negocia volumes para janeiro de 2026. A retração das importações, após tarifas de 50% e processos antidumping, reduziu drasticamente a concorrência estrangeira.

A elevação dos extras abre espaço até para substituição parcial do Galvalume por galvanizado em aplicações específicas. “Estamos pensando em trocar Galvalume por galvanizado para produtos de bitola mais leve”, relatou um distribuidor.

Apesar dos preços mais altos, a demanda permanece fraca. “As linhas estão cheias, mas o consumo não está forte”, disse uma fonte da distribuição.

Importações devem voltar a aparecer em maior volume a partir de março de 2026, com expectativa de entrada de até 25 mil toneladas — e risco de novas tarifas se o volume ultrapassar 50 mil t.

Mercado de importados: HRC e placas sobem com recomposição de estoques

Os preços do HRC importado entregue em Houston subiram para US$ 840–880/t, acompanhando o avanço do mercado doméstico. A proximidade entre o preço interno e o importado indica que não há margem para grandes descontos no material estrangeiro.

Já as chapas grossas importadas tiveram forte valorização, chegando a US$ 1.060–1.100/t, impulsionadas pela necessidade de distribuidores reforçarem estoques antes de novos aumentos previstos para o início de 2026.

O preço doméstico da chapa grossa permanece em US$ 1.000/t, estável desde setembro.

Vergalhão: mercado firme e em alta diante da oferta curta

O preço do vergalhão doméstico se manteve em US$ 930/t, após o reajuste de US$ 30 por tonelada aplicado por Nucor, CMC e Gerdau no início de novembro. A aceitação generalizada no mercado reforça um cenário de oferta limitada e chegada reduzida de material importado.

O vergalhão importado entregue em Houston permaneceu entre US$ 850–920/t, com baixa disponibilidade devido à queda de chegadas externas.

Fontes destacam que a demanda segue sustentada pelos setores de infraestrutura e centros de dados, enquanto a construção comercial privada desacelera. Alguns participantes esperam uma leve retração da atividade no restante do ano, com a chegada de novos lotes importados e o impacto sazonal do inverno.

Panorama geral: 2026 começa a tomar forma

Os aumentos recentes nos preços do aço nos EUA refletem menos uma aceleração da demanda e mais um ajuste de oferta, influenciado por:

paradas de manutenção,
estoques historicamente baixos na cadeia,
tarifas de 50% restringindo importações,
usinas tentando estabelecer um novo piso para 2026.
Embora o consumo final continue considerado “fraco”, o mercado como um todo dá sinais de reorganização, com compradores tentando se antecipar a novos ajustes e usinas usando períodos de baixa liquidez para firmar preços mais altos.

O resultado é um cenário em que praticamente todas as categorias — HRC, Galvalume, vergalhão e produtos importados — registram alta simultânea, mesmo com a demanda ainda tímida. A configuração para 2026 dependerá do ritmo de reposição de estoques, da força das tarifas e da eventual retomada das importações.

 
Fonte: Infomet
Seção: Siderurgia & Mineração
Publicação: 24/11/2025