Aço inicia 2026 com preços estáveis enquanto setor absorve novas medidas antidumping

Aço inicia 2026 com preços estáveis enquanto setor absorve novas medidas antidumping

O mercado brasileiro de aço começa 2026 sob um cenário de estabilidade nos preços dos produtos planos e ajustes pontuais no segmento de vergalhão, em meio à expectativa pela consolidação de medidas de defesa comercial e ao avanço das importações. Após um 2025 marcado por volumes recordes de entrada de material estrangeiro, especialmente da China, o setor aguarda os efeitos práticos das iniciativas antidumping e da prorrogação da tarifa de 25% sobre 23 produtos siderúrgicos, válida até maio deste ano.

No segmento de laminados planos, os preços permaneceram majoritariamente estáveis até meados de fevereiro, período que coincidiu com a retomada das atividades após o Carnaval — tradicionalmente um momento de menor ritmo de negócios no país. Embora as usinas tenham anunciado reajustes no início do ano, parte desses aumentos ainda encontra resistência ao longo da cadeia, sobretudo diante da competição com importados e da negociação por volume entre siderúrgicas e distribuidores.

Os dados de fevereiro indicam variações mensais discretas nos principais índices. O Índice do Aço Laminado a Quente (BQ) recuou -0,28% em relação a janeiro, enquanto o Laminado a Frio (BF) apresentou leve queda de -0,09%. A Chapa Grossa (CG) ficou estável no mês, com variação nula. Já o Aço Galvanizado registrou alta de +0,16%, e o Galvalume teve avanço mais expressivo, de +3,91% no comparativo mensal. A Chapa Xadrez também não apresentou variação frente a janeiro.

No acumulado desde agosto de 2025, entretanto, os planos ainda mostram trajetória positiva. O BQ acumula alta de +11,18%, o BF de +9,47%, a Chapa Grossa de +9,98% e a Chapa Xadrez de +11,66%. O Galvanizado sobe +6,11% no mesmo intervalo. O destaque de médio prazo é o Galvalume, que registra valorização de +35,34% na comparação com fevereiro de 2024, evidenciando recuperação consistente ao longo dos últimos dois anos.

Apesar da estabilidade recente, o sentimento predominante no mercado é de viés altista. Distribuidores relatam que a expectativa em torno das medidas antidumping — incluindo investigações envolvendo laminados a quente e a frio de origem chinesa — já começa a influenciar decisões de compra. Parte dos agentes aposta que a conclusão desses processos poderá restringir a oferta de importados e dar maior sustentação aos preços domésticos no curto prazo.

Ainda assim, o ambiente concorrencial segue intenso. Há relatos de negociações caso a caso, com descontos atrelados a volume e relacionamento comercial de longo prazo. Além disso, os estoques de laminados planos nas distribuidoras cresceram 11,4% em dezembro de 2025 na comparação anual, reflexo de compras antecipadas e de um ritmo mais fraco de vendas no fim do ano, o que também contribui para limitar repasses imediatos de preços.

No segmento de aços longos, o vergalhão apresentou movimento distinto. Após dois meses de estabilidade, o índice do produto subiu +3,01% em fevereiro frente a janeiro. Ainda assim, no comparativo de dois anos — fevereiro de 2026 sobre fevereiro de 2024 — a variação é praticamente nula, em +0,18%, evidenciando o longo período de compressão de margens enfrentado pelas usinas.

O mercado de vergalhão também registrou estreitamento da faixa de preços praticados, à medida que parte das usinas tentou implementar reajustes próximos de 2% para compradores com necessidade imediata de reposição. No entanto, a falta de consenso entre os produtores e a estratégia mais agressiva de alguns concorrentes, interessados em ampliar participação de mercado, têm dificultado aumentos mais consistentes.

Fontes do setor atribuem a limitação dos reajustes à demanda ainda enfraquecida, típica do primeiro trimestre, quando fatores sazonais como chuvas intensas e menor atividade na construção civil impactam o consumo. Distribuidores que reforçaram estoques no fim de 2025, apostando em elevações mais robustas no início deste ano, agora enfrentam um cenário de vendas abaixo do esperado.

No panorama geral, a produção brasileira de aço deve recuar 2,2% em 2026, para 32,4 milhões de toneladas, pressionada por uma expectativa de aumento de 10% nas importações. O avanço do material estrangeiro segue como principal preocupação da indústria, que vê nas medidas antidumping e na manutenção da tarifa adicional instrumentos fundamentais para restabelecer condições mais equilibradas de competição.

Assim, o início de 2026 desenha um mercado em compasso de espera: de um lado, preços ainda comportados e negociações intensas; de outro, a expectativa de que a consolidação das barreiras comerciais possa redefinir o equilíbrio entre oferta e demanda e abrir espaço para recomposição mais consistente das margens ao longo do ano.

 
Fonte: Infomet
Seção: Siderurgia & Mineração
Publicação: 20/02/2026